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Os projetos estão prontos na sua cabeça. O que atrapalha é
a circunstância objetiva, aí você diz “mas nessa perambeira?”
E nesse momento que você considera, necessariamente tem
considerar, a especificidade da questão, no caso,...o
ineditismo daquilo colocado naquele lugar, ou seja o que for,
que possa tornar inédito aquele problema que é
historicamente sempre, como fato particular agora, faz com
que na sua mente surja onde tá então a dificuldade então no
caso, e aí isso passa a ser o problema principal, não é? Por
exemplo o Ginásio do Paulistano na Rua Augusta, uma escala
adequada a um passeio público de compras! Aquilo é uma
rua... de shopping, de pessoas bonitas andando..., como é
que vai botar lá um trambolho, que a imagem que você tem
é sempre alto, porque precisa dez metros de pé direito..., e
então surge a solução para o caso. Você diz “este é o
problemas principal!” E ao mesmo tempo o enclausuramento
daquilo, são panelas fechadas com gente lá dentro, aquela
gritaria, a festa que tá lá dentro não participa da que já tava
aqui fora, essa incompatibilidade surge como a questão
primordial no lugar, e daí você fazer uma espécie de varanda...
com uma plataforma semi-enterrada pra baixar o pé direito...,
tudo isso, né? Que possa até, se bem que é um pouco de
exagero, mas enquanto forma visível, suscitar a admiração
como a vitrine do quarteirão passado também suscitava, tem
que ver algo belíssimo..., curioso..., imprevisto... e sem
ofender as exigências funcionais técnicas da coisa em si. É
um jogo. É um jogo bastante diletante até certo ponto, do
ponto de vista do psiquismo humano é uma farra, e ao mesmo
tempo seríssimo, enquanto tecnicamente tem que ser bem
resolvido. O arquiteto tem que ser tecnicamente muito
competente, no fundo por mais que sonhe..., fantasie..., ele
vai acabar fazendo uma construção. Arquitetura é construção,
é algo que tem que ser construído. E transformar a construção
em algo delicado..., gentil... , transparente..., submetido a
essas fantasias, né? que são ... a parte poética da linguagem
da forma, e primordial, quase que sem ela não vale a pena
construir. Nós podemos construir, demolir, construir, demolir
quantas vezes quiser né? Pra que os outros digam “Ah isso
aí, por favor deixa aí, não mexa mais”, né? Mesmo que não...,
a idéia não é seja eterno mas que encante aqueles que vivem
naquele tempo, pelo menos, né? Que no fundo é a huma-
nidade inteira. A humanidade, a história só é os que vivem.
É interessante o que eu te descrevi mais ou menos o Ginásio
do Clube Paulistano, que eu fiz em 1957. Portanto do ponto
de vista da concepção do projeto, eu não sei porque..., comigo
sempre foi assim. Já naturalmente a falta de experiência fez
com que, como nós desenvolvemos e desenhamos aquele
projeto foi muito complicado e tumultuado, não é como eu
faço hoje, digamos, quem me dera eu tivesse essa
experiência, né? Mas de qualquer maneira eu fui muito feliz
porque aprendi inclusive. Não tive problemas, entretanto,
porque aconteceu o seguinte nessa obra, particularmente
nessa obra, no fundo foi a minha escola, né? Não só essa,
mas essa foi a primeira, assim ...de grande importância.
Aconteceu que não houve concorrência pra construção, o
construtor já estava lá, o clube tava em obras...porque tinha
outras reformas..., tavam fazendo aquele pavilhão da rua
Colômbia, que é projeto do Warchavchik..., inclusive continuou
muito tempo aquela obra..., deu tempo da minha conviver
com aquela... eu acabei sendo amigo do Warchavchik, nós
íamos ver juntos a obra..., era uma coisa muito divertida,
pela diferença de idade...e tudo isso. E até de tamanho, ele
tinha dois metros de altura, parecia (...)
Mas o que eu queria te dizer é o seguinte: Como havia esse
engenheiro, essa firma de engenharia que já construiria aquilo,
nós sem querer, digamos assim, ou por uma razão fortuita,
trabalhamos de uma forma excelente pra arquitetura, que
inclusive até hoje não se trabalha por uma série de
idiossincrasias... negócio de concorrência... pública..., tudo
isso, qual seja a forma de você desde o início do projeto, do
seu desenvolvimento... etc., trabalhar com o que outros
chamam de “engineering”, que quer dizer, quem vai construir
é antes de mais nada..., bom, não pode ser um cúpido
construtor a fim do lucro, é um engenheiro, é uma engenharia
que opina também sobre as virtudes desse método ou
daquele, se vai rebaixar lençol..., se vai fazer estaca prancha...,
se vai, se convém levantar um pouco mais o piso e não
enfrentar lençol freático..., então como é que fica o pé direito...
e isso e aquilo..., se vamos usar, eu quis fazer aquilo
pendurado em cabo de aço... Por exemplo, não fui eu que fiz,
a idéia não é originalmente minha que cada pendural tivesse
um par de cabos, isso foi o Túlio Stook, que era uma
engenheiro fantástico, então, como ancora o cabo aqui no
concreto e como prende o cabo lá na cobertura de metal, na
estrutura de metal, e como estica pra afinar aquilo pra que
todos os cabos dos seis pilares tenham a mesma tensão,
então inventou-se uma maquineta que mede essa tensão
para afinar os cabos, e ao mesmo tempo o Túlio falou “Bom,
são seis toneladas por cabo”, que é nada, né? uma bobagem,
“nós vamos fazer assim, que tal fazer assim? A gente ancora
o cabo aqui e em vez de ficar ele amarrando na cobertura
metálica”, porque aquele nó dele na cobertura metálica é
um problema técnico, ofende a telha... tem que vedar..., “que
tal a gente por uma roldana, a gente ancora o cabo aqui,
passa na roldana e volta, na volta aqui a gente põe o esticador,
fica mais fácil de trabalhar, etc. E a virtude é que em vez de
fazer um cabo pra seis toneladas, que já é um cabo
relativamente pesado, nós fazemos três toneladas por cabo,
um par de cabos, como uma talha.” Uma coisa brilhante! A
idéia é dele. E nós detalhamos...e tudo. Isto e uma maravilha
porque, a ancoragem na estrutura metálica é uma roldana...,
nós ancoramos o cabo aqui e já fundimos uma cabeleira como
eles chamavam, que é um feixe de ferros que mergulha de
uma forma mais ou menos desordenada no seio do
concreto..., depois sai o cabo de aço... a partir de um arranque
soldado com rosca..., e sai o cabo, passa na roldana, volta, e
na volta nós botamos o esticador, porque o esticador já fica
na em cima da cabeça do pilar, que ele vai ter que ser
protegido pra... ,engraxado..., enfim coisas deliciosas de se
resolver junto com a engenharia, uma consultoria permanente
de engenharia.
Portanto o desenvolvimento do projeto foi esse, primeiro a
solução depois o desenho. Não obriga ninguém a executar
desenhos caprichosos. Isto eu aprendi de cedo. O desenho é