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Projeto CONSERVATÓRIA MEU AMOR
Jovem também gosta de Serenata
Volume 2
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Projeto CONSERVATÓRIA MEU AMOR
Jovem também gosta de Serenata
Volume 2
1ª Edição
ANO 2011
ISBN 978-85-905450-3-3
Texto: Marluce Magno
Revisão do conteúdo: Elenice Lessa
Revisão ortográfica: Marina Chaves
Ilustração da capa: Ana Clara Barros Loio Miguel
Este livro é para DISTRIBUIÇÃO GRATUITA, sendo sua
VENDA PROIBIDA.
Todos os direitos reservados ao autor.
Editor-autor: Marluce Magno
Conservatória – Valença (RJ)
Projeto Conservatória Meu Amor
Endereço para correspondência: Rua Oswaldo Fonseca, 163
Conservatória Valença (RJ) – CEP: 27655-000
5
ÍNDICE
Página
Apresentação 7
Serenatas de Conservatória: Patrimônio Cultural Imaterial 9
Riscos à perpetuação do Patrimônio Imaterial local: 11
1) Diversificação Musical e Profissionalização 11
2) Obstáculos Físicos e Sonoros à Serenata 13
3) Patrimônio Material e Imaterial: Interdependência 15
4) “Conservatória Meu Amor” atento aos riscos 17
Introdução ao projeto “Conservatória Meu Amor” 20
Festival “Conservatória Meu Amor” 23
Apresentação 23
Concurso Jovens Trovadores: 27
Apresentação 27
2006 31
2008 38
2011 47
Estatísticas 56
Concurso Jovens Cantores: 57
Apresentação 57
2006 58
Concurso Jovens Ilustradores: 65
Apresentação 65
2011 65
Exposição “Ser Voluntário: Um Ato de Amor” 69
Aulas de Serenata 72
Apresentação 72
O Repertório 76
Freqüência às aulas: 79
1) Conhecendo os participantes 79
2) Valorizando a boa freqüência 80
3) Monitores 82
4) Comunidade estimulando a participação 85
A Camiseta 86
6
Página
Participação em Eventos Públicos: 89
1) Em atividades comunitárias 88
2) Tendo o turista por público-alvo 90
Serenata nos Bairros 93
Frente e Versos 98
Reconhecimento na Comunidade: 101
1) Pelos mestres da Serenata 101
2) Por outros membros da Comunidade 102
Reconhecimento Externo: 105
Prêmio e Indicações 105
1) Prêmio Cultura Nota 10 105
2) Prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade (IPHAN) 107
3) Prêmio Culturas Populares (MINC) 108
Mídia Impressa e Audiovisual 112
Outras Manifestações 113
Comentários finais 117
Realizadoras do projeto 118
Anexos 119
7
APRESENTAÇÃO
Em 2005, com recursos obtidos com a conquista do Prêmio
Estadual CULTURA NOTA 10 e a colaboração do MAPA DO GÁS
NATURAL, produzimos um livro documentando os primeiros cinco
anos de atividade do Projeto "Conservatória Meu Amor". A conquista
de novo reconhecimento - o Prêmio Nacional CULTURAS
POPULARES 2009 - viabilizou a elaboração desse segundo
volume, que é uma continuação do nosso esforço de documentar
fundamentos, práticas e resultados ao longo de mais cinco anos
de trabalho.
A escolha de colocar em livro nossa experiência e seus
resultados almeja, dentre outros:
Compartilhar e disponibilizar o conhecimento construído de
forma que as ações educativas que implementamos
possam se perpetuar ou serem reconstruídas pela nossa
Comunidade, no futuro, independente da nossa presença;
Fortalecer a auto-estima dos jovens que participaram das
atividades, de suas famílias, e ampliar sua compreensão
sobre a importância da salvaguarda do nosso patrimônio
cultural;
Oferecer aos nossos alunos informações complementares,
relevantes ao esforço de preservação cultural, que só
poderão ser compreendidas ao atingirem a maturidade;
Despertar o interesse de outros jovens para participar do
nosso ou de qualquer outro projeto voltado para preservação
do patrimônio cultural local;
Encorajar os membros da nossa Comunidade a fazer
reflexões quando da sua disposição em realizar ou apoiar
iniciativas culturais e/ou de entretenimento, de forma a não
colocar em risco a identidade cultural da localidade;
Inspirar outras Comunidades a identificar e trabalhar pela
salvaguarda de sua identidade e seu patrimônio cultural.
Tendo como mestres os Irmãos José Borges de Freitas
1
(1922-
2002) e Joubert Cortines de Freitas1 (1921), a distribuição desse
1
Líderes do movimento de preservação das Serenatas e criadores, na década
de 1960, do espaço de memória que se tornou nacional e internacionalmente
conhecido como "Museu da Seresta e Serenata" de Conservatória.
8
livro não poderia ser de outra forma que não GRATUITA. Assim,
todos os jovens que participaram do Projeto nos últimos cinco anos,
bem como, colaboradores, parceiros, órgãos oficiais e instituições
comprometidas com a proteção do patrimônio cultural de
Conservatória têm seu exemplar garantido.
Conservatória, 1 de junho de 2011.
Elenice Lessa e Marluce Magno
9
SERENATAS DE CONSERVATÓRIA: PATRIMÔNIO
CULTURAL IMATERIAL
Foi em 1968 que Conservatória e suas Serenatas estrearam
na mídia nacional, num artigo de seis páginas numa das mais
respeitadas publicações nacionais: a revista "O Cruzeiro". Nas
décadas seguintes muitos foram os jornalistas e intelectuais que,
espontaneamente, visitaram e escreveram, exaltando o lugar e seu
diferencial: a tradição cultural da Serenata e o esforço idealista
comunitário na sua preservação. Arthur da Távola, um dos maiores
expoentes da intelectualidade brasileira, foi uma dessas pessoas.
Em artigo
2
no jornal "O Globo", Távola analisa e critica
julgamentos "simplistas" sobre "tendências artísticas", que se
limitam à dualidade do novo contra o velho, e propõe que se avalie,
também, a sua "essência", "pelo que têm de permanente e de
impermanente". Assim, classifica Conservatória e suas Serenatas
como "novo" e "permanente". 'Novo', "encapado por formas antigas",
por ser um movimento de resistência contra a difundida "estratégia
mercadológica (...) que só fortalece o chamado consumo", e
'permanente' por conter, já com "tempo de sedimentação", os
"elementos básicos, fundamentais do ser humano (idéias de
beleza, harmonia, justiça, instintos, fé etc)".
Com avais como esse e de tantos outros respeitados
formadores de opinião, o trabalho de preservação da serenata,
protagonizado pelos Irmãos Freitas, promoveu uma revolução
econômica no distrito valenciano de Conservatória. Estima-se que,
ao final da década de 1990, o turismo era responsável por 80% da
geração de empregos no lugar.
A presença da mídia internacional em Conservatória nas
décadas de 1980 e 1990 (ex: Inglaterra, Japão, Portugal,
Alemanha, Áustria)
3
, interessada em conhecer e divulgar a
tradição das Serenatas, encoraja a percepção de estarmos
diante do que a UNESCO considera como "cultura tradicional
2
TÁVOLA, Arthur. "Para falar do novo em TV, lembro-me de Conservatória".
Jornal O Globo. Rio de Janeiro: 25/7/1983.
3
MUSEU DA SERENATA. Libreto "Canções eternizadas - Séculos XIX e XX".
Conservatória: 16/12/2000.
10
e popular [que] forma parte do patrimônio universal da humanidade
e que é um poderoso meio de aproximação entre os povos (...) e
de afirmação de sua identidade cultural"
4
.
No mesmo documento, a UNESCO enfatiza "que os governos
deveriam desempenhar papel decisivo na salvaguarda da cultura
tradicional e popular e atuar o quanto antes (...)"
4
. No Brasil, pode-
se entender que as ações governamentais de salvaguarda do
patrimônio cultural imaterial assumem um caráter efetivo a partir
do ano de 2000, com a publicação do Decreto nº 3.551 que instituiu
o "Registro de Bens Culturais de Natureza Imaterial". No que tange
ao patrimônio cultural de Conservatória, a iniciativa oficial marca
sua presença em 2009 com a Lei Estadual nº 5.564 que criou o
"Pólo Cultural, Histórico e Turístico de Conservatória", em cujas
ações previstas encontram-se "a catalogação e a recuperação do
patrimônio cultural existente, no que se refere aos bens imateriais",
e em 2010 com o Decreto Municipal nº 250 que determinou o
"Tombamento do movimento seresteiro de Conservatória".
O engajamento, desde o final da década de 1990, de Elenice
Lessa e Marluce Magno com o esforço preservacionista dos Irmãos
Freitas, fez com que percebessem possíveis ameaças à
continuidade das Serenatas. A questão das ameaças à
preservação da cultura popular é, também, outra preocupação
expressa pela UNESCO, que alerta sobre "a extrema fragilidade
de certas formas da cultura tradicional e popular e, particularmente,
a de seus aspectos correspondentes à tradição oral, bem como o
perigo de que esses aspectos se percam (...)"
4
.
Em 2001, sem maiores conhecimentos, na época, das
discussões nacionais ou internacionais sobre "salvaguarda de bens
de natureza imaterial", mas desejosas de que as novas gerações
de moradores valorizassem a identidade cultural e a memória de
sua localidade, e abraçassem, no futuro, a preservação da prática
das Serenatas, elas iniciaram atividades educativas voluntárias.
Reunidas, essas atividades foram batizadas de Projeto
"Conservatória Meu Amor".
4
UNESCO. “Recomendação de Paris”. Conferência Geral, 25ª Reunião,
1989.
11
RISCOS À PERPETUAÇÃO DO PATRIMÔNIO IMATERIAL LOCAL
1) DIVERSIFICAÇÃO MUSICAL E PROFISSIONALIZAÇÃO
A preservação do movimento musical sob a liderança dos
Irmãos Freitas, fomentou características muito peculiares, que o
tornaram ainda mais inusitado e surpreendente aos olhos de
visitantes e pesquisadores. Em diversos depoimentos, os Irmãos
enfatizaram que algumas dessas características já estavam
presentes no movimento musical local, quando chegaram a
Conservatória pela primeira vez, em 1938. Eles dedicaram
particular atenção ao seguinte:
Repertório constituído apenas de canções brasileiras de
amor, com atenção especial para as canções do passado,
nos gêneros modinhas, valsas e canções, que são
apropriados para ouvir e não para dançar. Há espaço
também para o samba-canção, executado mais como
canção do que como samba. Não se canta música
estrangeira, nem mesmo versões;
Embora a participação no grupo de seresteiros sob sua
liderança, estivesse aberta a todos, os Irmãos
consideraram importante enfatizar que "as pessoas mais
comprometidas com o movimento", são aquelas que
"atua[m] direta ou indiretamente no movimento por puro
idealismo, sem buscar compensações financeiras ou
promocionais
" 5
;
Utilização de instrumental em linha com a prática das
serenatas no final do século XIX, que não incluía
instrumentos de percussão, como atesta J.R. Tinhorão, um
dos autores mais consultados pelos Irmãos, ao escrever
que "com a proliferação dos pequenos grupos de flauta,
violão e cavaquinho, a partir da década de 1880" os músicos
dos subúrbios cariocas atuavam como "acompanhadores
do canto de modinhas sentimentais e tocadores de polcas-
serenatas à noite, pelas ruas (...)
"6
;
5
Ver texto sobre Seresteiros e o Museu da Seresta e Serenata, disponível em
http://www.seresteiros.com.br/conheca_seresteiros.html. Acesso em 9/12/2009.
6
TINHORÃO, José Ramos. Pequena História da Música Popular – Da modinha
ao tropicalismo .São Paulo: Art Editora, 1986, p.105.
12
Não utilização de equipamentos de amplificação de som;
A ausência de consumo de bebida alcoólica entre os
seresteiros, durante os encontros musicais do grupo.
A prosperidade econômica e a notoriedade alcançada por
Conservatória com o trabalho dos Irmãos Freitas, tem atraído (e
formado), a partir do final da década de 1990, vários profissionais da
música e empresários. A partir desse período começa a ganhar
espaço a percepção de que a identidade cultural do lugar é “música”,
não necessariamente restrita a “serenata”, sua forma de expressão
e seu repertório. Expressões definindo Conservatória como “cidade
da música”, lugar “da boa música brasileira” ou simplesmente “da
boa música”(não apenas a brasileira), passam a ser ouvidas com
certa freqüência. O século XXI tem início com a Serenata deixando,
gradualmente, sua condição de exclusividade no cenário cultural,
passando a dividir espaço com eventos anuais e outras reuniões
musicais que contemplam repertório e instrumental variados. Se
esse caminho, caracterizado pela diversificação, está fortalecendo
ou não o interesse turístico lugar, só o futuro poderá dizer. Porém,
não se pode ignorar que existe risco de perda de uma identidade
construída a partir de uma manifestação com características
específicas, que o público externo (turistas, jornalistas etc) elegeu
como “fora do comum”, julgando-a motivo suficiente para viajar de
diferentes pontos do país e até do exterior para conhecer
Conservatória. Consciente desse risco, o Projeto “Conservatória Meu
Amor”, mais de uma vez, manifestou-se por escrito dirigindo-se ao
empresariado local como pode ser constatado no ANEXO 12.
Outro aspecto muito valorizado pelos Irmãos Freitas e que
recebeu muitas referências na imprensa é a condição de
engajamento amador e voluntário na manifestação musical.
Proporcionalmente ao crescimento das opções musicais no lugar,
tem crescido também o envolvimento de profissionais
7
e de
amadores que passam a atuar com postura profissional.
7
Por “profissionais” entende-se aqueles que não se enquadrariam na definição
das “pessoas mais comprometidas com o movimento” citada na página
anterior, que “atuam (...) sem buscar compensações financeiras ou
promocionais”.
13
Novamente não se pode fazer qualquer afirmação sobre o
impacto futuro, positivo ou negativo, dessa transformação, em
relação ao interesse turístico, entretanto, sob o ponto de vista
cultural, percebe-se uma trajetória de distanciamento do idealismo
que caracterizou o movimento sob a liderança dos Irmãos. Na
consulta a reportagens publicadas nas décadas de 1980 a 1990,
podemos constatar a freqüência de referências a postura de
engajamento espontâneo e voluntário, sugerindo tratar-se de
aspecto muito valorizado pelos jornalistas. A título de exemplo, um
trecho de reportagem publicada em 1984
8
: “na recusa de todas
essas propostas [financeiras] está a continuidade da tradição, que
se mantém justamente por sua simplicidade e espontaneidade.”
Essa trajetória de transformações têm preocupado aqueles
que acreditam que as características históricas da manifestação
musical local, cultivadas pelos Irmãos Freitas no seu esforço de
preservação, é que deram a Conservatória um significado cultural
diferenciado. Se o empresariado e o poder público não moldarem
suas ações buscando o entendimento e salvaguarda dessas
características, o reconhecimento de Conservatória, tanto pelo
público turístico quanto pelos historiadores, como lugar que detém
um “patrimônio cultural imaterial” de relevância nacional – a
Serenata – pode estar comprometido.
2) OBSTÁCULOS FÍSICOS E SONOROS À SERENATA
Também o tradicional cenário das Serenatas, o Centro Urbano
de Conservatória, que a partir de agora será referido como Centro
Histórico
9
, pode estar sob riscos. O mesmo pode-se dizer da
tranqüilidade. Ambos exaltados por inúmeros jornalistas que
descrevem a visita à Conservatória como uma “viagem no tempo”,
vêm sendo impactados por um crescimento das atividades
8
Jornal “O Globo” – Caderno Turismo – 19/7/1984
9
Esta denominação está sendo atribuída em função da Lei Municipal nº 1.471,
de 2/9/1987 que criou a “área especial de proteção cultural de Conservatória”. A
lei delimitou a ZUP (Zona Urbana da Preservação) “com a finalidade de preservar
o conjunto urbanístico e arquitetônico ali formado historicamente (...)”.
14
comerciais, aparentemente pouco atentas a sua sustentabilidade
no longo prazo.
O pesquisador J. R. Tinhorão, por exemplo, credita o fim da
prática de fazer serenatas no Brasil, às alterações do ambiente urbano:
quando (...) a concentração urbana se acelerou, e as ruas das
principais cidades brasileiras perderam a quietude decantada
pelos poetas autores das modinhas, o cantor de serenatas (...)
perdeu sua função artístico-social, e desapareceu.
10
Boa parte dos empreendedores que vêm se estabelecendo no
Centro Histórico de Conservatória, proporcionando a desejada
geração de empregos, parece ainda não considerar relevante agir
sem comprometer o espaço e o ambiente (comumente referido na
legislação de proteção patrimonial como entorno). Partindo-se do
pressuposto que Conservatória se caracteriza pelo turismo cultural,
e que seu principal atrativo cultural é a Serenata, para se garantir
sustentabilidade no longo prazo, é fundamental que não haja
obstáculos físicos ou sonoros à sua realização, como ensinou
Tinhorão. E isto não apenas no horário em que o grupo de seresteiros
se expressa, mas a qualquer momento, principalmente nos finais
de semana, para que haja estímulo à formação de novos grupos de
Serenata e à ação espontânea de “cantores do sereno” visitantes.
A não percepção da interdependência entre Serenata e seu
cenário pelos agentes econômicos, pode ser identificada naqueles
estabelecimentos que promovem atrações musicais regulares com
intenso uso de amplificação de som que atinge todo o seu entorno,
ou seja, quase todo o pequeno Centro Histórico. A prática diminui,
mas não desaparece durante o horário regular em que o grupo de
seresteiros faz sua caminhada musical pelas ruas, exigindo um
desdobramento vocal por parte dos integrantes do grupo, e
prejudicando substancialmente a apreciação pelos turistas
11
.
10
TINHORÃO, José Ramos. Música Popular – Os sons que vêm da rua. São
Paulo: Edições Tinhorão, 1976, p.22.
11
Comprovado pela Pesquisa de Opinião Musical e Turística – Julho a Agosto
de 2005 – produzida pela SEDE-Secretaria de Estado de Desenvolvimento
Econômico, que apontou que a atividade que mais interessava ao visitante
realizar é “assistir a uma serenata” (82%).
15
Os obstáculos sonoros não se restringem aos
estabelecimentos comerciais. Inclui também bailes no Clube local,
também situado no centro urbano, e aparelhos de som de veículos
estacionados. Ambos seguem o modelo massificado de apreciação
musical, tanto no repertório que estiver “na moda”, quanto no
elevado nível de emissão de decibéis. Comparativamente aos
estabelecimentos comerciais, seu impacto é menor em razão de
ocorrerem esporadicamente.
Dentre os obstáculos físicos, o destaque vai para o excesso
de mesas e cadeiras nas calçadas e ruas (de pedestres), placas
de propaganda e mercadorias de lojas e ambulantes nas calçadas,
carros em trânsito ou estacionados. Até 2006 também ônibus
(urbano e de turismo) transitavam em qualquer horário pelo centro
histórico. Após incontáveis reclamações dos próprios turistas, o
trânsito de veículos pesados no centro foi suspenso nos finais de
semana.
É importante registrar que tem havido iniciativas da autoridade
municipal no sentido de disciplinar o uso do espaço urbano pelo
empresariado. Embora legislações tenham sido instituídas nesse
sentido, a parca fiscalização não encoraja seu cumprimento.
3) PATRIMÔNIO MATERIAL E IMATERIAL: INTERDEPENDÊNCIA
As autoridades nacionais e internacionais, cada vez mais
preocupadas com a “profunda interdependência que existe entre o
patrimônio cultural imaterial e o patrimônio cultural e material”
12
,
consideram que a proteção de um dependerá da proteção do outro.
Em se tratando do patrimônio imaterial de Conservatória, a
Serenata, sua beleza e seu valor cultural, estão intimamente ligados
ao cenário onde ela se perpetuou e se notabilizou: as ruas, casario
e praças do centro urbano. Cenário este que um historiador
provavelmente qualificaria como “lugar de memória”. Essa
12
UNESCO. “Convenção para a Salvaguarda do Patrimônio Cultural Imaterial”.
Paris: 32ª Reunião, 2003.
16
interdependência foi percebida pelos Irmãos Freitas, e refletida no
terceiro Princípio Fundamental (ANEXO 4) que instituíram para suas
ações:
Valorização e divulgação de Conservatória, com destaque para
seu centro urbano, local que, por sua arquitetura e desenho
urbanístico, contempla as características das cidades que
prosperaram durante o ciclo sul-fluminense do café (século XIX),
tornando-o cenário único para Serenatas.
Tal interdependência parece ainda não ter sido percebida por
grande parte dos agentes econômicos, como vimos no tópico
anterior, sobre os obstáculos físicos e sonoros no centro histórico.
Já o poder público parece estar, finalmente, se conscientizando do
tesouro histórico-cultural da localidade, pelo menos assim
comprovam legislações recentes. Além dos já citados – Lei
estadual nº 5.564/2009 e Decreto Municipal nº250/2010 – foi ainda
publicado o Decreto Municipal nº 166/2010 que “Regula a colocação
de mesas pequenas, para fins de comércio de bares e restaurantes
no Município de Valença nas sextas-feiras, sábados, domingos e
feriados”.
Admitindo que a instituição de tais instrumentos legais será
seguida de uma boa fiscalização, é possível ter esperanças de
que o patrimônio local não venha a sofrer novas perdas. Em 2004,
por exemplo, o cenário perdeu um singular componente decorativo
da Praça da Matriz. Trata-se de um lago com uma escultura que,
desde a década de 1940 encantava moradores e turistas. Em seu
lugar ficou um grande espaço vazio, facilitando a instalação e
remoção de estruturas para realização de eventos pontuais que
começaram a surgir a partir do ano de 2001. Até então eram dois
os principais eventos anuais, além da centenária Festa de Santo
Antônio: O “Dia do Seresteiro” (último sábado de maio) e o “Encontro
de Seresteiros” (último sábado de agosto). Para sua realização
alternava-se o uso da Praça (mesmo com o lago e a garça) com
outros espaços da localidade.
Vários artistas-plásticos registraram aquele saudoso cenário
da Praça da Matriz. O consagrado pintor e escultor Luiz Figueiredo,
por exemplo, levou essa imagem, em vários de seus quadros, até
para o exterior, nas exposições que realizou.
17
Lago com escultura de uma garça na Praça da Matriz. A escultura foi obra do
escultor conservatoriense Eurico Antunes, na década de 1940. O cenário
inspirou muitos pintores, incluindo Luiz Figueiredo, autor do quadro acima.
Em 2004 o lago foi destruído e a garça (já uma réplica produzida em 2001) foi
remanejada para outro ponto da Praça, de onde foi, subsequentemente,
retirada.
4) “CONSERVATÓRIA MEU AMOR” ATENTO AOS RISCOS
Na expectativa de estarem reduzindo os riscos advindos
da diversificação musical, Elenice e Marluce desenvolvem o seu
trabalho seguindo, basicamente, o repertório indicado pelos Irmãos
Freitas (Libreto “Canções Eternizadas – Séculos XIX e XX”), além
de outros aspectos abordados em capítulos subseqüentes.
Em prol da preservação da motivação idealista na prática
cultural, suas ações incluem: sua própria atuação, exclusivamente
voluntária no projeto, a aplicação dos recursos oriundos de
prêmios conquistados, exclusivamente no fortalecimento das
18
atividades do Projeto e/ou em benefício da Comunidade, não
produzem ou comercializam qualquer produto, o que é típico (CDs,
DVDs, camisetas etc) em projetos culturais de mesma natureza,
e outras ações que estão detalhadas adiante.
Quanto às demais possíveis ameaças citadas, as responsáveis
pelo Projeto “Conservatória Meu Amor” entendem que uma
Comunidade consciente, pode atuar para impedir ou amenizar o
impacto de ações nocivas à preservação da tradição da cultural de
sua localidade. Tal entendimento encontra respaldo nas orientações
da UNESCO
13
, promulgadas pelo Decreto 5.753/2006, que
recomenda o empenho de todos os meios oportunos no sentido de:
a) Assegurar o reconhecimento, o respeito e a valorização do
patrimônio cultural imaterial na sociedade, em particular
mediante:
i) Programas educativos, de conscientização e de
disseminação de informações voltadas para o público,
em especial os jovens;
ii) e iii) (...)
iv) Meios não formais de transmissão de conhecimento;
b) Manter o público informado sobre as ameaças que pesam sobre
esse patrimônio e das atividades realizadas em cumprimento
da presente Convenção;
c) Promover a educação para a proteção dos espaços naturais e
lugares de memória, cuja existência é indispensável para que o
patrimônio cultural imaterial possa se expressar.
Assim, Elenice e Marluce têm buscado contemplar em suas
ações, contribuições para conscientização da Comunidade.
Embora tenham como foco o público jovem, são sabedoras que
seus esforços estão abrangendo um público maior, por exemplo,
os familiares dos jovens. Consideram que a elaboração deste e
do primeiro livro documentando o Projeto, consiste, também, de
uma ampla ação de conscientização. Isto porque os micro-
empresários que apoiaram economicamente os Festivais, as
instituições educativas e culturais do Distrito, as autoridades
municipais na área de cultura, educação e turismo, além dos
jovens envolvidos no Projeto e outros colaboradores, receberão,
gratuitamente, seu exemplar. Espera-se que a leitura desses
13
UNESCO. “Convenção para a Salvaguarda do Patrimônio Cultural Imaterial”.
Artigo 14. Paris: 32ª Reunião, 2003.
19
livros estimule reflexões por parte de toda a Comunidade
(moradores de fato, moradores de finais de semana e
empresariado) e poder público, bem como partilhar conhecimentos
que poderão dar melhor embasamento às argumentações de todos
aqueles que desejarem se posicionar pela salvaguarda do
patrimônio cultural local.
Dez 2008: Participantes das “Aulas de Serenata
20
INTRODUÇÃO AO PROJETO
“CONSERVATÓRIA MEU AMOR”
No passado, a Serenata era um hábito despretensioso,
cultivado pelos moradores. Com o passar do tempo eles se
distanciaram, e o movimento musical, já percebido como atrativo
turístico, tem sido mantido por pessoas que, em sua maioria,
chegaram, na condição de turistas, encantaram-se e ficaram. Até
o final da década de 1990, essas pessoas aliavam-se, quase
exclusivamente, ao grupo do Museu da Serenata e conduziam-se
dentro da postura idealista de seus fundadores. Com a formação
de novos grupos musicais e ampliação do número de restaurantes
a partir do final da mesma década, surgem oportunidades para
outras formas de atuação musical no Distrito, que são aproveitadas
por alguns músicos locais, por outros oriundos de localidades
vizinhas, e também por turistas que, ou aqui se estabelecem, ou
passam a visitar o lugar com frequência.
O distanciamento dos moradores parece ter sido
substancialmente impactado pelo surgimento da TV, que logo se
tornou a preferência nacional como agente de entretenimento,
somado ao direcionamento adotado pelo mercado fonográfico
brasileiro, que prioriza a “música-produto” em detrimento da “música-
arte”, com intensas campanhas de marketing junto ao consumidor.
Por sua própria natureza nostálgica, congregando um
repertório musical fora dos interesses econômicos das grandes
gravadoras, o movimento seresteiro não consegue captar a atenção
das novas gerações. Em Conservatória como em qualquer lugar
do país, os jovens querem fazer o que veem e ouvem na TV.
Na conscientização dos jovens, até o início do Projeto
“Conservatória Meu Amor”, contava-se com alguns heróicos
esforços por parte dos professores das escolas públicas locais,
mas a falta de conhecimento e experiência (não são seresteiros)
não poderia produzir os resultados necessários. Iniciativas
independentes existiram, mas não se prolongaram por além de
alguns meses.
Como conseqüência, nos finais de semana, quando a cidade
está repleta de turistas em busca da anunciada tranqüilidade e
suavidade musical, tem sido comum, por exemplo, ver jovens
21
moradores, liberando em alto volume, o som de seus carros, com
suas preferências musicais: funk, hip hop e o que mais estiver em
voga.
Foi a falta de interesse das novas gerações pela Serenata
que mobilizou as moradoras, microempresárias e seresteiras,
Elenice Lessa e Marluce Magno, a idealizarem e implementarem,
em 2001, este Projeto que, desde então, vem se expandindo em
defesa da perpetuação da tradição popular local, mantendo-se firme
no seu objetivo:
Trabalhar pela preservação do patrimônio histórico-
cultural de Conservatória, principalmente o
patrimônio imaterial – A SERENATA – junto a crianças
e adolescentes da Comunidade.
As organizadoras têm como base e fonte de inspiração, o
trabalho de preservação cultural dos irmãos Joubert de Freitas e
José Borges. Esses homens aprenderam com o pai a tradição
das serenatas, expandiram sua prática e seu conhecimento no
contato com antigos seresteiros de Conservatória, e
disponibilizaram seus saberes e experiência às pessoas que
aderiram à causa da preservação, inclusive as duas idealizadoras
do Projeto “Conservatória Meu Amor”:
Os Irmãos Freitas: Joubert e José Borges
22
Os “Princípios Fundamentais”
14
(ANEXO 4) e outras
orientações, formal e informalmente instituídas pelos Irmãos
Freitas, na constituição do Museu da Seresta e Serenata
15
e na
condução da Serenata, são fervorosamente abraçados no trabalho
de Elenice e Marluce.
Ao longo do livro, serão tratadas as quatro atividades que,
atualmente, compõem o Projeto: o “Festival Bienal Conservatória
Meu Amor”, iniciado em 2001, as “Aulas de Serenata” desde 2003,
“Frente e Versos” em 2006 e, “Serenata nos Bairros” iniciada em
2010. Será possível conhecer do que consistem as atividades, como
se enquadram no objetivo do Projeto, o impacto na Comunidade,
as manifestações de apoio, os colaboradores e outros.
Principalmente, serão disponibilizadas informações visando facilitar
a compreensão e reprodução, no futuro, de quaisquer das atividades
desenvolvidas e, por conseguinte, da própria prática da Serenata
em Conservatória, não como simples atrativo turístico, mas como
“expressão de sua identidade cultural e social”
16
.
14
Expostos em quadro no Museu da Seresta e Serenata, à Rua Oswaldo
Fonseca nº 99, até o seu fechamento, em Novembro de 2009, quando foi
anunciada a transferência do acervo para a Casa de Cultura de Conservatória.
15
Por ocasião da elaboração deste livro, encontrava-se no site da Prefeitura de
Valença, nota datada de 31/5/2011 informando que “o Governo Municipal, através
do Prefeito Vicente Guedes, está retomando o processo de desapropriação do
Museu da Seresta em Conservatória, considerado patrimônio dos Seresteiros
de todo Brasil. De acordo com o Procurador Jurídico Dr. Jorge Medeiros, no
primeiro momento a tentativa de desapropriação será amigável. Está sendo
feita uma avaliação do imóvel de acordo com o valor de mercado e assim que
este for definido, o proprietário será notificado com a devida proposta para
compra do mesmo. Caso a proposta do poder público não seja aceita, o
município promoverá uma desapropriação judicial”.
16
UNESCO. “Recomendação de Paris”. Conferência Geral, 25ª Reunião, 1989.
23
FESTIVAL CONSERVATÓRIA MEU AMOR
APRESENTAÇÃO
O Festival é realizado em parceria com as escolas públicas
locais: Escola Municipal Mª Medianeira (EMMM) e Colégio Estadual
Alfredo Gomes(CEAG). O público-alvo dos concursos constitui-se
de estudantes da 4º ano do Ensino Fundamental até o 3º ano do
Ensino Médio.
Jovens estudantes participam de concursos que têm se
alternado entre canto, poesia, declamação e desenho, tendo como
contexto:
JOVENS CANTORES: As canções de seresta e serenata;
JOVENS TROVADORES e JOVENS ILUSTRADORES: O
patrimônio histórico-cultural e símbolos (violão, menestrel,
trenzinho, etc) do lugar e do movimento musical;
JOVENS DECLAMADORES: Poetas brasileiros e seus
poemas que, entrelaçados com as canções, enriquecem a
tradicional serenata.
A seguir, a freqüência com que os concursos foram realizados:
CONCURSO 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2008 2011
Trovadores
Cantores
Declamadores
Ilustradores
O evento final acontece sempre no terceiro sábado de Agosto.
Até 2006 o Festival era anual, sendo, então, convertido para bienal.
Em caráter excepcional, para fazer coincidir com a comemoração
dos dez anos de Projeto, o Festival que ocorreria em 2010 foi
transferido para 2011. Sua realização conta com o apoio cultural
de artistas-plásticos e microempresários da Comunidade. O
número de microempresários a contribuir é pré-estabelecido em
doze (além dos dois artistas-plásticos), bem como o valor da
contribuição que, dependendo da natureza do negócio do
empreendimento colaborador, pode ser em espécie ou bens (ex:
cesta de alimentos). Após o Festival, cada colaborador recebe cópia
de Prestação de Contas detalhada
24
As microempresas que contribuíram para os Festivais de 2006
a 2011 foram:
Microempresas 2006 2008 2011
Pousada da ANGÉLICA
Pousada ANOS DOURADOS
Mercado do ANTÔNIO
Ateliê ARTE DE CORAÇÃO
BANANEIRA Ateliê
Pousada BALÉ DOS VAGALUMES
CAMISETAS & CAMISOLAS
Pousada CHÃO DE ESTRELAS
Loja CHEIRO DE FULÔ
Cachaçaria CHORINHO
Pousada COLIBRIS
Taberna DOM BETO
Restaurante DÓ RÉ MI
Pousada da FIGUEIRA
Empório GAMA & FILHOS
GLEIDE’s Variedades
Padaria GOSTINHO DA SERRA
Pousada JARA
Conservatória LAN GAMES
MACOVAL Mat. de Construção
MINHA MANIA-MARIA JOÃO
Restaurante PARADA OBRIGATÓRIA
Restaurante SABOR DA TERRA
SERENATA-AMOR-SAUDADE
SOS MINI-MARKET
Farmácia VALÉRIA
Valor da contribuição (única) – R$ 35,00 40,00 50,00
25
Os artistas-plásticos Maria Alvarina Toledo de Andrade e Mário
Luis da Silva tem apoiado todos os Festivais. Poder contar com a
sua arte, viabilizou o abandono do lugar-comum dos troféus
industrializados:
As organizadoras entendem que parceria com as escolas
significa, principalmente, respeito ao professor. Assim, a primeira
providência nos anos em que são realizados os festivais, é a entrega
de uma carta à diretoria das escolas apresentando os concursos
planejados, as faixas escolares que abrangerão e previsão de
entrega de regulamentos e outras instruções. Semanas depois são
divulgados os regulamentos e entregues orientações mais
pormenorizadas aos professores envolvidos.
Embora concursos se pautem em disputas onde a máxima
inevitável é “que vença o melhor”, para as organizadoras o sucesso
da empreitada não reside só na qualidade da produção, mas no
Por Mário Luis
(Casa D’Arte)
Por Maria Alvarina
(Ateliê Arte do Fogo)
26
envolvimento do maior número possível de jovens. A meta principal
não é identificar aquele que tem maior habilidade com poesia, canto
ou desenho, embora isso invariavelmente aconteça. O que se busca
é fazer com que os jovens pesquisem, reflitam e valorizem o
patrimônio cultural da Comunidade em que estão inseridos. Logo,
para se atingir um número significativo de participantes, o
engajamento do professor é decisivo.
2008: As profes-
soras Eliana Ma-
galhães e Ana Maria
Ramos, ao lado de
seus alunos
premiados. Nesse
ano as duas eram
responsáveis por
sete das onze
turmas do CEAG,
habilitadas a con-
correr. Dos seus
cento e dez alunos,
elas conseguiram a
fantástica propor-
ção de 70% de
envolvimento. Sua
contribuição
resultou em 84% do total de inscritos no concurso Jovens Trovadores
daquele ano.
Os Festivais têm sido regularmente realizados no Salão de
Eventos da Escola Maria Medianeira, gentilmente cedido pelas
diretoras que estiveram na sua gestão de 2001 a 2008. Além de
caprichar na decoração as organizadoras montam uma exposição
com fotos, documentos e peças que contam a história do Projeto,
disponível à apreciação do público ao longo da tarde do evento.
27
Organizadoras na exposição que é montada para apreciação do público,
com fotos, documentos e outras peças, que contam a história do
Projeto.
CONCURSO JOVENS TROVADORES
APRESENTAÇÃO
O concurso é direcionado aos estudantes a partir do 7º ano
(antiga 6ª série) do Ensino Fundamental, até o último ano do
Ensino Médio. Conforme já mencionado, os jovens recebem
temas relacionados ao patrimônio histórico-cultural local e seu
movimento musical, e sobre eles têm que refletir e poetizar. Adota-
se o formato de “trovas populares”, com exigência de rima apenas
entre o segundo e quarto verso.
É comum que várias das trovas recebidas requeiram
pequenos ajustes, em geral na métrica ou pontuação. Eles são
feitos sob a supervisão de um dos jurados que também atua como
consultor técnico para o Concurso, o poeta Moacyr Sacramento.
Esses ajustes ficam visíveis para todos os jurados, de forma que
possam refletir seu impacto na pontuação atribuída, que pode
ser reduzida em função dos ajustes. Essa prática, que fica
transparente aos envolvidos e ao público em geral, não é comum
em concursos de poesia, mas é aqui adotada em razão da meta
28
do Concurso não ser a avaliação ou formação técnica de poetas,
mas sim levar os participantes à refletir sobre os temas.
Nos dias
que
antecedem o
evento de
premiação,
as trovas
finalistas
ficam em
exposição
na Praça
da Matriz.
As trovas
também
decoram o
ambiente do
evento
O Concurso premia como “Destaque”, um trabalho por tema,
em função da pontuação conquistada em cada um deles. Cada
jovem recebe uma camiseta e um trabalho em porcelana com sua
trova, seu nome e seu mérito gravados. O “Vencedor” é o que
conquista maior pontuação no acumulado dos três temas, e recebe
29
outros prêmios: normalmente uma cesta de alimentos, vale-
consumo para restaurante, além do troféu personalizado.
Para atuar como jurados, as organizadoras contam com a
colaboração de amigos, experts na arte da poesia:
Ana Helena Ribeiro – Membro de várias entidades
culturais, incluindo a Academia Nacional de Letras e
Artes. Tem vários livros publicados, abrangendo
poesia e ensaios literários, e participação constante
em eventos literários nacionais e internacionais.
Denise Teixeira – Do Rio de Janeiro, é membro de
várias entidades culturais de renome, dentre elas a
Academia Pan-americana de Letras e Artes e a
Academia Nacional de Letras e Artes. É secretária da
Federação das Academias de Letras do Brasil.
Moacyr Sacramento – Poeta premiado e declamador,
com vários livros publicados. Realiza recitais por todo
o Brasil. Atua também como “consultor-técnico” do
Concurso. O seu espaço em Conservatória é o Ateliê
Casa do Poeta.
Gracinha Rego – Premiada em vários concursos, é
poeta e declamadora, e membro da Academia
Fluminense de Letras. Integra o grupo de declamação
Nuance, de Niteroi, fundado em 1985.
Jacira Alves Brandão – Pedagoga, lecionou em curso
de Formação de Professores no Rio de Janeiro.
Ampla experiência em revisão de textos literários.
Seresteira durante a década de 1990.
Marina Chaves – Professora de Português e
Literatura, com pós-graduação em linguística pela
UFRJ. É poeta e compositora, com três livros
publicados. Marina é também seresteira.
Therezinha Gonçalves Sirieiro – Advogada e
professora de Português e Literatura, residente em
Niterói. É também escritora, e tem nove livros
publicados.
Wilma Brassoloto – Poetisa e Declamadora, reside
em São Paulo. O livro que publicou com sua obra
poética, foi prefaciado pelo reverenciado poeta
paulista Paulo Bomfim.
Yara Gonçalves Maia – Declamadora e poetisa, com
12 livros publicados. É membro de Academias de
Letras e do Sindicado dos Escritores. Ativa participante
das Serenatas de Conservatória.
Jovens Trovadores – Jurados 2006 2008 2011
30
Mª Eduarda Santana do Nascimento
(12 anos)
31
JOVENS TROVADORES 2006
Para o ano de 2006 as palavras-temas foram: LUA, SONHO
e MELODIA. Neste ano o resultado do concurso teve uma
curiosidade: a média de idade dos jovens poetas que, no Concurso
anterior foi de dezesseis anos, caiu para quatorze. O que significa
que vários desses jovens ainda estarão na faixa etária requerida
para participar do próximo Concurso (o limite é dezoito anos), e
terão mais tempo para estudar e melhorar sua técnica, uma vez
que, talento poético eles já mostraram que possuem.
As seguintes professoras enviaram textos de seus alunos:
Da Escola Maria Medianeira: Denize Almeida Leite e Nádia
Cristina Cruz;
Do Colégio Alfredo Gomes: Ana Maria Ramos de Melo e
Danucília Lopes de Oliveira.
Na foto vemos alguns dos finalistas. À frente, o jovem Luciano,
exibindo seus prêmios como Destaque no tema “Melodia”, e a jovem
Luiza, Destaque no tema “Lua”. Luciano foi o Vencedor, no
acumulado de pontos.
Nas próximas páginas vamos conhecer as trovas finalistas e
seus autores.
32
Afonso Theodoro dos Santos
(10 anos)
33
JOVENS TROVADORES 2006
Palavra-tema: LUA
A lua nesta cidade
Não é imaginação
E gente de toda a idade
Vem curtir essa emoção
Luiza Barbosa Alves
10/3/92 – 8ª série – EMMM
Prof. Nádia
Lua, tu, como és linda,
Estás sempre nas canções,
Não estás só em palavras
Mas nos sons dos violões.
Bianca Brites Coutinho
15/9/94 – 6ª – CEAG
Prof. Danucília
Em Conservatória, a lua
Que não pára de brilhar:
Nas ruas, os seresteiros
Continuam a cantar.
Priscilla Pinheiro
25/3/92 – 8ª série – EMMM
Prof. Nádia
A lua em Conservatória
Não é imaginação
Não é conto nem história
Cada casa uma canção
Bernardo Gustavo R. Batista
4/9/90 – 8ª série – EMMM
Prof. Nádia
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Caroliny de S. Estevam dos Santos
(14 anos)
35
JOVENS TROVADORES 2006
Palavra-tema: SONHO
Um sonho tão pequenino
Que um dia sonhei pra mim,
Brincadeira de menino:
Felicidade sem fim.
Joseli Furtado de Souza
16/8/89 – 8ª série – EMMM
Prof. Nádia
Eu irei contar um sonho:
- Sempre treino no chuveiro –
Comprarei um violão
Me tornarei seresteiro.
Orlando Soares Louzada Neto
25/8/93 – 6ª – CEAG
Prof. Danucília
Pelas ruas vou vagando
Vejo alguém se aproximar
Seresteiros vem cantando
Sempre um sonho pra sonhar
Márcio do Vale Telemos
14/11/89 – 1º ano E.M. – CEAG
Prof. Danucília
A seresta é um sonho
Que nunca vai se acabar
Por isso nós te propomos:
Venha conosco cantar!
Frederico de Carvalho Dias
26/11/1991 – 8ª série – EMMM
Prof. Nádia
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36
Carlos Danyel dos Santos M. Pereira
(11 anos)
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JOVENS TROVADORES 2006
Palavra-tema: MELODIA
Uma doce melodia
Em uma bela canção
Razão de viver o dia
Toca fundo o coração
Luciano de Souza Curty
27/11/91 – 8ª série – EMMM
Prof. Nádia
Na cidade, melodia
Sempre um sonho de paixão
Na seresta uma alegria
Vou guardar no coração
Cinara Mª Felipe de Magalhães
3/12/93 – 6ª série – CEAG
Prof. Danucília
Aqui em Conservatória
Tem seresta e seresteiro
E logo que escurece
Melodia o tempo inteiro
Aline Pereira Paiva
13 anos – 6ª séire – EMMM
Prof. Denise
Quando vi Conservatória,
Um lugar encantador,
Cantava uma melodia
No meu peito, em esplendor.
Jaqueline José
1/9/89 – 8ª série – EMMM
Prof. Nádia
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JOVENS TROVADORES 2008
As palavras-temas para 2008 foram: VIOLÃO, POESIA e
MENESTREL. Nesse ano houve recorde de participação em
relação a todos os concursos anteriores: noventa e três alunos
inscreveram cento e setenta e nove textos. Denize Leite da Escola
Mª Medianeira, e Danucília de Oliveira, Eliana Magalhães e Ana
Maria Ramos de Melo do Colégio Alfredo Gomes, foram os
professores que enviaram trabalhos de seus alunos para o
concurso deste ano.
Dentre as responsabilidades do professor estão: preparar
tecnicamente os jovens, assegurar o cumprimento do regulamento
e, com o conhecimento que dispõem da vida escolar de seus
alunos, é solicitado que atestem, através da aposição de sua
rubrica, que não houve interferência de terceiros na produção dos
textos.
Finalistas subiram ao palco para receber os aplausos. Neste
ano dez dos doze finalistas compareceram ao evento. Outro
recorde: o número de finalistas do sexo masculino foi o maior.
39
O público aguarda, atentamente, o anúncio dos premiados.
O vencedor Marcos Eduardo recebe seu troféu das mãos do
Menestrel Joubert de Freitas,
40
Fabiano Filho Barbosa Rodrigues
(9 anos)
41
JOVENS TROVADORES 2008
Palavra-tema: VIOLÃO
Conservatória, tão linda!
Por você tenho paixão!
Encantam-me as serenatas
Ao som do seu violão.
Jader de Paiva Barbosa
3/5/1991 – 2º ano EM – CEAG
Prof. Eliana
Em uma rua deserta,
Os acordes do violão;
Em madrugada serena,
O trovador em canção.
Túlio Roberto Amâncio Rocha
10/5/1995 – 7º ano – CEAG
Prof. Danucília
Nossa vida tem canções,
Vida sempre em harmonia,
Serenata e violões
Fazem nosso dia-a-dia.
Jéssica da Mota Rufino
12/6/1991 – 2º ano EM– CEAG
Prof. Ana Maria
Vivemos do violão,
Cultivamos poesia;
Cada vida uma canção,
Alegrando nosso dia.
Driele de Oliveira Pereira
7/8/1990 – 3º ano EM – CEAG
Prof. Ana Maria
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Amanda Oliveira da Silva
(10 anos)
43
JOVENS TROVADORES 2008
Palavra-tema: POESIA
Para a poesia ser feita,
Pouca coisa é necessária:
Ter inspiração perfeita
E paixão imaginária.
Aline Costa de Paula
17/2/1994 – 9º ano – CEAG
Prof. Ana Maria
No cantinho da seresta,
Paixões se vê todo dia;
Ou em forma de canção,
Ou em forma de poesia.
Daniel F. de Souza
3/10/1993 – 8º ano – EMMM
Prof. Denize
Despertou em mim, um dia,
Algo sem explicação:
Certo dom da poesia
Que ganhou meu coração.
Rafael Medeiros do Valle
12/9/1990 – 3º ano EM – CEAG
Prof. Ana Maria
Com todo o seu coração,
Menestrel canta a poesia;
Com todo amor e paixão,
Vai espalhando alegria.
Ana Carolina Venâncio da Silva
20/7/1994 – 8º ano – CEAG
Prof. Ana Maria
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44
Júlia Chaves R. Carrilhos Ribas
(12 anos)
45
JOVENS TROVADORES 2008
Palavra-tema: MENESTREL
Cantando pelas calçadas,
Sob as estrelas e o céu,
Enormes janelas se abrem
Para ouvir o menestrel.
Marcos Eduardo G. de Oliveira
15/10/1991 – 1ºano EM – CEAG
Prof. Eliana
O amoroso menestrel,
Que tem cultura e paixão,
Declama uma poesia,
Levando seu violão.
Charles Alberto P. da Cunha
15/4/1992 – 1º ano EM – CEAG
Prof. Eliana
No lugarzinho onde vivo,
Há poesia e paixão:
Ouço o som do menestrel,
Sempre com seu violão.
Ana Carolina dos Santos Souza
3/7/1991 – 2º ano EM – CEAG
Prof. Eliana
Sem gastar um só suspiro,
Na canção do menestrel
Vai luar serrano, raro,
Harmonizando o meu céu.
Matheus Diz Raposo
6/6/1991 – 2º ano EM – CEAG
Prof. Ana Maria
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Rafael de Vasconcellos R. da Silva
(14 anos)
47
JOVENS TROVADORES 2011
RESULTADOS
Nesse ano os temas escolhidos foram SERENATA, TÚNEL e
TREM (ou TRENZINHO). Foram recebidos cento e oitenta e oito
textos, elaborados por noventa e três estudantes. Essa ampla
participação resultou do empenho de seus professores de língua
portuguesa. Foram eles:
do Colégio Alfredo Gomes:
Ana Maria Ramos de Melo
Denize Leite
Renata de Assis Lima
Sidcléia Paulino dos Santos
da Escola Maria Medianeira:
Maria Luisa da Costa
Moisés dos Santos Silva
Rosimar Lopes de Almeida
Nas páginas seguintes estão apresentados os textos dos doze
finalistas apontados pelos jurados, que concluíram pela premiação
dos seguintes jovens, como "Destaques" por tema, e como
"Vencedor", no acumulado de pontos:
Tema Destaque
SERENATA Sueli de F. da Silva
TÚNEL Orlando S. Louzada Å
TREM Paloma J. Jovenciano da Silva
ÅVencedor
Ao final do tópico "Jovens Trovadores" encontra-se o
Regulamento do concurso, bem como estatísticas, em valores
e gráficos, demonstrando a participação, por escola, de 2002 a
2011.
48
Taieny Messias Cunha da Silva
(11 anos)
49
JOVENS TROVADORES 2011
Palavra-tema: SERENATA
Serenata aos meus ouvidos
É ouvir quem quero bem
Se não escuto a quem quero
Não quero escutar ninguém
Sueli de F. da Silva
31/8/1996 - 9° ano EF - CEAG
Prof. Renata
Céu com estrelas e lua
Que estão sempre a brilhar
Cidade com serenatas
Que estão sempre a passar
Caíquy Lima da Conceição
10/9/1994 - 1° ano EM - CEAG
Prof. Ana Maria
Serenata na cidade
Já faz parte da história
Com muita simplicidade
Na lembrança, na memória
Bianca Brites Coutinho
15/9/1994 - 3° ano EM - CEAG
Prof. Denize
A serenata nas ruas
Com um luar encantador
Tirando as tristezas suas
Trazendo brilho e amor
Taíssa Amâncio T. Duque
28/10/1993 - 3° ano EM - CEAG
Prof. Denize
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Ana Clara Barros Loio Miguel
(10 anos)
51
JOVENS TROVADORES 2011
Palavra-tema: TÚNEL
O céu se faz em noite alta
E o túnel está tristonho
Ele chora ao sentir falta
De um amor feito de sonho
Orlando S. Louzada Neto
25/08/1993 - 3º ano EM - CEAG
Prof. Denize
O túnel que, muito triste,
Por uma paixão chorou
Saudades daquele trem
Que um dia não mais voltou
Mateus Paranhos Rios
15/01/1997 - 9º ano EF - CEAG
Prof. Renata
Todos os dias eu vejo
Um túnel a gotejar
São lágrimas de saudade
Que por anos vai chorar
Alanna Amaral P. SEABRA
05/09/1995 - 1° ano EM - CEAG
Prof. Sidcléia
Túnel chora de saudade
Daquele que vai embora
E suplica pra que volte
Bem depressa, sem demora
Natany Gomes de Brites
02/01/1995 - 2° ano EM - CEAG
Prof. Sidcléia
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Márcia Eduarda S. Estevam de Freitas
(11 anos)
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JOVENS TROVADORES 2011
Palavra-tema: TREM (TRENZINHO)
O trem de Conservatória
Nos traz lembranças sem par
Ao ouvirmos bela história
Dá vontade de cantar
Paloma J. Jovenciano da Silva
14/02/1996 - 1° ano EM - CEAG
Prof. Denize
O trem que traz a saudade
Nos remete à solidão
Nos lembra a felicidade
Que guardo em minha canção
Letícia Paranhos Rios
15/01/1997 - 9º ano EF - CEAG
Prof. Renata
Bem cedo o trem vai passar
Nos trilhos sons a surgir
Bela canção a tocar
Fazendo você sorrir
Brandon Luiz Ribeiro
23/05/1995 - 1° ano EM - CEAG
Prof. Sidcléia
Trenzinho que por aqui
Num belo dia passou
Hoje deixa só saudade
De quem nele já andou
Davi Miguel Duque de Freitas
12/07/1996 - 1° ano EM - CEAG
Prof. Denize
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54
Valdeci dos Anjos F. Pinto
(15 anos)
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JOVENS TROVADORES - REGULAMENTO
1) Este concurso do Festival CONSERVATÓRIA MEU AMOR 2011 é dirigido
aos estudantes do 7º ao 9º ano
(*)
do Ensino Fundamental e do Ensino
Médio das escolas Maria Medianeira (EMMM) e Alfredo Gomes (CEAG),
que tenham, no máximo, 18 anos (até 31.12.11);
2) As trovas deverão ter versos de sete sílabas métricas e rima entre o segundo
e quarto versos, pelo menos. Deverão ser desenvolvidas tendo
Conservatória e seu patrimônio cultural como contexto. Para cada palavra-
tema deve corresponder uma trova. As palavras-temas são:
1ª Trova: SERENATA; 2ª Trova: TÚNEL: 3ª Trova: TREM(ou TRENZINHO)
3) Só é permitida, a cada concorrente, uma trova por tópico. Não é obrigatória
a apresentação de trovas para os 3 (três) tópicos, entretanto, o prêmio
máximo será concedido ao concorrente que alcançar a maior pontuação
acumulada. Não serão aceitas trovas que já concorreram em anos anteriores.
Trovas muito parecidas, sugerindo que houve cópia, poderão ser
desclassificadas;
4) As trovas deverão ser apresentadas, todas em uma única folha por aluno,
datilografada ou manuscrita (de forma legível). No cabeçalho deverá constar:
nome completo do aluno, endereço, data do nascimento, escola e ano que
está cursando, nome do professor de literatura/língua portuguesa.
5) Com a entrega de seu trabalho ao professor de literatura/ língua portuguesa,
fica caracterizada a inscrição do participante e este assume que tem
conhecimento e aceita os termos deste regulamento.
6) Ao lado do seu nome, no cabeçalho da folha, o professor irá assinar/
rubricar. Sua rubrica indicará que o trabalho é de autoria exclusiva do
aluno, sem interferência de terceiros.
7) Os trabalhos deverão ser entregues, pelos professores, diretamente às
organizadoras do concurso, até 25 de abril de 2011.
8) Avaliação:
a) A primeira análise será feita pelos organizadores, com auxílio de pessoas
com conhecimento compatível com a responsabilidade, e que não tenham
relação com o corpo docente das escolas ou com os concorrentes. Os
avaliadores atribuirão pontuação de 1 até 100, para cada trova.
b) A escolha final dos vencedores será feita por um corpo de jurados
constituído de poetas, seguindo o mesmo critério de pontuação descrito
em 8-a).
9) A premiação será feita com base na pontuação atribuída pelos jurados,
selecionando e premiando:
a) Os três concorrentes que mais se destacarem em cada tópico/tema (o
mesmo concorrente não será destaque em mais de um tópico);
b) O concorrente com maior pontuação no total dos três tópicos/temas;
c) A comunicação dos finalistas será feita até 30 de junho, através de avisos
fixados nas escolas e no comércio local e o resultado final e entrega dos
prêmios ocorrerá a partir das 16:00h do dia 20 de Agosto (sábado), em local
a ser definido.
d) As 12 (trovas finalistas) serão publicadas em um livro, cuja distribuição
será gratuita, e contemplará alunos, professores, colaboradores e
outros.
10) Os organizadores deste concurso poderão utilizar livremente os trabalhos
apresentados, sem fins lucrativos, comprometendo-se a sempre divulgar o
nome do autor.
56
ESTATÍSTICAS
Finalizando o assunto “Jovens Trovadores”, alguns dados
demonstrando o envolvimento dos alunos, por escola, em cada
ano
(a)
:
Notas:
(a)
Não foram coletados dados para o Concurso de 2001.
(b)
A partir de 2004, apenas alunos com idade até 18 anos.
EMMM 2002 2003 2004 2005 2006 2008 2011
Participantes 41 23 11 9 19 11 35
Habilitados
(b)
115 64 65 81 102 93 73
CEAG 2002 2003 2004 2005 2006 2008 2011
Participantes 5 2 33 21 12 82 58
Habilitados
(b)
228 160 191 154 131 198 265
57
CONCURSO JOVENS CANTORES
APRESENTAÇÃO
Este concurso é direcionado aos estudantes do 4º ao 6º ano
(antigas 3ª, 4ª e 5ª séries) do Ensino Fundamental. Foi criado com
a meta de envolver os jovens com o repertório serenateiro,
aproveitando para transmitir-lhes algum conhecimento sobre a
prática da Serenata.
A primeira edição foi em 2002, quando o seresteiro-poeta José
Borges foi homenageado. Ele pode ouvir oito jovens interpretando
nove de suas composições, algumas das quais integram o
repertório serenateiro local. De 2003 em diante, o repertório foi
selecionado a partir dos clássicos da música popular brasileira
que integram o repertório da Serenata do lugar.
No período de 2006 a 2011, foi realizado apenas um Concurso
Jovens Cantores, no ano de 2006. Isto deveu-se, principalmente, à
expansão da atividade “Aulas de Serenata”, sobre a qual trataremos
mais adiante, que cumpre a meta do referido Concurso, mas produz
impacto sobre maior número de jovens. Desde 2005 os participantes
das Aulas de Serenata têm se apresentado regularmente nos
Festivais, animando o evento musicalmente, em parte ou no todo.
Jovens
participan-
tes das
Aulas de
Serenata no
Festival
2008.
58
Isso não significa que a realização do Concurso Jovens
Cantores está superada. As organizadoras não descartam sua
realização no futuro, principalmente por dois motivos: ele movimenta
torcidas, cuja participação espontânea e animada incrementa a
dinâmica do evento, e também serve como “isca” para atrair novos
participantes para as Aulas de Serenata.
JOVENS CANTORES 2006
Para a fase inicial do Concurso, as organizadoras escolhem
música que seja brasileira e de amor, não necessariamente ligada
à Serenata, que esteja na mídia, de forma que quaisquer jovens
que assistam à televisão, ou seja, todos, possam aprender e se
inscrever no Concurso. A música escolhida foi uma composição
de 1978, regravada pelo cantor Daniel para a trilha sonora da novela
“América”, da TV Globo: “Os Amantes”, de Luiz Ayrão.
Na primeira etapa, são as próprias organizadoras que ouvem
os candidatos, que no ano de 2006 somaram vinte e oito. Em
seguida, dezesseis semifinalistas foram ouvidos e avaliados pela
cantora Iracema Werneck, uma das juradas que gentilmente
disponibilizou seu tempo. Dessa avaliação, chegou-se a oito
finalistas.
Canções do repertório serenateiro são selecionadas pelas
organizadoras e sorteadas entre os finalistas. Cada um recebe a
letra e uma gravação. Para continuar no processo, tem prazo de
uma a duas semanas para aprender a música, caso contrário perde
a vaga para o próximo concorrente melhor pontuado na semifinal.
Cumprida a exigência, há ensaios semanais com as próprias
organizadoras, durante, aproximadamente, dois meses. Os
encontros não são individuais: os finalistas acompanham o ensaio
de cada colega. Quando termina o período, eles aprenderam a
cantar todas as canções.
O corpo de jurados reúne amigos e colaboradores, com
formação e/ou experiência musical, e independência em relação
aos concorrentes, na tentativa de se obter resultados justos e
imparciais.
59
Jovens Cantores 2006 – Jurados
Iracema Werneck - Cantora, participou de festivais internacionais, também
se destacou no programa Flávio Cavalcante e foi contratada da antiga TV
Tupi por 3 anos. Reside em Conservatória, onde participa, profissional ou
informalmente, das noites musicais do lugar.
Mônica Thiele - Atuou por mais de oito anos no Coral da Orquestra Sinfônica
do Estado de São Paulo. É diretora musical, arranjadora e integrante do
grupo vocal Vésper, que acompanha grandes nomes da MPB, tais como o
MPB4, Paulinho da Viola, Elza Soares. Na ocasião desse Concurso chegou
a formar um coral de adultos em Conservatória, e era co-proprietária do
Café Chez Maricotinha.
J. Júnior (Candeias) - Compositor que faz parte da história da música popular
brasileira, compôs pérolas que atravessam gerações, tais como Confete e
Lata D'água, que integram o repertório oficial do carnaval Brasileiro. Trocou
o Rio de Janeiro por Conservatória, onde passou a residir até seu falecimento
em 2009.
Pedro Ernesto Teles -Estudou piano por doze anos. Formou-se pelo
Conservatório Brasileiro de Música e cursou parcialmente faculdade de
Regência. É advogado por profissão, e também responsável pelo site
www.seresteiros.com.br, que divulga Conservatória, com especial atenção
ao esforço de preservação cultural dos Irmãos Freitas.
José Maria de Moraes Santos - Residente em Valença. Estudou impostação
vocal, órgão, piano, acordeon. Na ocasião que atuou como jurado, lecionava
sua técnica também em Conservatória, onde chegou a formar um grupo de
acordeonistas e um coral de adultos.
60
Em linha com o
modus operandi da
Serenata, os jovens
cantores
apresentam-se
sem auxilio de
amplificação de
som, com o
acompanhamento
de um violão. A
ordem de
apresentação é
definida na hora,
por sorteio.
Finalistas Jovens Cantores 2006.
Como se pode ver, os meninos não se empolgaram muito nesse ano,
deixando a meninas reinarem sozinhas!
61
Seguindo a ordem em que aparecem na foto anterior (da
esquerda para direita), vamos conhecer as finalistas, as canções
que interpretaram, e as professoras, que desempenharam papel
fundamental na fase inicial do processo ao mobilizarem seus
alunos para inscreverem-se no Concurso.
O seresteiro-
menestrel Joubert,
e o compositor J.
Júnior são
convidados para
participar da
entrega dos
prêmios às
vencedoras e
deixar suas
mensagens para o
público.
Finalista
Mariana Costa
Miguel (10 anos)
Roberta E. O.
Ramos (11 anos)
Aline Cristina da
Silva (11 anos)
Morgana R. de
Almeida (11 anos)
Graciele Matias
Roque (11 anos)
Rayanne de O.
Laurindo (12 anos)
Maria Aparecida
Martins (13 anos)
Dálethy P. de
Almeida (11 anos)
Música
Prof/Esc Ano Título Autor(es)
Mª Emília
CEAG
Eliana
CEAG
Adeir
EMMM
Eliana
CEAG
Eliana
CEAG
Eliana
CEAG
Gisélia
EMMM
Eliana
CEAG
1941
1938
1958
1938
1958
2001
1940
1957
Eu sonhei que
tu estavas tão
linda
Enquanto
houver
saudade
Serenata do
Adeus
Último Desejo
Eu não existo
sem você
Saudade é da
vida
Última
Inspiração
Ouça
C. Mesquita e F.
Matoso
C. Mesquita e
M. Lago
Vinícius de
Moraes
Noel Rosa
Tom Jobim e
Vinícius de
Moraes
Mourani, Beto e
Umberto Silva
Peter Pan
Maysa
62
Com a pontuação atribuída pelos jurados, a apuração do
resultado foi realizada pelo amigo e colaborador do projeto, Sr.
Wilson Brum:
3ª colocada
Mariana Miguel
2ª colocada
Rayanne Laurindo
1ª colocada
Aline Cristina da Silva
Na companhia de seus pais, a jovem Aline
recebe seus prêmios.
No ano de 2008,
tentou-se realizar o
Concurso. Porém, ape-
nas os alunos de uma
turma conseguiram
cumprir a primeira
etapa, inviabilizando o
Concurso. Esses
alunos, com sua
professora Juliana Maia,
que tão habilmente
soube mobilizá-los e
prepará-los, foram
convidados a
apresentarem-se no
evento, cantando a
canção da seleção ini-
cial: Casinha Branca,
de Gilson e Joran.
63
JOVENS CANTORES - REGULAMENTO
1) Este concurso do Festival CONSERVATÓRIA MEU AMOR 2008 é dirigido
aos estudantes do 4º ao 6º ano
(*)
do Ensino Fundamental que residam em
Conservatória, independente da escola em que estudem, se em Conservatória
ou não;Trata-se de concurso para jovens calouros que gostem de cantar;
2) As inscrições deverão ser feitas através das professoras do CEAG e
EMMM (para aqueles que estudem nas referidas escolas) e na Loja Canto Lírico
para os demais. O prazo vai até 18 de abril;
3) NÃO poderão se inscrever jovens que já foram FINALISTAS nos concursos
anteriores;
4) Primeira Etapa: As organizadoras irão ouvir cada inscrito, numa
apresentação restrita, cantando a música Casinha Branca (Autores: Gilson e
Joran). A partir da divulgação deste regulamento, essa canção estará sendo tocada
com freqüência na Rádio Pedacinho do Céu, incluindo gravação por Maninho dos
Teclados, até a data da realização dessa etapa, que ocorrerá a partir de 22 de
abril;
5) Segunda Etapa: Os selecionados na 1ª etapa farão nova apresentação
para a seleção dos FINALISTAS, que poderá ser feita pelas próprias organizadoras
ou por avaliador independente, com vivência musical;
6) Os FINALISTAS serão comunicados pessoalmente. Nesse momento
sortearão a música0 que irão apresentar no evento final, recebendo a letra e uma
fita cassete com a gravação. As canções incluídas no sorteio, serão músicas
relacionadas com a tradicional Serenata local.
7) O FINALISTA terá prazo de 10(dez) dias para demonstrar que aprendeu
a música. Caso contrário será desclassificado, dando oportunidade ao próximo
colocado;
8) O acompanhamento do candidato só poderá ser feito por 1(um) violão. O
concurso contará com a contribuição de violonista(s) voluntário(s), tanto para os
ensaios como para a apresentação.
9) Os FINALISTAS irão ensaiar uma vez por semana, a partir de 5/6 (quinta-
feira), das 17:00h às 17:40h. Ausência aos ensaios poderá resultar na
desclassificação do concorrente.
10) A apresentação final dar-se-á sem auxílio de equipamento eletrônico, tal
como se apresentam os seresteiros pelas ruas de Conservatória;
11) Os FINALISTAS do concurso irão apresentar-se em 16 de agosto (sábado),
à partir das 16:00h, no Salão da Escola Mª Medianeira;
12) A ordem de apresentação dos FINALISTAS será definida por sorteio,
durante o evento, tornando imprescindível a pontualidade dos candidatos;
13) Durante a apresentação, os FINALISTAS serão avaliados por uma
comissão julgadora constituída de pessoas ligadas à música (compositores,
instrumentistas e/ou cantores). Ao fazer sua avaliação, a comissão estará atenta,
principalmente aos seguintes aspectos: (i) afinação e divisão, (ii) interpretação e
(iii) fidelidade à letra, atribuindo pontuação de 1 a 100. O primeiro quesito terá peso
2.
14) Haverá premiação para os que conquistarem a 1ª, 2ª e 3ª colocação,
incluindo, para o 1º lugar, uma Cesta de Alimentos e Troféu.
(*) Da 3ª à 5ª série, pela antiga nomenclatura.
64
Também em 2008, a programação musical foi enriquecida com
a participação de alunos do Projeto Integrando. Iniciado em 2007, o
Projeto traba-
lha na for-
mação musical
dos jovens de
Conservatória,
interessados
em aprender
instrumentos
musicais:
violão, flauta,
cavaquinho e
bandolim. A
iniciativa é do
violonista e pro-
fessor Célio
Silveira e da
professora de
matemárica,
Wilma Poubel.
Um dos jovens que aparece na foto (ao lado da professora) é
Orlando S. Louzada Neto, finalista dos Concursos Jovens
Trovadores 2008 e 2011 (cujos textos aparecem nesta publicação)
e do Concurso Jovens Ilustradores 2005, cujo trabalho foi
apresentado no primeiro livro do Projeto.
65
CONCURSO JOVENS ILUSTRADORES
APRESENTAÇÃO
A idéia para este concurso surgiu quando o primeiro livro do
Projeto foi planejado, com sua primeira edição sendo realizada em
2005.
Utilizando trovas finalistas de concursos anteriores para
“Jovens Trovadores”, algumas são escolhidas para serem
interpretadas, através de desenhos, por outros jovens. No caso,
alunos do 4º ao 6º ano do Ensino Fundamental, das duas escolas
parceiras.
A proposta é focar na capacidade interpretativa e criativa do
aluno, e não na sua habilidade técnica para o desenho. Para cada
ano escolar, as professoras recebem quatro trovas. Os alunos são
livres para escolher uma das quatro e executar a ilustração,
utilizando folha A4 branca e lápis preto nº2.
Para cada cinco alunos de uma turma, a professora, seguindo
o critério que melhor lhe aprouver, seleciona um trabalho e
encaminha para a organização do concurso.
Esses trabalhos são, então, submetidos a um grupo de jurados
formado por artistas-plásticos que, sem ter acesso a autoria dos
desenhos, fazem sua avaliação atribuindo pontuação de zero a cem.
No acumulado dos pontos, apuram-se doze finalistas e, dentre eles,
identifica-se um vencedor para cada ano escolar. Os três vencedores,
tal como nos outros concursos, recebem um troféu representado
por uma obra do artista-plástico Mário Luis e brindes.
JOVENS ILUSTRADORES 2011
Atendendo a primeira etapa de seleção do regulamento, a
organização do projeto recebeu nesse ano um total de trinta e
quatro trabalhos, que foram organizados e enviados aos jurados.
Como dito anteriormente, mais do que à quantidade de trabalhos
recebidos, as organizadoras atribuem maior importância ao
número total de jovens envolvidos na atividade. Nesse ano, de
um total de dez turmas dos estabelecimentos Escola Municipal
Maria Medianeira (EMMM) e Colégio Alfredo Gomes (CEAG), nove
66
foram engajadas no concurso por seus professores, envolvendo
cento e setenta e sete alunos. Esses dedicados educadores foram:
Escola Professor(a)
EMMM Adeir A. Mota Pontes
EMMM Illana P. Seabra de Mello
EMMM Ludmila da Cruz Silveira
EMMM Maria Luisa da Costa
EMMM Rolandra de Fátima A. Louzada
EMMM Rosângela Pinheiro Seabra
EMMM Rosimar Lopes de Almeida
CEAG Juliana Alves
CEAG Maria das Graças Braga
(Obs: O CEAG abrange apenas alunos do 2º ciclo do
Ensino Fundamental - 6º ao 9º ano – e Ensino Médio.)
Foram disponibilizadas as seguintes trovas para o exercício
de ilustração:
Nota: As trovas de 2006 e 2008 podem ser consultadas neste livro.
As de 2005 encontram-se no livro anterior.
TROVAS QUE FORAM OFERECIDAS PARA ILUSTRAÇÃO
Ano
Trova
Nome do autor
ANO
ESCO-
LAR
Ref
4A
4B
4C
4D
5A
5B
5C
5D
6A
6B
6C
6D
Tema
Lua
Sonho
Violão
Túnel
Sonho
Melodia
Menestrel
Túnel
Lua
Sonho
Poesia
Túnel
Priscilla Pinheiro (EMMM)
Orlando S. Louzada Neto (CEAG)
Jader de P. Barbosa (CEAG)
Simone de O. Leite (CEAG)
Joseli F. de Souza (EMMM)
Luciano de S. Curty (EMMM)
Marcos Eduardo G. de Oliveira (CEAG)
Maryana Luz Torraca (EMMM)
Bianca Brites Coutinho (CEAG)
Márcio do V. Telemos (CEAG)
Ana Carolina dos S. Souza (CEAG)
Pedro Freitas da Cunha (CEAG)
2006
2006
2008
2005
2006
2006
2008
2005
2006
2006
2008
2005
67
JOVENS ILUSTRADORES - REGULAMENTO
1) Este concurso do Festival CONSERVATÓRIA MEU AMOR 2011 é dirigido aos
estudantes da 4º à 6º ano do Ensino Fundamental das escolas Maria Medianeira
(EMMM) e Alfredo Gomes (CEAG). (Não se aplica aos estudantes do curso noturno
do EMMM.)
2) Serão fornecidas aos professores quatro trovas para apresentar aos
alunos, que deverão elaborar desenho inspirado na trova que lhe couber;
3) As trovas são de autoria de alunos das próprias escolas, que participaram
do concurso Jovens Trovadores de 2005 à 2008, consequentemente, inspiram-se
no contexto cultural de Conservatória;
4) O desenho deverá ser feito em Folha A4, branca, utilizando, exclusivamente,
lápis B ou nº2, à mão-livre. A utilização de qualquer outro material diferente do
aqui especificado implicará na desclassificação do trabalho;
5) Cada aluno poderá concorrer com apenas uma ilustração para cada trova;
6) Tratando-se de concurso de interpretação (através de desenho), pesará
na avaliação dos jurados, principalmente a sensibilidade e criatividade do artista;
7) Na face da folha A4 onde estará apresentado o desenho, não poderá
conter qualquer informação sobre o autor (nome, escola, etc). Tais informações
deverão ser incluídas em papel à parte que deverá ser grampeado ao desenho.
8) As informações necessárias sobre o autor são: nome completo, data do
nascimento, endereço, escola, série e nome da professora.
9) Neste papel deverá constar uma rubrica da professora. Essa rubrica é de
extrema importância pois ela indicará que a professora atesta que não houve
participação de terceiros no trabalho do aluno.
10) Os trabalhos deverão ser entregues pelas professoras, diretamente às
organizadoras, até o dia 11 de abril de 2011. Os resultados serão divulgados até
30/6/2011.Avaliação:
1ª Etapa: Será coordenada pelo próprio professor que estabelecerá critério
que julgar adequado para classificar os melhores em cada trova. Para cada 5
alunos que a turma tenha, poderá classificar 1 trabalho;
2ª Etapa: Será realizada por grupo de jurados composto de artistas-plásticos,
convidados pelas organizadoras do concurso.
11) A premiação será feita com base na pontuação atribuída pelos
jurados. Serão premiados o 1º colocado de cada ano. Ou seja, teremos um vencedor
para o 4º ano, outro para o 5º e outro para o 6º, na totalidade das duas escolas. O
vencedor receberá troféus e brindes. Os doze finalistas terão seu trabalho publicado
em livro, cuja distribuição será gratuita, e contemplará alunos, professores,
colaboradores e outros.
12) Os organizadores do concurso poderão utilizar livremente os
trabalhos, sem fins lucrativos, comprometendo-se sempre a divulgar o nome do
autor.
68
O grupo de jurados desse ano foi composto pelos artistas a
seguir, todos estabelecidos em Conservatória:
Cristina Painhas
Maria Alvarina Toledo de Andrade
Marinete Sacramento
Mário Luis da Silva
É interessante observar que, nesse ano, apesar do
regulamento estabelecer que os desenhos deveriam ser elaborados
a mão-livre, vários alunos utilizaram régua. Os trabalhos não foram
desclassificados, porém os jurados foram orientados a refletir esse
descumprimento de norma em sua pontuação.
O somatório de suas avaliações resultou nos seguintes
finalistas e, dentre eles, os vencedores:
ÅVencedor na sua categoria.
São os trabalhos finalistas que estão ilustrando a seção deste
livro que aborda o concurso “Jovens Trovadores”.
Nome Idade Escola
ANO
ESCO
LAR
FINALISTA
TROVA-
TEMA
(REF)
Afonso Theodoro dos Santos Å
Fabiano Filho Barbosa Rodrigues
Taieny Messias Cunha da Silva
Ana Clara Barros Loio Miguel Å
Caroliny de S. Estevam dos Santos
Amanda Oliveira da Silva
Valdeci dos Anjos F. Pinto
Carlos Danyel dos Santos M. Pereira Å
Rafael de Vasconcellos R. da Silva
Mª Eduarda Santana do Nascimento
Márcia Eduarda S. Estevam de Freitas
Júlia Chaves R. Carrilho Ribas
10
9
12
10
14
10
15
11
14
12
11
12
EMMM
EMMM
EMMM
EMMM
EMMM
EMMM
EMMM
CEAG
EMMM
CEAG
EMMM
CEAG
4A
4A
4B
5D
5C
5C
5C
6A
6C
6C
6B
6A
69
EXPOSIÇÃO “SER VOLUNTÁRIO: UM ATO DE AMOR”
(FESTIVAL 2008)
Para o Festival de 2008 as organizadoras prepararam uma
homenagem muito especial. Explicaram ao público presente ao
evento:
Como é de conhecimento da maioria aqui presente, o Projeto
Conservatória Meu Amor é uma ação voluntária. O exemplo veio
dos nossos mestres, os Irmãos Freitas. Porém, ao longo desses
anos que temos morado em Conservatória, descobrimos que
vivemos numa Comunidade muito solidária e com um amplo
histórico de atividades voluntárias. É um lugar cheio de exemplos
de vida. Aí, pensamos: - É preciso levar esses exemplos aos
nossos jovens! Então, estabelecemos alguns critérios e fizemos
um mapeamento das atividades voluntárias em andamento e o
resultado foi esta exposição que vocês podem apreciar:
O resultado foi, de fato, uma amostra do que se faz
voluntariamente em Conservatória. Isto porque, para viabilizar o
levantamento, as pesquisadoras tiveram que estabelecer critérios,
limitando a busca. Vamos conhecer melhor esses critérios,
elaborados e divulgados pelas responsáveis:
70
“SER VOLUNTÁRIO: UM ATO DE AMOR”
INTRODUÇÃO
A presença de um amplo sentimento de solidariedade em nossa
Comunidade inspirou-nos a desenvolver este trabalho. Trata-se da
identificação de pessoas que escolheram destinar horas de seu tempo
para trabalhar em benefício de terceiros, de forma
absolutamente voluntária.
OBJETIVO
Na atualidade, nossos jovens estão carentes de bons exemplos, portanto,
nosso principal objetivo é dar conhecimento aos jovens da nossa
Comunidade de reais exemplos de vida, oferecendo-lhes outras
referências de atitude e comportamento. Com essas informações,
esperamos enriquecer seu processo de amadurecimento, contribuindo
para que escolham caminhos que irão lhes proporcionar, principalmente,
paz, saúde e felicidade.
Ao divulgar esses voluntários e suas atividades, queremos também:
• Homenageá-los pelo valoroso trabalho que realizam; e
• Declarar o nosso orgulho em integrar uma Comunidade tão
solidária.
CRITÉRIO ADOTADO
Foram consideradas nesse mapeamento pessoas que desenvolvem
trabalho voluntário que:
Estejam em atividade;
Sendo
trabalho ‘pontual’, ou seja, uma vez por ano, que já tenha
sido realizado pelo menos duas vezes;
Sendo
trabalho contínuo, que o faça, no mínimo, com freqüência
mensal, e que esteja atuante há, pelo menos, um ano.
Não estão contempladas:
Atividades de natureza religiosa (catequese, evangelização, etc)
Atividades voluntárias eventuais;
Atividades de captação ou doação de recursos, bens materiais,
patrocínio, etc;
Atividades realizadas no passado.
DESENVOLVIMENTO DA PESQUISA
O mapeamento foi desenvolvido a partir de entrevistas com os
voluntários, verificação ‘in loco’ do trabalho desenvolvido e depoimento
de testemunhas.
Julho/2008
71
Ao concluir o mapeamento (Agosto/2008), foi constatado o
envolvimento de, aproximadamente, trinta e três pessoas,
distribuídas entre dez projetos ou grupos, ou iniciativas individuais.
Foram produzidas fotos das atividades e textos explicativos que
compuseram a exposição, que foi reapresentada no final do ano,
em outro evento comunitário. O material foi organizado em álbum
e, desde então, permanece em exposição no stand do Projeto
“Conservatória Meu Amor”, na Rua Oswaldo Fonseca, 163, sala 3,
Centro, Conservatória.
O material produzido foi repassado ao Jornal Revista
“Caderno Especial”, sediado em Barra do Piraí. O periódico circula
por vários municípios da região sul-fluminense, e prioriza as ações
culturais, sociais e de saúde da região. Os jornalistas responsáveis,
Paulo César Ferreira e Eliane Malavazi, escolheram publicar, nas
edições entre Março/2009 e Março/2010, cinco dos dez projetos
mapeados.
Voluntários presentes ao Festival recebem
aplausos do público.
72
AULAS DE SERENATA
APRESENTAÇÃO
Foi a ótima repercussão do concurso Jovens Cantores nos
anos de 2002 e 2003 que sinalizou para as organizadoras a
existência de simpatia pelo canto seresteiro, por parte do público
jovem e seus pais, abrindo espaço para ampliar a ação cultural:
em outubro de 2003 tiveram início as Aulas de Serenata.
São realizadas na Praça da Matriz, no Centro Histórico de
Conservatória, todas as sextas-feiras, das 17:15h às 18h (exceto
nas férias de verão).
As aulas são gratuitas e qualquer jovem que resida em
Conservatória e esteja cursando a partir do 3º ano do Ensino
Fundamental, pode participar. São as próprias organizadoras, com
sua experiência de seresteiras, que atuam como instrutoras.
Nesses encontros semanais prioriza-se a transmissão de
saberes que impactam direta ou indiretamente na tradição das
Serenatas de Conservatória, com destaque para:
73
O que é Serenata, seu repertório tradicional na localidade,
sua história e seus personagens;
O trabalho idealista de preservação dos Irmãos Freitas, que
inclui a valorização dos compositores;
A valorização do patrimônio histórico-cultural material e sua
interrelação com o patrimônio imaterial (a Serenata);
A importância econômica do turismo cultural para
Conservatória.
Atitudes que podem contribuir para a boa formação na idade
adulta são encorajadas, tais como: solidariedade e amizade entre
os componentes do grupo, compromisso com horários,
cumprimento de normas, participação em atividades da
Comunidade.
Junho 2009: O grupo, ao término da participação na
“Caminhada pela Paz”, organizada pela Comunidade
e realizada pelas ruas do Centro Histórico.
A escolha de realizar as aulas em espaço público e ao ar
livre, deveu-se às seguintes vantagens:
74
Ausência de custo;
Independência;
Sintonia com a prática da Serenata que deve se dar ao ar
livre (Quando chove não é possível fazer Serenata. O
mesmo se dá com as aulas.);
Possibilidade de supervisão e envolvimento dos pais;
Visibilidade:
1) Possibilidade de despertar o interesse de outros jovens;
2) Atuação na auto-estima dos alunos. Muitos passantes,
moradores e turistas, param para assistir e manifestam-
se com aplausos. Assim, além de sensibilizar
moradores, a aula se tornou mais um atrativo cultural
para o visitante.
Numa tarde de
2007, uma
presença ilustre
entre os
visitantes que
apreciavam a
aula: o maestro
Zé Menezes.
75
Ao ingressar no grupo, o jovem recebe textos, cuja leitura é
recomendada que seja realizada em conjunto com o responsável.
Esses textos propiciam conhecimento dos assuntos que serão
abordados em aula, bem como esclarecimentos sobre o Projeto e
funcionamento das Aulas de Serenata. Consistem do seguinte:
Instruções para alunos e responsáveis - ANEXO 1
Conservatória: Um Sonho Musical (síntese) - ANEXO 2
Textos introdutórios: Sobre a Serenata - ANEXO 3
Sobre o Projeto - ANEXO 4
Sobre os Irmãos Freitas - ANEXO 5
Esporádi-
camente os
jovens
saem às ruas,
em Serenata,
como parte
das
atividades
da aula.
76
O REPERTÓRIO
A principal fonte de seleção das canções é o libreto “Canções
Eternizadas – Século XIX e XX”
17
, elaborado pelo Museu da Seresta
e Serenata (sob a liderança dos Irmãos Freitas) e distribuído
gratuitamente a amigos e participantes do movimento musical,
durante um evento especial denominado “Serenata do Milênio”,
realizado ao final do ano de 2000, organizado pelos seresteiros do
Museu.
Um aspecto importante sobre o repertório serenateiro é a
questão dos gêneros musicais que o integram. José Ramos
Tinhorão, um dos autores mais consultados pelos Irmãos Freitas,
oferece informações relevantes sobre essa questão, em seu livro
Pequena História da Música Popular Brasileira
18
. Ele explica que a
modinha se consagra como gênero popular após o “advento das
serenatas à luz dos lampiões de rua, nos últimos anos do século
XIX”, e desaparece no início dos anos 1930, “cedendo lugar aos
sambas-canções sentimentais” na preferência popular. Afirma,
porém, que no período entre 1930 e 1950, “as mais puras modinhas
ainda podiam ser ouvidas com freqüência, escondidas por detrás
das mais diferentes indicações de gênero: canção, canção sertaneja
[toada], valsa-canção, tango-canção”.
Na relação das canções trabalhadas nas Aulas de Serenata
listadas no ANEXO 6, podemos constatar que trinta e oito das
cinquenta e seis listadas, enquadram-se no gênero “modinha” ou
um de seus equivalentes citados por Tinhorão. As demais estão
indicadas como “samba-canção”, porém são cantadas de forma
mais dolente e sem acompanhamento de instrumento de
percussão, ou seja, são cantadas mais como canção do que como
samba. Aqui temos mais um aspecto a ser destacado no trabalho
de preservação dos Irmãos Freitas, que o Projeto “Conservatória
Meu Amor” pratica e repassa a seus alunos: na Serenata tradicional,
não se utiliza instrumento de percussão.
17
A relação das canções do libreto e suas letras estão disponíveis no site
www.seresteiros.com.br .
18
TINHORÃO, J.R. Pequena História da Música Popular. São Paulo: Art editora,
1986. P.18-19 e 41.
77
Alice Melo S. de Paula
(11 anos)
UMA SAUDADE A MAIS, UMA ESPERANÇA A MENOS
(Silvino Neto – Carlos Moraes)
Uma saudade a mais,
Uma esperança a menos,
Que importa na vida de quem,
No silêncio das noites serenas
Procura esquecer alguém?
Uma saudade a mais,
Uma esperança a menos...
Não dá conforto ao coração
Que vê, ao longe, os acenos
De uma felicidade, mera ilusão...
Sentimos tanta tristeza,
Ao recordarmos de alguém...
E sofremos, sem ter a certeza,
Se, distante, nos lembram também...
E o destino que tudo assiste,
Vai sorrindo dos tristes acenos...
Ele sabe que a vida consiste
Numa saudade a mais,
Numa esperança a menos.
78
As canções mais antigas do repertório serenateiro trazem
termos ou refletem sentimentos não muito comuns de serem,
respectivamente, conhecidos e experimentados por crianças e
adolescentes. Para auxiliar no entendimento do significado desses
termos, as professoras orientam os jovens a realizar pesquisa em
dicionários. Nas aulas subseqüentes questionam sobre a pesquisa
e, de forma recorrente, relembram seu significado.
Já para compreensão do sentimento e contexto em que
muitas canções foram escritas, a questão é mais complexa. Uma
estratégia recentemente aplicada pelas professoras foi propor aos
jovens uma atividade extraclasse, onde contariam o que entenderam
de uma determinada canção, através de uma “história em
quadrinhos”. Terminado o prazo estipulado e recolhidos trabalhos,
estes são utilizados nas aulas subseqüentes apresentando-os a
todo o grupo, que os interpreta à luz do texto que o originou. Os
trabalhos apresentados também foram afixados em um painel para
integrar a exposição do Festival “Conservatória Meu Amor” 2011.
Neste livro, temos dois exemplos de trabalhos realizados: o da
página ao lado e outro adiante.
As aulas de Serenata são realizadas com acompanhamento
de violão por uma das professoras. Qualquer pessoa que queira
colaborar no acompanhamento musical é bem-vinda, desde que
utilize instrumentos pertinentes à tradição da Serenata.
Ao praticar as canções, os alunos são encorajados a
memorizar os nomes dos compositores, a partir da orientação de
que saber seus nomes é uma homenagem ao talento e ao legado
musical deixado por eles, uma questão também bastante valorizada
nos ensinamentos dos Irmãos Freitas. As canções listadas no
ANEXO 6 estão acompanhadas da indicação de seus autores,
gênero e ano de sua composição ou lançamento.
Também a prática de recitar versos (comum na Serenata
local), conjugando-os com as canções, é contemplada nas Aulas.
Os jovens declamam trechos de textos de Cassiano Ricardo, Olavo
Bilac, Cora Coralina, Gonçalves Dias, Casimiro de Abreu, Cecília
Meireles, Guilherme de Almeida, Batista Santiago, Manuel Bandeira,
José Borges, dentre outros.
79
FREQUÊNCIA ÀS AULAS
1) CONHECENDO OS PARTICIPANTES
Até junho de 2011, sessenta e dois jovens já participaram
das Aulas de Serenata, e vinte e oito compõem o grupo atual. Um
cálculo entre data de ingresso e de saída dos ex-alunos, revelou
que a média de permanência, já descontados períodos de férias, é
da ordem de vinte e quatro meses, resultado que é considerado
bastante positivo pelas organizadoras, e que, praticamente, se
repete com os alunos atuais.
Uma relação nominal dos ex-alunos, com indicação de idade
e tempo de permanência nas Aulas encontra-se no ANEXO 7.
Nessa relação estão incluídos apenas alunos que freqüentaram
as aulas por, pelo menos, cinco meses, tempo este que as
organizadoras consideram como mínimo, para absorção de algum
conhecimento.
O referido anexo não inclui os alunos que atualmente fazem
parte do grupo e que estão listados a seguir:
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
Nome Dt Nasc Início
Tempo
de Aulas
Alice Melo S. de Paula
Aline Amaral P Seabra
Amanda Oliveira Silva
Amanda Rios Ferreira
Ana Beatriz F. da Silva
Andreza de Araújo M. Martins
Ângela Regina da Silva
Bruna dos Santos Miguel
Bruno Raimundo
Elena melo S. de Paula
Fabiana Silva da Conceição
Fábio Henrique dos S. Souza
Gabrielle Caetano Fernandes
Helena Miguel Duque
Isadora Ramos Beltrão
Jonathan L. A. Rodrigues
Júlia C R Carrilho Ribas
Laiz Barros dos Reis
Lauriane Eduardo Ribeiro
24/05/2000
28/05/1997
19/11/2000
23/04/1999
15/09/1999
29/10/1997
18/04/1996
01/11/2000
03/08/2000
24/02/2003
23/03/1999
02/04/1998
22/04/1998
08/04/2002
29/09/1998
23/03/1995
10/06/1999
17/02/2000
16/04/1999
out/08
ago/06
abr/11
ago/08
mar/09
jun/08
fev/11
mar/08
mar/09
fev/11
jun/11
jul/08
abr/09
abr/11
mar/07
fev/11
mar/08
abr/08
mar/09
27
50
3
29
24
31
5
35
24
5
1
30
23
3
45
5
35
34
24
80
2) VALORIZANDO A BOA FREQUÊNCIA
Apesar das professoras manterem o acompanhamento da
presença dos alunos às aulas, por tratar-se de uma ação
educativa informal, e sabedoras que a sua obrigatoriedade pode
representar um obstáculo ao interesse do jovem, conduzem as
aulas estimulando, mas não exigindo presença. Para motivá-
los, a boa frequência é regularmente valorizada em ações, tais
como:
Alunos com certo número de faltas estão sujeitos a não
participação em apresentações do grupo;
Sorteio de brindes;
Premiação ao final do ano.
As organizadoras também recorrem ao que chamam de
“frequência mínima”. Em geral, para desfrutar de sorteios e outros
benefícios, as organizadoras realizam uma contagem de faltas para
as últimas cinco aulas que precedem à recompensa: não estarão
habilitados ao benefício aqueles que tiverem mais faltas do que
presença.
20
21
22
23
24
25
26
27
28
Nome Dt Nasc Início
Tempo
de Aulas
Mª Eduarda S. do Nascimento
Mª Eduarda R. Gomes
Maria Luana R das S Gomes
Mariana Costa Miguel
Nilza de Azedias Maria
Pedro Guilherme dos Santos Neto
Rosa Maria M. de Jesus
Verônica F. da Silva
Vitória Santana de Freitas
21/07/1999
19/06/1999
02/02/1999
29/04/1996
29/121996
07/01/2001
25/03/2000
19/11/1996
18/01/2003
jun/08
mar/08
mar/07
mai/05
abr/08
jul/10
abr/09
mar/09
fev/11
31
35
45
63
34
10
23
24
5
Média de permanência (meses) 25
81
Pedro Guilherme dos Santos Neto
(11 anos)
MADRUGADA
(Joubert Cortines de Freitas e José Borges de Freitas)
Madrugada,
Sopra um vento muito frio
Há em meu peito um vazio
Espero alguém para amar
Sou poeta
Que em noites serenas de lua
Canta trovas tristonhas na rua
A espera de alguém
Que não sei onde está...
Madrugada,
Vai a noite o sol aparece
No banco o poeta adormece
Esperando a noite chegar
Seresteiro
Canta triste na rua deserta
Um poema de sons me desperta
Vou ao encontro da noite
Eu quero sonhar...
82
Dezembro 2009:
Lembrando a
importância do
envolvimento dos
pais na garantia da
assiduidade, os
pais dos alunos
que se destacaram
no ano foram
homenageados
com flores e
aplausos.
3) MONITORES
A maior parte de jovens inicia sua participação no grupo aos
oito ou nove anos. No início da adolescência, sob o impacto da
insegurança que caracteriza esse momento de transição para a
fase adulta, é comum esses jovens sentirem-se desconfortáveis
em dividir o mesmo espaço com os mais novos. Para lidar com
essa questão, um procedimento mais formal dirigido a estimular à
permanência e boa frequência dos adolescentes, foi iniciado em
2007. Trata-se da criação da função de MONITOR.
O monitor é o(a) aluno(a) que irá ajudar mais diretamente as
organizadoras de diversas formas: na própria aula, na realização
do Festivais Bienais, representando o Projeto quando designado
pelas professoras, inclusive em entrevistas para a mídia impressa
e audiovisual. De forma geral, são envolvidos em atividades que
representam mais responsabilidades, porém que lhes garantem
alguns privilégios em relação aos demais alunos, tais como, maior
exposição.
Uma vez aprovados como monitores, as organizadoras os
recebem para um lanche comemorativo, e para tirar dúvidas e
trocar idéias sobre a melhor forma de atuarem na nova função.
83
As monitoras
Bianca, Dálethy e
Natany, posam ao
lado do Menestrel
Joubert, ao
término do
Festival 2008,
onde atuaram no
apoio a sua
realização e lendo
textos durante as
apresentações.
Para tornar-se monitor o(a) jovem deverá ter, pelo menos,
um ano de experiência, ser assíduo às Aulas de Serenata e estar
cursando a partir do 7º ano do Ensino Fundamental. Geralmente é
exigido, também, a conquista de grau acima de setenta, numa
avaliação formal de conhecimentos com pontuação máxima de
cem. Essa avaliação contempla os assuntos trabalhados em aula,
incluindo o conteúdo do material distribuído aos alunos,
compreendido do ANEXO 1 ao 5. Um modelo da Avaliação de
Conhecimentos está disponível no ANEXO 8.
Até o momento da publicação deste livro, as seguintes alunas
cumpriram os requisitos para exercer a função de monitor: Alanna
Amaral P. Seabra, Aline Amaral P. Seabra, Amanda Rios Ferreira,
Andreza de Araújo M. Martins, Bianca Brites Coutinho, Dálethy
Pereira de Almeida, Daphyne Pereira de Almeida, Isadora Ramos
Beltrão, Natany Gomes Brites e Rayanne de Oliveira Laurindo.
Embora a idéia de ter monitores visasse principalmente a
questão da permanência e assiduidade às aulas, as organizadoras
também vislumbraram a possibilidade de um trabalho inicial de
preparação para uma futura condição, por exemplo, de condutoras
de uma Aula de Serenata. Algumas oportunidades foram criadas,
ou aproveitadas, de envolvimento das monitoras com estudantes
do pré-escolar ou das séries anteriores àquela exigida para
participar das Aulas. Em 2008, por exemplo, o Projeto recebeu
84
alunos do pré-escolar da Escola Maria Medianeira para uma
atividade musical e de entretenimento numa das praças do
centro. As monitoras foram envolvidas: duas atuaram no
grupo de
alunos da parte
da manhã,
outras duas no
grupo da tarde.
Acompanhados
dos seus pro-
fessores, as
crianças foram
estimuladas a
cantar e a
brincar, sob o
comando das
jovens monito-
ras.
Na mesma
linha de premia-
ção para adoles-
centes que esten-
dam sua perma-
nência nas Aulas
de Serenata, foi
instituído um di-
ploma de “Honra
ao Mérito” a todos
os alunos que
tenham conquis-
tado a pontuação
mínima na avalia-
ção, participado
das aulas com
assiduidade por, pelo menos, três anos, e concluído o Ensino
Fundamental, enquanto alunos do Projeto.
85
Até o momento, apenas as alunas Bianca, Dálethy e Natany
conquistaram o diploma, que é entregue anualmente, por ocasião
da confraternização de Natal.
4)COMUNIDADE ESTIMULANDO A PARTICIPAÇÃO
Amigos e moradores de Conservatória, através gestos
espontâneos de carinho com a garotada, acabam por contribuir
significativamente no estímulo à participação e boa frequência às
Aulas de Serenata. Em junho de 2007, por exemplo, a moradora e,
na época, proprietária do Restaurante Casa Nostra, Sra. Gina
Magalhães, encantada com a presença dos jovens em Serenatas
mensais pelo centro urbano, nas noites de domingo (mais detalhes
no capítulo sobre “Serenata nos Bairros”), surpreendeu a todos,
numa dessas noites, convidando os jovens seresteiros para
saborearem uma pizza, sempre ao final dessas cantorias.
As organizadoras, atentas a essência do gesto da Sra. Gina
que era o de premiar o engajamento dos jovens com a preservação
da tradição da Serenata, estabeleceram condições para desfrutar
do presente: além de estarem na Serenata do domingo, deveriam
ter uma boa frequência às aulas.
A gentileza
da Sra. Gina
perdurou, com
pequenos ajus-
tes, até agosto
de 2009, próxi-
mo a transfe-
rência de propri-
edade do res-
taurante.
86
A CAMISETA
A “camiseta do Projeto”, peça básica na identificação dos
jovens estudantes de Serenata, tem sido confeccionada pela
moradora e artesã Maria Dilcéia Pereira de Carvalho que, solidária
ao Projeto, mantém um preço bem accessível (atualmente entre
R$5,00 e R$7,00), facilitando a aquisição por famílias de qualquer
poder aquisitivo. O Projeto também colaborou na redução do preço,
através do fornecimento das telas, matrizes para o silk-screen.
Mesmo sendo o preço modesto (para os padrões de preços atuais
de camisetas), a compra e uso da camiseta, não são obrigatórios.
Para conquistar o direito de adquirir a camiseta, o jovem tem
que cumprir duas exigências:
Ter freqüentado, pelo menos, quatro aulas;
Ser aprovado em teste de conhecimento de canções:cantar
para as professoras, duas das canções ensinadas em aula.
Dezembro 2009:
As jovens
Isadora,
Amanda e Alice
exibem suas
camisetas e o
presente que
receberam na
festa de Natal
do grupo.
A adoção de camiseta padronizada tem interessante história
a ser contada:
87
Preocupadas em não impor despesas aos pais, as
organizadoras não propuseram a adoção de uma camiseta padrão.
Em 2005, entretanto, os próprios pais, ou melhor, algumas mães
apresentaram sugestão, que foi imediatamente aceita, porém sem
obrigatoriedade para não dificultar a participação de qualquer jovem.
A escolha do texto no peito da camiseta – JOVEM também gosta
de SERENATA – foi feito por votação entre os alunos da época.
Na confraternização de Natal de 2006, as organizadoras
promoveram atividades recreativas envolvendo o conteúdo das
Aulas de Serenata. Eram dois grupos disputando uma gincana com
várias tarefas. Uma delas era produzir um desenho inspirado nas
Aulas de Serenata, que resultou em dois belos trabalhos. Poucos
meses depois, as organizadoras imaginaram um daqueles
desenhos no corpo da camiseta. Diante da impossibilidade de
escolher pela qualidade, pois ambos eram lindos e expressivos,
optaram por aquele cujo autor tivesse melhor freqüência às Aulas
de Serenata.
Dezembro 2006:
Davi Simões,
auxiliado pela
amiga Rayanne,
foi o autor do
desenho que, de
uma simples
brincadeira,
acabou
ilustrando as
camisetas dos
jovens
seresteiros do
Projeto.
88
PARTICIPAÇÃO EM EVENTOS PÚBLICOS
As organizadoras, sempre que possível, aceitam convites e,
com apoio dos pais, participam de eventos e outras atividades
comunitárias no distrito, em linha com os ensinamentos dos
mestres José Borges e Joubert de Freitas, tanto na atuação sem
busca de compensações materiais, quanto ao respeito ao terceiro
dos seus Princípios Fundamentais que estabelece a
Valorização e divulgação de Conservatória, com destaque para
seu centro urbano, local que, por sua arquitetura e desenho
urbanístico, contempla as características das cidades que
prosperaram durante o ciclo de café sul-fluminense (século XIX),
tornando-o cenário único para serenatas.(Ver ANEXO 4)
Assim, são aceitos apenas convites para eventos com entrada
franca, em locais públicos e compreendidos no Distrito de
Conservatória.
1) EM ATIVIDADES COMUNITÁRIAS
Sempre que convidado, o grupo participa dos acontecimentos
promovidos por e para a comunidade. Vejamos alguns exemplos:
O Projeto “Viver Bem”, idealizado por Adalgiza Maria de
Carvalho (1961-2006), tem na sua coordenação Mª do Carmo
de C. Moura e Mª Lucia Rodrigues. É dirigido ao público da
terceira idade da Comunidade, com especial atenção à sua
saúde e entretenimento. O evento comemorativo anual inclui
passeata pelas ruas do centro urbano e reunião sócio-cultural
à noite. O Projeto Conservatória Meu Amor tem estado
presente em vários desses eventos.
Em maio/2006 o padre Edílson, pároco local na época,
convidou o grupo para fazer participação regular na missa
das 18:00h de todo segundo domingo de cada mês.
Conduzindo o Projeto dentro de postura ecumênica, as
organizadoras aceitaram o convite, e o compromisso perdurou
até maio/2010. A participação seguiu a mesma linha da
chamada “Missa dos Seresteiros”, dirigida ao turista, também
mensal, na qual seresteiros participam cantando canções
de Serenata.
89
Em Dezembro 2006, o grupo participou de evento do projeto
“Adoção de Comunidade” da ONG “Quintal da Casa de Ana”
(tendo a frente o casal Sávio e Mª Bárbara Andrade e Silva,
com apoio da artista-plástica Mª Alvarina de Andrade), no
bairro Corte-de-Pedra (distante cinco quilômetros do centro
urbano). O projeto objetiva a inclusão social de comunidades
carentes através do melhoramento de moradias,
oferecendo orientação sobre educação, saúde e cidadania.
O grupo de jovens
seresteiros
caminhou, em
Serenata, cantando
pela única rua do
bairro, levando a
manifestação
musical às famílias
que não têm o
hábito de
acompanhar esse
acontecimento
semanal no centro
urbano.
Uma das
primeiras
participações do
grupo na missa
das 18:00h de
todo segundo
domingo de cada
mês, sempre
cantando canções
do repertório
serenateiro.
90
Setembro 2005:
Jovens seresteiros
interagindo e
apoiando o projeto
“Viver Bem”, que
reúne membros da
terceira idade da
Comunidade,
empenhado em
zelar por sua
qualidade de vida.
2) TENDO O TURISTA COMO PÚBLICO-ALVO
O grupo tem sido convidado a participar com regularidade de
grande parte dos eventos anuais do calendário turístico tais como
Café, Cachaça e Chorinho (abril), Dia do Seresteiro (maio),
Encontro Holístico (junho), Encontro dos Seresteiros (agosto) e
Encontro de Corais (dezembro). A seguir, cenas da participação
em alguns desses eventos:
Maio 2006:
No XXIV Dia
do
Seresteiro,
realizado na
Praça da
Matriz.
91
Junho
2007: Na
abertura do
1º Encontro
Holístico.
Junto ao
grupo vê-
se Ramita
Jordão, a
organizadora
do evento.
Dezembro
2008: IV
Encontro de
Corais,
organizado por
Deolinda
Saraiva, que
tem como
cenário a Igreja
Matriz de
Santo Antônio.
92
Agosto 2010:
XXV Encontro de
Seresteiros,
realizado em
frente a
Locomotiva 206,
organizado por
Wolney Porto e
Victor Couto.
Maio 2011:
“Café da Manhã”
homenageando
seresteiros pelo
XXIX aniversário
do “Dia do
Seresteiro”. Os
jovens foram
convidados,
tanto para se
apresentarem,
quanto para
saborear o café,
ao lado dos
seresteiros
adultos. Mais
uma realização
de Victor Couto
e Wolney Porto.
93
SERENATA NOS BAIRROS
Em 2006, na saída da igreja, num dos primeiros encontros
em que o grupo iniciou sua participação regular na missa das
18:00h do segundo domingo do mês, alguns pais, jovens e amigos,
propuseram que o grupo saísse, naquele momento, em Serenata,
pelas ruas do centro urbano. A experiência foi um sucesso e todos
concordaram em torná-la uma prática regular, sempre ao término
daquela missa e, claro, desde que não estivesse chovendo!
Na foto, a
presença do
poeta Moacyr
Sacramento, em
uma dessas
Serenatas no
centro urbano,
interagindo com
os jovens e
declamando
uma de suas
poesias.
Essa caminhada musical pelo centro urbano perdurou até
final de 2009, quando as organizadoras vislumbraram a
possibilidade de modificar esse compromisso mensal,
redirecionando o cenário e o público-alvo: o grupo realizaria
Serenatas em um sábado de cada mês, nos diferentes bairros do
distrito, homenageando seus moradores. Sabedoras da
imprescindível concordância e cumplicidade dos pais,
empreenderam pesquisa entre eles, enviando mensagens através
dos alunos, mecanismo amplamente usado pelas organizadoras
para interagir e garantir total transparência e envolvimento dos pais
com as atividades das Aulas.
94
PESQUISA
RESULTADO
Projeto CONSERVATÓRIA MEU AMOR
AULAS DE SERENATA
Sr(a). Responsável pelo(s) jovem(ns)
________________________
Na confraternização de Natal
comunicamos nosso desejo de realizar
mais uma atividade regular com nossos
alunos:
Levar a SERENATA aos BAIRROS
do nosso Distrito!
Isto seria feito um sábado por mês, a
noite, com duração estimada de uma
hora. Para tal, entretanto, é indispensável
que tenhamos apoio da maioria dos pais.
Isto porque será necessário que
acompanhe o jovem (ou encarregue um
responsável), em virtude do horário
tardio e, às vezes, da distância.
Assim, pedimos que responda abaixo e
retorne assinado na próxima aula:
1) Está “de acordo” ou não com a nossa
proposta?
SIM NÃO
Caso sua resposta seja SIM, continue
respondendo:
2) Qual sábado de cada mês prefere?
1º sábado 2º sábado
3) Qual horário para início seria mais
adequado às suas necessidades?
20:30h 21:00h 21:30h
Assinatura:______________________
(Responsável)
Elenice e Marluce (Fev 2010)
Projeto CONSERVATÓRIA MEU AMOR
AULAS DE SERENATA
Sr(a). Responsável pelo(a) jovem
________________________
Agradecemos sua participação na pesquisa
sobre a realização da SERENATA NOS
BAIRROS: dos atuais 31 alunos, 25
conseguiram retornar a mensagem com o
seu voto.
O resultado foi estimulante: a proposta
recebeu o SIM de 72%, dos quais 61%
votaram pelo 1º Sábado, com 89% optando
pelo horário das 20:30h.
Entendemos que aqueles que não
puderam dar seu apoio, o fizeram por motivo
de força maior, e que certamente farão todo o
possível para estarem conosco ou, caso não
possam, encarregarão um responsável para
acompanhar o(a) jovem seresteiro(a). Acre-
ditamos que será uma experiência muito
especial!
Nossa estréia será no 1º Sábado de
Maio, uma data marcante pois é o dia 1º de
Maio, o “Dia do Trabalhador”!
BAIRRO JARDIM SERESTA
Ponto de encontro:
PRAÇA DOS SERESTEIROS (ao lado do
Fonte de Luz), às 20:30h
Obs:
1) A cada mês, colocaremos avisos na
cidade para que os moradores do Bairro
saibam que receberão esta “visita musical”;
2) O uso da camiseta do projeto é facultativo;
3) Durante o ano de 2010 estarão suspensas
as serenatas do 2º domingo, o que não afeta
nossa participação na Missa.
Elenice e Marluce (Mar 2010)
Obs: Posteriormente, o horário de início foi alterado para
19:30h.
95
Avisos como este
são espalhados, com
antecedência, em
pontos estratégicos
do centro urbano, e
no bairro que será
visitado.
A estréia no bairro Jardim Seresta não foi por acaso. Seu
próprio nome foi um convite para as organizadoras. O bairro foi
assim batizado em homenagem ao movimento musical que
notabilizou o lugar. Nele há um pequeno espaço comunitário
denominado “Praça dos Seresteiros” (foto abaixo) e teve três dos
seus principais logradouros batizados com o nome de personagens
ligados ao movimento serenateiro: Emérito Silva, Irineu Nogueira
de Carvalho e Maria Nilza Torraca. As organizadoras aproveitaram
a oportunidade e
discorreram
brevemente sobre
esses perso-
nagens e sua par-
ticipação no movi-
mento musical,
com a colabo-
ração de morado-
res mais antigos,
que enriqueceram
as explicações. O
conteúdo apre-
sentado encontra-
se no ANEXO 9.
96
Também na estréia, o grupo foi surpreendido com o carinhoso
gesto de um grupo de moradores que, ao término na Serenata,
convidaram jovens e acompanhantes para um lanche, realizando,
assim, uma agradável confraternização. Esse gesto tem se repetido
a cada nova Serenata, nos diferentes bairros visitados.
A reação dos moradores é variada, alguns chegam à janela,
outros saem ao portão, outros se juntam ao grupo, mas há também
os mais tímidos que mantêm-se, acanhadamente, dentro de casa.
Há ainda aqueles que, relembrando um antigo hábito local, piscam
as luzes à passagem dos jovens seresteiros, sinalizando que,
embora não se mostrem, estão apreciando a música.
A caminhada
musical, além
dos alunos,
pais e
professoras,
conta com a
presença
regular de
vários amigos
que, mais do
que assistir,
engajam-se na
cantoria.
Desde seu início até julho de 2011, os seguintes bairros foram
visitados:
Mês Bairro Mês Bairro
Mai 2010 - Jardim Seresta Nov 2010 - Jardim Seresta
Jun “ - Raia Fev 2011 - Sabão
Jul “ - Santa Cruz Abr “ - Santa Catarina
Ago “ - Verde Vida Mai “ - Centro(Rua A.Moreira)
Set “ - Benfica (prox. ao Centro) Jun “ - Vila Almeida
Out - Santa Catarina Jul “ - Vila Ramos
97
Outro aspecto que as organizadoras ressaltam é o
encorajamento para que ex-alunos e seus familiares, participem
da atividade, fazendo dela uma oportunidade para reencontros e
para “matar a saudade”.
O grupo
preparando-se
para caminhar
pelo Bairro
Verde Vida, em
Agosto 2010.
Lanche
após a
Serenata.
98
FRENTE E VERSOS
Ainda nos primórdios das Aulas de Serenata, ao aprenderem
sobre o projeto dos Irmãos Freitas, “Conservatória, Em Toda Casa
Uma Canção” e suas plaquinhas, os jovens lamentaram não poder
ter, também, uma plaquinha (o projeto foi encerrado em 2003) em
sua casa. Com a vitória conquistada no Concurso Estadual Cultura
Nota 10 (ver tópico “Reconhecimento Externo” adiante) as
organizadoras puderam atender às expectativas da garotada: uma
parte do prêmio foi utilizada na implementação de uma nova
atividade – “Frente e Versos” – que realizaria este sonho.
As organizadoras instituíram um Regulamento (ANEXO 10),
o qual se inicia estabelecendo o objetivo da atividade que é de
“fortalecer a ligação afetiva dos jovens da Comunidade com a
Serenata e seu repertório, integrando-os, e as suas famílias, ao
ideal dos Irmãos Freitas de ‘perpetuar nas fachadas das casas, as
canções de amor brasileiras que estão consagradas nas serenatas
do lugar(...)’. O Regulamento inclui exigências de freqüência e
outros aspectos, conferindo à lajota características de um prêmio
que o jovem se orgulha em conquistar, com seu esforço e
dedicação às aulas.
O lançamento da atividade ocorreu na noite de domingo,
do dia 23 de abril de 2006, no Bairro Sta Rita de Cássia (Sabão),
A artista-plástica
Maria Alvarina
Toledo de Andrade
abraçou essa
parceria, pintando,
com sua técnica de
pintura em
porcelana, as
lajotas que, desde
então, vem
enfeitando as
fachadas das casas
dos jovens
seresteiros.
99
onde residiam três jovens participantes das Aulas de Serenata
beneficiados com as lajotas. Foi enviado convite a diversas
entidades culturais de Conservatória, além de autoridades do
Município.
As inaugurações relembram o ritual seguido pelos
Irmãos Freitas, quando da inauguração das plaquinhas do seu
projeto: o grupo de jovens seresteiros chega à casa do colega,
cantando, em Serenata. Após algumas palavras de
esclarecimento pelas organizadoras, um dos jovens declama
versos de poema aprendido em aula, introduzindo a canção da
lajota, que é cantada por todo o grupo, ao mesmo tempo em que a
mesma é descerrada.
Até dezembro de 2006 foram colocadas vinte e duas lajotas.
Recursos de novo prêmio conquistado em 2009 permitiu a
colocação de outras vinte até junho de 2011. Relação completa
com data, nome da canção e seus autores, nome do jovem
seresteiro, os versos que escolheu e o bairro em que reside,
encontra-se no ANEXO 11.
A partir de 2010,
passou a integrar o
ritual de
inauguração a
entrega, aos pais
dos jovens, uma
cópia do
regulamento da
atividade, que antes
era entregue
informalmente,
durante as Aulas de
Serenata
100
Ao término do
ritual, os pais
anfitriões fazem
seus comentários
e, em geral,
convidam os
presentes para
um lanche
comemorativo,
transformando o
encontro musical
numa agradável
confraternização
entre famílias.
Alguns jovens residem em sítios, em bairros mais
afastados do centro urbano, o que não representa
obstáculo para as inaugurações, como esta, que
aconteceu no Bairro da Saudade.
101
RECONHECIMENTO NA COMUNIDADE
1) PELOS MESTRES DA SERENATA
O apoio de seus mestres, os Irmãos Freitas, sempre fez parte
do cotidiano das organizadoras. José Borges, o Poeta, tendo
falecido em 2002, pode estar presente apenas no Festival daquele
ano, quando foi homenageado. Joubert de Freitas, o Menestrel,
que nesse ano (2011) completa noventa anos, tem sido presença
constante nas atividades do Projeto ao longo desses dez anos.
Vejamos alguns desses momentos:
Nov 2005: Assistiu ao
evento de premiação
do Prêmio Cultura
Nota 10, no Teatro João
Caetano, no Rio de
Janeiro, quando o
projeto foi finalista, e
vibrou junto com os
jovens, pais e
professoras, pela
conquista de um dos
prêmios máximos pelo
Projeto.
Nov 2010: Participou
de uma aula de
Serenata, na Praça da
Matriz, onde contou
um pouquinho de
suas histórias para os
jovens alunos. Na
ocasião, recebeu
também o carinho do
amigo, ex-vereador e
ativista cultural Victor
Couto, também
grande incentivador do
Projeto.
102
2) POR OUTROS MEMBROS DA COMUNIDADE
São inúmeras as formas como a Comunidade tem
expressado o seu apreço pelo Projeto “Conservatória Meu Amor”.
Já a Escola Maria Medianeira, em 2004, durante a gestão da
Diretora Déa Torraca, agraciou a dupla com diploma “Amigos da
Escola”, gesto que foi repetido pela Diretora Cida Pereira em 2006,
que em 2005, já havia parabenizado publicamente o Projeto pela
conquista do Prêmio Cultura Nota 10.
Em Dezembro de 2004,
uma comissão
comunitária liderada pelo,
então vereador, Victor
Couto, que elabora
quadro anual com
“Destaques do Ano”,
prestou “Honra ao Mérito
para Marluce e Elenice
pelo excelente trabalho
com as crianças pelo
futuro das Serenatas”.
2005: Faixa ficou em exposição na
fachada da escola por várias
semanas.
2006: Entrega de diploma durante a
realização do Festival Conservatória
Meu Amor daquele ano.
103
Outras manifestações públicas:
Em 30 de agosto de 2005, novamente por iniciativa do
vereador Victor Couto, as organizadoras foram agraciadas
com uma “Moção de aplausos” pela Câmara Municipal de
Valença, através do ofício 275/2005, pela publicação do livro
documentando os cinco primeiros anos de atividade do
Projeto.
Em 2006, receberam o Diploma “Destaque do Ano de 2006”
na área da Cultura, a partir de votação popular realizada no
distrito.
Além dessas manifestações formais, realizadas
publicamente, as organizadoras do Projeto têm recebido
mensagens, cartas, cartões e emails das mais variadas origens,
com mensagens de carinho que têm sido de grande estímulo à
continuidade do trabalho. Vejamos a seguir, trechos extraídos de
algumas dessas mensagens:
1) De moradores do distrito:
“Estou extremamente sensibilizada com o Festival Conservatória
Meu Amor e, como moradora, nascida e criada neste ‘Pedacinho
do Céu’, estou imensamente agradecida.”
2003: Maria do Carmo de C. Moura, 64 anos.
“Pai, muito obrigada pela obra que o Senhor está fazendo em
Conservatória através das vidas da Marluce e Elenice”.
2004: Vera Menezes, 56 anos.
“Quero expressar a minha satisfação pelo trabalho que está sendo
feito em benefício das crianças e adolescentes, ensinando as
músicas românticas, preparando os futuros seresteiros.”
2004: José G. Quaglia (Zé Tenente), 82 anos.
Seresteiro de Conservatória desde 1947.
“Para as pessoas que inventam suas próprias leis quando sabem
ter razão. (...) para vocês, Marluce e Elenice, que tornam seu
trabalho algo muito especial.”
2005: Prof. Maria Emília e seus alunos
da 3ª série do Ensino Fundamental do CEAG.
104
2)De alunos do Projeto e de seus pais:
“Vocês nos provaram, com o seu jeito carinhoso, que todos nós
temos um dom que muitas vezes não é despertado e vocês nos
ajudaram a despertá-lo. Vocês são incríveis!”
2005: Marília Alves, 11 anos.
“Vocês (...) proporcionaram a nós, jovens de Conservatória, uma
alegria muito grande e colaboram com a manutenção e
desenvolvimento da cultura de Conservatória.”
2006: Bianca B. Coutinho, 12 anos.
“Saudade das Aulas de Serenata. (...) Aprendi muito com a tia
Marluce e a Tia Elenice! Muito mesmo! Agradeço a elas sempre, e
ao nosso querido menestrel Joubert!
2008: Rayanne de Oliveira, 14 anos.
“Sei que tia Marluce e Tia Elenice nos ensinam porque amam
Conservatória e nos amam, senão, não fariam esse projeto, pois
não recebem nada, e alguns alunos são difíceis de lidar.”
2008: Alanna Amaral P. Seabra, 12 anos.
“(...) tal prestação de contas engrandece, de forma bastante
louvável, a grandiosidade deste Projeto”
2011: Antonio Carlos Raimundo, respectivamente,
pai e avô dos alunos Bruno e Júlia, no documento
de aprovação da prestação de contas do Projeto.
105
RECONHECIMENTO EXTERNO
PRÊMIOS E INDICAÇÕES
1) PRÊMIO CULTURA NOTA 10
Em 2005, no conceituado concurso Estadual PREMIO
CULTURA NOTA 10, que têm apoio da UNESCO, o projeto
“Conservatória Meu Amor” se projetou entre 269 concorrentes. O
sistema de premiação contemplou o destaque de 21 (vinte e uma)
iniciativas culturais que receberam troféu e cesta cultural (livros,
CDs). Dentre esses, 10 (dez) iniciativas foram selecionadas e
denominadas “finalistas”. Cada uma recebeu R$2.000,00
19
(dois
mil reais). Esses finalistas receberam em sua localidade uma
equipe de cineastas que produziu um mini-documentário
20
(seis
minutos), que foi exibido no evento final, para apreciação dos
jurados, que então selecionaram cinco vencedores. O Projeto
“Conservatória Meu Amor”, atravessou todas as etapas, tornando-
se um dos cinco vencedores, e recebendo mais R$3.000,00
19
(três
mil reais).
19
Valor bruto, antes do desconto de Imposto de Renda.
20
Em “http://www.culturanota10.com.br/2005_finalistas.php” podem ser en-
contradas mais informações sobre o Prêmio Cultura Nota 10, além do link de
acesso aos documentários realizados sobre os projetos vencedores.
O evento final foi
realizado no Teatro
João Caetano, no
Rio de Janeiro, e
contou com a
presença de
personalidades de
destaque na cultura
e educação do
Estado.
106
Em sua divulgação os organizadores do Prêmio explicaram
que o mesmo foi criado “com o objetivo de identificar, premiar e
disseminar projetos inovadores, além de valorizar a nossa cultura
e permitir que ações inovadoras e exemplares se multipliquem (...)”.
Os recursos recebidos foram empregados no fortalecimento
do projeto e/ou em benefício da comunidade, incluindo:
Reembolso às organizadoras
pela publicação e distribuição
gratuita do primeiro livro sobre
o Projeto.
Doação de 40 (quarenta) cadei-
ras para o Salão de Eventos da
Escola Maria Medianeira, local
que tem sido gentilmente cedido
para a realização dos Festivais
do Projeto.
Regularmente, todos os gastos realizados são organizados
em forma de prestação de contas. Pais de jovens participantes do
projeto são convidados a examinar a documentação, dar seu
parecer e assinar, avaliando os gastos, tanto quanto a sua
adequação em função dos objetivos propostos, quanto a validade
de sua comprovação. Essas prestações de contas ficam em
exposição permanente no stand do Projeto, bem como durante
exposição realizada a cada Festival.
107
2) PRÊMIO RODRIGO MELO FRANCO DE ANDRADE (IPHAN)
Em 2006 e 2009, o projeto foi indicado para representar o
Estado do Rio de Janeiro, na disputa pelo prêmio em questão. Em
2006 concorreu na categoria Educação Patrimonial, e em 2009,
na categoria Salvaguarda de Bens de Natureza Imaterial.
Em seu site oficial, o IPHAN informa que esse “prêmio foi
criado em 1987 em reconhecimento a ações de proteção,
preservação e divulgação do patrimônio cultural brasileiro”.
Sobre os avaliadores, aos quais são submetidas as iniciativas
culturais indicadas, os editais do concurso indicam que essas são
avaliadas por uma “Comissão Nacional de Avaliação” constituída
pelo presidente do Instituto e por “representantes de instituições
do Governo Federal e de outras ligadas à preservação do patrimônio
cultural, assim como por personalidades da área cultural”. Além
da honraria conquistada com a indicação, as organizadoras
consideram que o Projeto e, principalmente, Conservatória,
desfrutaram de excelentes oportunidades de divulgação, ao
participar de duas etapas finais de avaliação.
Os ofícios recebidos do IPHAN comunicando a indicação do
Projeto estão disponíveis no stand do Projeto.
Momento de
comemoração e
muita emoção:
jovens, pais e
amigos se
despedem do
Teatro João
Caetano
cantando a
marchinha de
carnaval
“Conservatória”,
de autoria de
José Borges.
108
3) PRÊMIO CULTURAS POPULARES (MINC)
Este concurso foi instituído pelo Ministério da Cultura. Na
edição de 2009, se propôs a premiar 195 (cento e noventa e cinco)
iniciativas culturais, cada uma recebendo R$10.000,00
21
(dez mil
reais). No edital do prêmio consta que “o concurso visa reconhecer
e premiar a atuação de Mestres e Grupos/ Comunidades
responsáveis por iniciativas exemplares que envolvam as
expressões das culturas populares”. Esclarece, ainda, que
“entende-se por ‘iniciativas exemplares’(...): ações e trabalhos,
individuais ou coletivos, que fortalecem as expressões culturais
populares, contribuindo para sua continuidade e para a manutenção
dinâmica das diferentes identidades culturais no Brasil.”
22
Ao divulgar o resultado na imprensa, o Ministério informou
que o concurso de 2009 “teve 2.833 iniciativas inscritas, 2.308 das
quais foram habilitadas. As iniciativas vieram de todo o país, sendo
assim distribuídas: 51% da região Nordeste, 30% do Sudeste, 8%
do Sul, 7% do Norte e 4% do Centro-Oeste. Em relação à categoria,
1.159 projetos foram de mestres; 872 de integrantes de grupos/
comunidades informais e 277 de integrantes de grupos/
comunidades formais”.
22
O Projeto “Conservatória Meu Amor” se inscreveu pela
categoria “grupos/comunidades informais”. No estado do Rio de
Janeiro apenas seis iniciativas culturais foram premiadas, sendo
este Projeto uma delas. O resultado foi publicado no Diário Oficial
de 17/03/2010.
A premiação foi, como era de se esperar, motivo de orgulho
para integrantes do Projeto, seus familiares, Comunidade, amigos
e colaboradores. Uma das manifestações de carinho recebidas foi
a confecção de duas faixas parabenizando organizadoras, jovens
e seus familiares pela conquista, iniciativa de amigos do Projeto,
capitaneados pelos casais José Antônio e Gracinha Brady Rocha,
e Wilson e Vera Oliveira.
21
Valor bruto, antes do desconto de Imposto de Renda.
22
Edital nº 5, de 14/07/2009, disponível em http://www.cultura.gov.br
109
Faixas
ficaram
expostas
por vários
meses no
centro
urbano.
O casal Wilson e
Vera também
promoveu um
delicioso lanche
em sua
residência,
reunindo alunos e
professoras para
uma animada
comemoração
pela conquista do
Prêmio.
Como explicado anteriormente, todos os recursos recebidos
de prêmios são aplicados no fortalecimento do Projeto e/ou em
benefício da Comunidade. Os recursos deste prêmio ainda estão
sendo aplicados. Um dos desembolsos já efetuados refere-se a
produção e distribuição gratuita deste livro.
A comemoração de natal do Projeto, em 2010, também foi
beneficiada: foi realizado um almoço para os jovens, e um jantar
para os pais/responsáveis, no Restaurante Parada Obrigatória. O
almoço contou com sorteio de prêmios e outros.
110
No jantar, os pais receberam um presente especial, também
custeado pelo prêmio. Trata-se da “camiseta da família”. Atentas
às demandas das famílias, tempos após a implementação da
camiseta dos alunos (ver tópico “Aula de Serenata”), as
organizadoras do Projeto criaram uma camiseta dirigida aos
membros ‘não tão jovens’ das famílias participantes das Aulas de
Serenata, constando os dizeres: “na minha família, jovem também
gosta de serenata”. Tal como a camiseta dos alunos, essa também
é comercializada diretamente pela artesã Maria Dilcéia, com
exclusividade para participantes do Projeto, e sem qualquer tipo
de remuneração para organizadoras ou para o Projeto, mantendo
o preço bastante accessível.
Ao longo dos anos, alguns pais se interessaram em adquirir tais
camisetas,
enquanto outros
chegaram a rece-
ber como prêmio
em sorteios nas
comemorações
natalinas. Para a
comemoração do
final do ano de
2010, as organiza-
doras encomen-
daram a confec-
ção de uma
“camiseta da
família” por aluno,
e presentearam
as mães, que
posaram com orgulho para foto acima.
As noites frias de Conservatória inspiraram as organizadoras
na definição de mais uma aplicação dos recursos. Com a
“Serenata nos Bairros” a “pleno vapor”, e as participações nos
eventos locais noturnos, os jovens precisam estar preparados
para enfrentar as noites de inverno do lugar. Assim, as
organizadoras providenciaram a confecção de agasalhos
padronizados, alusivos ao Projeto. Os agasalhos são entregues
a todos os jovens que são aprovados no “teste de conhecimento
111
de canções” (ver o tópico “Aula de Serenata”), na condição de
empréstimo, mediante a assinatura de um compromisso (abaixo)
por parte do responsável.
Projeto CONSERVATÓRIA MEU AMOR
AULAS DE SERENATA
Sr(a). Responsável pelo(a) jovem
________________________
Conforme anunciamos, parte dos recursos
recebidos do Prêmio Culturas Populares 2009
está destinado à confecção de AGASALHOS
padronizados para os alunos do Projeto.
O agasalho não pertencerá definitivamente ao
aluno. Desistindo de participar das Aulas de
Serenata, o aluno deve devolvê-lo, ficando o
mesmo disponível para uso por outro aluno.
O agasalho deverá ser usado exclusivamente
em atividades do Projeto “Conservatória Meu
Amor” ou de acordo com outra orientação que
possamos vir a dar.
Pedimos que essa mensagem seja retornada com
sua assinatura, condição para entrega do
agasalho.
Gratas,
Elenice e Marluce
Ciente,
Assinatura: _________________________
Grau de parentesco: __________________
Data: ___/ ___/_______
As organizadoras
optaram por material de
alta durabilidade, de tal
forma que, a peça
recebida por devolução de
aluno que não esteja mais
participando das “Aulas de
Serenata”, possa ser
utilizada por novos alunos.
O grupo,
devidamente
equipado para o
inverno de
Conservatória.
112
MÍDIA IMPRESSA E AUDIOVISUAL
O interesse pelo patrimônio histórico-cultural de
Conservatória, desde a já citada matéria de impacto nacional,
publicada pela revista “O Cruzeiro” em 1968, tem sido uma
constante. Como todo o visitante, também jornalista,
documentaristas e pesquisadores, se interessam em saber e
documentar sobre os esforços junto às novas gerações para
transmissão de conhecimentos que permitirão a perpetuação da
tradição popular da Serenata. Eles parecem ter encontrado no
Projeto “Conservatória Meu Amor” um caminho promissor para esse
futuro. Pode-se assim entender, em virtude da freqüência com que
o Projeto é mencionado nas matérias realizadas.
Este é um exemplo de matéria publicada em 2006. No ANEXO
13 encontra-se uma relação de diversas matérias envolvendo o
Projeto.
113
OUTRAS MANIFESTAÇÕES
1) Da “Comissão Especial” para o Prêmio Cultura Nota 10 2005:
Durante a realização do evento final do Prêmio Cultura Nota 10 de
2005, realizado no Teatro João Caetano, um grupo de intelectuais
convidados pelos organizadores (ICCV), opinaram, por escrito,
sobre cada um dos dez finalistas. Alguns dos trinta e sete
comentários recebidos pelo Projeto “Conservatória Meu Amor”:
“Fiquei encantada com o projeto, refletindo na imensa vontade de
estar participando das serenatas. A manutenção da cultura popular
é sem dúvida o maior legado que temos, e plenamente realizado
por vocês.”
2005: Prof. Ana Fergusson, Diretora do ICCV.
“O conceito tão atual de sustentabilidade ambiental ganha, nesse
trabalho, amplos e lindos contornos: não só o meio-ambiente
precisa ser preservado para as gerações futuras, mas a cultura
também! (...) Parabéns!”
2005: Prof. Marly Chagas-Pinto, Psicóloga e
Musicoterapeuta.
As serestas [serenatas] de Conservatória já puseram a cidade
no mapa. O projeto amplia esta visibilidade e garante a
sobrevivência deste espírito encantado da cidade musical.”
2005: Prof. Ana Rosa Viveiro de Castro,
Diretora do Museu do Primeiro Reinado.
“Ensinar a cantar o amor aos jovens foi o que de mais lindo eu vi.
(...) Parabéns às coordenadoras do projeto e aos jovens que se
colocaram abertos a receber este presente ‘dos mais antigos’, que
já têm esta prática.”
2005: Prof. Edwiges R. Ferreira,
Gestão de Educação Pública.
114
2) De diferentes origens:
“O projeto tem relevância cultural, compreendendo, entre outros,
o resgate e a promoção da cultura regional, ou seja, da seresta/
serenata.”
2005: Suely Dias, Fundação Biblioteca Nacional,
ao avaliar a inscrição do Projeto para Prêmio do IPHAN.
“(...) achei lindo e me emocionei de ver aquelas crianças sentadas
[na Praça da Matriz], com vontade de aprender e dar continuidade
ao trabalho dos seresteiros dessa cidade que é tão linda”.
2006: Marise Cabral, do Rio de Janeiro, por email.
“Parabéns ao Projeto Conservatória Meu Amor”.
2006: Telegrama de Fábio Vieira,
Prefeito do Município de Valença, por ocasião
da indicação do Projeto ao Prêmio do IPHAN
“O Projeto trata de ações de formação e preservação da seresta,
do seresteiro e da serenata em Conservatória (...). Opino pelo
prosseguimento do projeto às instâncias da Comissão Nacional
de Avaliação.”
2007: Marcelo Murta Velloso, Subsecretário de
Cultura de Niteroi, ao avaliar a inscrição do Projeto
para o Prêmio do IPHAN.
“Li avidamente seu livro e fiquei encantada! Vocês foram
inspiradíssimas e muito competentes na idealização e realização
do Projeto (...). Com certeza, é único no gênero em nosso país. Se
os irmãos Borges [Freitas] foram restauradores da seresta
[serenata] em Conservatória, vocês são as responsáveis pela sua
perpetuidade. O futuro falara sobre vocês com a mesma reverência
que dedicam a eles. Parabéns!
2008: Prof. Maria Vitória S. G. Leal,
da UNIGRANRIO.
115
2008: A prof.ª
Maria Vitória ao
lado do grupo,
pouco antes da
apresentação no
X Festival Silvio
Caldas, evento
realizado em
Conservatória, sob
o comando da
referida
professora.
“Para os amiguinhos do Projeto Conservatória Meu Amor, abraços
e canções(...). Nossos melhores agradecimentos às queridas
professoras Marluce e Elenice.”
2008: Belchior, cantor e compositor,
ao término de uma serenata dos jovens,
que acompanhou, numa noite de domingo.
“Foi com imenso prazer, satisfação e orgulho que recebi o
comunicado da premiação ‘Culturas Populares 2009 – MINC’ do
Projeto ‘Conservatória Meu Amor’. Parabenizo seus idealizadores
pelo empenho e persistência (...). A conquista deste importante
prêmio vem, mais uma vez, reafirmar a importância e o valor do
nosso município no cenário nacional (...).”
2010: Carta de Vicente de Paula Guedes,
Prefeito do Município de Valença
Ainda em 2010, o grupo foi presenteado com uma “Oficina
de Interpretação Poética” por dois nomes notáveis do teatro
carioca: o ator Marcos França e a produtora e professora Ana
Paula Dias. Esses amigos e freqüentadores regulares de
Conservatória esclareceram que “essa oficina foi a mesma que
rodou todo o Brasil, através do SESC, ensinando esse ‘falar
poético, para atores, poetas, escritores e apaixonados por poesia”.
116
As organizadoras viram, nesse presente, mais um gesto de
reconhecimento da seriedade e valor cultural do Projeto.
Ao término da Oficina, os jovens foram presenteados com
livros, pelos organizadores, e com um lanche pelo proprietário do
Hotel Fazenda Florença, Sr. Paulo Roberto, local onde foi realizado
o encontro educativo.
117
COMENTÁRIOS FINAIS
O compromisso das realizadoras do Projeto com os ideais,
princípios e conceitos adotados pelos Irmãos Freitas na condução
do movimento cultural, é considerado por ambas, indissociável do
trabalho. Na última década, a dinâmica do turismo local liderada,
principalmente, pelos agentes econômicos, vem priorizando,
conforme explicado no início deste livro, o aspecto musical e de
entretenimento presentes no cenário local, em detrimento de certas
especificidades do seu Patrimônio Cultural Imaterial,
especificidades essas que foram zelosamente cuidadas pelos
Irmãos Freitas. São novas iniciativas musicais, regulares ou
pontuais (eventos), profissionais ou amadoras, que vêm surgindo,
tomando ruas e praças, abraçando a diversidade da música
brasileira, tanto na variedade de gêneros quanto no instrumental,
além de outros aspectos. Entretanto, seguem expandindo-se além
das singularidades que caracterizaram o movimento serenateiro
tradicional.
As organizadoras entendem que, mesmo se as
transformações que gradualmente se impõem possam garantir
sustentabilidade econômica ao distrito, as citadas especificidades
da tradição, incluindo espontaneidade, engajamento voluntário,
instrumental, repertório, podem estar ameaçadas de
desaparecerem. Por isso, acreditam que a melhor forma de lutar
em favor da salvaguarda desse singular patrimônio cultural – a
Serenata – é se aprofundar, cada vez mais, nos “saberes” de seus
mestres, e transmiti-los, através do discurso e da prática, às novas
gerações. Desta forma, estariam trabalhando para preservar a
Serenata, não apenas na sua forma, mas, principalmente, na sua
essência.
118
REALIZADORAS DO PROJETO
“CONSERVATÓRIA MEU AMOR”
Elenice Lessa
Com 59 anos, é formada
em Pedagogia pela
UNIRIO. Morava em Niteroi
até Dez 2000 onde atuava
como microempresária e
promotora de eventos, após
trabalhar por dezenove
anos na área adminis-
trativa da Refinaria de
Manguinhos. Desde que
passou a residir em
Conservatória, tem atuado
profissionalmente como
professora, artesã,
paisagista e gerente de
projeto cultural de uma
OSCIP paulista.
Marluce Magno
Tem 52 anos, é formada em
Ciências Contábeis, com
Pós-Graduação em
Finanças. Em sua carreira
profissional atuou, princi-
palmente, em empresas
multinacionais. Em sua
última colocação, ocupou a
função de Diretora de
Controladoria. Buscando
melhor qualidade de vida,
desligou-se em 1999, vindo
morar em Conservatória
onde trabalha como
microempresária. Cursa o
6º período de História, pela
UNIRIO.
119
ANEXOS
ÍNDICE
Ref Descrição Pág
Aulas de Serenata:
1 Instruções para alunos e responsáveis 119
2 Conservatória: Um Sonho Musical (síntese) 120
3 Textos introdutórios: Sobre a Serenata 124
4 Sobre o Projeto 125
5 Sobre os Irmãos Freitas 126
6 Repertório 128
7 Relação de ex-participantes 130
8 Avaliação de Conhecimentos: exemplo 132
Serenata nos Bairros:
9 Homenagens na estréia 136
Atividade “Frente e Versos”:
10 Regulamento 137
11 Relação de lajotas 139
12 Manifesto a empresários integrantes do APL 144
Reconhecimento externo:
13 Relação de registros pela mídia 147
120
121
ANEXO 1
PARA SER LIDO COM O
RESPONSÁVEL !
Querido(a) ___________________
Seja bem vindo(a) às nossas aulas. Para você aproveitar bem nossos encontros
musicais é importante saber:
1) As aulas ocorrem todas as sextas das 17:15 às 18:00h;
2) Quando chove, não tem aula;
3) As aulas são realizadas independente de ser feriado ou não. Não
interrompemos as aulas nas férias de inverno (julho), apenas nas férias
de verão (dez-fev);
4) Sua participação em eventos, filmagens, etc, só poderá ocorrer após
completar
4 aulas. Essa participação poderá ser suspensa caso
acumule faltas;
5) Além da falta por ausência à aula, receberá “falta por indisciplina” aquele
que, embora presente, não participar adequadamente da aula
(indisciplina, não canta, etc). Aquele que chegar com atraso de mais de
10 minutos, receberá “meia-falta”;
6) Mantendo uma
boa freqüência às aulas você, além de participar de
eventos, filmagens, poderá ser incluído em sorteios de brindes ou ter
acesso a “presentes” que amigos ou admiradores do nosso Projeto
esporadicamente oferecem aos nossos alunos;
7) Você só estará autorizado(a) a comprar a “camiseta do projeto” após
ser aprovado(a) no teste de conhecimento de duas músicas ensinadas
em aula. A camiseta não é obrigatória e dever ser adquirida diretamente
com a artesã Dilcéia. (Idem para a “camiseta da família”.)
8) Esporadicamente, no horário das aulas, saímos em serenata pelas
ruas do centro.
Importante: A aprovação no teste de conhecimento permitirá, também,
receber o “agasalho padronizado” do projeto, sem qualquer custo.
O
agasalho deverá ser devolvido em caso de saída do projeto.
9) Como compromisso regular temos, na noite do 1º sábado de cada
‘mês, professoras e alunos (acompanhados de seus responsáveis), a
realização de serenata nos diversos bairros do nosso distrito (atividade
“Serenata nos Bairros”).
10)O material em anexo contém informações histórico-culturais que são
abordadas em mini-gincanas realizadas em aula. É interessante que
você leia, para participar mais ativamente dessas mini-gincanas.
Também é muito bom que o seu responsável leia, pois irá entender
melhor o que são as “Aulas de Serenata” e o Projeto “Conservatória
Meu Amor”.
É muito bom ter você conosco!
Projeto CONSERVATÓRIA MEU AMOR
AULA DE SERENATA
122
CONSERVATÓRIA: UM SONHO MUSICAL
SÍNTESE
ANEXO 2
Origem do nome
A palavra conservatória faz parte, ainda hoje, do vocabulário
corrente de Portugal, correspondendo a uma combinação de repartição
pública com cartório de registros. Com a organização de um aldeamento
indígena no lugar, através da concessão de sesmaria pelo Vice-rei Luiz
Vasconcelos em 1789, instalou-se uma conservatória para controle e
registro dos índios (araris). Assim, o arraial começou a ser chamado de
“Conservatória dos Índios”. Foi somente em 1938 que o nome
“Conservatória” passou a abranger todo o distrito, anteriormente
chamado Santo Antônio do Rio Bonito, seguido de Rio Bonito.
Resumo histórico
Em 1824, nesse aldeamento indígena, foi fundado o curato de Santo
Antonio do Rio Bonito, que foi elevado a paróquia em 1839. A partir
dessa época, o lugar, como toda a região do Vale do Paraíba, viveu seu
apogeu econômico, baseado no plantio e exportação do café. Na “Carta
Chorográphica da Província do Rio de Janeiro”, levantada de 1858 a
1861, consta indicação de onze fazendas na região do atual distrito, e
que seriam as mais extensas propriedades rurais e de maior produção
de café, naquela época.
O período de opulência permitiu aos fazendeiros trazer músicos da
Corte para animação de suas festas. Há registros da existência de aulas
de música, afinadores e professores de piano, incluindo André Schmidt,
de quem, diz-se, teria partido a iniciativa de apresentar-se ao público
espontaneamente, como acontece hoje nas serenatas.
A libertação dos escravos em 1888, deixou sem ação os fazendeiros
acostumados ao trabalho fácil e disciplinado da infeliz raça negra. Houve
uma debandada geral dos escravos e a decadência econômica foi
imediata.
Até o crescimento do interesse turístico por Conservatória e suas
serenatas, a economia sustentou-se, principalmente, da pecuária e
indústria de laticínios. Sua excelente condição climática atraía pessoas
com doenças respiratórias, além de veranistas, durante o período de
outubro a março, melhorando também a oferta de empregos para a
população local.
123
A Serenata
Joubert Cortines de Freitas (8-9-1921) e José Borges de Freitas
Netto (9-11-1922 / 29-11-2002), nascidos no distrito vizinho de Santa Izabel
do Rio Preto (Região da Serra da Beleza), foram iniciados na música,
ainda crianças, pelo pai , o agente ferroviário Antônio Borges de Freitas
Sobrinho (“Seu” Freitas). Foi em 1938 que os irmãos visitaram
Conservatória pela primeira vez, acompanhando a família. Rapidamente
integraram-se ao movimento musical, que já existia, mantendo-se fiéis à
tradição serenateira do lugar, desde então.
Foi na década de 50, com a partida do notável seresteiro Emérito
Silva (“Merito”), que os Irmãos Freitas, já tendo conquistado o respeito e
a confiança dos demais seresteiros e da Comunidade, conquistaram,
também, a liderança da serenata.
José Borges formou-se advogado e Joubert professor de matemática.
Trabalharam nas cidades do Rio de Janeiro e São Paulo. Nessa época as
serenatas aconteciam apenas no período das férias escolares e nos feriados
prolongados, porém diariamente. Fundaram o Museu da Seresta e
Serenata na década de 60, nunca aceitando doações ou subvenções,
mantendo-o, assim, livre de interesses políticos ou comerciais. Foi também
nesta época que teve início o projeto “Em toda casa uma canção”, idealizado
pelos Irmãos Freitas, objetivando perpetuar nas fachadas das casas o nome
dos compositores cujas canções são cantadas nas ruas de Conservatória
preservando, assim, a alma lírica brasileira. A escolha da música, sempre
de amor, era feita pelo morador. As placas não se repetem e o projeto foi
concluído em Dez/2003.
Foi a persistência e dedicação desses irmãos, apoiados por novos
idealistas que, ao longo dos anos, juntaram-se aos dois, que o movimento
musical atravessou gerações e modismos. A serenata de Conservatória
começou a sensibilizar a imprensa na década de 50, mas foi o célebre
jornalista Nestor de Holanda, em 1967, no Jornal Diário de Notícias, criando
a expressão “Vila das Ruas Sonoras”, e a matéria da renomada revista O
Cruzeiro, em 1968, que deram início a uma seqüência de reportagens que,
mais adiante, mobilizou também a imprensa estrangeira. O resultado foi a
vinda de um número cada vez maior de visitantes, abrindo espaço para a
iniciativa privada e o desenvolvimento do distrito, transformando o turismo
cultural na principal atividade econômica do lugar.
O substancial número de turistas todos os finais de semana
provocou modificações na Serenata, que evoluiu do canto à janela da
amada, no silêncio da madrugada, até a emocionante confraternização
124
musical que acontece pelas ruas do centro urbano, nas noites de sextas
e sábados, a partir das 23:00h.
Atualmente são muitas as manifestações musicais nas ruas do centro
urbano. Aquelas que se empenham pela tradição que notabilizou o lugar,
não utilizam instrumento de percussão, executam apenas canções
românticas brasileiras e apresentam-se sem qualquer ajuda de equipamento
eletrônico, contando exclusivamente com a colaboração dos visitantes,
seja para acompanhar na cantoria, ou para fazer silêncio.
Ao visitar Conservatória, descobre-se a diferença entre seresta
e serenata: a primeira refere-se ao canto em ambiente fechado, a segunda,
ao canto noturno, ao ar livre, à luz das estrelas e do luar. É a serenata que
diferencia Conservatória de qualquer outro lugar do país. Divulgações
equivocadas, referem-se a Conservatória como “Cidade das Serestas”
quando o mais correto seria “Cidade das Serestas e Serenatas”, ou
simplesmente “Capital da Serenata “, no dizer do jornalista Gianni Carta,
em publicação na Inglaterra.
Patrimônio Histórico e Pontos de Atração Turística:
Túnel Maria Nossar (o “Túnel que Chora” ): Construído entre 1877 e
1883, escavado na rocha por escravos, para acomodar o leito da ferrovia.
Tem 95 m de extensão.
Rua das Flores: Antigo leito da ferrovia.
Monumento ao Seresteiro: Na saída no túnel. Inaugurado durante as
comemorações dos 120 anos de serenata (1997). Homenagem da
comunidade ao seresteiro Joubert de Freitas (“O Menestrel”). É seu o
rosto na extremidade do violão.
Locomotiva 206: A “maria-fumaça” da Rede Mineira de Viação,
“aposentada” em 1961, quando foi extinta a ferrovia. Inaugurada como
monumento em 1981.
Chafariz (Ao lado da locomotiva): Reminiscência da primeira iniciativa
de abastecimento de água canalizada à população. Inauguração estimada
entre 1873 e 1883. Sua localização original era na praça da igreja Matriz.
Estação Ferroviária (hoje Rodoviária): Inaugurada em 1883, com a
presença do Imperador D.Pedro II.
Museu da Seresta e Serenata (Rua Oswaldo Fonseca, 99): Documentou
a memória do movimento musical local e seus personagens. Ponto de
Encontro dos Seresteiros da década de 60 ao final de 2009. Atualmente
está inativo.
125
Plaquinhas musicais nas fachadas das casas: Integram o Museu da
Serenata, através do projeto “Em toda casa uma canção”. Totalizam 403
placas.
Escultura do Seresteiro: Representa José Borges e foi doada por sua
esposa. Inaugurada em Maio/2003.
Caminho Joubert: Homenagem dos moradores da Rua Sto Antônio ao
Menestrel.
Casa da Cultura: Instalada em imóvel construído possivelmente antes
de 1850. Aberta para visitação a partir de Out/2001.
Igreja Matriz de Santo Antonio : Inaugurada em 1868. Construção em
estilo açoriano, teve início em 1850, após incêndio da velha capela do
curato. Em seu interior encontra-se também o Museu de Arte Sacra.
Praça da Igreja Matriz: Até 2004 abrigou um lago tendo ao centro réplica
da escultura de uma garça, de autoria (na década de 40) do escultor
conservatoriense Eurico Antunes. Tal cenário está imortalizado por vários
pintores.
Balneário João Raposo e sua cachoeira (1Km do centro): Em 1985 o
artista-plástico Luiz Figueiredo presenteou o lugar com uma escultura de
autoria de Wilma Noel, cuja semelhança com uma índia, originou o nome
popular de “Cachoeira da Índia”.
Ponte dos Arcos (7,5 Km do centro): Idem ao túnel. Tem 100m de
extensão e 12m de altura.
Fazendas
As mais próximas a Conservatória, abertas à visitação (sob
agendamento), são:
(Elaborado por Marluce Magno em Ago/2001, atualizado em Jan/2011. Fontes de
pesquisa: Revista da Sociedade de Geographia do Rio de Janeiro – Ano 1928, por
F.A.Noronha Santos e Museu da Seresta e Serenata )
Fazenda Florença (3 Km)
Fazenda Vista Alegre (20Km)
Fazenda São João da Prosperidade (22 Km)
(24) 2438-0124
(24) 2453-5385
(24) 2442-3194
126
ANEXO 3
SERENATA EM CONSERVATÓRIA: MOVIMENTO DE
RESISTÊNCIA CULTURAL & REVOLUÇÃO
ECONÔMICA
A serenata, forma de manifestação musical popular, presente no
Brasil desde o período colonial, desapareceu no início do Século XX,
conforme atesta o historiador J.R.Tinhorão: “Quando a partir do fim
da Primeira Guerra Mundial a concentração urbana se acelerou,
e as ruas das principais cidades brasileiras perderam a quietude
decantada pelos poetas autores das modinhas, o cantor de serenatas
(...) desapareceu.”
Contudo, através dos tempos, a Serenata, pura e idealista, vem
sobrevivendo no Distrito Valenciano de Conservatória (RJ), onde,
segundo Matthew Shirts, redator-chefe da revista National Geographic,
em sua edição de Junho/2003, “as pessoas (...) passam as noites de
sextas e sábados fazendo serenatas, ‘a procissão de cantadores e
fãs sai pelas ruas tocando violão e relembrando músicas antigas
do cancioneiro popular’.”
Esta prática encantadora é resultado da persistência e do amor de
dois irmãos: o advogado José Borges de Freitas Netto (1922 – 2002)
e o professor Joubert Cortines de Freitas (1921) e outros idealistas
que a eles se uniram. Desde a década de 1960 as Serenatas de
Conservatória freqüentam as páginas das principais publicações
brasileiras (O Cruzeiro, Isto É, Jornal do Brasil, O Globo, Folha de
São Paulo e muitas outras). Sua notoriedade atravessou fronteiras, com
matérias impressas e/ou exibidas através de filmes em países como
Inglaterra, Japão e Rússia, entre outros.
As Serenatas de Conservatória, além do seu valor cultural,
promoveram uma revolução econômica no lugar. O turismo cultural, tendo
na Serenata sua principal atração, criou oportunidades para investimentos
nas áreas de hotelaria, restaurantes, artesanato e é hoje o principal
gerador de empregos para o distrito e adjacências, com a pecuária em
segundo lugar.
(Texto adaptado do primeiro livro do Projeto.)
127
ANEXO 4
INTRODUÇÃO AO
PROJETO “CONSERVATÓRIA MEU AMOR”
Não é novidade que, quando se almeja um futuro melhor, em qualquer
lugar, a qualquer tempo, a chave está na educação das novas gerações.
Foi com essa consciência que as microempresárias e seresteiras Elenice
Lessa e Marluce Magno, moradoras de Conservatória, idealizaram e
implementaram em 2001, um concurso, em parceria com as escolas locais
- Escola Municipal Maria Medianeira e Colégio Estadual Alfredo Gomes
– que se ampliou para um Festival e, com o desenvolvimento de novas
atividades, converteu-se num “Projeto”.
Assim, muita coisa mudou desde 2001, o mais importante, entretanto,
não se alterou: o objetivo. Desde a primeira conversa informal, que resultou
na parceria entre as duas idealizadoras, o objetivo foi assim definido:
trabalhar pela preservação do patrimônio cultural de Conservatória,
principalmente o patrimônio intangível – a Serenata – junto a
crianças e adolescentes da Comunidade.
As organizadoras têm como base e fonte de inspiração, o trabalho
de preservação cultural dos irmãos Joubert Freitas e José Borges e os
PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS por eles estabelecidos, na constituição
do Museu da Seresta e Serenata e na condução da Serenata:
1) Preservação da canção brasileira de amor e valorização de
seus compositores;
2)Preservação da Serenata, forma de manifestação musical
muito popular no Brasil durante o século XIX, que
desapareceu;
3)Valorização e divulgação de Conservatória, com destaque
para seu centro urbano, local que, por sua arquitetura e
desenho urbanístico, contempla as características das cidades
que prosperaram durante o ciclo sul-fluminense do café
(século XIX), tornando-o cenário único para Serenatas.
(Texto adaptado do primeiro livro do Projeto.)
128
ANEXO 5
IRMÃOS FREITAS: 70 ANOS DE CONSERVATÓRIA
Foi no início do ano de 1938, que ‘Seu’ Freitas trouxe a família para,
pela primeira vez, visitar e passar férias em Conservatória. Seus filhos,
José Borges e Joubert de Freitas, logo integraram-se ao grupo de seresteiros
que encontraram cantando pelas ruas do lugar. Eles traziam na bagagem,
as lições de serenata, aprendidas, ainda crianças, com o pai. Nessas
mesmas ruas José Borges permaneceu cantando até novembro de 2002 e
Joubert continua, com brilhantismo, exercendo sua condição de grande
menestrel.
A criação e desenvolvimento do Museu da Seresta e Serenata é
resultante da fantástica sinergia entre esses dois idealistas. O imóvel,
inicialmente alugado, foi residência dos irmãos. Sua “elevação à categoria
de Museu” resultou de um processo natural, na medida em que a casa se
tornou ponto-de-encontro dos seresteiros antes das saídas em serenata.
As matérias em jornais e revistas, fotos de visitas de artista, intelectuais e
outros, motivo de orgulho para os Irmãos, demais seresteiros e Comunidade,
começaram a decorar as paredes da primeira sala. Mais presentes foram
chegando (livros, quadros, discos, etc), formando o acervo do Museu e
ocupando os dois outros cômodos, “expulsando” seus moradores. O
movimento musical (a Serenata) passou a ser conduzido pelo “Museu” e
este conduzido pelos Irmãos Freitas. Enquanto o eloqüente advogado José
Borges, morando em São Paulo até fins da década de 80, com ampla rede
de conhecimentos no meio jornalístico e intelectual, fazia o trabalho de
divulgação, o professor Joubert cuidava do Museu, de seu acervo, e das
Serenatas, pois, morando em São Paulo, José Borges não podia vir a
Conservatória com muita freqüência. A condução das noites de Seresta
no Museu e das saídas em Serenata sempre foram atribuições do Joubert,
que exerce uma liderança natural no grupo. Muito carismático, Joubert
pode ser descrito como um “aglutinador”, mantendo unido o grupo de
seresteiros e sempre conquistando novos integrantes. José Borges, homem
de cultura ampla, aprofundou-se no estudo da história da MPB, assegurando
conteúdo e credibilidade aos projetos desenvolvidos pela dupla, garantindo o
sucesso de iniciativas como o projeto “Conservatória, Em Toda Casa Uma
129
Canção”. Sua estabilidade financeira, conquistada como funcionário
graduado do Ministério do Trabalho, garantiu recursos que permitiram a
aquisição do imóvel onde situa-se o Museu, a confecção da maior parte
das plaquinhas do projeto já citado e outros investimentos sem fins
lucrativos, indispensáveis para atingir os objetivos idealistas da dupla.
Enquanto José Borges desempenhava brilhantemente a “função”
de Relações Públicas de Conservatória e seu Movimento Musical, Joubert
dedicava-se ao conteúdo do Museu. Organizou catálogos, dentre os quais,
das plaquinhas de canções, de reportagens publicadas. Acumulou, e
armazenou em pastas, poemas e músicas dedicados à Conservatória e às
Serenatas, deixados por visitantes, além de partituras, relatos, fotos e outras
reminiscência que hoje constituem o extenso acervo do Museu. Esse acervo
vem sendo freqüentemente consultado por pesquisadores nas áreas de
história, música e turismo que visitam Conservatória ansiosos por conhecer
e documentar a romântica história de sucesso da “Capital da Serenata”,
título dado à Conservatória pelo jornalista Gianni Carta, em publicação na
Inglaterra. Esse título, para o qual o jornalista não estabeleceu fronteiras
(estadual, nacional ou mundial), sintetiza brilhantemente o trabalho ímpar
dos Irmãos e cobre, como uma “coroa de louros” suas cabeças, melhor
dizendo, seus corações abençoados. Para nós, amigos e seresteiros mais
jovens, fica o exemplo e a responsabilidade de continuar o trabalho de
preservação cultural da Serenata, não esquecendo o mais importante
diferencial cultivado por nossos mestres: “Só o amor constrói para a
eternidade!”
Pesquisa e texto: Projeto “Conservatória Meu Amor”
(Publicado no Jornal Caderno Especial, edição Dezembro/2007).
130
AULA DE SERENATA – REPERTÓRIO
ANEXO 6
131
(1) MELLO, Zuza H. A canção no Tempo - Volume 1. São Paulo: Editora 34.
(2) MELLO, Zuza H. A canção no Tempo - Volume 2. São Paulo: Editora 34.
(3) NABUCO, Fundação Joaquim. Disponível em http://bases.funaj.gov.br/disco.html
(4) Conforme depoimento do autor, de familiar, ou de amigo.
(5) Transmitido por tradição oral aos Irmãos Freitas.
132
ANEXO 7
AULA DE SERENATA
EX-PARTICIPANTES
(1)
133
(1) Foram incluídos apenas
participantes que freqüentaram
aulas por, pelo menos, cinco
meses.
(2) Descontado dois meses de férias
anuais e, para alguns alunos,
intervalos que estiveram ausentes das
aulas.
134
ANEXO 8
PROJETO CONSERVATÓRIA MEU AMOR
Atividade: AULAS DE SERENATA
SELEÇÃO DE MONITORES
AVALIAÇÃO DE CONHECIMENTOS (em 2007)
Nome do aluno: ____________________________________________
I - Complete os quadrados com as letras da palavra que corresponde a resposta
para cada questão abaixo. [ 24 pontos ]
1 – Termo utilizado para definir reuniões musicais em ambiente fechado, onde
canta-se canções de amor.
2 – Palavra que significa “timidez, vergonha”, e aparece na letra da música Lua
Branca.
3 – Nome de famosa revista do passado que, em 1968, publicou a 1ª
reportagem, de abrangência nacional, sobre Conservatória, sua história, seus
personagens e a serenata.
4 – ... da Serenata. Fundado na década de 60.
5 – Canção de serenata, ensinada em aula, de autoria de Renê Bitencourt.
6 – Profissão de José Borges de Freitas Netto.
7 – Título que seresteiros, amigos e moradores atribuem a Joubert de Freitas,
em função do talento e do longo tempo que tem tocado, cantado e declamado
em serenata, pelas ruas de Conservatória.
8 – Esteve localizado no centro da Praça da Matriz. Hoje está próximo à
Locomotiva.
1 -
2 -
3 -
4 -
5 -
6 -
7 -
8 -
S
E
R
E
N
A
T
A
135
II - Relacione a segunda coluna, de acordo com a primeira: [8 pontos]
III – Escreva, entre os parênteses, “F” para as afirmativas Falsas e “V” para as
verdadeiras: [ 14 pontos]
( ) As Aulas de Serenata são gratuitas. Para participar é exigido que o jovem
esteja cursando à partir da 2ª série do Ensino Fundamental e que tenha endereço
fixo em Conservatória.
( ) Os jovens participantes das Aulas de Serenata que têm muitas faltas,
podem participar, sem restrições, das apresentações públicas, reportagens,
confraternização no Restaurante Casa Nostra, etc.
( ) São três os tipos de “Falta” que os participantes das Aulas de Serenata
podem incorrer: FA = Falta por atraso (mais de 10 minutos); FI = Falta por
indisciplina (participação inadequada nas aulas) e F = Falta por ausência total
à Aula.
( ) Na contagem de “Faltas” a FA (Falta por atraso) tem o mesmo peso que as
demais.
( ) Para conquistar o direito de comprar a camiseta do projeto, o jovem
participante têm que ter freqüentado pelo menos 10 aulas e feito teste cantando,
sozinho, 5 canções ensinadas em aula.
( ) Os recursos financeiros de prêmios conquistados pelo projeto são aplicados
pelas organizadoras no fortalecimento do referido projeto e/ou em benefício da
comunidade de Conservatória.
( ) Os pais dos jovens participantes das Aulas de Serenata são grande incentivadores
e colaboradores do projeto. Foram de alguns deles as sugestões de (i) ter camiseta
padronizada para os alunos e de (ii) sair em Serenata nas noites de domingo em
que os jovens cantam na missa.
É impossível que não percebas, na
furtiva claridade que te visitas ...
Houve um tempo em que eu buscava,
com fervorosa oração, um amor ...
Espetáculo raro de solidariedade musical,
Conservatória se oferece ...
Que fazes, minh’alma? Coração, por que
te agitas? Coração, por que ...
A Anésio Dutra
B Cassiano Ricardo
C Gonçalves Dias
D Laurindo Rabelo
136
IV - O projeto “Conservatória Meu Amor” tem como base e fonte de inspiração o
trabalho de preservação cultural dos Irmãos Freitas e segue os três
PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS por eles estabelecidos na constituição do Museu
e na condução da Serenata. Quais são esses Princípios?
[ 10 pontos]
1º________________________________________________________
_______________________________________________________________
2º_______________________________________________________
_______________________________________________________________
3º________________________________________________________
_______________________________________________________________
VI – Responda: [16 pontos]
a) Qual o nome das atividades do Projeto “Conservatória Meu Amor”?
__________________________________________________________
b) O historiador José Ramos Tinhorão afirmou que “ Quando, a partir do fim da
1ª Guerra Mundial, a concentração urbana se acelerou, as ruas das principais
cidades brasileiras perderam” uma determinada característica que fez com
que o “ ...cantor de serenata desaparecesse”. Que característica foi essa?
__________________________________________________________
c) Em 2005 o Projeto “Conservatória Meu Amor” foi um dos cinco vencedores
do Concurso Estadual “Prêmio Cultura Nota 10”. Ao todo, quantos projetos
foram inscritos nesse concurso?
__________________________________________________________
d) Em 2006 o Projeto “Conservatória Meu Amor” foi escolhido para representar
o Estado do Rio de Janeiro no Concurso Nacional “Prêmio Rodrigo Melo
Franco de Andrade” . Esse concurso é uma realização anual do IPHAN. O
que quer dizer essa sigla?
__________________________________________________________
137
V – Complete com o nome da música e do(s) autor(es): [ 20 pontos]
Trechos selecionados Nome da música Autor
(
es
)
Fiz, pura e simplesmente,
uma canção dolente para
poder cantar
Ai, vontade de ficar mas
tendo que ir embora ...
... posso falar de cadeira,
que não é vergonha chorar
por amor.
Você traduz sonho de luz,
anjo divino, qual uma
dádiva do céu ...
E os meus olhos ficam
sorrindo e, pela rua, vão te
seguindo ...
VI – A seguir apresentamos trechos de duas das canções ensinadas em aula.
Preencha as lacunas:
Vem aos meus ____________
novamente, para que eu possa,
com ___________ , dar-te
todos os meus ________________
dar-te todo o meu _____________.
(Mário Lopes de Castro
Se alguma pessoa ___________
pedir que você lhe diga
se você me quer ou não,
diga que você me ___________,
que você ________________ e
chora a nossa ______________ .
(Noel Rosa)
138
SERENATA NOS BAIRROS
Homenagens na estréia da Atividade
Nessa nova atividade que consiste na realização de serenatas nos bairros
de Conservatória, nas noites do 1º sábado de cada mês, o Projeto “Conservatória
Meu Amor” escolhe fazer sua estréia no bairro cujo nome homenageia a
musicalidade do Distrito: “Jardim Seresta”. Tal homenagem se estende aos
ex- vereadores Henrique Noel de Novaes e Victor Emmanuel Couto que,
representando a Comunidade, propuseram para as ruas do bairro, nomes de
algumas das pessoas que, no passado, muito contribuíram na preservação
da tradição da Serenata. A proposta foi aprovada com a publicação da Lei 1.680
de 15/12/1994. Vamos, então, conhecer um pouco sobre essas pessoas de
quem tanto ouvimos falar através dos nossos mestres, José Borges e Joubert
de Freitas:
Rua
Maria Nilza Nogueira (ex-Rua A)
Maria Nilza (25/12/1943-10/10/1993), nascida em Conservatória, onde
sempre viveu e trabalhou, era servidora pública, exercendo a função de
atendente do Posto de Saúde, e muito ativa em prol dos interesses da
Comunidade. Mesmo não cantando ou tocando qualquer instrumento, era uma
grande entusiasta e colaboradora do movimento seresteiro. Como repórter do
jornal conservatoriense “O Pioneiro” por mais de uma década, na sua coluna
“Fatos e Boatos” o movimento serenateiro era assunto permanente, realizando,
um grande trabalho de divulgação e valorização na serenata junto aos
moradores do Distrito. Tanta dedicação valeu-lhe o título carinhoso de “Rainha
da Seresta” ou “Rainha da Serenata”. Seu falecimento precoce consternou
toda Conservatória.
Rua
Emérito Silva (ex-Rua B)
Emérito (21/9/1911-21/2/1986), mais conhecido como Merito, nasceu
em Rio Preto-MG e residiu em Conservatória de 1935 a 1950, retornando nas
férias escolares, nos anos seguintes. Possuidor de grande talento Musical,
tocava diversos instrumentos de corda, e era compositor. Participou ativamente
das serenatas nas décadas de 1930, 40 e 50, liderando o movimento na época.
Sua sapataria (Rua Pedro Gomes nº12) era o ponto de encontro dos seresteiros
para os ensaios e preparativos para a serenata.
Rua
Irineu Nogueira de Carvalho (ex-Rua C)
Irineu (1/12/1914 – 22/11/1977) nasceu em Conservatória, onde trabalhou
como comerciário, profissão que continuou a exercer no Rio de Janeiro, onde
passou grande parte de sua vida, retornando ao distrito na sua aposentadoria.
Cordialmente tratado por “Tio Irineu”, é lembrado pelos que o conheceram
como cantor que “encantava com sua voz de Orlando Silva, deixando
embevecidas todas as musas românticas que assistiam aquelas noitadas de
suas janelas semi-abertas(...)”.
Fontes de pesquisa:
Texto da Lei 1.680/94, Catálogo “Personagens do Movimento Musical de
Conservatória (1930-2008)” do acervo do Museu da Serenata, entrevistas com
familiares e amigos.
1 de Maio de 2010
Elenice Lessa e Marluce Magno
ANEXO 9
139
ANEXO 10
Projeto CONSERVATÓRIA MEU AMOR
Atividade: FRENTE E VERSOS
REGULAMENTO
1) Objetivo: Fortalecer a ligação afetiva dos jovens da Comunidade com a Serenata
e seu repertório, integrando-os, e as suas famílias, ao ideal dos IRMÃOS
FREITAS, de “perpetuar nas fachadas das casas de Conservatória, as canções
de amor brasileiras que (i) estão consagradas nas serenatas do lugar e/ou
(ii) têm um significado histórico-sentimental na vida do morador”,
concretizado através do seu projeto Conservatória Em Toda Casa Uma
Canção. A atividade FRENTE E VERSOS tem como fonte de inspiração e
referência, inclusive para a elaboração deste Regulamento, o projeto dos
IRMÃOS FREITAS, que foi encerrado em Dez 2003.
2) Descrição:
A atividade FRENTE E VERSOS consiste na colocação de uma LAJOTA, no
formato 20x30cm, na parede da FRENTE da casa da família dos jovens
participantes das Aulas de Serenata, com VERSOS de uma de suas canções
favoritas de Serenata.
3) A lajota:
A LAJOTA será trabalhada pela artista-plástica Maria Alvarina, na técnica de
pintura em porcelana, e conterá versos da canção, seu título e compositores,
e decoração de acordo com a sensibilidade da artista. A confecção da lajota
será custeada com recursos recebidos do PRÊMIO CULTURA NOTA 10 e
outros prêmios que o Projeto venha a conquistar.
4) A escolha dos versos e canção:
a) O(A) jovem, em conjunto com seus familiares, escolhe um ou dois versos
da canção;
b) Para a escolha da canção, recomenda-se utilizar como base a relação de
canções ensinadas nas Aulas de Serenata;
c) Não poderá haver repetição na escolha dos versos embora possa haver
repetição da música.
5) Família beneficiada:
a) As LAJOTAS estão destinadas à casa onde resida o(a) jovem participante
das Aulas de Serenata ou seu familiar ;
b) Poderão ter a lajota em sua casa os participantes que atenderem as seguintes
condições:
(i) Para aqueles que já estejam efetivados no projeto, ou seja, que tenham
freqüentado pelo menos quatro aulas e realizado o teste individual de
conhecimento de duas músicas de serenata ensinadas em aula; (ii) Para os
efetivados, além de cumprir as exigências acima, deverão ter uma freqüência
mínima de 3 meses.
OBS: Se os recursos financeiros não forem suficientes para atender a todos os
jovens interessados, será usado o critério de antiguidade (ingresso no projeto).
6) Período de vigência da atividade:
As LAJOTAS serão afixadas a partir do ano de 2006. A atividade será considerada
concluída em Dezembro desse ano, ou antes, caso esgotem-se os recursos
financeiros destinados à realização da atividade. Concluída a atividade por uma
140
das duas condições citadas, ela poderá ser reaberta para novos participantes
das Aulas de Serenata, desde que:
a) O Projeto passe a dispor de novos recursos a partir da conquista de outros
prêmios;
b) A família se disponha a custear a lajota.
7) A lajota e sua inauguração:
a) O responsável pelo(a) jovem seresteiro(a) marcará, em conjunto com as
organizadoras, a data e hora da inauguração, com a devida antecedência. Em
virtude de compromissos das Organizadoras nos finais de semana, a
inauguração deverá ser marcada, preferencialmente, entre domingo e quinta-
feira.
b) A cerimônia de inauguração consiste na ida dos Jovens Seresteiros das
Aulas de Serenata ao imóvel, onde chegarão cantando em serenata. No
momento em que a canção a qual se refere a LAJOTA for cantada, a mesma
será descerrada.
c) Caso a família deseje realizar alguma comemoração por ocasião da inauguração,
o trabalho, responsabilidade e custos ficam por conta dessa família.
8) Atribuições do Morador:
a) Zelar pelas condições e conservação da LAJOTA;
b) Ao mudar de endereço (seja o imóvel próprio ou alugado) é esperado que:
Devolva a LAJOTA às Organizadoras, caso tenha mudado para outro Distrito
ou Cidade;
Comunique as Organizadoras o nome da nova família moradora, caso a
LAJOTA permaneça no imóvel;
Comunique seu novo endereço, caso tenha levado a LAJOTA para sua nova
residência, desde que a mesma esteja dentro do distrito de Conservatória. É
também esperado que a LAJOTA seja logo afixada na parede, pois a família
que mantém a LAJOTA guardada, sem expô-la, não está colaborando no
cumprimento dos objetivos da Atividade.
c) Ao ceder sua LAJOTA para outra família: Idem ao item b, onde aplicável.
9) Atribuições das Organizadoras da Atividade:
a) Manter registro para controle das LAJOTAS colocadas.
b) Controlar o pagamento pela confecção das LAJOTAS.
c) Dirimir quaisquer dúvidas que possam surgir em relação à Atividade da qual
trata este regulamento.
10) Lajotas custeadas pela própria família:
Não havendo disponibilidade de recursos do Projeto, a família do jovem
seresteiro poderá custear a confecção da lajota. Em tais condições deverá
observar-se o seguinte:
a) A coordenação do projeto emitirá autorização por escrito, que a família
apresentará a artista-plástica Maria Alvarina no ato de encomenda da lajota;
b) Poderá haver ressarcimento do valor pago, caso o projeto venha a conquistar
novos prêmios;
c) O cumprimento dos demais itens deste regulamento.
(O Regulamento inicial foi implementado em 23/4/2006. Esta versão é de Setembro 2010 e contempla
ajustes, principalmente para considerar o recebimento de recursos pela conquista de outros prêmios.)
141
ANEXO 11
ANEXO 11
ATIVIDADE “FRENTE & VERSOS”
RELAÇÃO DE LAJOTAS
142
143
144
145
(a) O motivo pintado é escolhido pela própria artista-plástica.
146
AO CONSELHO DE GOVERNANÇA DO
APL DE ENTRETENIMENTO DE CONSERVATÓRIA
Como responsáveis pelo Projeto Conservatória Meu Amor, que desde
2001 trabalha pela preservação do Patrimônio Histórico de Conservatória,
principalmente a Serenata, nos sentimos compelidas a comentar o recém
divulgado “Calendário de Eventos 2007”, preparado por esse conselho. Isso
porque deparamos com inclusões que, no nosso entender, comprometem a
identidade histórico-cultural de Conservatória, com conseqüente impacto no
interesse turístico. Uma reflexão se faz necessária e, para tanto, oferecemos a
nossos comentários sobre a questão.
Ao longo dos últimos anos, Conservatória conquistou notoriedade,
desenvolvendo um trabalho ímpar. Tal singularidade se baseia em vários
aspectos. Vamos aqui enumerar os principais, que não são produtos da nossa
opinião pessoal, mas que estão documentados em inúmeras matérias
publicadas (arquivo no Museu da Serenata) e no resultado da Pesquisa de
Opinião (1) realizada em 2005:
1) Preservação da Música Popular Brasileira:
A referida Pesquisa (1) revelou que
82% das pessoas que visitam
Conservatória têm como motivação ouvir música brasileira;
Citação de José Borges em entrevista ao Jornal O Estado de São
Paulo (25/6/02): “Conservatória é o centro da resistência cultural da
legítima música de amor brasileira. Nossas montanhas são trincheiras
para nos defender.”
2) Preservação de uma tradição popular considerada extinta, de simples
execução e custo baixo (no nosso caso, baixíssimo em função do
engajamento idealista):
A Pesquisa (1) atestou que a
atividade que mais interessa ao visitante
realizar é “assistir a uma serenata” (82%).
ANEXO 12
147
Jornal O Globo (17/8/00): “Conservatória (...) acabou se tornando quase
um sinônimo para serenata e romantismo.”
3) Cenário histórico, de beleza e ambiente de tranqüilidade:
A Pesquisa (1) também revelou
que 89% das pessoas entrevistadas foram
motivadas à visita por “saber que o local é agradável” e que, após a visita, a
palavra mais votada para definir Conservatória, seguinte a Seresta/Música/
Serenata, é
“tranqüilidade”. As muitas reportagens, principalmente as audio-
visuais, exaltam, permanentemente, o clima de “viagem no tempo” que, a
arquitetura, além da serenata, proporciona.
Nota: A Pesquisa (1) revelou também o alto grau de escolaridade dos visitantes
(45% tem curso superior e/ou pós), com poder aquisitivo elevado e com hábitos
de viagem consolidados (58% viaja, pelo menos, uma vez a cada dois meses).
Reflexões:
a) Após a conquista de títulos como “cidade-resistência” da cultura brasileira,
resultado do empenho de gerações, com apoio de toda a Comunidade, é
justo levar adiante a decisão de um pequeno grupo de pessoas de inserir
evento de música estrangeira, ameaçando esse diferencial?
b) Como ignorar a preferência musical [Pesquisa(1)]e toda avaliação de um
público culto, viajado e, por conseguinte, formador de opinião? Diante de
mudanças significativas, será que irão retornar? E, como formadores de
opinião, será que vão continuar encorajando outras pessoas à nos visitar?
c) Com um destaque tão significativo para a “tranqüilidade do lugar”, faz sentido
incluir eventos com gêneros musicais, mesmo sendo brasileiros, que estão
associados a um ambiente de agitação (“eternamente samba”, “carnaval
fora de época”)?
d) Tendo a Pesquisa (1) revelado um nível tão elevado de satisfação com a
visita à Conservatória – “concentração das notas atribuídas em valores acima
de 8” – e com 90% afirmando que “pretendem voltar”, que garantias pode-se
ter de que, mudando as características que definem Conservatória, esse
interesse turístico continuará? O custo do resgate será muito mais elevado.
Vale a pena arriscar?
e) Sendo a expressão “Cidade da Música” já amplamente utilizada em outras
cidades, dentro e fora do Brasil (2), estaremos deixando de investir numa
marca exclusiva (2) para cair num “lugar comum”. Sob o ponto de vista
empresarial, seria isso realmente um bom negócio?
f) É melhor inovar ou fortalecer nossos diferenciais já construídos? É melhor
um pássaro na mão ou dois voando?
Gostaríamos de completar recorrendo a sabedoria dos Irmãos
Freitas, que merecem o nosso verdadeiro respeito. Dizemos verdadeiro
148
porque, para que assim possa ser chamado, o respeito não pode se resumir
a palavras e homenagens, mas ao estudo, compreensão e intensificação de
um trabalho – de sucesso – de quase 50 anos. Para tal, convidamos os leitores
desta a observarem e refletirem como os três principais diferencias (citados
no início), apontados na Pesquisa(1) e pela mídia, se coadunam com os três
Princípios Fundamentais adotados pelos Irmãos Freitas ao conquistarem a
liderança do movimento musical de Conservatória:
1) Preservação da canção brasileira de amor e valorização de seus
compositores;
2) Preservação da serenata, forma de manifestação musical muito
popular no Brasil durante o século XIX, que desapareceu;
3) Valorização e divulgação de Conservatória, com destaque para seu
centro urbano, local que, por sua arquitetura e desenho urbanístico,
contempla as características das cidades que prosperaram durante o
ciclo de café sul-fluminense (século XIX), tornando-o cenário único
para serenatas.
Finalizando, queremos registrar que, independente das nossas significativas
diferenças de ponto de vista, nutrimos grande admiração pela maneira
organizada e competente como o grupo vem trabalhando.
Atenciosamente,
Marluce Magno Elenice Lessa
25 de Novembro de 2006
(1) Segunda Pesquisa de Opinião Musical e Turística – Julho a Agosto de 2005 – Produzida
pela SEDE-Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico.
(2) Pesquisa realizada através de site de busca na internet com expressão “Cidade da
Música” em que foram encontradas mais de 1.700 ocorrências. Examinando as primeiras
50 encontramos em torno de 12 cidades diferentes usando essa expressão. Há,
inclusive, um projeto em andamento, bastante noticiado, bem próximo a nós (Rio de
Janeiro). Ainda nas 50 ocorrências examinadas, nenhuma se refere a Conservatória.
Pesquisando “Capital da Serenata” encontramos apenas 9, mas todas referentes a
Conservatória.
149
REGISTROS PELA MÍDIA IMPRESSA E AUDIO VISUAL
DE 2001 A 2010
ANEXO 13
150
151
152
(a) O jornal “Caderno Especial” sempre prestigiou o Projeto. Esta matéria foi a primeira
tratando ou citando o Projeto, de 2001 a 2010. Nesta relação estão apresentadas três de
um total das quatorze matérias no período.
153
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