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seja durante a primeira refeição do dia, seja durante as “pausas” para relaxar no
decorrer do dia, podemos relacionar essa “pausa” para tomar um cafezinho a um
momento breve, um momento apaixonante, o qual o café 3 Corações é capaz de
proporcionar, caso seja-lhe dado a oportunidade.
Vestergaard e Schroeder (2004) explicam que a leitura que fazemos de uma
imagem é diagonal, ou seja, nosso “olhar se move do canto superior esquerdo para
o canto inferior direito da página”. Essa forma de ver a imagem, associando-a ao
texto escrito, é um recurso extremamente importante para esta ilustração publicitária,
parece-nos, pois, que o anunciante optou por essa disposição para que a
cenografia
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criada – uma tentativa de sedução - construísse um ambiente romântico.
O subtítulo, Meu coração não sei porquê bate feliz quando te vê, utilizado pelo
enunciador, é mais um caso de intertextualidade implícita com valor de captação.
Verificamos, aqui, que quem produziu o anúncio apropriou-se do texto-fonte para
benefício próprio, pois resgatou os versos de uma conhecida canção romântica para
criar um ambiente sedutor, irresistível, apaixonante. O anunciante, ao utilizar-se do
intertexto juntamente com a cenografia romântica criada, procura transmitir uma
mensagem que mexa com o campo emocional do interlocutor, sensibilizando-o para
agir, ou seja, induzindo-o a experimentar um café encorpado, que seduz e conquista
do consumidor.
Salientamos, no entanto, que a recuperação do intertexto, dentro deste
contexto, não é condição indispensável para que haja a produção de sentido. O
leitor é capaz, mesmo sem ativar sua memória discursiva, de perceber o jogo de
sedução criado pelo anunciante, porém, é esperado que ative o texto-fonte na
memória e em seu percurso de leitura e compreensão se aproxime do sentido
pretendido pelo autor.
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Dentro da perspectiva pragmática, Maingueneau (2004) desenvolve a teoria das cenas da enunciação. Para esse
autor, a fala é encenada e essa encenação se compõe de três cenas: a cena englobante, a cena genérica e a
cenografia. Conforme o autor, não é com um quadro cênico que deparamos, na maioria dos anúncios
publicitários, mas com uma cenografia, porque normalmente os autores de uma publicidade podem apresentá-la
por intermédio de cenografias bem diversas: “uma charada, uma descrição científica” (p.87). A cenografia, de
acordo com o dizer do autor, leva o quadro cênico a se deslocar para um segundo plano.