iniciante da comunidade acadêmica trilha um terreno cuja fronteira entre
originalidade e plágio tem limites tênues e nem sempre evidentes para tal membro.
Lorena, matriculada em Disciplina Isolada, relaciona o uso de citações
com a necessidade de evitar o plágio e de respaldar suas próprias opiniões
(exemplo [54]). Esse comportamento também é observado na fala de Luana, aluna
do curso de mestrado (exemplo [55]), que começa a se preocupar com o lugar que
sua voz deve ocupar, em seu texto escrito. É interessante observar que Luana
acredita que ainda não encontrou sua voz porque utiliza citações, como se a
presença de outras vozes, em seu texto, seja, necessariamente, um obstáculo para
que a sua própria se manifeste. Ambas as alunas tiveram a oportunidade de estudar
a escrita acadêmica em seus cursos de graduação – Lorena o concluiu em 2002
(Letras-Inglês) e Luana, em 2004 (Letras-Inglês) – entretanto, apenas Lorena
estudou algo sobre citação.
Vejamos, a seguir, trechos de suas entrevistas:
[54] Lorena: Bom, a importância da citação é... bom, em primeiro lugar, a questão do
plágio, a gente tem que reconhecer que aquilo ali não foi dito por mim, tem uma outra
pessoa, e também, às vezes, por uma questão de respaldo, eu preciso, de alguma forma,
embasar o meu discurso em alguma coisa, né, já vista anteriormente. E... é uma possível
referência mesmo.
[55] Luana: Uso com bastante freqüência. Talvez, a gente tava até discutindo isso numa
outra aula, talvez eu não tenha encontrado a minha voz ainda porque eu fico citando outras
pessoas. Também porque.. pra dar validade ao que esta se falando, né, e, também, pra não
se cometer plágio, que ao meu ver... isso é importante. Eu acho que é pra dar qualidade ao
texto, alguma coisa assim: “não sou eu que to falando, é essa pessoa famosa”.
Alguns dos participantes parecem não considerar que a citação possa ser
construída por meio de paráfrase. Para esses alunos, só é possível reconhecer uma
citação se ela estiver marcada no texto por meio de itálico, aspas ou algum outro
recurso. Isto é observado tanto na fala de alunos inscritos em Disciplina Isolada,
como na de alunos mestrandos e doutorandos, conforme relatado no Capítulo 2
desta tese, quando os participantes da pesquisa foram apresentados. Tomemos
como exemplo os casos de Bruna e Aline.
Bruna, aluna inscrita em disciplina isolada, concluiu seu curso de
graduação em 1991 (Letras-Inglês) e não teve oportunidade de estudar a escrita
acadêmica (não lembra se estudou algo sobre citação) durante o referido curso.
Aline, cujo curso de graduação foi concluído em 1983 (Letras-Português e Inglês)