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destaque é o sujeito cognoscente que se relaciona com os objetos para conhecê-los e
dominá-los. Propõe, então, outro paradigma, isto é, o da comunicação ou entendimento
recíproco.
O paradigma sujeito-objeto limita o pensar ao aspecto cognitivo e instrumental
do processo comunicativo, deixam-se de lado os aspectos estético-expressivo e
normativo. Rouanet assim coloca se referindo ao tema:
Com efeito, no momento em que se comunica com outro sujeito, pela mediação da
linguagem, visando ao entendimento mútuo, cada locutor invoca pretensões de validade
com relação a três tipos de proposições: as que se referem ao mundo objetivo das coisas,
ao mundo social das normas e ao mundo subjetivo das vivências e emoções. Em outras
palavras, está alegando que suas afirmações factuais são verdadeiras, que as normas que
ele propõe são justas e que a expressão de seus sentimentos é verás. Essas pretensões de
validade podem ser aceitas inquestionadamente, e nesse caso o entendimento
consensual pode dar-se de imediato, ou ser recusadas, e nesse caso o interlocutor tende a
apresentar provas para justificar suas dúvidas, e o primeiro protagonista tem de
apresentar contraprovas para justificar suas afirmações originais. Inicia-se um processo
argumentativo, em que as posições dos interlocutores vão sendo ajustadas
reciprocamente, até que se cristalize um consenso. Se a comunicação se deu sem
interferências estranhas e sem deformações subjetivas, podemos dizer que o consenso
foi alcançado racionalmente, por que se verificou através da argumentação racional.
Nesse sentido, a racionalidade pode ser vista como a capacidade dos atores e locutores
de alcançarem um saber falsificável na tríplice dimensão do mundo objetivo, social e
subjetivo. A razão comunicativa adere aos procedimentos pelos quais se debatem as
pretensões de validade no campo da verdade factual, da justiça normativa e da
veracidade subjetiva. Como se vê, é um conceito processual de racionalidade, e não
substantivo: serão racionais as proposições que correspondem a verdade objetiva, mas
aquelas que atendam ou possam vir atender, os requisitos racionais de argumentação e
contra-argumentação, da prova e da contraprova, visando entendimento mútuo entre os
participantes.(ROUANET, 1987:339)
Atrelado a reformulação conceitual da razão, a partir da sua teoria da ação
comunicativa, Habermas sustenta hipótese da colonização do mundo vivido pelo mundo
do sistema. Ao comentar o assunto Rouanet explica:
Ocorre que, simultaneamente com a racionalização cultural, começou a verificar-se a
racionalização social, na esfera do Estado e da economia. Essas esferas passam a ser
regidas por uma dinâmica crescentemente automática, segundo uma lógica própria, que
prescinde da coordenação comunicativa das ações: na essência, é o processo de
burocratização, que submete as suas regras tanto a administração pública quanto a
empresa capitalista. Surge assim, paralelamente com a racionalidade comunicativa, que
se dá no mundo vivido, uma intensificação sem precedentes da racionalidade
instrumental, radicada na esfera sistêmica. Com o tempo, essa esfera foi se ampliando
cada vez mais, e vivemos, atualmente, uma fase em que racionalidade sistêmica se torna
cada vez mais imperialista, procurando anexar seguimentos cada vez mais extensos no