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Boa Vista foram obtidos por meios fraudulentos) - teve dele e do partido liberal apoio integral
para as suas realizações no extremo norte goiano.
O coronel Leitão deve ter chegado a Boa Vista pouco antes de 1880, mas antes disso,
no Maranhão, disputou, à frente do partido liberal, o poder com os conservadores
24
. Em Boa
Vista contava com o apoio de familiares, como o avô Francisco Germano da Silva que, em
1862, tomou o poder político do município, depondo o juiz Manuel Curado de Miranda.
Mesmo incorporado à política de Boa Vista, Carlos Leitão não se desligou das questões
maranhenses, atuando em vários conflitos naquele Estado.
Logo depois de seu surgimento, o partido liberal em Goiás rachou em duas vertentes:
de um lado estavam os Bulhões, liderando o partido liberal clubista, de outro estavam os
Fleury, comandando o partido liberal histórico. Em relação à República, a bancada goiana
também estava dividida nas eleições para o primeiro presidente: os Bulhões apoiavam
Prudente de Morais, enquanto Deodoro era a opção dos Fleury, contando também com o
apoio do Partido Católico (desta união surge o Partido Republicano Federal em 1891). Após a
eleição de Deodoro, no entanto, a assembléia continuava dominada pelos Bulhões, o que
gerou pressões e disputas até que o partido liderado pelos Fleury dominasse a situação
política
25
.
Durante o período da Primeira República em Goiás, assim como no quadro nacional, a
política era dominada pelas oligarquias. Nesse sentido, pode-se dividir a época em quatro
fases:
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Com a abdicação de Dom Pedro I, em 1831, e devido à menoridade de Pedro de Alcântara iniciou-se o período
regencial, no qual progressistas (que defendiam a autonomia das províncias) e regressistas (que defendiam a
centralização do poder) se alternaram no governo. Por volta de 1836 os regressistas formam o Partido
Conservador e os progressistas, o Partido Liberal. Em 1840, ocorre o golpe da maioridade, através do qual Dom
Pedro II, ainda com quinze anos incompletos, apoiado pelos liberais assume o poder, dando início ao Segundo
Reinado. No entanto, liberais e conservadores no início do Segundo Reinado pouco se diferenciavam do ponto
de vista ideológico, já que ambos neutralizavam os ideais republicanos e democráticos e deixavam de fora a
participação das camadas populares no jogo político. Ambos representavam grupos dominantes: os primeiros
defendiam os interesses dos grupos urbanos e comerciais da época e os segundos defendiam a dominação
política das elites escravocratas rurais, adotando, muitas vezes, atitudes contrárias aos princípios políticos, de
acordo com a situação. Em 1862, membros descontentes do partido conservador, contado com o apoio de liberais
descontentes com o domínio deste partido, fundam a Liga Progressista, ou Partido Liberal Progressista,
dissolvido, em 1868, pelo poder moderador de Dom Pedro II. A partir de então, os membros da Liga se associam
ao partido liberal, causando insatisfações, o que leva, em 1870, os liberais exaltados, contrários a essa união, a
fundarem o Partido Republicano que, em 1889, seria responsável pelo golpe da proclamação da República pelo
Marechal Deodoro da Fonseca (Nadai e Neves, 1995).
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Em 1890, os Bulhões e seus coligados formam o Centro Republicano, também conhecido como Partido
Republicano de Goiás. Em 1892, mesmo tendo sido eleito presidente do Estado sem concorrência da chapa dos
Feury-católicos, Leopoldo de Bulhões não assume o tão almejado cargo, desde a época do Império, já que as
várias comissões no Congresso Nacional exigiam sua presença. Assim, Antônio José Caiado, seu vice, assume a
presidência do Estado. Enquanto os Bulhões se afirmavam no panorama político nacional, os Caiado, aos
poucos, iam conquistando seus lugares na esfera estadual. No entanto, os Bulhões procuraram alianças políticas
que pudessem lhes garantir o prestígio no âmbito estadual, ainda que entre forças heterogêneas, deixando claro
que as disputas eram fundadas nas ambições de poder, e não por questões ideológicas (Chaul, 1997).