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Atendimento Educacional Especializado para Alunos com Deficiência Visual
Nesta perspectiva, abordaremos os seguintes
conteúdos: baixa visão; alfabetização e aprendizagem
de pessoas cegas e com baixa visão; uso de recursos
didáticos para sua educação; finalizando com algumas
perguntas freqüentes acerca desses temas.
Ao entrar na sala de aula, a professora tem
uma visão panorâmica da configuração do ambiente,
na qual percebe imediatamente seus componentes
internos, externos, estáveis ou dinâmicos. Em uma
fração de segundo, captura uma infinidade de estímulos
que entram pelos olhos: as formas, o tamanho, as
cores, os objetos, as dimensões, a disposição do
mobiliário, as características do chão, do teto e das
paredes, o tipo de iluminação, a decoração, o estilo
dos móveis, a quantidade deles, o tipo e a posição das
janelas, o estado de conservação ou de deterioro, o
coletivo de alunos sentados, de pé, parados, inquietos,
as feições, posições, vestuário, adereços, movimentos,
gestos, caras e bocas. Sem contar que já havia captado
uma cena curiosa no corredor antes de entrar na sala e
avistado, pela janela, um casal de corujas no jardim da
escola. Assim, ela tem o controle visual do ambiente
e da turma.
Na sala dos professores, ela leu, sem querer, o
bilhete que estava em cima da mesa, elogiou o corte de
cabelo da colega e pegou o brinco que caiu na cadeira
ao mesmo tempo em que prestava atenção em um
mostruário de bijuterias discretamente apresentado
ao grupo. Ela vê tudo isso e muito mais porque tem
um par de olhos que permite visualizar o que ela quer
e também o que ela não quer.
Considere-se que o sistema visual detecta e
integra de forma instantânea e imediata mais de 80%
dos estímulos no ambiente. Ao entrar na mesma sala
com os olhos vendados, a professora parece sofrer de
uma súbita amnésia visual. Ela não consegue localizar
a mesa, a cadeira e se sente incapaz de escrever qualquer
coisa no quadro negro. Fica aturdida com o vozerio,
não consegue entender o que os alunos dizem, tem
dificuldade para se deslocar e se orientar de um lado
para o outro e não localiza a porta de saída. Ela se
lembra de que fica perdida e desorientada em sua casa
sempre que falta luz elétrica.
Essa perturbação artificial e momentânea
nada tem a ver com a privação real e definitiva da
visão, uma situação complexa e permanente vivenciada
por alunos cegos e com baixa visão que entram pela
primeira vez na escola e na sala de aula. Esses alunos
recebem e organizam a informação no processo
de apropriação do conhecimento e construção da
realidade em um contexto impregnado de padrões de
referências e experiências eminentemente visuais que
os coloca em situação de desvantagem.
Por isso, necessitam de um ambiente
estimulador, de mediadores e condições favoráveis à
exploração de seu referencial perceptivo particular. No
mais, não são diferentes de seus colegas que enxergam
no que diz respeito ao desejo de aprender, aos interesses,
à curiosidade, às motivações, às necessidades gerais de
cuidados, proteção, afeto, brincadeiras, limites, convívio e
recreação dentre outros aspectos relacionados à formação
da identidade e aos processos de desenvolvimento e
aprendizagem. Devem ser tratados como qualquer
educando no que se refere aos direitos, deveres, normas,
regulamentos, combinados, disciplina e demais aspectos
da vida escolar.