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métrica e estrofes, na disposição das rimas e dos ritmos, e poema de estrutura “livre”
aquele que: “não [obedece] a nenhuma regra preestabelecida quanto ao metro, à
disposição das sílabas fortes, à presença ou distribuição de rimas.” (GOLDSTEIN,
1988, p. 19)
Quanto às estrofes, em Jorginho do Sertão, tem-se uma única estrofe
composta por 33 versos e estrutura paralelística — repetição dos versos: “logo veio a...”
nos versos 13º , 17º, 21º; “Jorginho case comigo.” nos versos 15º, 19º, 23º. As canções
Chico Mulato e Chico Mineiro são compostas por duas partes, o prólogo, com função
de apresentação e síntese do enredo, destinado à declamação, e a narração, destinada ao
canto. Na parte declamada, tanto em Chico Mulato quanto em Chico Mineiro, tem-se
uma estrutura monostrófica, a primeira composta por 30 versos e a segunda por 23; na
parte cantada, em Chico Mulato tem-se três décimas e em Chico Mineiro três oitavas.
Em relação à composição dos versos, predomina nas três canções a
redondilha maior (versos de sete sílabas), mas também há a ocorrência de versos
octossílabos: em Jorginho do Sertão versos 8, 10, 12, 16, 20 e 29, em Chico Mulato 17
e 19 da parte declamada e versos 1, 8, e 14 da cantada; em Chico Mineiro versos 3, 6, 7,
13, 14, 19, 23 da parte declamada e os versos 1, 2, 7, 15, 16, 20, 23 e 24 da parte
cantada, além dos versos em redondilha maior e octossílabos há um verso em
redondilha menor em Chico Mineiro, verso 5 da parte declamada.
Quanto à caracterização das rimas, nas três canções, temos um padrão
polirrimico
24
, com a ocorrência de rimas alternadas e emparelhadas. Assim, em
Jorginho do Sertão tem-se: /ABCDDBABEDFDFGHGIJHJJHHJJAJLJJJLJ/. Em
Chico Mulato na parte declamada: /AABCCBDDCEECFFGAAGCCFHIFAAFEEF/,
na parte cantada: /ABABCDEDCD/; /ABABCBCBCB / ; /ABCDEABFEF/. Em Chico
Mineiro na parte declamada identifica-se: /ABCBDEFEGGBHHBDDIJLICCI/ e na
parte cantada: /ABCBDEFE/; /ABCBDEDE /, /ABCBDEFE/.
A análise do ritmo de um poema está intrinsecamente relacionada à
métrica, “ [a poesia metrifica] é: um efeito do ritmo variado na unidade do metro; e não
de um metro falsamente soberano que cria e dirige o ritmo. O metro dá ao ritmo limites
e apoio, para que ele crie a modulação expressiva do verso.” (CANDIDO, 2006, p. 93)
24
Considerando a rima “um processo intra-e-interestrófico de reiteração total ou parcial, que se realiza,
sistematicamente, a partir da última vogal forte de dois ou mais versos, seguidos ou não. [...]”, pode-se
classificá-la conforme “o índice de reiteração dos fonemas no seguimento.”. Assim, a polirrima é a
reiteração de quatro ou mais segmentos. (CHOCIAY, Rogério. Teoria do verso. São Paulo: MCGraw-Hill
do Brasil, 1974, p. 174-175).