144
Instrumentalidade do Serviço Social na Previdência Social no Brasil Contemporâneo
que o Serviço Social vá trabalhar na reabilitação profissional, foi a última
que inventaram agora. Eu vou ser bem clara, se não fosse o CFESS junto
com a gente nessa luta a situação seria bem pior. Nós trabalhamos com os
direitos dos usuários, nós trabalhamos com a forma deles exercer esse
direito e isso eu acho uma grande potencialidade do Serviço Social, tanto na
previdência como em outras políticas (Fátima).
O desafio maior é o número reduzido de profissionais do Serviço Social
frente a demanda. Isso então atrapalha você desenvolver o seu trabalho
como gostaria, como você planeja, tendo um número reduzido e uma
demanda que está sempre aí sendo aumentada. Além do apoio que você
não tem na parte administrativa. Aqui eu faço tudo, toda parte burocrática, e
não tem funcionários. A questão do horário também, porque é cansativo 8hs
diárias. Até a questão de você não ter tempo de se qualificar, de se
capacitar, de fazer uma especialização, um mestrado. Com relação as
meninas que entraram agora, com essa nova nomenclatura, eu tenho
impressão que isso não deixa de ser uma armadilhazinha, é uma forma até
de querer colocar a gente para outras funções, é tanto que em
determinados locais o recursos humanos (setor) da instituição não exigiu
registro no CRESS, aqui não, exigiu sim. O profissional de Serviço Social é
de fundamental importância porque a demanda que chega para cá são os
usuários da previdência e os usuários da assistência social, através do
BPC. São pessoas com raríssimas exceções que não tem conhecimento
dos seus direitos, que não tem conhecimento do que a Lei estabelece.
Então o assistente social é que faz essa leitura, não é que faz a leitura, o
assistente social, ele propicia que eles tenham essa leitura. Então é
exatamente essa socialização, essa interpretação do que é a Lei e dos seus
critérios, dos seus limites, que isso é passado pelo assistente social
(Joana).
Os desafios que a gente encontra hoje, principalmente nós que estamos
chegando na previdência, é que o Serviço Social ele tem que ser
construído, porque na maioria das agências não existia assistente social,
então a gente enfrenta dificuldades de construir o Serviço Social e de está
mostrando a especificidade do Serviço Social na instituição. É também um
grande desafio querer que a gente vá para habilitar benefícios, então se
você não fizer projetos, se você não atender a demanda, mostrar que o
Serviço Social ele tem espaço, ele tem demanda na previdência, a
tendência da gente é cair para habilitação. Nós estamos tendo uma
proximidade maior com sindicatos, com associações de pescadores, com
assistentes sociais que trabalham em outros municípios, então assim, nós
estamos começando a sair um pouco de dentro da nossa sala, da nossa
agência para abranger outras ações e isso tem na Matriz e também está
previsto na OI (Orientação Interna) 103, que vem reforçando a questão da
socialização das informações, do fortalecimento do coletivo (Ana).
O primeiro é a capacitação permanente e contínua, os demais desafios
estão embutidos ou são conseqüências do primeiro, quais sejam: o
entendimento da Previdência Social enquanto política pública redistributiva,
os avanços e limites dessa política no contexto capitalista, as questões
éticas e etc. As potencialidades estão relacionadas a questão da efetivação
do direito e os limites dizem respeito a própria dinâmica da política
previdenciária no contexto capitalista, via reformas, ou contra-reformas
(Clara).
Em relação a minha situação aqui na APS a principal dificuldade é a
questão do espaço (sala), uma sala que não tem, porque você vai fazer
uma avaliação social e todo mundo acaba ouvindo, e isso fere diretamente
o que defende o nosso Código de Ética que é a questão do sigilo, isso tanto
em relação a mim que estou me expondo, como principalmente o usuário,