
Considerações finais
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territórios entre o edifício e o espaço público.
Esplanadas generosas. Sempre o livre
circular ao redor do edifício, como escultura
que deve ser apreciada de todos os ângulos.
As proporções e formas de um monumento
são mais facilmente assimilados pela memória
individual e coletiva do que qualquer outro
tipo de arquitetura. Acontecem em espaços
onde a escala do homem é intencionalmente
reduzida para o ritual da valorização do edifício
símbolo. A sensação de inferioridade frente a
algo universal, quase divino e inexplicável. Uma
arquitetura que proporciona uma sensação mista
de curiosidade, estranhamento e admiração.
Sobre o conceito de Sedução na obra
de Niemeyer, nos perguntamos, o que terá
dentro daquela monumental cúpula esférica
branca? Este despertar da curiosidade pela
forma, convida, chama, seduz. Esta sedução
tão atribuída a obra do arquiteto, só é possível
quando relações com o lugar são estabelecidas.
A surpresa e o susto de quem se aproxima, ainda
de carro, pela estrada que conduz ao museu de
Niterói, se atribui ao binômio forma e lugar. A
forma em taça, branca, no alto, em promontório,
com vista deslumbrante. Como seu precursor
em Caracas, o museu de Niterói entende o seu
papel de hierarquia perante tão nobre paisagem
e não decepciona. Nasce para ser admirado,
evidente. Chama as atenções para si, mas ao
mesmo tempo, valoriza sobremaneira a natureza
ao redor, por contraste lógico, consciente e
sensato. Chega a uma abstração de forma em
que é possível identificar reminiscências de
um passado distante, guardado na memória da
história da arquitetura. Um templo, mausoléu?
A rampa se desenrola em tapete vermelho de
concreto, um percurso serpenteador do olhar,
em constante estado de contemplação da
paisagem da Guanabara e do colossal volume
em taça, que se torna cada vez mais próximo,
nos esmaga visualmente com a sua lógica
estrutural imanente. Causa curiosidade e
admiração, que se associa também, a um certo
estranhamento e temor. Forma nunca antes
vista, sem referência prévia na nossa memória,
a não ser em filmes de ficção científica. É uma
arquitetura afirmativa, se torna admirada e
cultuada por muitos, cria espetáculo. Espaços
amplos, generosos e sem barreiras. Estrutura
que gera a forma, que resolve o espaço, que
possibilita o livre caminhar, que determina
a fruição, que cria o deslumbramento. Este
espetáculo, nasce da vontade de um arquiteto
que parece ter acesso a formas nunca antes
possíveis, uma pedra de toque escondida à sete
chaves. Talvez, simples possibilidades formais,
mas extraordinariamente elaboradas. Calotas,
barras horizontais e verticais, curvas sinuosas
e velozes, rampas generosas, extensas lâminas
d'água que duplicam e potencializam as
formas. Peso e leveza surrealmente invertidos.
Hierarquia, escala e proporção, mudança de
plano, elevação. A sedução do sentir-se único
perante um sentido de universalidade latente
em seus edifícios. Uma sensação de coesão
com um todo maior, quase cósmico. Edifícios
que não segregam ou impõem barreiras, mas
são generosamente convidativos. A forma,
que ao longe se destaca na paisagem de