
Anexo 3
ESPORTE NAS ESCOLAS
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Carlos Arthur Nuzman
Presidente do Comitê Olímpico Brasileiro
Sou do tempo em que a educação física era uma disciplina valorizada no currículo escolar, na
mesma proporção do interesse que despertava na direção da escola e dos alunos. Nem todos
os alunos, é verdade, mas certamente na maioria absoluta de uma turma ou de um colégio. A
prática esportiva curricular era uma extensão do que se via nos pátios das escolas. Um lanche
rápido na hora do intervalo, a chamada hora da merenda, e lá se ia a garotada atrás de uma
bola ou de qualquer objeto que desse vazão à energia incontida de correr, pular e jogar. Nesse
contexto, as aulas de educação física eram esperadas até com certa ansiedade, pois era o
momento adequado para praticarmos a atividade esportiva no local apropriado, com roupas
apropriadas, longe da inconveniência de retornar para a sala de aula suado e com os cabelos
em desalinho.
Sou do tempo em que a escola era o maior celeiro de talentos esportivos do país. Era lá, nas
competições estudantis, que os clubes iam buscar novos talentos. Da minha turma no Colégio
Mello e Souza, nada menos que quatro alunos daquela escola chegaram, via seus respectivos
clubes, aos Jogos Olímpicos de Tóquio, em 1964, pela seleção brasileira de vôlei. Eu, Vitor
Barcelos, Carlos Feitosa e João Cláudio. Coincidência? Certamente não. Apenas a união da
nossa vontade de jogar voleibol com a vontade da direção do Mello e Souza em se fazer
representar bem no campo esportivo.
Embora considere excelentes os resultados do Brasil nos Jogos Olímpicos de Sydney, a falta
de medalha de ouro trouxe à tona várias questões sobre o futuro do esporte em nosso país.
Estou certo de que a vontade política que vem sendo demonstrada pelo ministro do Esporte e
Turismo, Carlos Melles, e pelo ministro da Educação, Paulo Renato Souza, será decisiva para
as mudanças que o esporte necessita. Em todos os seus níveis de participação, sobretudo
para o esporte de base. E se a base da formação educacional de uma sociedade está na
escola, o mesmo se aplica ao esporte. É fundamental que essa atividade recupere na escola o
papel de formação, de integração e de socialização que exerce sobre os nossos jovens, sem
falar nos princípios éticos que o esporte impõe por si só. Competir, sim, mas respeitando-se as
regras e o adversário.
Ainda sob os efeitos de Sydney, uma outra olimpíada resume a importância do esporte na
escola e os resultados que essa atividade pode gerar para o Brasil, inclusive para o esporte de
alto rendimento. A disputa da fase final da Olimpíada Colegial Esperança 2000, em Brasília,
marca o início da virada que todos sonhamos. A volta dos estudantes às pistas e às quadras
em uma competição genuinamente escolar, o retorno das torcidas organizadas de cada colégio
e o envolvimento que isso acarreta nos pais, familiares e amigos do aluno-atleta certamente
servirão como estímulo para reconstruirmos este espírito de educação e competição que o
esporte é capaz de proporcionar.
A integração do Ministério da Educação e do Ministério do Esporte e Turismo neste projeto dá
a dimensão de onde pretendemos chegar. Nos tranqüiliza saber que o ministro Paulo Renato
Souza vai cobrar das escolas a obrigatoriedade da educação física no currículo escolar. Com a
vontade política do Governo federal, o empenho do Comitê Olímpico Brasileiro, das
confederações brasileiras e a participação da sociedade em geral, estaremos dando um passo
decisivo para propiciar e estimular a educação por intermédio do esporte. E também,
certamente, a vontade que milhares de jovens têm de repetir as conquistas de nossos ídolos
olímpicos.
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Texto extraído de http://listas.cev.org.br/arquivos/html/cevmeef/2000-12/doc00001.doc acesso em 31 de maio de
2009