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mas ignoram muitos outros mecanismos existentes na língua, tais como os processos de
gramaticalização, p.e. “o cara”, “o pessoal”, “o indivíduo”, “a gente”, ou de
pronomes pessoais com função indeterminadora, tais como o “você”, “eu”, “eles”,
muito frequentes no PB atual. Por isso, em seu trabalho, Moreira (2005) propõe uma
ampliação do conceito de indeterminação utilizado pela GT. Segundo ele,
Chamar-se-á aqui de indeterminação ao fenômeno em que o referente
do sintagma, que ocuparia o espaço reservado ao agente, não pode ser,
total ou parcialmente, determinado, seja qual for o recurso formal
utilizado. Assim, o fenômeno – que pode ser analisado sob vários
aspectos – vai nos interessar particularmente no que se refere ao
estudo da informação contida na indeterminação relativa ao referente
e às condições de manifestação do referente como indeterminado.
É bom também que se reitere que este trabalho não direciona o foco
para o fenômeno a que a gramática tradicional chama de
indeterminação do sujeito. A GT costuma fundir os conceitos de
sujeito e de agente, tratando-os como se fossem fenômenos iguais.
Esta não é nossa abordagem nem nossa perspectiva. Em nosso viés de
análise, é importante distinguir os dois conceitos com clareza. Aqui, o
termo sujeito se reportará tão-somente à função sintática, enquanto o
termo agente será utilizado para se referir ao papel temático, com
enfoque predominantemente semântico. Nessa perspectiva, não
existe, a rigor, “indeterminação de sujeito”, mas, antes,
indeterminação de agente, expressa através de certas manipulações
que tipicamente envolvem o sujeito da oração. (Moreira, 2005:20-21)
A seguir, o autor ainda afirma que, em português, o fenômeno da indeterminação
não é restrita à função sintática de sujeito ou do argumento agente. Ele exemplifica com
casos em que ocorre a indeterminação de outros argumentos não expressos lexicalmente
e com o papel temático de paciente.
[i] Essa menina quase não come.
[ii] O bando atacou novamente.
[iii] Não tenho tido notícias de meu irmão. Ele não escreve há
tempos.
[iiii] Ele sai para pescar quase todo domingo.
[iiiii] Os adolescentes quase não lêem.
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Mais adiante, quando nós estivermos também discutindo e revisando essas novas
propostas, voltaremos às considerações de Moreira (2005).
Para Perini (1995) sujeito é o “termo da oração que está em relação de
concordância com o núcleo do predicado”. Sendo assim, orações como
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Os exemplos de (i) a (iiiii) são, respectivamente, os de número [1] a [5], extraídos de Moreira (2005:22)