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empresa. Essa nova visão passada a eles e demonstrada a eles através das
ações como por exemplo dando novos uniformes mostrando a preocupação
com a segurança e higiene, plano de saúde ostensivo à família, criamos um
canal de atendimento interno para ouví-los, demos tikets alimentação, vale-
transporte, café da manhã, sistema de educação para adultos, sistemas de
treinamento. Foram coisas que nós criamos e automaticamente o empregado
foi percebendo que ele era importante para a empresa. Então passou a nascer
um orgulho dentro dele. E a empresa dele passou a crescer, se modernizar,
ser admirada, ser querida, e ele ouvia da população e dos amigos “você
trabalha numa boa empresa”. E ele começou a ver que o cliente externo é que
reconhece a empresa por sua excelência na qualidade dos serviços prestados e
ao mesmo tempo ele começou a ver na direção da empresa uma vontade
muito grande em valorizar ele como pessoa, como indivíduo. Essa é a
principal razão. O sucesso dessa empresa hoje se apóia, sem dúvida
nenhuma, na valorização do homem. Empresa para mim são pessoas, são
cérebros, não é mais nada além disso. Tem um exemplo muito interessante
que aconteceu aqui na empresa. Tem um relatório de 1927 escrito pelo
Marcos Porto presidente da COMLURB na época, que fez uma viagem à
Europa e trouxe uma notícia: “Lá na Europa não se usa mais a carrocinha
de lixo que nós usamos aqui. Temos que acabar com essas carrocinhas por
essas e essas razões”. Certamente Marcos Porto saiu da empresa, o relatório
foi para uma gaveta e ninguém mudou essa carrocinha até quando eu cheguei
em 1995. Li esse relatório, questionei a validade das observações descritas
numa reunião de diretoria e perguntei: “Ele tem razão?” Então vamos mudar
e mudamos! Uma coisa que já poderia ter sido feito há décadas.
A realidade industrial, desde então, é totalmente outra. Os assalariados
menos qualificados (garis) estão, muitas vezes, no comando de máquinas e
equipamentos de grande sofisticação e elevado valor, tendo como função um
cuidado pela conservação e municiamento de informações necessárias ao
desempenho correto, em lugar de realizarem esforços meramente físicos. Toda
esta nova e sofisticada engenharia torna-se frágil quando aliada a uma estrutura
rígida de hierarquia, quando em dado momento se exige decisões rápidas. As
panes que paralisam, representam custos importantes que demandam a
mobilização de todas as energias e informações dos agentes envolvidos, inclusive
e particularmente, dos controladores das máquinas.