Os veículos de comunicação possuem certo receio quanto à publicação de matérias
ambientais, principalmente por serem em sua maioria denúncias políticas ou
empresariais, o que pode atrapalhar futuras negociações comerciais desses veículos. É
comum vermos matérias ambientais em editorias específicas, como ciência e tecnologia,
ou ambiente, o que não agrada aos pesquisadores da área, pois o conceito de visão
holística e sistêmica tem por finalidade demonstrar que as matérias relacionadas às
questões ambientais podem fazer parte de qualquer tipo de notícia, da econômica até a
esportiva.
os jornalistas deverão mudar, e seu modo de pensar, fragmentário, deverá
tornar-se holístico, desenvolvendo uma nova ética profissional baseada na
consciência social e ecológica. Em vez de se concentrar em apresentações
sensacionalistas de acontecimentos aberrantes, violentos e destrutivos,
repórteres e editores terão de analisar os padrões sociais e culturais
complexos que formam o contexto desses acontecimentos, assim como
noticiar as atividades pacíficas, construtivas e integrativas que ocorrem em
nossa cultura .(G
IRARDI, 2002)
A cobertura do meio ambiente mostra que é necessário se contemplar realidades e
instâncias distintas no processo de comunicação que se orienta para esta temática.
Segundo o professor Wilson da Costa Bueno,
A cobertura apresenta singularidades quando se considera a imprensa de
informação geral ou de negócios, a imprensa segmentada ou especializada
em meio ambiente, a publicidade, os canais de marketing, ou ainda quando
se focaliza especificamente as diversas mídias ou ambientes midiáticos,
como o rádio, a TV e a Internet. Em virtude das peculiaridades de cada
mídia e do perfil de sua audiência, o discurso varia assim como sua
capacidade de influência.
(BUENO, 2002)
Recentemente, polêmicas travadas em virtude de temas candentes, como a
Biodiversidade (que engloba subtemas como biopirataria, extinção de espécies), as
Relações Sócioambientais (como os transgênicos, o Protocolo de Kioto, os
desmatamentos para a criação de pastos), e as Mudanças Climáticas Globais,
trouxeram novo impulso ao jornalismo ambiental. Para Mario Erbolato,
A desapropriação de áreas onde existam espécimes raros da flora e
da fauna, o desaparecimento de animais em conseqüência da alteração
de seu habitat e o uso de defensivos agrícolas têm preocupado bastante
os cientistas, e também os jornalistas. Toneladas de peixes que vêm a
tona, mortos, em rios, quando alguma indústria neles despeja seus
resíduos, são notícias não muito raras. Jornalisticamente, devem ser
feitos levantamentos e denúncias de tudo quanto prejudique a vida
humana, seja na cidade, seja nos campos, e ser impedida a fabricação
de produtos que possam causar a destruição de animais. Talvez seja
essa hoje, uma das mais prioritárias missões que se possa atribuir à
imprensa, pois se tudo caminhar como atualmente, é difícil saber o que
acontecerá dentro de um ou dois decênios. (E
RBOLATO, 1981)