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Só que, como revela uma análise mais pormenorizada da primeira
parte da Ideologia Alemã, Marx não explicita efectivamente a conexão
entre interacção e trabalho, mas, sob título nada específico de práxis
social reduz um ao outro, a saber, a ação comunicativa à
instrumental. A actividade produtiva que regula o metabolismo do
gênero humano com a natureza circunjacente, do mesmo modo que,
na filosofia do espírito de Iena, o uso dos instrumentos estabelece
uma mediação entre o sujeito que trabalha e os objectos naturais —
esta acção instrumental transforma-se em paradigma para a obtenção
de todas as categorias; tudo se dissolve no automovimento da
produção. Por isto, também a genial visão da conexão dialética entre
forças produtivas e relações de produção se pôde interpretar mal em
termos mecanicistas. (HABERMAS, 1994, p. 41 - 42.)
Seu foco é desviado da análise do trabalho em si, para a análise da linguagem
como meio de produção de significações pelos homens, por ser ela a forma de
expressão da consciência e, portanto, diferenciadora do ser e da consciência
além de veículo através do qual os homens interagem. Habermas analisa o
trabalho como um trabalho Taylorista – Fordista, trabalho prescrito e restrito ao
operacional, onde a ação humana é mediada por instrumentos de trabalho,
operados por uma racionalidade não-comunicativa. Para ele a importância
maior está na linguagem, que está no meio desta interação entre o trabalho e a
coordenação humana no mesmo, porque enquanto as ferramentas são apenas
executoras do trabalho, a linguagem através dos significados e significantes
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é
a organizadora da atividade humana, assim como meio de interação entre os
homens:
Porque nosso contato com o mundo é mediado lingüisticamente, o
mundo se exime igualmente tanto do acesso direto do sentido como
de uma constituição direta, através de formas de intuição e conceitos
do entendimento. A objetividade do mundo, que supomos ao falar e
agir, está de tal modo entrelaçada com a intersubjetividade do
entendimento sobre algo no mundo, que não damos um passo atrás
desta correlação, da qual não nos podemos desviar, do horizonte
revelado lingüisticamente de nosso mundo da vida
intersubjetivamente partilhado.(HABERMAS, 2002, p. 56)
Esta visão do trabalho, mesmo que subordinado linguisticamente, mas
instrumental, que está presente em Habermas será expandida por Zarifian,
quando a aplica às empresas e à noção de serviço. No entanto, a noção da
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Por significantes podemos entender todas as imagens acústicas (sons), símbolos e formas de
comunicações não-escritas ou verbais que representam uma idéia em nossa mente, que tem uma
significação. Esta significação, que é uma representação mental generalizada do significante é chamada
de significado.