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UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO
FACULDADE DE FILOSOFIA, LETRAS E CIÊNCIAS HUMANAS
DEPARTAMENTO DE CIÊNCIA POLÍTICA
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM CIÊNICA POLÍTICA
A CARREIRA POLÍTICA NA
CÂMARA MUNICIPAL DE SÃO PAULO (CMSP)
Rui Tavares Maluf
Tese apresentada ao Programa de Pós-
Graduação em Ciência Política, do
Departamento de Ciência Política da
Faculdade de Filosofia, Letras e
Ciências Humanas da Universidade de
São Paulo, para obtenção do título de
Doutor em Ciência Política.
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Orientador: Prof. Dr. Gildo Marçal Brandão
São Paulo 2006
UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO
FACULDADE DE FILOSOFIA, LETRAS E CIÊNCIAS HUMANAS
DEPARTAMENTO DE CIÊNCIA POLÍTICA
PROGRAMA DE CIÊNCIA POLÍTICA
A CARREIRA POLÍTICA NA
CÂMARA MUNICIPAL DE SÃO PAULO (CMSP)
Rui Tavares Maluf
2
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São Paulo
2006
3
Dedico o presente trabalho a minha
família, e em particular aos meus pais
Antonio (em memória) e Zulmira, a
minha esposa e companheira Mônica, e a
minha filha Carolina.
4
A atividade inteira do governo local da própria
cidade não constitui objetivo suficiente para
induzir homens cujos gostos os inclinam e cujos
conhecimentos os habilitam para os negócios
nacionais para tornar-lhes a presença algo mais
do que o disfarce para a negociação de cargos de
pessoas inferiores sob a capa da responsabilidade
que lhes cabe. (JOHN STUART MILL)
5
AGRADECIMENTOS
Quero expressar meu agradecimento especial ao meu orientador e amigo, Gildo Marçal
Brandão, quem muito antes de minha decisão em pleitear o ingresso no Programa de
Doutorado, me incentivava para que viesse a sistematizar meus conhecimentos e
pesquisas na área municipal, especialmente de São Paulo, neles enxergando uma
contribuição a ser dada à vida acadêmica, ao mesmo tempo em que me cobrava por
inconsistências científicas apresentadas, porém com habilidade tal que jamais me
desencorajou. Ao longo destes anos foi extremamente gratificante para mim o convívio
no qual tive muito a aprender, sem que pudesse lhe devolver o que recebi na mesma
proporção. Certamente, as opiniões aqui desenvolvidas e falhas por ventura encontradas
são de minha exclusiva responsabilidade.
Aproveito para lembrar o quanto aprendi com o professor Gabriel Cohn e colegas que
participaram do Seminário de Pesquisa, os quais, gentilmente, leram meu projeto e o
desenvolvimento da pesquisa e, ainda, acentuar as diversas abordagens possíveis ao
tema. Neste sentido, reconheço a gentileza da professora Vera Chaia em ler, comentar e
me apontar bibliografia para o tema escolhido.
Também desejo expressar minha gratidão aos professores Maria Teresa Sadek e
Antonio Carlos R. Moraes pelas críticas feitas quando da banca de qualificação, as quais
me fizeram enxergar as fragilidades então existentes, sem desmerecer o trabalho em
curso, porém dentro do tempo hábil para que o objeto fosse redirecionado.
Quero ainda destacar o zelo dos funcionários públicos das bibliotecas das câmaras
municipais de São Paulo (Roseli, Rosangela e Célia) e do Rio de Janeiro (Néia e
Conceição), na conferência dos dados por mim levantados a fim de assegurar a
confiabilidade e conseqüente utilização.
Não poderia me esquecer da Maria Raimunda (Raí) e de todo pessoal administrativo do
Departamento de Ciência Política pela atenção e dedicação em responder a todas
dúvidas e necessidades que manifestei nestes anos. A todos, meu muito obrigado.
6
PALAVRAS-CHAVE / KEY WORDS
Português.
Carreira Política, Ambição Política, Vereador, mara Municipal de São Paulo,
Prefeitura do Município de São Paulo, Cargo de Eleição Popular, Município.
English
Political Career, Political Ambition, Councilor, City Council of São Paulo, City Hall of
São Paulo, Office of Popular Election, Municipality.
7
SUMÁRIO
Índice
Índice de Tabelas
Índice de Quadros
Índice de Figuras
Resumo
Abstract
Introdução – Pág. 14
Capítulo I – Aspectos Metodológicos, Conceituais e Teóricos – Pág. 23
Capítulo II – As Mudanças Político-Institucionais do período 1977-2004 – Pág.
39
Capítulo III– Renovação e Permanência na CMSP – Pág. 47
Capítulo IV – Os Partidos Políticos e a CMSP (1982-2004) – Pág. 65
Capítulo V - Progressão Individual dos Vereadores da 9ª Legislatura (1982-
1988) – Pág. 83
Capítulo VI – Progressão dos Vereadores das Seis Legislaturas Examinadas
(1982-2004) – Pág. 100
Capítulo VII – Distribuição Territorial dos Votos: Vereadores Permanentes e
Vereadores e de Passagem – Pág. 135
Capítulo VIII – Considerações Finais – Pág. 154
Referências Bibliográficas
Anexos
8
RESUMO
A pesquisa que lugar a presente tese de doutorado tem como seu objeto de estudo a
carreira política dos vereadores paulistanos eleitos para seis legislaturas que
compreendendo o período que vai da eleição de 1982 até a de 2004. A hipótese
principal é de que a Câmara Municipal de São Paulo (CMSP), a maior do país em
Magnitude (55), caracteriza-se como sendo um incentivo político para a vida política
daqueles que em sua maioria procuram progredir em direção a outros cargos públicos,
mas precisam do capital político necessário para tornar tal empreendimento viável. Tal
incentivo, embora não seja uma exclusividade da câmara paulistana, encontra-se nas
poucas edilidades de maior Magnitude. Paradoxalmente, esta mesma instituição, que
tem o condão de recrutar os candidatos que irão assumir diferentes postos na
administração pública brasileira, depara-se com enorme dificuldade para estimular uma
carreira que se faça no próprio município, o qual lida com significativo orçamento
público, elevado quadro de funcionários, conta com importantes empresas públicas e
privadas, gera muitas riquezas para o próprio Brasil, atrai recursos humanos de
diferentes quadrantes do Brasil e do mundo, entre tantos outros fatos de grande
relevância.
ABSTRACT
The subject of the present research is the political career of the São Paulo councilors
elected along six terms, from 1982 till elections of 2004. The main hypothesis is that as
the largest City Council of Brazil, with magnitude of 55 seats, the municipal legislative
branch is eventually an important incentive to those whom want to go ahead in the
political career, as getting an incumbency of state legislative, federal representative or in
the executive branch. Besides, São Paulo municipality is the richest of Brazil local
governments, its public budget is around R$ 15 billions (2004), and its councilors are
able to pass bills of several different important matters. Paradoxically, the City Council
is not being a sufficient incentive to develop a permanent career, once the most
councilors have only one term (although law affords they can run for office any time
they want) or run for state and federal levels.
9
ÍNDICE DE TABELAS
Tabela 1- Magnitude das Câmaras Municipais do Estado de São Paulo para as eleições de 2004. Pág.15
Tabela 2- Eleitorado, Magnitude e Razão Parlamentar por Eleitor. Vereadores na CMSP, Deputados
estaduais a ALESP e a Bancada Federal de SP (1982-2004). Pág. 31.
Tabela 3 - Percentual de Votos Brancos, Nulos e Taxas de Representatividade para Prefeito e CMSP,
antes e depois da introdução do voto eletrônico. Pág. 43.
Tabela 4 - Câmara Municipal de São Paulo. Número de mandatos dos vereadores titulares (eleições de
1982 a 2004). Pág. 50.
Tabela 5 - Câmara Municipal de São Paulo. Número de mandatos dos vereadores titulares (eleições de
dois períodos 1ª a 8ª e 9ª a 14ª legislaturas). Pág. 51.
Tabela 6 - Percentual de Mandatos de Vereadores na CMSP em comparação a outros cinco legislativos
(1982-2004). Pág. 53.
Tabela 7 - Eleições de 2000 e 2004 para a CMSP. Mandatos obtidos e número de partidos pelos quais
concorreram nas duas (2) eleições. (todos candidatos inscritos). Pág. 55.
Tabela 8 - Vereadores da CMSP eleitos em 2000 e/ou 2004 Número de candidaturas. Pág. 57.
Tabela 9 - Número de Eleitores por Cadeira na CMSP e outros cinco legislativos examinados com base
no eleitorado das últimas eleições. Pág. 57.
Tabela 10 - Renovação Permanência em cada legislatura da CMSP (9ª a 14ª). Em números absolutos e
porcentagens. Pág. 58.
Tabela 11 - Renovação em cada legislatura da CMSP, CMRJ, CMC e CMG (1982-2004). Em
porcentagens. Pág. 60.
Tabela 12 - Experiência Parlamentar como Vereador na CMSP. Pág. 61.
Tabela 13 - Número de Partidos Políticos pelos quais os Vereadores com 2 e mais mandatos concorreram
(1982-2004). N=81. Pág. 69.
Tabela 14 - Vereadores com mais de um mandato das CMSP, CMRJ, CMC e CMG, segundo o número
de partidos pelos quais concorreram (1982-2004). Em percentuais. Pág. 70.
Tabela 15 - Partidos Políticos pelos quais Vereadores com 2 ou mais Mandatos concorreram às eleições
(1982-2004). Pág. 71.
Tabela 16 - Desempenho Eleitoral de Cinco Vereadores da CMSP com mais mandatos (1982-2004). Pág.
75.
Tabela 17 - Vereadores com 2 ou mais mandatos segundo os Partidos pelos quais se elegeram em cada
legislatura (1982-2004). Pág. 77.
Tabela 18 - Vereadores com 1 mandato e com 2 ou mais mandatos segundo os partidos políticos pelos
quais concorreram em cada legislatura (da 9ª a 14ª). Pág. 78.
Tabela 19 - Vagas obtidas por vereadores com 2 ou mais mandatos segundo os maiores partidos políticos
das CMSP, CMRJ, CMG e CMC (1982-2004). Em percentuais. Pág. 79.
10
Tabela 20 - Situação Eleitoral dos Candidatos na 14ª Legislatura em comparação a 13ª, segundo os
partidos políticos pelos quais concorreram em 2000 e 2004. Pág. 81.
Tabela 21 – Idade Completa dos Vereadores da 9ª Legislatura em Fevereiro de 1983. Pág. 85.
Tabela 22 - Idade Média dos Vereadores, Mais Jovens e Mais Velho, segundo o Mandato na 9ª Legislatura, a
Posição em Relação ao Regime Militar e o Partido Político. Pág. 86.
Tabela 23 - Desempenho eleitoral de 8 Vereadores Reeleitos para aLegislatura (em ordem decrescente
de votos de 1982). Pág. 88.
Tabela 24 - Desempenho eleitoral de Brasil Vita e Antonio Sampaio em diversas eleições para a CMSP,
na condição de suplentes e titulares. Pág. 89.
Tabela 25 - Vereadores eleitos titulares em 1982 e reeleitos titulares para as legislaturas seguintes (em
ordem alfabética). Pág. 91.
Tabela 26 - Permanência dos Vereadores Titulares da Legislatura Reeleitos para as Seguintes (1988-
2004). Pág. 92.
Tabela 27 - Desempenho eleitoral do vereador Jooji Hato em todas eleições que disputou. Pág. 96.
Tabela 28 - Desempenho de Jooji Hato junto aos parlamentares eleitos e aos do PMDB nas eleições para
Vereador e Deputado Estadual (1982-2004). Pág. 97.
Tabela 29 - Vereadores Paulistanos (1982-2004). Eleitos apenas para a CMSP e para outros mandatos
depois de serem vereadores pela 1ª vez. Pág. 108.
Tabela 30 - Outros mandatos populares obtidos antes e depois de eleitos para a CMSP pela primeira vez
(1982-2004), segundo a freqüência. Pág. 110.
Tabela 31 - Vereadores eleitos para outro cargo eletivo (antes, durante e depois) segundo o número de
mandatos que tiveram na CMSP (1982-2004). Pág. 110.
Tabela 32 – Candidatos a outros cargos, incluindo os que tiveram ao menos um fracasso (antes, durante
e/ou depois da eleição para a CMSP, 1982-2004). Pág. 112.
Tabela 33 - Eleitos, Não Eleitos e Vereadores que não concorreram a outro cargo eleitoral. Pág. 113.
Tabela 34 - Vereadores que concorreram a outro cargo popular e os que nunca o fizeram, segundo o
número de mandatos na CMSP, em percentuais. Pág. 114.
Tabela 35 Vereadores que nunca concorreram a outro cargo popular, segundo o número de mandatos e
as legislaturas na CMSP. Pág. 115.
Tabela 36 - Vereadores Paulistanos das Seis Legislaturas (1982-2004) eleitos para outros cargos durante e
depois, segundo o número de mandatos na CMSP. Pág. 118.
Tabela 37 - Integrantes das Mesas Diretoras da CMSP entre 1983 e 2005, segundo o número de mandatos
obtidos entre 1982 e 2004. Pág. 122.
Tabela 38 - Membros das Mesas Diretoras da CMSP entre 1983 e 2005, segundo os cargos que tiveram e
o número de mandatos de vereador (1982-2004). Pág. 123.
Tabela 39 - Mandato Parlamentar que o Vereador se encontrava ao ser eleito Presidente ou Primeiro
Secretário (1983-2005). Pág. 124.
Tabela 40 - Cargos Públicos Relevantes ocupados por vereadores paulistanos por designação (antes,
durante o mandato ou depois de o ter deixado entre (1982-2004). Pág. 132.
11
Tabela 41 - Concentração dos Votos das Quatro (4) Melhores Zonas Eleitorais na Votação Total de 11
vereadores da CMSP, em Porcentagem. Pág. 142.
Tabela 42 - Desempenho do Vereador Jooji Hato em todas eleições para vereador, segundo a evolução
dos votos, considerando as quatro primeiras zonas.(1982-2004). Pág. 144.
Tabela 43 - Freqüência das Quatro Primeiras Zonas Eleitorais de Jooji Hato em Seis Eleições (1982-
2004). Pág. 145.
Tabela 44 - Desempenho do Vereador Arselino Tatto em todas eleições para vereador, segundo a
evolução dos votos, considerando as quatro primeiras zonas.(1988-2004). Pág. 179.
Tabela 45 - Freqüência das Quatro Primeiras Zonas Eleitorais de Arselino Tatto em cinco Eleições (1988-
2004). Pág. 148.
Tabela 46 - Desempenho do Vereador Roberto Trípoli em todas eleições para vereador, segundo a
evolução dos votos, considerando as quatro primeiras zonas.(1988-2004). Pág. 149.
Tabela 47 - Freqüência das Quatro Primeiras Zonas Eleitorais de Roberto Trípoli em Cinco Eleições
(1988-2004). Pág. 149.
Tabela 48 - Desempenho do Vereador Antonio Paiva Monteiro em todas eleições para vereador, segundo
a evolução dos votos, considerando as quatro primeiras zonas.(1992-2004). Pág. 150.
Tabela 49 - Freqüência das Quatro Primeiras Zonas Eleitorais de Antonio Paiva Monteiro em quatro
eleições (1992-2004). Pág. 151.
Tabela 50 - Desempenho de Edivaldo Estima em todas eleições para vereador, segundo a evolução dos
votos, considerando as quatro primeiras zonas (1992-2004). Pág. 151.
Tabela 51 - Freqüência das Quatro Primeiras Zonas Eleitorais de Edivaldo Alves Estima em quatro
Eleições (1992-2004). Pág. 152.
ÍNDICE DE QUADROS
Quadro 1 - Cargos que Compõe uma Carreira Política no Brasil, tendo ao centro os que são por eleição
popular. Pág. 33.
Quadro 2 - Resumo de Fatos Ocorridos e das Regras Institucionais Definidas entre 1977 e 2000. Pág.46.
Quadro 3 - Situação Eleitoral mais Recente dos Titulares da Legislatura da CMSP (1983-1988)
(Eleições de 2002 e 2004). Pág. 94.
Quadro 4 - Futuro dos 8 Vereadores eleitos nas seis legislaturas que tiveram outros mandatos eleitorais
anteriormente. Pág. 117.
Quadro 5- Classificação da Concentração de Votos nas Quatro Principais Zonas do Vereador. Pág. 139.
Quadro 6 - Classificação da Inserção Territorial dos Vereadores com base nas suas quatro melhores
votações por zonas eleitorais. Pág. 139.
Quadro 7 - Inserção Territorial (IT) nas Quatro (4) Melhores Zonas Eleitorais na Votação Total de 16
vereadores da CMSP, em Porcentagem. Pág. 142.
12
ÍNDICE DE FIGURAS
Gráfico 1 Cargos Públicos com ou sem eleição Disputados por Vereadores da CMSP eleitos a partir de
1982 até 2004. Pág. 35.
Gráfico 2 – Evolução dos Votos do Vereador Jooji Hato a cada eleição. Em Porcentagem. Pág. 146.
LISTA DE SIGLAS E ABREVIAÇÕES
ACV Alta Concentração de Votos
ALESP Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo
ARENA Aliança Renovadora Nacional
BCV Baixa Concentração de Votos
CD Câmara dos Deputados
CF Constituição Federal
CMC Câmara Municipal de Caieiras
CMG Câmara Municipal de Guarulhos
CMRJ Câmara Municipal do Rio de Janeiro
CMSP Câmara Municipal de São Paulo
FIT Forte Inserção Territorial
ICV Índice de Concentração de Vagas
ID Inserção Dispersa
ITF Inserção Territorial Frágil
LOM Lei Orgânica do Município
MACV Muito Alta Concentração de Votos
MCV Média Concentração de Votos
MDB Movimento Democrático Brasileiro
PCB Partido Comunista Brasileiro
PC do B Partido Comunista do Brasil
PDT Partido Democrático Trabalhista
PFL Partido da Frente Liberal
PL Partido Liberal
PMDB Partido do Movimento Democrático Brasileiro
PMSP Prefeitura Municipal de São Paulo
PPS Partido Popular Socialista
PRONA Partido da Reconstrução da Ordem Nacional
PSB Partido Socialista Brasileiro
PSDB Partido da Social Democracia Brasileira
PT Partido dos Trabalhadores
PTB Partido Trabalhista Brasileiro
PV Partido Verde
RICMSP Regimento Interno da Câmara Municipal de São Paulo
RIT Relativa Inserção Territorial
STF Supremo Tribunal Federal
TCE Tribunal de Contas do Estado
TCM Tribunal de Contas do Município
TCU Tribunal de Contas da União
TRE Tribunal Regional Eleitoral
TSE Tribunal Superior Eleitoral
13
INTRODUÇÃO
Geralmente, o governo municipal é encarado no pensamento político brasileiro
contemporâneo como se constituindo na base do regime democrático, na instância que
se coloca mais próxima do cidadão, ao mesmo tempo em que é visto como a escola e o
ponto inicial da carreira política de vários atores que depois serão eleitos para os cargos
em nível estadual (deputado ou governador), e a concluirão em cargos eletivos de níveis
estadual (governador) e federal (deputado, senador e presidente da República), que são
o seu topo. De certa maneira, esta concepção é quase caudatária de pensadores europeus
do século XIX, os quais lidavam com contextos políticos e culturais muito diferentes
dos que existiam por aqui (MILL:1983;TOCQUEVILLE:1978)
1
, chegando até o século
XX, embora com adaptações e reservas de cientistas políticos norte-americanos
(DAHL:1967). Mas o pensamento político do País nem sempre foi positivo. Faz sentido
admitir que tenha mesmo predominado uma interpretação pessimista sobre a função do
município para o sistema político representativo (LEAL:1978), ou mais do que isso,
tenha prevalecido a defesa de um ponto de vista abertamente contrário a autonomia dos
governos locais (VIANNA:1930).
Foi preciso que a oposição ao regime militar re-introduzisse a importância do
município para a democracia para que a ciência política brasileira voltasse a estudá-la a
partir de uma ótica mais propícia ao desenvolvimento do próprio sistema político e do
País, embora durante largo tempo as atenções estivessem focadas sobre o Poder
Executivo
2
, ignorando-se quase por completo as maras Municipais, como destacou
este autor (MALUF:1993), que começaram a ser estudadas de forma mais regular a
partir dos anos 90.
A concepção vigente no Brasil de hoje, favorável ao município, tem algo de
verdadeira mesmo que não se tenha em conta as melhores condições do regime
democrático, pois está lastreada em uma questão institucional de ordem prática; o
1
- Por ser o município o poder político que está mais próximo do cidadão, também aqueles, tais como
TOCQUEVILLE em sua viagem aos EUA, que afirmam que o governo local permite o ingresso dos indivíduos que
não farão carreira na política, mas querem dar sua contribuição cívica ao País, uma vez que esta instância de governo
tem menos características estatais e mais comunais. Esta alternativa pode existir, especialmente nos pequenos
municípios, mas, provavelmente, nas democracias contemporâneas têm pouco espaço.
2
- Importante estudo sobre o perfil da vida pública municipal a partir do estudo de suas elites locais é o realizado por
ALMEIDA e CARNEIRO (2003). Estudo pioneiro e voltado para as possibilidades do município a partir da ordem
constitucional oriunda da Assembléia Constituinte de 1988 é o de SADEK (1991).
14
número de vagas para vereador, e mesmo para prefeito no total dos municípios
brasileiros, é muitas vezes maior do que a soma das vagas de deputados estaduais e
federais, senadores, e governadores, ainda que se possa argumentar em contrário, que o
número de vagas de vereador nos municípios individualmente tratados, a despeito de
sua magnitude
3
(a partir de 9 até o número máximo de 55 na capital paulista), será
sempre menor que o de vagas nas Assembléias Legislativas e na Câmara dos Deputados
e, sobretudo no Senado, pois, afinal de contas, o cidadão tem domicílio eleitoral em
somente um município. Como exemplo, um indivíduo do município de São Paulo, o de
maior magnitude do País, que deseje se candidatar a algum cargo parlamentar
(considerando-se como certo que obterá legenda para a disputa em algum partido
político) terá a perspectiva de ser eleito um (1) dos 55 vereadores, ou dos 70 deputados
federais, ou ainda dos 94 deputados estaduais. E no município de menor Magnitude,
será um (1) para nove (9) vereadores.
Para se constatar a grandeza da diferença mencionada entre as vagas disponíveis
para as câmaras municipais e demais casas legislativas, somente no Estado de São
Paulo, o mais urbanizado do País, o 6.248 cadeiras no total, das quais 4.698 (75,2 %)
se encontram em 522 municípios (88,8 %) de magnitude nove (9) dentre os 645
existentes (vide tabela 1 a seguir).
Tabela 1
Magnitude das Câmaras Municipais do Estado de São Paulo
Para as eleições de 2004
MAGNITUDE MUNICÍPIOS M EM % VAGAS V EM %
09 522 80,9 4.698 75,2
10 a 13 98 15,2 1.058 16,9
14 a 16 13 2,1 196 3,1
17 03 0,5 51 0,8
20 a 21 06 0,9 123 2,0
33 a 34 02 0,3 67 1,1
55 01 0,2 55 0,9
TOTAL 645 100 100
Fonte: DJU, 17.06.04. Critérios declarados pelo STF no julgamento do Recurso Extraordinário n. 197.917.
Todavia, a fragilidade do argumento apontado acima reside em ignorar que a
decisão de um vereador de se candidatar a deputado estadual ou federal jamais é um ato
isolado e finito em determinado município, mas algo que se passa igualmente com
muitos vereadores de muitos outros municípios, além daqueles que com ele concorrerá e
3
- Termo usado pela ciência política para designar o número de vagas de um dado distrito/circunscrição eleitoral.
15
não são vereadores. Assim sendo, as condições objetivas tornam proporcionalmente
menor o número de vagas potencialmente alcançáveis para esses outros mandatos
parlamentares. Portanto, o evento mais freqüente é encontrar políticos que iniciam suas
carreiras e as concluem como vereador, pois nunca alcançarão um lugar nas
Assembléias Legislativas e Câmara dos Deputados.
Além disso, como constatei em pesquisa realizada sobre a trajetória dos
deputados estaduais brasileiros de oito (8) Assembléias Legislativas eleitos em 1998,
pelo menos 35 % deles ingressam na vida político eleitoral diretamente pelo Poder
Legislativo estadual. Na Assembléia Legislativa de São Paulo (ALESP), 48 % dos
parlamentares haviam sido eleitos sem terem tido qualquer mandato eleitoral municipal
(MALUF:2000). E na Câmara dos Deputados, em levantamento que fiz para a 52ª
legislatura (2003-2007), 38,6 % da bancada paulista e 50,0 % da bancada fluminense
iniciaram suas trajetórias eleitorais já como deputados federais.
menos postos ainda para prefeito e governador se todos pretendessem uma
vaga na chefia dos poderes executivos municipais e estaduais. Ademais, obter a legenda
por um partido a fim de se candidatar para um cargo executivo tende a ser mais difícil
por pelo menos dois fatores; 1) o que é mais escasso na vida econômica e política tende
a ser mais valorizado. Neste caso, à escassez agregam-se as atribuições constitucionais
do cargo, pois em uma abordagem individual da questão é fato incontroverso que o
chefe do Poder Executivo tem mais poder do que cada parlamentar individualmente
4
; e,
2) a exigência para a indicação é maior, seja no que se refere aos interesses entre os
vários agentes, como também aos compromissos, recursos materiais a serem obtidos
para a campanha e, igualmente, ao nível de popularidade exigido. Por sua vez, a
popularidade obriga que se recorra mais aos meios de comunicação a fim de se alcançar
larga audiência, o que passa pela cobertura jornalística realizada de forma independente
dos interesses do candidato, como a que é paga por sua campanha e atende às suas
demandas (rádio, televisão, imprensa escrita, internet).
As seis eleições legislativas locais em 22 anos ocorreram sob diversificados
ambientes institucionais, tais como alterações efetuadas na organização da Justiça
4
- Esta assimetria deixa de existir apenas em situações excepcionais. Por exemplo: quando determinado vereador
obtém a relatoria de matéria de interesse do Poder Executivo em alguma comissão estratégica, como a de
Constituição e Justiça (CCJ). Se o vereador der parecer contrário, ou oferecer substitutivo à matéria, e sua orientação
for acolhida pelos demais membros da comissão, tal procedimento retardará em demasia a tramitação do projeto.
16
Eleitoral (revisão de eleitorado, introdução do voto eletrônico), das regras eleitorais e
partidárias (como número de candidaturas possíveis pelos partidos, coligações,
candidaturas natas de parlamentares etc), legalização de partidos (beneficiando aos
comunistas), eleição para prefeitos, elaboração das regras fundamentais do País, dos
Estados e dos municípios (Constituição Federal e Lei Orgânica respectivamente),
cassação de registros da campanha de partidos políticos (PFL), entre outros.
A despeito das variações institucionais ocorridas no transcurso dos anos aqui em
análise, houve pelo menos um fator constante de ordem muito significativa para a
decisão na carreira política do vereador, qual seja, a faculdade legal dos parlamentares
no Brasil concorrerem à reeleição quantas vezes desejarem em todos os níveis de
governo, ao contrário dos cargos destinados ao Poder Executivo, também em seus três
níveis, para os quais o titular tem direito a apenas uma (1) reeleição, sendo vedado ao
mesmo cargo por um (1) mandato inteiro antes de tentar retornar
5
.
A Câmara Municipal de São Paulo (CMSP) é a maior do Brasil, tendo na
atualidade 55 vereadores e se constituí em um espaço considerável para a atuação
política na maior metrópole do País, exercendo centralidade variável no processo
decisório a depender das correlações de força em seu interior e a relação com o Poder
Executivo
6
. Ademais, a Municipalidade tem expressiva arrecadação de receitas próprias,
razoável capacidade de investimento, quantidade elevada de servidores e dispõe de
muitos cargos de livre nomeação
7
. Assim, considera-se que o sistema político local
desta metrópole justifica a realização de estudo próprio, uma vez que as condições
sócio-econômicas da cidade poderiam oferecer perspectivas diferenciadas para as
carreiras parlamentares, não encontráveis na quase totalidade dos outros municípios
brasileiros. Mais do que isso, com a quantidade de eleições realizadas nestas duas
décadas é mais acertado levá-las em consideração do que atribuir padrões de
comportamento a características que poderiam ser particularidades de outro período.
5
- Entretanto, dois (2) anos depois terá possibilidade de se candidatar nas eleições destinadas ao preenchimento de
outros cargos, fato este que minimiza o eventual prejuízo na carreira política caso a proibição fosse para qualquer
cargo.
6
- Para uma análise da centralidade da câmara e suas variações em dois momentos importantes nas relações entre os
poderes executivo e legislativo em São Paulo ocorridos nas 10ª e 11ª legislaturas, ver Eliana M. Pralon e Gabriela
Nunes Ferreira, Centralidade da Câmara Municipal de São Paulo no Processo Decisório In Processo de Governo no
Município e no Estado. Uma análise a partir de São Paulo (organizado por Régis de Castro Andrade).
7
- Para informações precisas sobre indicadores político-administrativos de São Paulo e de outros municípios aqui
estudados, vide tabelas nos anexos.
17
Assim, a presente investigação procura responder se a Câmara Municipal de São
Paulo (CMSP) é uma opção preferencial dos seus vereadores tendo em conta todas
eleições realizadas de 1982 a 2004, ou se ela designa tão somente lugar no qual se
exerce o mandato por exclusão de alternativas viáveis para outros mandatos eletivos, ou
ainda aguardando a oportunidade para vir a conseguí-los mais tarde. A resposta poderá
contribuir para a compreensão, entre outras coisas, sobre a capacidade de recrutamento
do sistema político local, da retenção de suas lideranças e de seu impacto no sistema
político nacional. Para responder à questão, não se recorre aqui ao que os vereadores
declaram quanto ao que pretendem fazer, mas o que efetivamente fizeram, ou seja, as
suas escolhas.
Como questão associada à primeira, pretende-se responder em que medida os
partidos políticos determinaram as opções realizadas dos vereadores, ou tão somente as
ratificaram.
A principal hipótese aqui formulada é a de que o vereador paulistano está
potencialmente de passagem para outro cargo, e permanece na CMSP basicamente por
falta de condições para progredir. Desse modo, tal vereador se desdobra em dois perfis,
os quais se dividem em quatro (4) tipos explicitados no capítulo I.
1) O vereador que a utiliza como lugar de passagem para sua carreira, embora
necessário, a fim de alcançar objetivo maior.
2) Aquele que permanece na Câmara Municipal de São Paulo (CMSP).
No segundo caso, o vereador a escolhe, mesmo que nem sempre tenha a
oportunidade de controlar os cargos máximos de direção (presidência da mara e
secretaria da mesa diretora). O vereador permanente alimenta a idéia de que este
mandato é uma especialização.
A diferença entre os dois perfis parlamentares guarda pouca relação com os
partidos políticos pelos quais foram eleitos, e muito mais pela forma como atuam junto
ao eleitorado da cidade. Conseqüentemente, a distribuição territorial de seus votos
também é distinta. Os vereadores especializados tendem a concentrar votos em poucas
zonas eleitorais, enquanto os que a procuram como lugar de passagem revelam votação
mais dispersa e razoavelmente equilibrada para o seu desempenho.
18
Diante do que foi até agora exposto, essa tese, que está quase integralmente
estruturada na população integral em lugar de amostras, apresenta as seguintes variáveis
de observação:
Resultado das eleições referentes às seis legislaturas aqui examinadas (da a
14ª), as quais compreendem os anos de 1982, 1988, 1992, 1996, 2000 e 2004,
considerando todos seus titulares, suas votações e seus partidos políticos, além
de todos candidatos das eleições de 2000 e 2004;
Composição da CMSP, a partir dos titulares eleitos para formar as oito (8)
primeiras legislaturas após o fim do Estado Novo (1948-1976), incluindo as que
se deram sob o regime autoritário pós-64 (1ª a 8ª);
Composição do órgão de direção (mesa diretora) e presidência das comissões
permanentes da CMSP das seis legislaturas (9ª à 14ª
8
);
Distribuição territorial dos votos dos vereadores de São Paulo nas seis eleições
observadas no nível das zonas eleitorais;
Resultado das eleições para as Câmaras Municipais do Rio de Janeiro (CMRJ),
Guarulhos (CMG) e Caieiras (CMC) nos anos de 1982, 1988, 1992, 1996, 2000
e 2004
9
;
Resultado das eleições estaduais/nacionais no estado de São Paulo dos anos de
1982, 1986, 1990, 1994, 1998 e 2002, levando-se em conta todos titulares, bem
como suas votações e seus partidos políticos
10
;
Desempenhos eleitorais de vereadores paulistanos com vários mandatos entre
1982 e 2004, e de vereadores paulistanos que tiveram no máximo três (3)
mandatos;
Relações de parentesco dos vereadores eleitos nas eleições mencionadas com
outros representantes populares, que os tenham precedido na vida pública, ou
ingressado posteriormente.
8
- No caso da 14ª legislatura, apenas de 2005, que se trata do primeiro ano.
9
- A escolha de trabalhar com estes municípios é intencional por parte do pesquisador e obedece à sua preocupação
de testar os achados da CMSP com câmaras de Magnitudes próximas à de São Paulo e ao mesmo tempo inseridas em
conjunturas regionais distintas (CMRJ e CMG), como também a de operar com outra câmara, que disponha de uma
das menores Magnitudes, com o propósito de saber se o Poder Legislativo paulistano tem realidades tão particulares.
10
- A escolha das eleições gerais segue a intenção do pesquisador manifestada na nota anterior, mas é acrescida de
seu objetivo de incorporar os demais cargos que compõem uma carreira política.
19
Necessário destacar que a utilização de parte vital dessas variáveis, como a
referente ao número de vereadores titulares de todas as legislaturas analisadas, foi
possível mediante um grande esforço deste pesquisador na coleta de dados, haja vista a
precariedade do registro de informações tanto nos tribunais regionais eleitorais de São
Paulo e do Rio de Janeiro, no TSE, nos diários oficiais, e nas CMSP e CMRJ
11
. Não
raras vezes os nomes de suplentes estavam misturados aos dos titulares, sem qualquer
esclarecimento, além de estarem freqüentemente incompletos, ou trazendo apenas os
apelidos pelos quais se registraram nas eleições e na vida parlamentar, situação esta que
se alterava para as eleições e legislaturas seguintes, junto com alterações na própria
grafia de seus nomes e números de inscrição nos TREs.
A organização do trabalho destaca em seu capítulo I os aspectos metodológicos
envolvidos na pesquisa, bem como os principais estudos e pesquisas da área, uma vez
que estes são largamente produzidos pela ciência política e ainda pela sociologia
política. Ao destacá-los, procura-se discutir seu poder explicativo e seu grau de
contribuição para a tese.
O capítulo II é dedicado às mudanças político-institucionais do período, que não
foram poucas, e que são muitas vezes determinantes das escolhas feitas sobre as
carreiras individuais, ou ao menos influenciá-las.
Por sua vez, o capítulo III aborda a renovação e permanência na CMSP
oferecendo um conjunto de informações que permite compreender com boa dose de
clareza a forma como este espaço de poder institucional se materializa em lugar para
alguns poucos que nele permanecem e para muitos que por ele passam a caminho de
outros níveis de poder, assim também como os que irão se transformar em dados para as
taxas de mortalidade político-eleitoral.
O capítulo IV faz o aprofundamento do capítulo III, uma vez que versa sobre os
partidos políticos na legislatura paulistana os quais se constituem em variáveis
indispensáveis para se elucidar a própria renovação e permanência dos vereadores
paulistanos. Ao tomar os partidos como unidade de análise, observa-se o fenômeno da
11
- O esforço no levantamento dos dados se estendeu à confecção das tabelas, as quais, em sua quase integralidade
foram de minha responsabilidade.
20
migração partidária
12
, para maior consistência na análise sobre as decisões da carreira
política dos vereadores.
O capítulo V, por sua vez, dará destaque aos resultados da trajetória dos
vereadores eleitos em 1982 para formarem a legislatura (1983-1988), legislatura esta
que se constitui no ponto de partida da presente pesquisa. Desse modo, faz-se o
rastreamento dos titulares, procedimento este que passa pela comparação com as
legislaturas posteriores e, ainda, com os cargos eletivos ou não eletivos deste e de outros
níveis de poder. No mesmo capítulo, os partidos políticos pelos quais estes vereadores
se elegeram nas seis legislaturas examinadas serão cotejados aos parlamentares
individualmente a fim de se compreender melhor os processos de migração partidária,
que são tratados no capítulo III para o conjunto das legislaturas. Finalmente, o capítulo
particulariza três (3) vereadores por preencherem condições especiais; dois (2) dos quais
exerceram mandatos no período anterior a 82 (48-76) e também no que se inaugura a
partir de então, e um (1) se constituindo no mais antigo do período 1983-2005.
O capítulo VI, por seu turno, trata da progressão individual de todos vereadores
que passaram pela CMSP nas seis legislaturas na condição de titulares, trabalhando-se
com o grupo dos que buscaram outros mandatos populares, outros cargos públicos não
eletivos e os que procuraram a reeleição. Sua razão de ser está em promover um
contraponto ao capítulo V, permitindo compreender a carreira política dos vereadores
paulistanos sem o risco desta ser distorcida pelo efeito de uma legislatura apenas, a qual
pode ser influenciada em demasia por conjuntura política e social específica. No
capítulo VI serão examinadas dimensões que não foram tratadas nos capítulos
anteriores, ou o foram de forma breve, tais como as relações de parentesco entre
vereadores e outros representantes populares ou pessoas públicas, além das eleições
para a Mesa Diretora, órgão máximo de direção da instituição, e a presidência das
comissões permanentes.
O capítulo VII aborda a distribuição territorial dos votos de três tipos de
vereadores da CMSP (permanentes, quase permanentes e de passagem), em vel das
zonas eleitorais do município, com o propósito de examinar e discutir as características
12
- A migração entre os partidos é aqui tratada simplesmente como a(s) outra(s) legenda(s) pela(s) qual(is) o vereador
se candidatou nas eleições posteriores à formação da 9ª legislatura.
21
desta votação e, assim, procurar conhecer se o predomínio da concentração ou da
dispersão dos votos e responder se um ou mais padrões que estejam associados a
vereadores com vida exclusiva na câmara municipal, ou que disputam e se elegem para
outros cargos eletivos. Ademais, o capítulo focaliza 19 vereadores distribuídos pelos
três tipos e analisa a distribuição individual de cinco deles dentre os mais antigos do
tipo permanente, levando em conta seu desempenho ao longo das suas disputas
eleitorais de forma a se aprofundar em certos aspectos que talvez não fossem bem
compreendidos apenas com a informação sistematizada para o grupo.
Finalmente, o capítulo VIII traz as considerações finais, dentro das quais
procede-se a um resumo dos principais eventos descritos e analisados pelo autor nos
capítulos precedentes, bem como se desenvolve reflexão sobre as condições da carreira
política na câmara e no sistema político brasileiro à luz do debate travado por parte da
bibliografia citada ao longo da tese.
22
CAPITULO I
ASPECTOS METODOLÓGICOS, CONCEITUAIS E TEÓRICOS
Em geral, grande parte da literatura de referência sobre carreiras políticas em
regimes democráticos é feita indiretamente por investigadores trabalhando nos EUA, os
quais têm por objeto a Câmara de Representantes e em menor medida o Senado e suas
legislaturas estaduais. Associam a tais estudos os partidos políticos em nível
congressual, que são as organizações legítimas para atuar em seu interior. Com o passar
dos anos e com a redemocratização de muitos países da América Latina, os referidos
estudos passaram a ser feitos tanto por pesquisadores norte-americanos ou filiados aos
seus centros de pesquisas, quanto por nacionais em centros de seus próprios países.
No Brasil contemporâneo, a ciência política conta com muitos estudos nesta
área feitos tanto por nacionais (GUIMARÃES:2000; RODRIGUES:1987;
RODRIGUES:2002) quanto por pesquisadores estrangeiros (SAMUELS:2003).
Entretanto, tais estudos, como nos EUA, muitas vezes trazem afirmações sobre o Poder
Legislativo, quando na realidade tratam da Câmara dos Deputados, ou das Assembléias
Legislativas que foram estudadas durante breve período e relegadas a um segundo plano
(ANDRADE:1998; COSTA&OLIVEIRA:1998; SANTOS:2001), e praticamente se
esquecendo das maras Municipais
13
(MALUF:1993; ANDRADE:1998;
PRALON&FERREIRA:1998; COUTO:1998). Não é difícil de entender por inteiro tal
quadro, pois o plano nacional determina ou influencia as instituições subnacionais por
se tratar do poder central ou de união. Conseqüentemente é muito mais almejado por
quem se propõe a fazer carreira política, e, também, o que mais se presta à idéia de que
é o espaço adequado para o desenvolvimento de uma profissão.
Contudo, o reconhecimento da situação descrita não pode ser aceito quando a
explicação formulada para a esfera nacional vem transmitida automaticamente para
explicar o funcionamento dessas outras, ou mesmo usada como um modelo para o qual
não necessidade de reparos e adaptações, ainda que se entenda que as outras
estariam contempladas na primeira (o Poder Legislativo nacional), pois a carreira
encontraria naquelas instâncias e cargos (municipais, estaduais) suas etapas primeiras.
13
- um estudo pioneiro sobre a Câmara Municipal de São Paulo (CMSP), a partir de uma abordagem
comportamental, que cobre o período anterior à redemocratização do Brasil, especificamente a legislatura formada a
partir da eleição de 20 de outubro de 1963. (SILVEIRA:1967)
23
Ou seja, ao se conhecer aqueles políticos que chegaram no topo, os dados de como
chegaram seriam coletados de forma a esclarecer tais indagações. Entretanto, não é
preciso muita especulação para que se depare com pelo menos duas evidências; a de que
centenas de políticos não chegaram ao alto da carreira e não se encontram, assim, entre
os estudados, e/ou, talvez, dentre aqueles que não chegaram, podem ser muitos os que
não as definiram como metas a serem alcançadas (SAMUELS:2003).
Além deste problema de método, que não deixa de acarretar questões de
natureza conceitual e teórica, a literatura que investiga a carreira política parlamentar
opera majoritariamente sob a ótica de que o político é um agente racional e tal
compreensão da racionalidade passa pela separação entre meios e fins, a qual busca a
maximização do retorno esperado. Recorrendo a DOWNS (1999), quando se fala em
comportamento racional fica subentendido que se está dirigindo “principalmente a fins
egoístas”. Ou seja, sua escolha em procurar a reeleição ou partir para outro mandato, ou
mesmo desistir de concorrer é determinada pela relação entre custos e benefícios
pessoais na qual estão ausentes a priori questões programáticas ou éticas. Se os custos
forem mais altos que os benefícios ele se retirará da disputa, ou buscará a reeleição caso
esteja considerando a possibilidade de concorrer para outro mandato, ou, ainda, outro
cargo eleitoral.
DOWNS não rejeita a tese de que a racionalidade seja algo muito mais
complexo, mas entende que a coerência do modelo da motivação da ação política exige
determinada especificidade, que impede de se aceitar como racional, no exemplo por ele
citado, que determinado indivíduo vote no partido A para agradar sua mulher, pois para
ele é mais importante evitar um desentendimento doméstico do que a vitória do seu
candidato de preferência.
Apesar de concordar em linhas gerais com esta interpretação, parte da literatura
posterior a DOWNS procura mostrar que as decisões relativas à carreira política e
parlamentar estão ligadas à ambição
14
, que se trata primeiramente de um sentimento
humano, e não à sua razão. O conflito entre o uso da razão e a ambição é aparentemente
superado nesta abordagem na medida em que se considera que a segunda pode se
14
- A primeira crítica a ambição política encarada de forma somente horizontal, isto é, como a simples busca da
reeleição, leva a elaboração de vários tipos de ambição (SCHLESINGER:1991)
24
constituir no impulso vital para a ação política, como para as demais atividades
humanas em geral, mas a razão tem o condão de subordiná-la e refreá-la de forma a
evitar que a ambição assuma uma dimensão que tolde a capacidade do ator alcançar
seus objetivos e interesses, ou de que seja capaz de recuar se não os conseguir.
Em outras palavras, um eventual revolucionário disputando eleições por um
partido de esquerda, ainda que não creia na democracia como um regime a ser
defendido por qualidades intrínsecas, faz da revolução socialista seu motivo principal
para a ação política, mas na medida em que toma parte na contenda eleitoral precisa
vencê-la (ou pelo menos obter o espaço necessário para conseguir algum retorno que
permita acumular força para suas teses). E vencendo-a precisa assegurar sua reeleição
ou sua viabilidade político-eleitoral para outro cargo a fim de continuar propagando
suas idéias em condições mais vantajosas, dispondo, por exemplo, de uma audiência
ampliada para ouvi-las
15
. Na ótica deste político, além do espaço para propagar idéias, o
mandato lhe asseguraria alguns recursos para fazer acordos e alianças e, assim,
acumular força para seu partido. Para DOWNS, tais procedimentos revelariam que o
sujeito apresenta interesses perfeitamente discerníveis, os quais permitem inseri-lo no
seu modelo econômico da democracia.
Trabalhos teóricos definiram diferentes escolhas a serem feitas pelos políticos,
uma vez que a carreira política é entendida como estruturada em etapas a serem
superadas, pois esta não se limita à obtenção de um mandato parlamentar em nível
nacional ainda que este seja a instância do poder institucional usualmente observada.
Assim sendo, para caracterizar a opção parlamentar, chama-se de ambição regressiva,
ao político que se candidata para cargos subnacionais (estaduais e municipais)
(LEONI&PEREIRA&RENNÓ:2003), deixando seu mandato em nível nacional; de
ambição estática àquele(a) que busca à reeleição em nível federal, e de ambição
progressiva ao que busca mandato mais alto
(LEVINE&HYDE:1977;SAMUELS:2003)
16
.
15
- Isto deixará de acontecer caso a revolução que defende ocorrer no lapso de tempo em que se encontra no
exercício do mandato, ou no caso de quebra do regime democrático, provocada por força política inimiga à qual se
filia.
16
- Por cargo mais alto ao de deputado federal costuma se definir o de senador da República, governador e vice-
governador (LEONI&PEREIRA&RENNÓ:2003). Este autor discorda que vice-governador seja encarado sem
ressalvas como progressão na carreira, e reafirma o que está desenvolvido no corpo do texto da pesquisa, de que a
ambição é definida em decorrência de objetivos que se redefinem e, ainda, podem variar em conseqüência da região
do País e do município.
25
Tais estudos, em sua quase totalidade, se valem da teoria da escolha racional e
de modelos econométricos a fim de testar suas hipóteses ou mesmo predizer a seqüência
de decisões futuras. A origem desta abordagem se encontra na própria teoria econômica
da racionalidade (DIERMEIR&MICHAEL&MERLO:2004;BOURDOKAN:2005).
Voltando a DOWNS e ao seu estudo que se tornou um marco nesta área, An
Economic Theory of Democracy (1957), ele elabora um modelo econômico para
explicar o comportamento dos políticos e dos eleitores, destacando que o objetivo dos
políticos, dos parlamentares em particular, é sua reeleição. A despeito de sua decisiva
contribuição para a elucidação de muitas variáveis e fatores influenciando tais
processos, uma crítica bem formulada a tal interpretação (DIERMEIR; DEANE &
MERLO:2004), argumentando e procurando demonstrar que a reeleição é apenas um
objetivo intermediário, ainda que importante, para se alcançar pelo menos outros três
objetivos agregados e/ou isolados; aumento da renda pessoal; infra-estrutura de
trabalho; e possibilidade de implementação de políticas. Portanto, refutando DOWNS
parcialmente, tais autores mostram que os políticos têm interesse em se eleger visando
sempre materializar interesses maiores.
Para além dos estudos que buscam os nexos causais dentro das próprias
instituições políticas, encontram-se também os que são mais voltados para a sociologia
política e procuram compreender a composição do Poder Legislativo e a carreira de seus
membros a partir da relação das condições político-sociais e econômicas nas quais
ocorrem as candidaturas dos parlamentares. A ciência política no Brasil apresenta
trabalhos significativos neste campo, os quais revelam a razoável clareza em que se
processa a distribuição dos parlamentares e as afinidades político-ideológicas com os
partidos aos quais se filiam, a despeito da fragmentação político-partidária aqui
existente (GUIMARÃES:2000; RODRIGUES:1987 e RODRIGUES:2002).
A presente pesquisa não rejeita quaisquer das duas linhas gerais de interpretação,
nem a da racionalidade em suas diferentes variantes e nem a sociológica. Entende,
todavia, que independentemente do que se deseje responder, tomar qualquer destas
como explicação definitiva é um método reducionista, devido à pelo menos dois
argumentos. Primeiro, por ser muito estreito recorrer apenas à explicação da
26
racionalidade individual dos agentes, uma vez que a racionalidade não pode ser
resumida ao interesse egoísta, como se valores e questões normativas não contassem nas
decisões dos atores, ou seja, como se não se interpusessem na escolha dos meios para se
atingir os fins propostos (SEN:2002). Além disso, que se levar em conta as
instituições públicas como fatores de condicionamento das ações dos políticos.
Como segundo argumento, países como EUA e Brasil são federativos, muito
grandes territorialmente, apresentam elevada densidade demográfica em rios centros
regionais, e contam com muitos governos estaduais e locais. Tais fatos tornam difícil de
sustentar a tese que os políticos orientem suas carreiras quase sempre para o plano
federal (ambição progressiva), aceitando-se o argumento preliminar de que eles são
agentes racionais. Faz-se o reparo porque o afunilamento é muito significativo entre a
quantidade disponível de cargos de prefeito e vereador, deputados estaduais e de
governador e os existentes no nível federal. Tal funil se torna um real impedimento para
a maioria dos políticos e, assim, seria tão racional orientar sua carreira para o plano
municipal e estadual quanto projetá-la para o plano federal a depender de onde se o
ponto de partida da vida política (de um município como São Paulo, com 7,7 milhões de
eleitores e magnitude 55 na Câmara Municipal, ou de Borá, com 834 eleitores inscritos
e magnitude 9 na câmara, em 2004).
Ademais, nem os atores coletivos e institucionais, como os partidos políticos e o
Estado, podem ser satisfatoriamente reduzidos a um indivíduo. Retornando, portanto, ao
argumento do parágrafo anterior, mesmo aceitando-se tal abordagem na íntegra, sem
qualquer reparo, não parece ser factível chamar de irracional um comportamento
político que não estabeleça para si a hierarquia de que os mandatos federais (presidente
da República, vice-presidente da República, senador da República, suplente de senador,
e deputado federal pela ordem) têm ascendência sobre os estaduais (governador, vice-
governador, e deputado estadual pela ordem), os quais preterem os municipais (prefeito,
vice-prefeito, vereador), em particular os de vereador
17
. A despeito desta constatação,
faz-se o reparo de que nos municípios pequenos alcançar o cargo de prefeito pode ser
mais viável para um político com algum nível de habilidade pessoal do que o mandato
17
- Os vice-chefes de governo e os suplentes de senador não costumam ser incluídos nos estudos que hierarquizam a
carreira política. Contudo, entendo que suas inclusões fazem sentido uma vez que tais funções existem apenas e tão
somente para atender ao processo eleitoral para o cargo principal, o qual é preenchido pelo sufrágio popular. Todavia,
reiterando o que se afirmou atrás, não concordo que o vice-chefe de governo seja tido como uma função de maior
ambição na carreira política.
27
de deputado estadual, situação que se equilibra, ou quase se inverte no caso dos grandes
municípios nos quais o cargo de chefe de governo municipal “seja elevado demais para
suas pretensões”. (MIGUEL:2003).
Por outro lado, recorrer exclusivamente aos aspectos sociológicos da carreira
parlamentar revela-se um recurso insuficiente se o objetivo maior é o de explicar as
escolhas feitas pelos atores ao longo do tempo e as alterações que se verificam na suas
trajetórias, pois ao longo da vida política um sem número de questões institucionais,
especialmente as que se referem às leis eleitorais e dos partidos políticos, que interferem
nas decisões e padronizam ações de atores que têm origens e trajetórias sociais diversas.
A definição de carreira profissional para as profissões de vel superior de ensino no
século XX tinha por pressuposto a idéia de que o indivíduo a abraçava de forma
definitiva ou quase definitiva (independentemente de sua inserção na estrutura
ocupacional), interpretação esta que veio mudando rapidamente nos países nos quais o
sistema de livre mercado tem presença importante (DUTRA:1996).
Diante das observações feitas, esta pesquisa parte dos seguintes pressupostos:
1) O mandato de vereador é, de forma genérica, o mais baixo na ordem de relevância política
dos cargos eleitorais existentes, porque suas competências são mais simples;
2) Ainda que o mais baixo quanto ao reconhecimento político, o mandato de vereador nem
sempre é assim colocado em diversas situações;
3) A hierarquia sofre alterações a depender da região do País, devido ao seu grau de
desenvolvimento econômico e importância política na federação;
4) Tais alterações mostram que municípios de metrópoles como São Paulo e Rio de Janeiro
incluindo em menor medida algumas outras capitais e grandes cidades do interior e litoral
- são casos singulares na carreira política, pois fornecem condições institucionais e extra-
institucionais para se constituírem em incentivos suficientes para manter parte
significativa de seus membros neste próprio nível de governo, ou mesmo de aumentar as
condições de passagem para os níveis acima, o que não se verifica na quase totalidade dos
municípios brasileiros, nos quais seus integrantes são retidos por falta de opções.
Em termos gerais, o mandato de vereador paulistano ou carioca fica à frente,
talvez, do de vice-prefeito pelo fato deste último se tratar de uma função de expectativa
que carece de qualquer responsabilidade governamental, à exceção de quando o chefe
do governo lhe atribui alguma (fato raro), como sua nomeação para a titularidade de
uma secretaria. Fica à frente, também, de alguns cargos de primeiro escalão de governo
que por vezes são preenchidos por políticos sem mandato e outras com, a depender dos
recursos de poder que seus órgãos dispõem. Em termos específicos, o primeiro ponto é
confrontado pela hipótese de que os legislativos locais de jurisdições metropolitanas
28
podem ser procurados mais que os legislativos estaduais e a função de vice-prefeito.
Ademais, a chamada ambição progressiva serve de designação para determinado tipo
de parlamentar, mas não pode ser generalizada.
O outro ponto afirma o postulado que para se considerar a racionalidade como
parte constitutiva da ambição parlamentar tal hierarquia será variável segundo a
realidade de cada região na qual tem início uma carreira política, concomitantemente a
possibilidade de que esta carreira seja recalculada no decorrer do tempo. Integrando-se a
este princípio, considera-se que os cargos públicos não diretamente eletivos, mas destes
dependentes, tomam parte nesta hierarquia com força variável em cada região,
colocando-se, muitas vezes, como metas mais importantes a serem atingidas.
Se uma parte do retorno esperado pelos agentes políticos é o prestígio social
obtido no próprio exercício do mandato associado ao poder político e a certas vantagens
do cargo, o grau de visibilidade é muito importante para que isto ocorra. Pode-se
especular que um vereador da cidade de São Paulo o tenha potencialmente bem mais do
que um deputado estadual à Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo (ALESP),
conquanto a visibilidade seja formada, também, pelo capital político do parlamentar, ou
seja, alguns políticos são formadores de opinião, pois tem ideais claras sobre os
assuntos que valorizam e as expressam bem por escrito e oralmente conjuntamente à
boa aceitação junto aos meios de comunicação. Outros, além disso, eram conhecidos
antes de sua primeira eleição por algum trabalho em órgãos de comunicação
(apresentador de programas televisivos ou radiofônicos) etc.
A visibilidade é aqui entendida como a exposição do parlamentar à mídia e ao
eleitor em razão do mandato que o mesmo está investido, do seu modo de atuação, mas
também da cobertura jornalística e dos demais meios de comunicação à sua atividade.
Em certa medida, independentemente de qual venha a ser o seu município, o vereador
carrega maior potencial de visibilidade junto ao eleitor, porque a razão vereador/eleitor
é menor que a estabelecida pelas de deputados estadual e federal (veja tabela 2 nas
páginas seguintes). Todavia, em um município como São Paulo a visibilidade sica se
perde para o eleitor em termos gerais, em decorrência do tamanho do seu eleitorado e de
sua diversidade sócio-econômica e cultural, mas pode ser reforçada especificamente em
conseqüência da que é proporcionada pela mídia.
29
Necessário ressaltar que a legislação eleitoral brasileira define o município como
sendo uma única jurisdição e a fórmula proporcional para apurar os resultados (Método
D’Hont). Isto significa que nenhum candidato disputa uma cadeira específica como
ocorre predominantemente em sistemas distritais. Devido a estas duas condições, os
vereadores são representantes do eleitorado de todo o município uma vez que podem
obter votos em qualquer ponto do território
18
.
Ademais, a lista partidária é nominal e aberta, ou seja, o eleitor pode votar no
nome do parlamentar que desejar sem ser obrigado a votar na sigla. Isto favorece a
individualização da disputa eleitoral intra-partidária, fazendo com que candidatos de
uma mesma legenda disputem eleitores de uma mesma localidade ou segmento social
embora o tamanho da jurisdição como um todo seja sempre considerável, uma vez que
os candidatos não sabem de antemão as reais oportunidades de cada um podendo
projetá-las vagamente
19
.
Por vezes, acordos internos entre os candidatos são feitos a fim de repartir áreas
e segmentos eleitorais para não haver sobreposição, porém, operam sob um equilíbrio
frágil uma vez que não qualquer regra explícita de que assim devam proceder. Esta
realidade implica, não raras vezes, que um vereador tenha uma votação territorialmente
concentrada em poucos lugares (zonas ou seções eleitorais a depender do tamanho que
se deseje investigar), ou dispersa pelo município, embora a distribuição espacial dos
votos seja, também, o efeito de outros fatores, os quais são examinados no capítulo VII.
Outro fator institucional relevante na carreira política é a não coincidência das
eleições municipais com as estaduais e nacionais. O espaço temporal entre ambas é de
dois anos e apenas na eleição de 1982 houve simultaneidade entre as duas, pois esta data
foi fixada previamente quando da edição da Emenda Constitucional n. 14 de setembro
de 1980, de iniciativa do então regime militar como parte do processo de
redemocratização do País, resultando em um mandato atípico de seis anos para os
18
- O sistema eleitoral proporcional adotado no Brasil e em outros países foi bastante estudado. Para ler alguns
trabalhos importantes sobre a matéria ver Legislação Eleitoral e Padrões de Competição Político-Partidária
(DIAS:1991); O Sistema Eleitoral Brasileiro: a Questão da Proporcionalidade da Representação Política e seus
Determinantes (NICOLAU:1991); e O Sistema Proporcional no Brasil: Lições de Vida (LIMA JR.&SANTOS:1991).
19
- A legislação partidária e eleitoral, bem como as práticas dos agentes políticos em face dos partidos políticos e das
regras eleitorais, são tratadas pela ciência política no Brasil e serão levadas em conta nos capítulos II e IV.
30
vereadores (1983-1988)
20
. Neste ínterim, 1985, houve a eleição direta para prefeito e
vice-prefeito das capitais, que era uma exigência da oposição e fazia parte de seu
programa de ação, mas a sua convocação ainda não estava fixada em 1982. As eleições
para prefeito das capitais e áreas de segurança nacional não ocorriam desde a primeira
metade da década de 1960.
De 1982 a 2004, ocorreram sete (7) eleições estaduais/nacionais (1982, 1986,
1989, 1990, 1994, 1998 e 2002), para os cargos de deputados estaduais, federais,
suplentes de senadores, senadores, vice-governadores, governadores, vice-presidente e
presidente da República (os dois últimos a partir de 1989).
Tabela 2
Eleitorado, Magnitude e Razão Parlamentar por Eleitor
Vereadores na CMSP, Deputados estaduais a ALESP e a Bancada Federal de SP
(1982-2004)
Eleição Eleitorado da
Jurisdição*
M 1 Vereador/Eleitor M 1 DepEst-
Fed/Eleitor
1982 4.582.171 33 138.854 84
1982 13.144.018 84 156.476
1986 16.010.572 84 196.554
1988 5.528.404 53 104.310
1990 18.727.014 84 222.941
1992 6.149.253 55 111.805
1994 20.853.796 94 221.849
1996 6.765.407 55 123.007
1998 23.321.034 94 248.096
2000 7.134.821 55 129.724
2002 25.655.553 94 272.931
2004 7.771.503 55 141.300
Fonte: Tribunal Regional Eleitoral. M – Magnitude.
Do município de São Paulo no caso da eleição de vereador e do Estado de São Paulo para as eleições para a
Assembléia e Câmara dos Deputados.
Desconsideraram-se intencionalmente os dados relativos às eleições presidenciais de 1989.
Em decorrência da não coincidência de datas, o vereador pode concorrer a outros
cargos políticos sem risco de perder seu mandato e sem ter de se licenciar, o que
significa a manutenção do gabinete, pessoal e vencimentos. Desse modo, participar da
eleição no meio do mandato serve de teste para ele(a) pleitear no futuro a eleição para
um cargo estadual/nacional, ou no cenário mais pessimista, se manter competitivo para
a sua campanha a reeleição. Até a eleição estadual/nacional de 1986 havia nestes níveis
de cinco (5) a seis (6) mandatos populares para serem disputados nas urnas (uma vez
que a alternância do Senado Federal é de um terço e dois terços a cada quatro anos para
20
- Os membros da legislatura anterior também tiveram seus mandatos em seis anos, como se trata adiante, mas com
a particularidade de que a decisão foi tomada pelo regime militar no transcurso de seus mandatos, colhendo de
surpresa aos agentes políticos.
31
um mandato de oito anos) (ver gráfico 1 nas páginas seguintes com as decisões
tomadas pelos vereadores ao longo dos anos).
Paradoxalmente, o único cargo que não pode concorrer sem perder o mandato é
o de prefeito. A simultaneidade da eleição de vereador e prefeito
21
pode explicar o fato
de que ao longo de seis eleições diretas do período aqui estudado apenas seis (6)
candidatos (10,5 %) de um total de 57 ao cargo de chefe do Poder Executivo foram
disputados por quem foi vereador em algum momento de suas carreiras, sendo que dois
(2) deles concorreram nas legislaturas anteriores as aqui estudadas (ver tabela nos
anexos).
A partir da eleição direta de presidente e vice-presidente da República realizada
em 1989 o número total de mandatos sobe de nove (9) para onze (11) respectivamente,
oito (8) dos quais não municipais. Como as eleições estaduais/nacionais ocorrem
conjuntamente, o vereador pode fazer uma (1) opção em relação aos oito (8) cargos
disponíveis (se candidatar a deputado estadual, ou a federal etc.)
22
(vide quadro 1 a
seguir).
Aos cargos legislativos desta carreira, isto é, os de vereador, deputado estadual,
federal, suplente de senador e senador, é preciso acrescentar os que se obtém no interior
das casas legislativas, tais como a eleição para os órgãos de direção (mesa diretora),
presidências das comissões permanentes e especiais (de inquérito, estudos e de
representação), além das funções de líderes do governo e partidários
23
.
Por último, que se considerar como parte da carreira política do parlamentar a
existência de cerca de três (3) cargos municipais não eletivos, mas importantes, que são
os de secretário municipal (comum a muitos municípios), de dirigente de autarquia, e o
de conselheiro do Tribunal de Contas do Município (TCM), instituição esta que existe
21
- A primeira eleição de prefeito no período aqui compreendido, ocorrida em 1985, foi a única exceção, realizando-
se isoladamente quando a CMSP ainda se encontrava na metade da legislatura. Talvez por isto dois vereadores se
candidataram. Antonio Carlos Fernandes (PMC), que se elegera pelo PTB, disputou para prefeito e Luíza Erundina
(PT), para vice na chapa do então deputado Eduardo Suplicy.
22
- Nem mesmo Jânio Quadros passou por todos mandatos, apesar dele ter iniciado sua carreira política como
vereador, chegado à Presidência e terminado como prefeito, cargo que havia exercido. Não foi senador da
República. Para maiores informações sobre a carreira política de Quadros vide CHAIA (1991).
23
- As funções de líderes partidários e dos prefeitos, bem como os cargos de presidentes das comissões especiais (de
estudo e de inquérito) não serão aqui investigadas por uma opção do pesquisador sobre o que lhe pareceu mais seguro
em face dos dados obtidos e relevantes na estrutura continuada de poder da CMSP.
32
somente em São Paulo e no Rio de Janeiro (ver quadro 1 a seguir). São cinco (5)
conselheiros em cada um dos dois tribunais. Sua relevância para a carreira está no fato
do que seu ocupante tem mandato contínuo até completar os 70 anos (mais informações
no capítulo III), quando é aposentado automaticamente com aposentadoria assegurada.
Para se tornar conselheiro, o vereador precisa ser aprovado pela CMSP. Se o
mandato de vereador for encarado tão somente com um rendimento pecuniário regular e
seguro para quem deste está investido, que se admitir que o mesmo apresenta riscos
consideráveis, uma vez que a campanha implica em dívidas que nem sempre são fáceis
de saldar, e ainda enfrenta-se o risco de não se conseguir a reeleição. Apesar da
segurança envolvendo o exercício do cargo de conselheiro, este órgão poderia se
constituir em contra-incentivo para alguns, porque sofreu críticas das forças políticas
que governaram o município desde 1989, e, eventualmente das oposicionistas, na
medida em que seus membros politizariam a análise das contas sob sua apreciação,
emitindo pareceres contrários ou favoráveis de acordo com os interesses daqueles que
os haviam nomeado.
Quadro 1
Cargos que Compõe uma Carreira Política no Brasil
Tendo ao centro os que são por eleição popular
CARGOS DE CONFIANÇA
NO PODER EXECUTIVO E
NA ADMINISTRAÇÃO
INDIRETA
CARGOS ELEITOS PELO VOTOS
POPULAR
CARGOS EM
OUTROS ÓRGÃOS E PODERES
Ministro de Estado Presidente da República Ministro do STF, Ministro do TCU
Dirigente de Empresa ou Autarquia Vice-presidente da República
Pública Senador da República
Suplente de Senador
Deputado Federal
Secretário Estadual Governador de Estado Conselheiro do TCE
Vice-governador
Deputado Estadual
Secretário Municipal Prefeito Municipal* Conselheiro do TCM **
Dirigente de Empresa ou Autarquia Vice-Prefeito*
Vereador*
Observação: como a importância dos mandatos municipais é diferente nas metrópoles, a ordem de baixo para
cima pode colocar o vereador na frente do vice-prefeito. ** Cargo existente apenas em São Paulo e Rio de Janeiro.
Sempre que o conflito entre CMSP e TCM se intensificou, a imprensa deu ampla
cobertura e questionou a necessidade do órgão existir, levando seus integrantes a
posições pouco confortáveis perante a opinião pública. Vereadores e candidatos a
prefeito consideraram a possibilidade de extinção do tribunal, mas esta idéia nunca
prosperou.
33
Antes da Constituição Federal de 1988, o cargo de conselheiro era designação de
iniciativa exclusiva do prefeito, e após sua promulgação passou a ser, alternadamente,
dividida com o próprio Poder Legislativo, ao qual sempre cabe a decisão final. Apesar
da postulação a conselheiro não depender somente da decisão individual do
parlamentar, trata-se de variável relevante porque exige uma discreta mobilização do
interessado e após o mesmo ser indicado, altera-se a composição da câmara, fazendo
com que o suplente imediato se torne titular
24
.
Na carreira política, embora situados bem mais distante, podem ser arrolados
ainda outros seis (6) cargos não eletivos nos âmbitos estadual e federal
25
, embora alguns
destes sejam incluídos como uma possibilidade desde que mandatos populares nos
níveis mencionados sejam disputados, porém sem nenhum caso empiricamente
encontrado (conselheiro do TCE, ministro do TCU, e, do STF).
24
- Desde 1983, os cinco vereadores indicados conselheiros do TCM foram os seguintes: Eurípedes Sales (9ª
Legislatura); Walter Abrahão (11ª Legislatura), Antonio Carlos Caruso (11ª), e Maurício Farias (13ª Legislatura).
Edson Simões na 12ª era suplente, que se tornou titular no decorrer do mandato e foi indicado para uma vaga do
conselho. No momento em que esta pesquisa era concluída, apenas um conselheiro não fez carreira parlamentar;
Roberto Braguim.
25
- Evidentemente, são vários os cargos no primeiro escalão do Poder Executivo por nível de governo, o que facilita
em tese o aproveitamento do parlamentar. Porém, isto não altera sua contagem pessoal, pois ele pode ocupar um
(1) cargo, à exceção das raras situações em que o chefe do Poder Executivo nomeia o titular de uma pasta para
acumular outra.
34
Gráfico 1
Cargos públicos com ou sem eleição disputados e/ou exercidos por Vereadores
da CMSP eleitos a partir de 1982 até 2004
Governador de
Estado
Vice-governador
Secretário Estadual
Prefeito
Vice-prefeitoVereador
Conselheiro do TCM
Dirigente de empresa pública e
autarquia
Deputado Estadual
Senador da República
Suplente de Senador
Deputado Federal
35
Como se afirmou na introdução desta pesquisa, a hipótese aqui desenvolvida
identifica a Câmara Municipal de São Paulo (CMSP) como sendo uma instituição que
gera incentivos diferenciados para os parlamentares, conquanto de forma mais intensa
para os que se enquadram na perspectiva da ambição progressiva; revela-se suficiente
para alguns, os quais pretendem se manter no legislativo quantos mandatos puder, e
condição necessária para aqueles que a enxergam como o primeiro degrau de uma
escada, que terá de se pisar caso queiram evoluir na carreira. Devido a esta pluralidade
de possibilidades, entendeu-se necessário elaborar uma tipologia básica para a carreira
do vereador, carreira esta que se apóia em tipos que terão maior ou menor presença na
CMSP, como se constatará ao longo do trabalho:
Vereador Amador É o vereador eleito para apenas um (1) mandato, que não
permanece na Câmara Municipal após o término do mesmo e nem segue para qualquer
outro cargo de eleição popular, nem para cargo público de confiança em primeiro
escalão de governo. Não raramente busca a reeleição mais de uma vez, mas não logra
êxito em nenhuma;
Vereador de Passagem é aquele político que exerce o mandato disputando no máximo
até duas (2) eleições para vereador, elegendo-se em seguida para outro cargo popular
fora do município, ou obtendo cargo público por designação que o leva, igualmente, a
renunciar ao mandato. Assim, este tipo é dos que exercem a vereança entre seis (6) anos
-dois (2) mandatos e meio - e no máximo oito (8) anos (dois mandatos completos);
Vereador Quase Permanente trata-se do parlamentar que se elege para três (3) ou no
máximo (4) mandatos e depois é eleito para outro cargo de eleição popular. Isto
significa que o ator que se enquadra em quatro mandatos não completos, tedeixado a
vereança na metade do terceiro mandato, quando completar 14 anos, uma vez que terá
sido eleito para outro cargo (estadual ou federal). A singularidade deste político é que o
mesmo parece ter seu objetivo político-eleitoral menos elaborado previamente que os de
passagem e permanentes;
Vereador Permanente é o político que foi eleito para no mínimo quatro (4) mandatos
na CMSP e o exerceu pelo menos por quatro (4) e meio (16 anos), não tendo sido eleito
para qualquer outro cargo público eletivo, ainda que o tenha disputado, embora possa
36
ter ocupado cargo público de confiança no âmbito do próprio município, antes de ter
sido eleito, ou quando no exercício de seu mandato, por meio da obtenção de licença do
exercício do mandato parlamentar. O vereador permanente justifica esta definição
devido ao longo tempo de permanência na CMSP, ao mesmo tempo em que à
consolidação de sua força política e eleitoral no município.
Três dos quatro (4) tipos podem ser associados às diferentes ambições políticas
que são definidas pela teoria da ambição progressiva, formando a seguinte relação.
TIPO AMBIÇÃO
Amador Sem Ambição
Permanente Estática
Quase-Permanente Progressiva, ou Regressiva
Passagem Progressiva, ou Regressiva
Todavia, os incentivos diferenciados sobre os quais se tratou anteriormente estão
conectados à pelo menos dois outros que influenciam a tomada de decisão eleitoral; o
capital político e o partido político.
O capital político é o recurso de quem atua na política e apresenta diferentes
aspectos. Pode ser construído ao longo da militância dentro do partido político, mas ser
acumulado em arenas circunvizinhas à política, como em um sindicato ou órgão de
representação de classe. Por vezes, este capital vem de fora da política, ou seja, é
convertido a partir de outra atividade que lhe deu credibilidade, prestígio, como o
citado exemplo da mídia televisiva (MIGUEL:2003). Assim sendo, a CMSP se traduz
em incentivo para alguém que dispõe de escasso capital político, esperando vir
aumentá-lo ao obter vaga como vereador a fim de mais tarde fazer uma opção
progressiva, ou mesmo extrair melhores possibilidades da decisão de reeleger-se. De
qualquer forma, a permanência na CMSP ou a progressão passa pelo capital político do
representante popular.
A filiação ao partido político integra o capital do político. Estar filiado ao
partido A ou ao partido B pode explicar a escolha feita pelo parlamentar, conquanto a
própria filiação a uma ou outra legenda seja, em si mesma, uma escolha a ser feita pelo
político, a qual, nem sempre, leva em conta as possibilidades da carreira no médio
37
prazo. Ademais, a acessibilidade às legendas nem sempre é igual para todos os
interessados. Enquanto em um limite extremo há os que perseguem os partidos políticos
para obter uma legenda para disputar uma vaga, no outro se encontram os que são
procurados pelos partidos para que se candidatem, em decorrência do prestígio que
detêm.
De forma resumida, o que se descreveu ao longo do capítulo procurou chamar a
atenção para as possibilidades e problemas apresentados na explicação da carreira
política dos vereadores paulistanos, quando considerado como argumentação
unicamente válida a que a enxerga sob a ótica da ambição progressiva e que esta se
desloca de baixo para cima, isto é, do município (vereador, prefeito, secretário
municipal, conselheiro do TCM) para os níveis estadual e federal (deputado estadual,
vice-governador, governador, deputado federal, senador, vice-presidente e presidente da
República). Isto porque os incentivos da política no Brasil são difusos, estruturados em
hierarquia de valores políticos pouco fixa, segundo a qual os cargos eletivos federais e
de governador estão no seu topo, mas não necessariamente. Em outras palavras, os
incentivos são percebidos em função de situações que variam ao longo do tempo,
podendo alterar os valores e metas dos próprios políticos, redimensionar suas ambições,
e, conseqüentemente as suas metas. Tais situações variáveis no tempo podem ser o
resultado da mobilidade social do parlamentar que é possibilitada, por vezes, por fatores
extraídos e obtidos com a própria atividade política.
38
CAPÍTULO II
AS MUDANÇAS POLÍTICO-INSTITUCIONAIS DO PERÍODO 1977-2004
Nos regimes democráticos em particular, carreiras políticas em geral não podem
ser compreendidas em sua plenitude sem consideração ao contexto institucional no qual
os atores atuam, pois este se caracteriza como variável importante para as decisões
tomadas pelos que estão investidos de mandato eleitoral e, igualmente, por aqueles
que ainda não os tem, mas desejam vir a tê-lo. É impossível que um grupo político
alcance o poder pela via pacífica, sem que haja alta probabilidade de resistência violenta
por parte de seus opositores, se não for por meio de regras que estabeleçam o modo pelo
qual tal grupo alcançará o poder e, antes disso, a definição de quais são as competências
e, portanto, os limites da autoridade da qual emanará esse poder, bem como a sua
duração.
Em pouco mais de duas décadas o Brasil viveu significativas alterações no plano
institucional, sendo boa parte destas no âmbito da Constituição Federal, da legislação
infra-constitucional e de suas interpretações judiciais. Parte das alterações externas à
elaboração e aprovação de leis no Congresso Nacional refere-se à criação de partidos
políticos sem ligação estatutária com o período pré-64 e com o do bipartidarismo pós-
64, como o Partido dos Trabalhadores (PT) e o Partido da Social Democracia Brasileira
(PSDB), fato este que por si representa um grande corte de gerações
26
. Certas
mudanças eram esperadas pelos protagonistas da redemocratização devido aos acordos
estabelecidos (envolvendo membros do lado do regime militar e da oposição), mas
também pelos analistas, ainda que não se pudesse dizer ao certo quando viriam ocorrer
para aqueles que se elegeram em 1982, enquanto outras se deram na esteira de
acontecimentos políticos e sociais. Mas a maioria das regras que viriam a regular a vida
pública depois desta data encontrava-se em aberto, gerando um quadro de larga
incerteza para o sistema político (vide quadro 2 no final do capítulo).
Importante abordar ainda o ambiente institucional que afetava os municípios
naqueles anos em sua quase totalidade, e, conseqüentemente, suas câmaras de
vereadores, o qual não era por estes produzido, uma vez que a legislação sobre questões
fundamentais era elaborada na esfera federal, e, em menor medida estadual, como
26
- O PMDB não se enquadra no raciocínio acima, pois foi o principal sucessor do MDB, único partido de oposição
do período bipartidário.
39
continua a sê-lo, apesar da autonomia política obtida após a Constituição Federal (CF)
de 1988. Há que se admitir ao menos dois diferentes incentivos para atrair atores
individuais para a carreira política; vantagens (materiais e simbólicas) e poder de definir
políticas públicas a serem executadas em determinada esfera de governo.
Note-se que algo tão importante como a definição da Magnitude, isto é, do
número de cadeiras para as câmaras de vereadores decidia-se no plano federal no caso
das capitais. A partir da nova CF, a Carta Magna fixou em seu artigo 29, inciso IV, três
(3) faixas de representação calcadas no tamanho da população, mas outorgou-se às
câmaras a competência para fixá-las atendendo a tais limites. Até o ano de 2004, as
câmaras municipais, em grande número, aumentaram seu número de cadeiras, o que,
teoricamente, aumentaria a oportunidade de gente nova ser eleita concorrendo pelos
partidos menos fortes. Naquele ano, o plenário do Tribunal Superior Eleitoral (TSE)
decidiu reduzir as vagas de várias câmaras, a partir do entendimento que as mesmas
desobedeceram ao que estava previsto na CF. Todavia, tal medida não atingiu São
Paulo, que já ocupa o limite máximo estabelecido de 55 vereadores.
O Direito de Eleger o Prefeito da Capital
Talvez o fato político-institucional mais importante tenha sido a eleição direta do
prefeito das capitais. A recuperação deste direito, considerado símbolo maior da
autonomia política municipal, ocorreu em 1985, quando estes pleitos se realizaram
como conseqüência da iniciativa do governo federal da chamada Nova República que
fez aprovar no Congresso Nacional emenda à antiga CF, assegurando seu cumprimento.
Os vereadores eleitos em 1982 ainda desconheciam até 1984 quando a eleição para o
executivo local viria ocorrer. Em outra determinação relevante, a CF de 88 introduziu
regras de eleição em dois turnos para a chefia do Poder Executivo extensiva aos
prefeitos de municípios com mais de 200 mil eleitores (artigo 29, inciso II), a todos os
pleitos nos quais o primeiro colocado não atinja a metade mais um dos votos válidos;
determinação esta que passou a vigorar a partir de 1992. Desde então, as quatro (4)
campanhas realizadas na capital só conheceram seus eleitos no segundo turno.
As regras que foram definidas e redefinidas nestes anos de redemocratização e
consolidação do regime democrático estruturam diferentes questões, porém, as mais
40
relevantes para o entendimento da carreira política são aquelas que estão voltadas para
quem pode se considerar incluído ou excluído da participação política, o que aqui se
traduz no direito de escolher o representante e no de vir a ser o próprio. Ou seja, tais
regras definem a distribuição de poder entre os atores políticos; tanto para os que
dispõe de alguma parcela de autoridade formal quanto para aqueles que não a
desfrutam.
No campo da inclusão ao sistema político, a Lei de Anistia (6.683/79) é uma das
mais importantes para o ano inaugural do período aqui compreendido (1982-2004), pois
assegurou que as lideranças e ativistas políticos que tiveram seus direitos políticos
cassados a partir do regime militar inaugurado em 1964 estariam livres para retornar ao
país (dentre as que se encontravam exiladas) e à vida pública.
Neste sentido, grandes e médias lideranças de abrangência nacional ou regional
do período pré-64 voltaram a atuar no cenário político e a disputar espaços de poder em
dois (2) diferentes níveis e ramos (Executivos e Legislativos, estaduais e municipais),
além daquelas que estavam se forjando na luta contra o regime autoritário inaugurado a
partir de 64. Com a inclusão delas ao sistema reduzia-se a assimetria entre o número de
representantes que apoiaram o regime militar e os que lhe fizeram oposição. Desse
modo, se a mudança de protagonistas foi bem grande a partir de 1982, não foi total (até
em razão de terem se passado 18 anos desde 1964). Verifica-se a existência de uma
linha de continuidade em meio aos atores individuais e de forma mais frágil em alguns
partidos políticos, como foi o caso do PTB e do PDT, os quais se diziam herdeiros do
legado político de Getúlio Vargas, que estaria materializado no antigo PTB
27
.
As normas fixadas no decorrer destes anos vão desde as que se referem aos
aspectos pessoais (idade, escolaridade etc.), até as que tocam diretamente na operação
do processo eleitoral e da alocação de cadeiras, mas que em comum condicionam a
configuração da representação popular. Além destas, ainda as normas que regulam o
processo de decisão parlamentar e da relação entre os poderes.
O conhecimento destas regras é um recurso de poder importante para aqueles
que destas se apropriam, e costuma ser desigualmente distribuído entre os atores
27
- Sem ignorar que Vargas também foi tido como responsável pela criação do PSD (SOUZA:1990).
41
políticos, menos pela existência de mecanismo formal de acesso particular de alguns em
detrimento de muitos (conquanto isto exista minimamente), mas porque as próprias
condições sociais o influencia. Candidatos provenientes de setores de baixa renda e de
nível de escolaridade, provavelmente terão maior dificuldade no conhecimento dos
dispositivos existentes no momento em que iniciam sua vida política do que aqueles
que são provenientes dos segmentos de alta renda e alto nível de escolaridade.
Todavia, tal desigualdade no conhecimento pode ser compensada pela
popularidade de alguns candidatos provenientes dos setores populares aliada às suas
habilidades pessoais, que formam capital político importante para o sucesso desta
carreira. De qualquer maneira, tal capital sofrerá oscilação a depender das regras em
vigência e da constância ou mudança das mesmas.
Portanto, no decurso de 20 anos, regras formuladas em nível nacional e também
no âmbito municipal foram alteradas em diferentes momentos e tiveram impactos com
diferentes conseqüências para a carreira dos vereadores devido ao grau de incerteza que
acarretam para as decisões tomadas.
As leis nacionais são fundamentais e se referem à legislação partidária e
eleitoral. No âmbito destas duas legislações, produziram-se mudanças em diferentes
anos a partir do final da década de 70 e, principalmente, durante as três décadas
seguintes. Entre as alterações, destacam-se as que se referem às condições de
organização e registro de partidos políticos, de prazos mínimos para troca de legenda
partidária, de domicílio eleitoral, na liberdade de diferentes ideologias políticas
(partidos comunistas), na propaganda eleitoral gratuita (tempo de rádio e televisão e
conteúdo da programação), e na introdução do voto e urna eletrônicos. Estas últimas
asseguraram mais lisura ao pleito e ainda propiciaram redução no percentual de votos
nulos e brancos e o aumento nas taxas de representatividade
28
(veja tabela 3 a seguir).
Tabela 3
Percentual de Votos Brancos, Nulos e Taxas de Representatividade (TR)
Para Prefeito e CMSP
28
- A implementação do voto e urna eletrônicos pôs fim ao trabalho tradicional dos fiscais partidários juntos às mesas
apuradoras, o qual facilitava às campanhas mais ricas obterem votos para seus candidatos que nem sempre eram para
eles dirigidos, graças a diversas interpretações da grafia dos nomes. Nas eleições proporcionais, para as de vereador
em particular, tal procedimento podia ser decisivo para eleição ou não de determinado candidato. A taxa de
representatividade, ou densidade eleitoral, é o percentual de votos obtidos pelos eleitos sobre o comparecimento
eleitoral. No caso do Poder Legislativo é o percentual dos votos dados a todos eleitos sobre o comparecimento.
42
Antes e depois da introdução do voto eletrônico
82/85 88 92 82-92 96 00 04 96-04
Prefeito MÉDIA MÉDIA
Branco 0,90 12,90 12,55 8,75 1,54 4,08 2,29 2,64
Nulos 3,69 5,97 11,16 6,94 5,31 5,42 4,39 5,04
TR 37,50 29,80 37,30 34,90 44,90 34,40 40,60 40,00
Vereadores
Brancos 10,65 8,02 14,24 10,97 5,54 7,08 5,56 6,06
Nulos 4,39 3,81 14,09 7,43 8,61 4,52 4,31 5,81
TR 34,50 22,20 17,30 24,70 27,40 29,40 34,50 30,40
Fonte: TRE-SP, Fundação Seade.
A legislação enveredou também pelo financiamento dos partidos, na definição
da Magnitude dos três níveis do Parlamento (concedendo-se ao município o direito de
fixar o número de vereadores em certos limites), no número máximo permitido de
candidatos por partidos e coligações
29
, direito a estabelecer coligações visando cargos
executivos e proporcionais
30
, na limitação dos votos válidos nas eleições proporcionais
somente aos candidatos e às legendas partidárias
31
, cassação de registro de candidatos,
cassação de mandatos de executivos e parlamentares eleitos em conseqüência de
improbidade na campanha
32
. A CF introduziu o voto facultativo para os analfabetos
(artigo 14, parágrafo 1º, inciso II, alínea a). E, ademais, a legislação federal eleitoral
considerou a necessidade de incentivar a participação feminina nos pleitos eleitorais,
determinando inicialmente que os partidos políticos e coligações assegurem 20 % de
vagas no mínimo para candidatura de mulheres (parágrafo 3º, artigo 11º da lei 9.100/95)
e, mais tarde aumentando para 25 % (HTUN:2001) e chegando pouco depois a 30 %
(AVELAR:2001). Desse modo, seria de esperar a ocorrência de um acréscimo de
mulheres fazendo carreira política nas câmaras municipais a partir das eleições de 1996,
a despeito da norma não se referir a cotas de cadeiras, assunto que será examinado nos
capítulos V e VI.
As Leis Municipais
29
- De acordo com o artigo 10º da lei 9.504/97, cada partido pode registrar candidatos até 150 % do número de vagas
a preencher. Para a CMSP, que tem 55 vagas na atualidade, isto quer dizer 83, e até duas vezes em caso de coligação
independentemente do número de partidos que a integrem, o que significa 110.
30
- A lei 6.767/79 vedava em seu artigo 19, inciso IV, as coligações com outros partidos para as eleições à Câmara
dos Deputados, às Assembléias Legislativas e Câmaras Municipais, restrição esta que caiu para os vereadores com a
lei 8.214/91, embora a lei 9.100/95, em seu artigo 6º a condicionou a extensão para a eleição majoritária.
31
- De acordo com o que está prescrito no artigo 5º da lei 9.504/97, pondo um fim na inclusão dos votos em branco.
32
- que se considerar ainda, embora não seja o foco da atenção no momento, de emendas constitucionais e leis
que afetaram diretamente a vida dos municípios embora não estejam na esfera partidária e eleitoral, como, por
exemplo, a que limitou a alíquota máxima do ISS a dois (2) %.
43
Em relação às leis do município de São Paulo, cujos limites foram fixados
primeiramente pela própria CF e no ano de 1990 pela LOM
33
, elas têm capacidade,
igualmente, de influenciar as carreiras dos vereadores. Primeiramente pela faculdade
dos vereadores fixarem os proventos de si próprios, do chefe do Poder Executivo (artigo
14, inciso III), e dos demais membros da administração direta e indireta (tais como
fixação e aumento da remuneração dos servidores, segundo o artigo 37, inciso II), e
dispor de cargos, funções e empregos da administração direta, autárquica e fundacional
(artigo 40, inciso IV)
34
.
Em segundo lugar, pode-se destacar a competência dos vereadores para legislar
sobre tributos locais (IPTU, ISS, taxas etc.), votar os orçamentos anuais e plurianuais,
as concessões de serviços públicos (artigo 13, vários incisos), o desenvolvimento
urbano do município o caso das leis de uso e ocupação do solo e do plano diretor em
seu artigo 12, inciso XIV) e vários outros itens que conferem influência e prestígio aos
atores locais. Como conseqüência do incremento do poder de legislar das câmaras
municipais, a participação dos vereadores no órgão de direção (mesa diretora) e na
presidência e relatoria de comissões permanentes também se tornou mais atraente.
Ou seja, na competência para legislar nos campos mencionados, além de outros,
os representantes paulistanos lidam com vários interesses sociais da cidade, e, assim,
encontram incentivos nada desprezíveis para uma atuação política no plano do próprio
município. E ao contarem com incentivos relacionados à possibilidade de intervirem na
produção das políticas públicas, isto é, da ação governamental, a relação interna dos
vereadores e destes com o Poder Executivo pode ser redesenhada, dando vida e
densidade à oposição, uma vez que fazer oposição também assegura um mínimo de
possibilidade de influenciar os rumos do governo municipal (seja em menor medida na
iniciativa de propor leis, como aprová-las e, fazer obstrução ao governo), e,
conseqüentemente aumenta o potencial de visibilidade para a carreira junto à sociedade.
Semelhante ao que havia escrito atrás de se admitir que a consciência dos
atores quanto ao grau de facilidade e dificuldade que encontrarão para serem eleitos e
33
- Para se obter um conhecimento sistematizado das atribuições reservadas aos Municípios pela CF de 1988, ver
Maria Tereza Sadek, Poder Local: perspecitvas da nova ordem constitucional. In São Paulo em Perspectiva. Seade.
São Paulo. 1991.
34
- Sem desconsiderar, também, a prática não constitucional dos vereadores que apóiam o Poder Executivo de indicar
nomes para integrarem os cargos de confiança na administração pública municipal.
44
reeleitos é fator importante no cálculo da carreira de qualquer político e poderá
condicionar e até mesmo determinar sua trajetória. Em certos casos, trata-se de fato que
não permite qualquer apelação, como o que acabou atingindo aos vereadores do PFL (e
seus candidatos). Os titulares não conseguiram se candidatar à reeleição em 1992, sendo
colhidos de surpresa pela decisão judicial que vetou a chapa do partido (vide nota 23,
capítulo IV).
O principal objetivo do presente capítulo foi o de apresentar as inúmeras e
freqüentes variações ocorridas no ambiente institucional, que podem ter maior ou menor
impacto sobre a atividade política e, provavelmente, afetam o desenrolar das carreiras.
Se tais fatos se constituem em elementos de incerteza para os políticos que atuam no
nível federal, no qual as regras essenciais são definidas, estas são ainda maiores para os
que atuam no plano do município, uma vez que estes atores são objeto das mesmas, mas
não seus protagonistas.
Todavia, como também se procurou descrever aqui, não se deve menosprezar as
prerrogativas e competências legais obtidas pelos estados e municípios a partir da
promulgação da CF de 1988, a qual reservou razoável rol de incentivos para aqueles que
desejam intervir nos assuntos que tocam diretamente a população, desde que se
considere o município como sendo o nível de governo mais próximo dos problemas dos
cidadãos. Nesta perspectiva, os maiores municípios e com melhor base econômica se
constituíram hipoteticamente em incentivos suficientes para uma carreira política, ainda
que muitas decisões posteriores à promulgação da CF tenham limitado estas
competências.
Quadro 2
Resumo de Fatos Ocorridos e das Regras Institucionais Definidas entre 1977 e 2000
ANO FATOS E REGRAS
1977 Instituição de até três (3) sublegendas para eleição de prefeito e senador (Decreto-lei 1.541, artigo
45
1º).
1979 Proibição de coligações para eleições proporcionais, extensiva às Câmaras Municipais (Lei 6.767,
artigo 19, inciso IV).
Fidelidade partidária extensiva aos vereadores (Lei 6.769, artigo 72).
Lei de Anistia aos crimes políticos (6.887).
1980 Fundação do Partido dos Trabalhadores (PT) (10.02.80).
Prorrogação dos mandatos de vereadores e prefeitos (exceção dos nomeados) até 31 de janeiro de
1983 (Emenda Constitucional, n.14, alterando artigo 209).
Eleição direta para governadores de estado e senadores (Emenda Constitucional n. 15).
1981 Direito de voto nas convenções para diretórios municipais aos que se filiam aos partidos até 15 dias
antes (Lei 6.957, artigo 1º).
1982 Eleição direta para governadores de estado (Lei 6.978, artigo 1º).
Vinculação de votos na cédula eleitoral aos candidatos do mesmo partido (Lei 6.978, artigo 8º).
Mantido o número da legenda dos vereadores eleitos em 1976 para os candidatos à reeleição (Lei
7.015, artigo 4º).
Manifesto de fundação do Partido da Frente Liberal (PFL) (dezembro).
1985 Fundação do Partido da Frente Liberal (PFL) (24.01.85).
Manifesto de fundação do Partido Liberal (PL)
Eleição direta para prefeito das capitais e áreas de segurança nacional.
1988 Eleição em dois turnos, extensiva aos municípios com mais de 200 mil eleitores (artigo 29, inciso II
da CF).
Fixação da Magnitude (Vagas) das Câmaras Municipais (artigo 29, inciso IV da CF).
Fundação do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB).
Estabelecimento do direito de voto aos analfabetos.
1991 Autorização de coligações proporcionais para a eleição das câmaras municipais (artigo 6, lei
8.214/91).
1992 Início da vigência da eleição em dois turnos para os municípios com mais de 200 mil eleitores.
1995 Cota de 20 % para as mulheres nas vagas de candidatos às eleições proporcionais destinadas pelos
partidos políticos (parágrafo 3º, artigo 11, lei 9.100/95).
Condicionamento do direito de coligação para eleições de vereadores à sua realização para a eleição
de prefeito (artigo 6º da lei 9.100/95).
1996 Infidelidade partidária deixa de implicar em perda de mandato (Lei 9.096, artigos 23 a 26).
Prazo de filiação de um ano para cargos proporcionais (Lei 9.096, artigo 18, mas artigo 20, faculta
ao estatuto partidário aumentá-lo).
Início da votação eletrônica no Município de São Paulo e em todos aqueles com mais de 200 mil
eleitores.
1997 Número de candidatos a vereador por partido (até 150 %) e coligação (até 2 vezes) (Lei 9.504).
Volta da permissão de coligações nas eleições proporcionais, exclusiva às Câmaras de Vereadores
se os partidos assim desejarem (Lei 9.504, artigo 6º).
Exclusão dos votos em branco do cálculo dos votos válidos (Lei 9.504, artigo 5º).
2000 Define época para fixação do subsídio dos vereadores a ser feita pela própria câmara municipal e
limita o montante máximo permitido a 75 % para as que pertencem a municípios com mais de 500
mil habitantes (Emenda 25, artigo 29, inciso VI, letra f da CF).
Limita montante máximo de despesa das Câmaras Municipais, incluído o subsídio dos vereadores a
não mais do que cinco (5) % para aquelas que têm mais de 500 mil habitantes (Emenda 25, artigo
29-A, inciso IV).
Observação: vide anexos para obter quadro mais detalhado
46
CAPÍTULO III
RENOVAÇÃO E PERMANÊNCIA NA CMSP
A alternância do poder é um dos princípios básicos da democracia porque
assegura o princípio da igualdade política para todas as forças representativas da
sociedade. Tal princípio ganha materialidade por intermédio dos partidos políticos
35
uma vez que são estas organizações as que detêm o direito de conceder a legenda para
eleger o chefe de governo e formar as maiores bancadas. Todavia, a alternância se passa
em dois níveis e também em dois órgãos, pois é extensiva aos próprios indivíduos que
disputam as eleições por estes partidos e se processa nos poderes executivo e
legislativo. Ou seja, o regime democrático se assenta no pressuposto de que é possível
proceder à mudança pacífica entre as forças políticas que estão investidas da autoridade
executiva e legislativa, mas, igualmente nos membros que compõem tais forças.
Por outro lado, a democracia precisa de deres e de pessoas que se dediquem
continuadamente a ação política e os mesmos não se forjam em uma curta experiência
neste campo, mas ao longo de vários anos de maneira que a maioria extraia sua
sobrevivência material dessa atividade. A despeito das mudanças decorrentes de tempo
e espaço entre a realidade européia na virada do século XIX para o XX e a brasileira
contemporânea, continua atual a separação estabelecida entre os que vivem para a
política e os que vivem da política, ainda que o objetivo de tal corte fosse mostrar que a
segunda definição estava se sobrepujando a primeira (WEBER:2003)
36
. Esta proposição
tem, indubitavelmente, forte conteúdo sociológico, porque reconhece as estruturas
sociais, a divisão social do trabalho, etc., como fatores condicionantes da ação política,
bem como o próprio Estado, ainda que não se reduza a estes por completo.
Portanto, a fim de se atender aos quesitos de liderança, experiência e renovação,
parece factível afirmar que o regime democrático produziria uma situação de equilíbrio
35
- No sistema político brasileiro, a significativa migração partidária observada após o fim do bipartidarismo é um
fator perverso para a democracia, pois distorce a relação entre representante e representado, na medida em que os
partidos deixam de mediar e se comprometer com os vários interesses da sociedade, situação esta apontada
muito tempo por certos autores como sendo resultado da permissividade da regra eleitoral, a qual facilita a mudança
de legenda durante o exercício do mandato, entre outros aspectos (LAMOUNIER & MENEGUELLO:1986;
MAINAWARING:1991). Esta questão será examinada no capítulo IV.
36
- De forma genérica, Weber afasta a idéia de exclusão entre esta dualidade, admitindo-a apenas em sentido
estritamente econômico.
47
no parlamento no qual parte expressiva de seus membros daria lugar a novos
parlamentares e a outra parte seria reeleita
37
. Não obstante, estudos sobre a
institucionalização Poder Legislativo, um dos principais órgãos dos sistemas
democráticos, apontam que a mesma implica na diferenciação em relação ao seu meio
ambiente externo, aumento da complexidade ao longo do tempo e diferenciação interna,
as quais provocam redução da rotatividade de seus membros e o incremento da
especialização (POLSBY:1968)
38
.
Na esteira da noção de que alguma rotatividade é fundamental para os sistemas
políticos democráticos, formulam-se a seguir duas (2) hipóteses para o presente capítulo
(H-1 e H-2), que se orientam pela perspectiva da ocorrência de certa simultaneidade de
renovação e experiência:
H-1 Número de Candidatos
concorrendo pela 1ª vez
> Número de Candidatos que
concorreram outras vezes
H-2 Número de Vereadores
com apenas 1 mandato
= Número de Vereadores
com 2 ou mais mandatos.
Ao se analisar a renovação e permanência no sistema político do Brasil é
preciso, primeiramente, considerar a regra institucional que poderia comprometer a
rotatividade dos representantes populares, qual seja, o direito de reeleição irrestrito aos
detentores de mandatos legislativos, proporcionais e majoritários (como o de senadores
da República), pois o exercício do mandato parlamentar traz certas vantagens sobre
aqueles que não o tem, embora, acredita-se, com menor intensidade que o mandato
executivo. Esta diferença a favor dos que gozam de mandato poderia ser ainda maior
para os que se encontravam na legislatura da CMSP (1977-1982), na medida em que
tiveram seus mandatos prorrogados em conseqüência de aprovação da Emenda
Constitucional n. 14 de setembro de 1980 (já mencionada anteriormente) e, assim,
poderiam consolidar suas posições. Entretanto, assume-se aqui que tal vantagem
efetivamente existe, mas há outros fatores que a mitigam, como, por exemplo, o elevado
37
- Interessante notar a conclusão a que chega importante trabalho sobre a relação entre a cultura cívica, ou
comunidade cívica e democracia na Itália (PUTNAM:1996), na qual a permanência não apresenta correlação positiva
com o bom desempenho institucional. O autor se refere tanto aos servidores quanto aos políticos.
38
- De forma resumida o autor quer dizer que os órgãos internos de direção e administração são nitidamente
separados, e que seus integrantes permanecem por muito tempo à frente dos mesmos. Todavia, a unidade de análise
de Polsby é a Câmara de Representante dos EUA, que apresenta diferenças muito relevantes frente às do Poder
Legislativo no Brasil, e ainda maior para uma câmara municipal, mesmo sendo a do maior município do País.
48
grau de desgaste de muitos vereadores junto à opinião pública, em particular dos
integrantes da ARENA, partido de sustentação do regime autoritário.
Em segundo lugar, deve-se ter presente o impacto provocado pelos vereadores
do período anterior nas seis legislaturas da pesquisa aqui realizada, o qual é
representado pelo regime democrático vigente após o fim do Estado Novo até 1964 e
desse ano até 1982 (1ª a legislaturas). Quinze vereadores foram reeleitos para
legislaturas seguintes, sendo a maioria desse grupo para a (1983-1988) e o restante
para as demais, à exceção das 13ª (2001-2004) e 14ª (2005-2008). Dos 15
representantes, oito (8) já exerciam dois (2) ou mais mandatos e sete (7) se encontravam
no exercício do primeiro
39
.
Para tornar a aferição da rotatividade global palpável, dá-se a conhecer, a seguir,
o índice de concentração de vagas (ICV) de vereadores na CMSP em todas eleições
realizadas a partir de 1982, sem particularizar qualquer legislatura, ou seja, apresentam-
se aqueles que conquistaram as vagas ofertadas no período. Partindo-se da base de 306
40
vagas disputadas entre 1982 e 2004, a concentração oscilará de um número próximo a
zero até perto de um (1). Seria IC próximo a zero na hipotética situação de nenhum
vereador titular a partir de 82 ter sido reeleito para qualquer outra legislatura, isto é,
cada vaga teria sido ocupada por um (1) vereador diferente nas seis legislaturas e o ICV
seria um (1) caso os mesmos vereadores fossem sempre reeleitos. O fato empiricamente
observado é que não mais do que 177
41
atores foram sufragados nas urnas, produzindo
um índice de 0,42 deste universo
42
.
Parte relevante do ICV encontrado se explica pelo aumento do número de
cadeiras de 33 para 53 a partir da 10ª Legislatura (1989-1992), chegando ao limite
máximo constitucionalmente reconhecido de 55 cadeiras a partir da 11ª (1993-1996) e,
também, por fatores extra-políticos (falecimentos, por exemplo). Esta abordagem geral
permite constatar que a diversidade individual dos vereadores paulistanos é ainda bem
alta conquanto se encontre distante de uma renovação completa.
39
- Esse grupo representa oito (8) % de 184 vereadores que foram eleitos titulares entre 1947 e 1976.
40
- Trata-se da soma de vagas das seis legislaturas, a saber: 33 na 9ª, 53 na 10ª e 55 a partir de então (11ª, 12ª,13ª e
14ª).
41
- Desse universo, os eleitores paulistanos elegeram 18 mulheres como titulares para as seis legislaturas,
representando 10,2 % do total, dado este que será melhor explorado nos capítulos V e VI.
42
- O ICV é o quociente obtido pela divisão da diferença do número de vagas não ocupadas (129 no presente caso)
pelo total ofertado (306 na CMSP).
49
Outro critério para conhecer a renovação global da CMSP é separar vereadores
com um (1) mandato dos que têm mais de um (1). Os que dispõem somente de um (1)
mandato popular formam a maioria deste conjunto (54,2 %) (vide tabela 4 a seguir).
Vereadores com dois (2) e três (3) sucessos eleitorais formam números consideráveis
(48 e 21 respectivamente), somando 39,0 % e chegando a 45,8 % quando se incorporam
a eles os que têm ainda mais mandatos (quatro, cinco e seis).
Apesar desse número expressivo, apenas um (1) vereador (0,6 % de
permanência) foi eleito continuamente, demonstrando a raridade de se deparar com uma
carreira longa no parlamento paulistano no período observado. Portanto, a realidade
encontrada pelo critério empregado é de alta renovação e baixíssima permanência.
Tabela 4
Câmara Municipal de São Paulo
Número de mandatos dos vereadores titulares,
(Eleições de 1982 a 2004)
Nro.de
Mandatos Vereadores Em % % Ac. % Ac.Inverso
1 96 54,2
54,2 100
2 48 27,1
81,3 45,8
3 21 11,9
93,2 18,7
4 9 5,1
98,3 6,8
5 2 1,1
99,4 1,7
6 1 0,6
100 0,6
ICV 0,42
VAGAS 306
Fonte: Tribunal Regional Eleitoral.
Importante observar que na comparação interna da CMSP, isto é, do período
aqui investigado frente a oito (8) eleições do período anterior, realizadas entre 1947 e
1976 (1ª a legislaturas), verifica-se que a participação percentual dos vereadores de
apenas um (1) mandato é bem maior que do atual (66,8 % contra 54,2 %) (vide tabela 5
a seguir). Um possível e forte motivo para a ocorrência dessa diferença é que o período
anterior forma-se por um subperíodo no qual três (3) legislaturas foram eleitas sob o
regime de exceção e com forte redução na magnitude (número de cadeiras) da ordem de
50
24, isto é, decréscimo de 45 para 21 vagas, o que resultou não apenas em cassações de
registros eleitorais, mas também em desestímulo para outros tentarem a reeleição
43
.
Ademais, a primeira legislatura, que marcaria no plano municipal paulistano a
primeira fragilidade da Constituição de 46, inaugurou-se sob a cassação do registro
eleitoral do Partido Comunista Brasileiro (PCB) em 1947 e, conseqüente cassação dos
15 mandatos dos que se elegeram sob sua legenda ou de outras, como a do PST,
franqueando-a a suplentes do Partido Democrata Cristão (PDC), dentre os quais se
encontra Jânio da Silva Quadros, que exerceria pela primeira vez um mandato popular
44
.
De qualquer maneira, a direção dos dois períodos é a mesma uma vez que os vereadores
com mais mandatos apresentam ordem de grandeza bem mais próxima (vide tabela 5 a
seguir).
Tabela 5
Câmara Municipal de São Paulo
Número de mandatos dos vereadores titulares.
( eleições de dois períodos 1ª a 8ª e 9ª a 14ª legislaturas)
Nro.de
Mandatos
Vereadores
Da 1ª a 8ª
(1947-1976)
Em %
Vereadores
Da 9ª a 14ª
(1982-2004) Em %
1
123 66,8
96 54,2
2
41 22,3
48 27,1
3
13 7,1
21 11,9
4
5 2,7
9 5,1
5
2 1,1
2 1,1
6
0 0
1 0,6
TOTAL
100
ICV
0,36
0,42
VAGAS
290
306
Fonte: Tribunal Regional Eleitoral.
Efetivamente, a renovação poderá ser maior ou menor a depender do critério
utilizado. Seja como se apresentou logo atrás, como pela comparação de uma nova
legislatura qualquer com o final da legislatura anterior. Nesse caso, a renovação será
menor, porque determinados suplentes passam à condição de titulares, disputando a
reeleição e se reelegendo. Também seria menor no caso de se desejar conhecer
exclusivamente os que são eleitos titulares pela primeira vez em determinada legislatura
(sem comparação com a imediatamente anterior). No caso da 9ª legislatura (1983-1988),
43
- Sem relação direta com esta realidade, mas importante para outros resultados no processo político era a não
coincidência de datas das eleições para prefeito e vereadores, que ocorreram em meses e até anos diferentes desde
que o chefe do executivo paulistano passou a ser eleito pelo voto direto em 1953.
44
- Para conhecer a ação de Jânio Quadros na CMSP ver CHAIA, op. cit. e para entender a importância da
ilegalidade a que foi submetido o PCB e as conseqüências para seu comportamento político ver BRANDÃO (1997).
51
a renovação seria menor ao ser comparada a (1977-1982) sobre a qual já se tratou
anteriormente
45
seja para se apurar os parlamentares chegando à câmara a partir da
legislatura sem ter estado na anterior, quanto alguns tinham sido eleitos para o
parlamento paulistano, ou de forma mais rígida, somente aqueles que não haviam sido
eleitos uma única vez desde a 1ª legislatura (1948-1951)
46
.
Embora vereadores com apenas um (1) mandato se constituam a maioria
absoluta da CMSP no acumulado de seis legislaturas, indicando a predominância da
renovação parlamentar (54,2 %) sobre a continuidade, tal realidade fica aquém da
observada em outros cinco (5) legislativos, a saber, da Câmara Municipal do Rio de
Janeiro (CMRJ) (61,2 %), de duas (2) câmaras municipais da região metropolitana de
São Paulo com magnitudes muito diferentes da paulistana (Guarulhos - CMG, 34
vereadores na atualidade, com 60,2 %, e Caieiras - CMC, 10 vereadores, e uma das
menores magnitudes, com 57,8 %), como também da Assembléia Legislativa de São
Paulo (ALESP) (62,5 %) e da bancada paulista na Câmara dos Deputados (55,1 %) (ver
tabela 6, seguinte).
Embora seja difícil de extrair uma explicação sólida sobre a razão de a CMSP
apresentar o menor índice de renovação dentre os legislativos aqui apresentados, com
base nos dados disponíveis (e admitindo-se que não foi por força do acaso), é possível
especular, ao menos a comparando às outras câmaras municipais, que expressiva
parcela dos vereadores paulistanos perceba vantagens na continuidade, ao mesmo tempo
em que demonstra eficácia na campanha de reeleição.
Tabela 6
Percentual de Mandatos de Vereadores na CMSP em comparação a outros cinco legislativos
45
- A legislatura (1977-1982), como as anteriores que se formaram a partir do golpe militar de 1964, tinha 21
vereadores. Não a computei devido ao objeto desta tese ser outro, bem como a legislação de exceção da época limitar
em demasia as candidaturas daqueles que se opuseram à ditadura.
46
- Em relação à legislatura, havia nove (9) edis com participação na legislatura anterior enquanto titulares, os
quais, levando-se em conta os dois partidos da época, eram os seguintes: Alfredo Martins (ARENA), Almir
Guimarães de Oliveira (MDB), Antonio Sampaio (ARENA), Aurelino Soares de Andrade (ARENA), Celso Toshito
Matsuda (ARENA), Eurípedes Sales (MDB), João Aparecido de Paula (ARENA), João Brasil Vita (ARENA) e
Tércio Chagas Tosta (MDB). Portanto, seis (6) vereadores do partido que apoiava o regime militar foram reeleitos e
três (3), somente, do partido de oposição. E recuando em direção à Legislatura acrescenta-se outro vereador,
Francisco Batista Filho (PTB), que havia sido titular na Legislatura (1964-1969) e na (1960-1963), chegando a
dez (10) o número dos experientes.
52
(1982-2004)
NÚMERO DE
MANDATOS CMSP CMRJ CMG CMC ALESP CD
1 54,2
61,2 60,2 57,8
62,5 55,2
2 27,7
21,0 23,9 26,7
24,8 28,3
3 11,3
11,8 9,1 8,9
6,8 11,2
4 5,1
3,9 4,5 4,4
4,7 2,7
5 1,1
2,0 2,3 2,2
0,9 2,7
6 0,6
0 1,1 0
0,3 0
TOTAL 100
100
100 100
PARLAMENTARES 177 152 88 45 339 223
ICV 0,42 0,38 0,41 0,40 0,36 0,43
VAGAS
ACUMULADAS 306 251 149 75 534 390
Fonte: TRE-SP. Observação: vide gráfico nos anexos.
CMC – Câmara Municipal de Caieiras; CMG – Câmara Municipal de Guarulhos.
Aplicando-se novamente o índice de concentração de vagas (ICV) a fim de
ampliar as condições de explicação do que se afirmou atrás, verifica-se que o índice da
CMSP (0,42) é menor que o da bancada paulista na Câmara dos Deputados (BPCD)
(0,43), embora deste muito próximo, e superior aos demais com uma diferença
acentuada em relação a ALESP (0,36) e a CMRJ (0,39). Ou seja, a permanência de
vereadores é mais pronunciada na câmara paulistana que nas demais instituições
legislativas, o que parece dar mais vigor à explicação de que os paulistanos enxergam
mais vantagens em se manter na CMSP e têm mais eficácia em conseguí-lo.
Sendo muito provável que a diferença nos ICVs possa ser um indicador do
reflexo do número de parlamentares que se decidem pela busca da reeleição, a
explicação mais de fundo do por que isto acontece deve levar em consideração vários
outros fatores, tais como os partidos pelos quais se dão as candidaturas, a migração
partidária entre uma eleição e outra, a quantidade de partidos na disputa, as coligações
partidárias efetuadas, bem como a quantidade total de candidatos em cada uma das
disputas e, por último, a viabilidade eleitoral dos candidatos que ainda o possuem
mandato eleitoral.
As Eleições de 2000 e 2004
53
Além do que foi apresentado acima, o vereador de apenas um (1) mandato, quem
melhor caracteriza a estatística de alta renovação, não é por si só um dado que permite
responder à dúvida de se a mesma resulta de desistência pura e simples em relação à
carreira política, ou da desistência de se candidatar à reeleição, ou ainda da derrota
eleitoral. No primeiro caso, o da desistência da carreira, a dúvida poderia ser
completamente tirada com a observação sobre o seu futuro, uma vez que as palavras
sobre intenção na vida em geral, mas especialmente na política, têm escassa utilidade.
No segundo caso, da desistência da reeleição, isto pode ocorrer devido ao candidato ter
sido eleito para outro cargo na eleição geral que se no meio da legislatura de
vereador. Portanto, para se conhecer em medida adequada o significado do problema
levantado, passa-se a seguir ao exame das listas completas referentes às eleições de
2000 e 2004 para a CMSP
47
.
Primeiramente, verifica-se que no dia das duas (2) eleições foram registrados
votos a um total de 2.293 candidaturas, sendo 1.086 (47,4 %) destas no pleito de 2000 e
1.207 no de 2004 (52,6 %). Mas efetivamente se tratavam de 2.101 diferentes pessoas
(91,6 %) uma vez que 192 candidatos 9,1 % dos candidatos - concorreram nas duas
(2) e, assim, seus registros são duplicados para 384 (16,7 %).
A grande maioria dos 2.101 candidatou-se apenas (1) vez e não conseguiu ser
eleita, isto é, 1.879 (89,4 %). Esta parcela sugere que é muito grande o peso de
candidaturas circunstanciais, ou seja, daquelas que não estariam ligadas à
profissionalização da política, ou da vida política ativa se este termo for mais
consistente. Se esta interpretação for correta, torna-se mais plausível a idéia de que o
sistema político local paulistano estimula a participação dos seus cidadãos, que se faz de
forma ocasional, ainda que seja muito pequena a oportunidade desta maioria de inscritos
ter alguma viabilidade eleitoral, e, assim sendo, interesse em se candidatar uma segunda
vez.
Quando se observa exclusivamente aos candidatos que postularam vaga nas duas
(2) eleições, pressupondo que se trataria do grupo dos que se dedicam à política
47
- O ideal seria trabalhar com as listas completas das seis eleições. Porém, isto não foi feito pelas razões
apontadas no início desta pesquisa para os próprios titulares. Ainda assim, examinaram-se todos candidatos não
eleitos (partidos que não atingiram o quociente eleitoral) e suplentes a respeito dos quais se teve absoluta segurança
da grafia. Ainda que minoritário, parece haver um grupo de aproximadamente três a quatro vezes o número de vagas
na CMSP que disputou todas ou quase todas eleições, mesmo que não tenha sido eleito, ou apenas para um ou dois
mandatos.
54
continuadamente (192), observa-se que a maioria não logrou êxito, seja candidatando-se
pelo mesmo partido ou migrando, a despeito da larga superioridade numérica dos que
concorrem duas (2) vezes pela mesma legenda
48
.
Da pequena parcela dos que se elegeram, verifica-se claro equilíbrio entre os que
conseguiram um (1) e dois (2) mandatos, equilíbrio este que se mantém, conquanto um
pouco mais frágil, entre os que o alcançaram por um (1) partido apenas ou por dois (2).
Embora o equilíbrio seja precário, nota-se pequena vantagem para os vereadores que se
elegeram por um (1) partido quaisquer que venham a ser os procedimentos adotados,
seja segregando os mandatos (um 1 e dois 2), ou quando somados (vide tabela 7 a
seguir).
Tabela 7
Eleições de 2000 e 2004 para a CMSP
Mandatos obtidos e número de partidos pelos quais concorreram
nas duas (2) eleições.
(todos candidatos inscritos)
MANDATOS PARTIDOS CONCORRERAM EM %
0
1 90 46,8
2 49 25,5
SUBTOTAL 72,4
1
1 16 8,3
2 11 5,7
27 14,1
SUBTOTAL
2 1 19 9,9
2 7 3,6
SUBTOTAL 13,5
192 100
Fonte: TRE-SP.
Diante desse quadro, parece claro que a permanência ou troca de partidos
políticos pouco interfere no desempenho eleitoral, tal como foi observado em
pesquisa sobre a Câmara dos Deputados (SCHMITT:1999).
Superada estas etapas, fica mais fácil de saber, agora, se quem foi eleito apenas
uma (1) vez nas duas (2) eleições observadas concorreu em 2000 ou 2004, e se quem
dos eleitos em 2000 desistiu na de 2004. Dos que foram eleitos em 2000, somente 11
48
- Tal grupo fica um pouco maior se forem contabilizados 23 diferentes candidatos da eleição de 2000 que já haviam
exercido algum cargo popular, cargo público por designação, ou mesmo concorrido a vereador ou deputado. Em
2004 não houve situação parecida. 14 deles foram vereadores titulares em legislaturas passadas, um (1) suplente de
vereador efetivado no meio do mandato, um (1) candidato a vereador, dois (2) deputados estaduais e uma (1)
deputada federal. Com tal acréscimo, o grupo dos dedicados à política subiria de 9,1 % para 10,2 %.
55
não se apresentaram em 2004, mas não devido a totalidade ter desistido (como se
pertencesse ao tipo amador) e sim como conseqüência de sete (7) terem sido eleitos em
2002 para a Assembléia Legislativa ou para a Câmara dos Deputados, enquanto um (1)
disputou para vice-prefeito de São Paulo em 2004 (Antonio Salim Curiati Jr. PP, na
chapa de Paulo Salim Maluf) e não poderia legalmente pleitear uma vaga no legislativo.
Finalmente, três (3) desistiram da reeleição. Dois (2) dos desistentes (Aldaíza
Sposati PT e Humberto Franschini PDT) por iniciativa própria, sendo que no
primeiro caso, a vereadora exercera três (3) mandatos, enquanto no segundo, o
vereador exercia seu primeiro mandato.
A terceira desistência (Cláudio Gomes Fonseca PC do B) foi contra a vontade
do vereador, uma vez que ele teve de se submeter à decisão de seu partido, que optou
por outros nomes, pois a direção estaria descontente com suas posições contrárias aos
projetos legislativos do governo da prefeita Marta Suplicy, a quem o PC do B apoiava
49
(ver tabela 8).
Por seu turno, dos 19 vereadores eleitos apenas para 2004, 15 deles
conquistaram um (1) mandato popular pela primeira vez, enquanto os outros quatro (4)
o haviam conquistado para outros cargos (deputado federal, deputado estadual e
vereador em outro município). Ou seja, os vereadores com apenas um (1) mandato nos
dois pleitos verificados (30), em sua maioria, deveram tal condição a ter se candidatado
uma (1) vez para a CMSP, conquanto a minoria dos candidatos inscritos duas (2)
vezes, mas eleitos em apenas uma (1), ficou bem perto (27).
Tabela 8
Vereadores da CMSP eleitos em 2000 e/ou 2004
Número de candidaturas
CANDIDATURAS MANDATOS VEREADORES
EM %
1 (em 2000) 1 11
13,2
1 (em 2004) 1 19
22,9
49
- Folha de São Paulo, 24 de junho de 2004.
56
SUBTOTAL 30
36,1
2 (2000 e 2004) 1 27
32,5
2 (2000 e 2004) 2 26
31,3
SUBTOTAL 53
63,4
TOTAL
100
Fonte: TRE-SP.
Desse modo, a alta renovação da câmara se deve tanto ao alto índice de
descontinuidade de candidaturas entre as eleições, como a eleição para outros cargos
eleitorais no transcurso da legislatura, e também a desistência da vida política, ainda que
em menor medida.
Voltando, finalmente, para a comparação da CMSP com os demais legislativos,
é preciso reconhecer que não ligação evidente entre o tamanho do eleitorado, a
magnitude do legislativo e o alto peso dos parlamentares de um mandato, os quais
predominam em todos os aqui selecionados, ainda que estas grandezas variem bastante
como se observa na tabela 9.
Tabela 9
Número de Eleitores por Cadeira na CMSP e outros cinco legislativos examinados
com base no eleitorado das últimas eleições (2004 e 2002)
(em ordem decrescente de magnitude)
Legislativo Eleitorado Magnitude
Eleitores
por Cadeira
1 Mandato Apenas
Em %
ALESP 25.655.553 94 272.931 62,5
CD-SP * 25.655.553 70 366.651 55,2
CMSP 7.771.503 55 141.300 54,2
CMRJ 5.114.915 50 102.298 62,6
CMG 650.193 34 19.123 60,2
CMC 48.494 10 485 57,8
Fonte: TRE-SP. CD-SP – * Bancada de São Paulo na Câmara dos Deputados.
Assim sendo, a partir das comparações feitas, é importante salientar que a baixa
retenção de parlamentares no legislativo não é uma particularidade da mara do maior
município brasileiro, pois o mesmo se passa com os outros legislativos aqui destacados,
e de forma ainda mais abrangente. Portanto, se tal realidade fosse o equivalente a
afirmar que o mandato da vereança é um fraco incentivo para a carreira política, ou se
revela tão somente como espaço de passagem para outros mandatos, esta seria
desmentida ao ser confrontada com o que se observa nos outros dois parlamentos
(estadual e nacional).
57
Ora, os estudos sobre carreira política, quase invariavelmente, partem do
princípio que a Câmara dos Deputados se encontra na parte superior, ainda que estao
seja necessariamente a mais importante, uma vez que os cargos executivos eletivos
mas também alguns não eletivos - são considerados de maior atração (MIGUEL:2003).
Taxas de Renovação por legislatura
As taxas de renovação da Câmara Municipal de São Paulo (CMSP) permanecem
altas quando se particulariza cada nova legislatura, comparando-as com a que se
encontra imediatamente anterior (vide tabela 10). A menor taxa de renovação foi de
50,9 % (12ª 1997-2000), ainda assim, superior à metade das vagas disponíveis. Ou seja,
a retenção dos vereadores pela CMSP é realmente baixa, sugerindo, em um primeiro
momento da análise, que o Poder Legislativo paulistano configura-se como um
incentivo necessário para o início da carreira política, ou para a recuperação da força
eleitoral, mas não suficiente para sua continuidade.
Os dados aqui apresentados confirmam o que se afirmou no início do capítulo,
isto é, que existe razoável equilíbrio entre os níveis de renovação e permanência
interlegislaturas, conquanto com variações importantes de uma para outra, advertindo-
se, porém, que a reeleição não é um equivalente de liderança.
Tabela 10
Renovação e Permanência em cada legislatura da CMSP (9ª a 14ª)
Em números absolutos e porcentagens
LEGISLATURA ANOS P P EM % R R EM % MAGNITUDE EM %
9ª/8ª 1982/1976 09 27,3 24 72,7 33 100
10ª/9ª 1988/1982 20 37,7 33 62,3 53 100
11ª/10ª 1992/1988 26 47,3 29 52,7 55 100
12ª /11ª 1996/1992 27 49,1 28 50,9 55 100
13ª /12ª 2000/1996 23 41,8 32 58,2 55 100
14ª / 13ª 2004/2000 26 47,3 29 52,7 55 100
Observação: comparação com titulares da legislatura anterior.
P – Permanência; R – Renovação.
Contudo, os altos índices de renovação parlamentar e a sua respectiva tendência
de queda ao longo do tempo não são particularidades da CMSP, a despeito da
especificidade de que os parlamentares estreantes representam sempre índices acima de
50 % em todas legislaturas ao serem cotejados com os percentuais das CMRJ, CMG, e,
CMC. Ademais, apesar de São Paulo não ter atingido valores máximos como as demais
câmaras, a variação entre o seu índice máximo e o mínimo é menor que o das outras
58
(veja tabela 11). Como também é menor seu desvio padrão, o qual leva em conta os
demais valores da distribuição. Portanto, nas referidas câmaras índices mais altos
com casos de queda significativos.
Destaque-se que o município de Guarulhos viveu grande conflito no período
compreendido entre 1997 e 2000, quando seu prefeito foi cassado pela CMG e parte
expressiva de seus vereadores foi afastada por medida judicial enquanto alguns foram
presos durante investigações feitas pelo Ministério Público (MPE) e pela Polícia Civil.
Esse ambiente contribuiu para abalar a opinião pública e certamente ajuda a explicar o
segundo maior índice de renovação de todos os que foram computados para o período
(78,8 %) (MALUF:2001).
Não obstante, a CMSP viveu experiência tão ou mais traumática em ao menos
duas (2) legislaturas (10ª - 1989-1992 e 12ª - 1997-2000), mediante a abertura de
processos políticos contra vereadores veteranos que haviam passado pela mesa diretora
em uma destas
50
(MALUF:1991), como cassação e prisão de vereadores em outra, fatos
estes com repercussões opostas. No primeiro caso (10ª legislatura), a renovação caiu na
composição da 11ª (52,7 %) e quatro (4) dos três (3) vereadores acusados foram
reeleitos, e no segundo (12ª), o índice de renovação da legislatura seguinte aumentou
(58,2 %)
51
. Nada, porém, equivalente ao que se passou com os demais e nem tendo sido
o seu índice mais alto. (ver novamente a tabela 11 a seguir).
Tabela 11
Renovação em cada legislatura da CMSP, CMRJ, CMC e CMG (1982-2004)
Em porcentagens
LEGISLATURAS CMSP CMRJ CMG CMC
1982/1976 72,7 84,8 63,2 69,2
1988/1982 62,3 73,8 57,1 60,0
1992/1988 52,7 52,4 42,8 54,6
1996/1992 50,9 57,1 42,8 53,8
2000/1996 58,2 57,1 78,8 76,9
2004/2000 52,7 48,0 55,9 20,0
MÉDIA 58,2 62,2 56,8 55,8
MAXIMO-MINIMO 21,8 36,8 36,0 56,9
50
- Os processos, cuja votação final absolveu os acusados, e cujo assunto volta a ser tratado mais detidamente no
capítulo V no tópico sobre a mesa diretora, não contaram com beneplácito da mídia.
51
- Em março de 1999, pesquisa de opinião pública realizada pelo DataFolha indicou que 44% dos moradores
acreditavam que maioria dos vereadores tinha participação nas denúncias de corrupção, e outros 42% entendiam que
muitos estavam envolvidos, perfazendo 86% que tinham opinião negativa dos representantes (Vide jornal Folha de
São Paulo de 04/03/99).
59
DESVIO PADRÃO 7,5 12,9 12,4 17,9
Fontes: TRE-SP, TRE-RJ, Fundação Seade.
Critério ainda mais consistente para se conhecer a efetiva permanência e
renovação interlegislaturas é a identificação de quais vereadores foram eleitos
efetivamente pela primeira vez. Durante esses anos, observa-se ocorrência de forte
oscilação, como se observa na tabela acima. Os vereadores em primeiro mandato ora
superam os que dispõem de mais de um (1), ora se o inverso. Porém, a despeito do
efeito conjuntural sobre as características da legislatura, um olhar atento sugere que a
experiência denota pequena tendência ascendente ao longo do tempo. De qualquer
maneira, o noviciado é uma marca muito forte na composição da CMSP.
Apesar do noviciado, constata-se um movimento descendente na participação
proporcional dos vereadores paulistanos em primeiro mandato, que se pode observar
entre a 9ª (1983-1988) e a 11ª (1993-1996) legislaturas, com estabilização na 12ª, o qual
pode ser entendido como resultado de um processo claro da experiência adquirida pelos
parlamentares eleitos em 1982 e a partir de então. Tal experiência os leva à eficiente
utilização dos recursos de poder que se encontram disponíveis para se reeleger (vide
tabela 12 abaixo).
Por outro lado, a inflexão que ocorre na eleição da 13ª legislatura é o resultado
não menos claro do que a legislatura anterior vivenciou, quando vereadores foram
cassados e/ou presos a partir dos trabalhos de uma Comissão Parlamentar de Inquérito
(CPI), que apurou denúncias de corrupção envolvendo vereadores e funcionários da
administração municipal, alguns dos quais haviam sido indicados para os cargos de
confiança pelos próprios vereadores. Portanto, a renovação da 13ª legislatura é
produzida a partir de um misto de impedimento de dois (2) titulares da 12ª se
candidatarem (um cassado e outro preso), aliado ao efeito da opinião pública sobre a
outra parte de seus integrantes
52
.
Tabela 12
Experiência Parlamentar como Vereador na CMSP
Legislatura
Primeiro
Mandato
Primeiro
Mandato
em %
Mais de
1
Mandato
Mais de 1
Mandato
em % Magnitude
24 72,7 9 27,3 33
52
- O presidente da CPI escreveu livro a partir desta experiência, que faz relato pessoal cobrindo período que vai do
requerimento da comissão até sua conclusão, incluindo sua própria opinião (CARDOZO:2000).
60
10ª 34 64,1 19 35,8 53
11ª 27 49,1 28 50,9 55
12a 28 50,9 27 49,1 55
13ª 33 60,0 22 40,0 55
14ª 26 42,3 29 52,7 55
Fonte: TRE-SP.
Observação: mais de um mandato inclui apenas os titulares desde o início da legislatura.
A importância dos Suplentes de Vereador
Apesar dos dados acima serem suficientes para mostrar que a carreira política na
CMSP e a partir da CMSP está restrita a uma minoria de políticos, as particularidades
da mesma serão aprofundadas na medida em que se leva em conta os suplentes de
vereador que assumem o mandato ao longo da legislatura
53
e se candidatam novamente
nas eleições seguintes. Afinal de contas os primeiros suplentes
54
parecem se encontrar
em um limbo político, pois não são titulares, mas com freqüência têm a oportunidade de
assumir a vereança, especialmente os que se encontram na base parlamentar do governo,
ou em decorrência do titular ser eleito para outro mandato. Nem todos primeiros
suplentes assumiram a vaga de vereador de forma duradoura em todos estes anos, mas,
ainda, assim, alguns disputaram as eleições para a câmara em mais de uma oportunidade
sem êxito (como se demonstrou indiretamente com base nas listas de 2000 e 2004), ou
conseguiram o sucesso nas urnas após mais de duas tentativas.
suplentes que jamais foram eleitos, mas por se situarem nas primeiras
suplências e de terem exercido a vereança conseguiram acumular capital político
suficiente para se colocar em lugar estratégico em suas carreiras, provavelmente as
concluindo nestes cargos. É o caso de Edson Emanoel Simões, que se candidatou nas
eleições de 1982, 1988 e 1992 e conseguiu ser indicado para o cargo de conselheiro do
Tribunal de Contas do Município (TCM)
55
. Sua indicação se deu na legislatura em que
ele concorreu por outro partido, o PPB, o qual elegeu o prefeito da cidade, Paulo Maluf,
que derrotou o candidato do partido da situação. Assim, por meio da combinação de
uma votação para além de suas bases tradicionais, na região sul de São Paulo, ele se
fortaleceu.
53
- Trata-se aqui dos suplentes que assumem por largo período em razão dos titulares estarem licenciados ou em caso
de morte, ou, também, no caso dos titulares terem sido eleitos para outros cargos populares. Pela lei, o suplente é todo
aquele candidato de partido que obtendo e superando o quociente eleitoral elegeu vereadores.
54
- Chama-se aqui de primeiros suplentes àqueles vereadores que se colocam entre a 1ª e a 5ª suplência de um partido
isolado ou de coligação que elege o prefeito, ou até a suplência de outro partido que tenha eleito bancada de ao
menos três (3) vereadores.
55
- Ele será aposentado compulsoriamente em 2018, quando completa 70 anos.
61
Outros conselheiros designados nestes anos também saíram das suplências.
Foram os casos de Francisco Martins Gimenez, suplente na Legislatura (1983-1988),
e de certo modo os de Eurípides Sales e Maurício Faria. Dos dois últimos, Sales não
conseguiu ser reeleito para a 10ª Legislatura (1989-1992), apesar de titular na 9ª, e
obteve a indicação ainda ao término da mencionada Legislatura. Gimenez e Sales foram
designados por diferentes prefeitos, a saber, Mário Covas (PMDB) e Jânio Quadros
(PTB). O segundo, Maurício Faria, havia sido titular por dois mandatos (10ª e 11ª
legislaturas), mas ficou nas primeiras suplências na 12ª legislatura e não disputou
mandato para a 13ª legislatura. Nestes anos, ele foi designado pela prefeita Marta
Suplicy, de seu partido, para a presidência da empresa municipal de urbanização
(EMURB), e, mais tarde (final de 2002) foi por ela indicado para a vaga aberta de
conselheiro
56
.
Em vários círculos da vida política paulistana, costumava-se dizer que o
indivíduo designado para o cargo de conselheiro do TCM recebia a indicação como
prêmio de consolação por não conseguir se firmar eleitoralmente. Chamava-se de
prêmio porque o designado tem vencimentos assegurados até o final de sua vida
econômica ativa sem ter de se submeter à incerteza das eleições e, supostamente, nem
ser muito exigido quanto ao conhecimento especializado apesar do que a lei orgânica
determina, recebendo aposentadoria a partir dos 70 anos quando deixa o cargo
compulsoriamente, além das garantida e as regalias durante o exercício do cargo
57
.
Por outro lado, o acréscimo da palavra consolação ao termo principal se deve à
derrota nas urnas e a uma vida aparentemente menos ligada às grandes decisões (ou
talvez menos romântica), como se o escolhido fosse algum coitado por se ater a funções
estritamente burocráticas. Mais do que isso, o noticiário envolvendo o TCM durante os
anos 90 foi bastante negativo ao órgão em relação à sua integridade e necessidade
58
.
56
- Embora esta situação seja mais pronunciada no município de São Paulo, no Rio de Janeiro o conselheiro do TCM,
Thiers Vianna Montebello, ficou como suplente nas eleições de 1988, assumindo o mandato em sua segunda metade.
Foi líder do PMDB e conseguiu ser indicado para o tribunal como conseqüência do apoio dado ao Poder Executivo.
57
- Quanto à exigência do cargo de conselheiro, tal concepção está razoavelmente distante da realidade, alguns anos
após a promulgação da Constituição.
58
- Parte desta abordagem crítica surgiu durante a gestão da prefeita Luíza Erundina, eleita pelo PT, que recebeu
parecer contrário às suas contas no TCM, o qual terminou por não ser aprovado pela CMSP, a quem cabe a palavra
final, em decorrência da mobilização dela e seu partido junto à suas bases sociais e aos meios de comunicação.
Contudo, este exemplo serviria para mostrar o contrário, isto é, que o tribunal não faz um trabalho estritamente
burocrático, pois sua decisão, como outras tomadas em anos seguintes, foi interpretada como sendo de natureza
política.
62
Todavia, o cargo de conselheiro é cobiçado por muitos e a partir da promulgação da Lei
Orgânica do Município (LOM) em 1990 aumentou de forma significativa suas
responsabilidades no exame das contas municipais.
Além disso, muitos casos de suplentes que foram vereador alguma vez, mas
sua trajetória foi quase sempre marcada pelas derrota nas urnas. Este são os casos de
Eliseu Gabriel de Pieri e Odilon Guedes Pinto, candidatos cinco (5) vezes a vereador,
mas eleitos em apenas uma (1) oportunidade, com a diferença que o primeiro teve a
oportunidade de exercer a vereança quando foi titular e o segundo de exercê-la em mais
de uma legislatura, em conseqüência de titulares serem aproveitados para ocupar cargos
nos primeiros escalões do governo municipal e de renúncia por motivo de eleição para
outro cargo.
Além das situações acima narradas, há muitos casos de candidatos que só vieram
a ser titular depois de três (3) disputas eleitorais, como ainda os que disputaram de
quatro (4) a cinco (5) eleições e jamais conseguiram se eleger uma única vez, dividindo-
se este grupo entre os que chegaram a exercer a suplência em algum momento, e outros
que nunca conseguiram devido a não estarem tão bem colocados e não pertencerem à
bancada da situação.
Assim, na medida em que se leva em conta a figura do suplente na análise da
renovação e da permanência na CMSP, percebe-se que os expressivos índices de
rotatividade e descontinuidade na carreira política na edilidade se devem muito as
adversidades da disputa eleitoral no seio de um segmento de tamanho o tão pequeno
quanto os números indicam ao se levar em conta somente os titulares. Mesmo assim, o
número dos que se entregam a vida política eleitoral continuamente é modesto, embora
os revezes na disputa não impedem por completo que determinados suplentes consigam
progredir na carreira e não querem dizer que a disputa eleitoral se faz de forma
absolutamente isonômica entre todos seus candidatos. Mas significa que são muitas as
variáveis fora do controle individual e mesmo dos partidos, gerando razoável incerteza
na trajetória.
63
Das duas hipóteses desse capítulo, a primeira se revelou verdadeira apesar da
limitação dos testes às listas integrais de candidatos de 2000 e 2004 e a informações
parciais dos anos anteriores, enquanto a segunda não se sustentou, ou seja, o número de
vereadores concorrendo pela primeira vez é maior efetivamente do que os postulantes
pela segunda ou mais vezes. Todavia, o número de vereadores em primeiro mandato é
muito maior do que os que têm dois ou mais mandatos, maioria esta que é absoluta
porém bem aquém da encontrada nas outras casas legislativas observadas, o que
demonstra o diminuto espaço dos parlamentares do tipo quase permanente e
permanente.
64
CAPÍTULO IV
OS PARTIDOS POLÍTICOS NA CMSP (1982-2004)
Carreiras políticas nos sistemas democráticos são feitas por intermédio dos
partidos políticos que são as únicas organizações autorizadas pela legislação a
competirem pelos recursos de poder do Estado, ainda que fatores extra-partidários
tenham importância significativa para estas mesmas carreiras, embora com impactos
variáveis. Entre tais fatores encontram-se, por exemplo, as relações familiares (a serem
examinadas no capítulo VI), os círculos de amizade, sociais e ocupacionais (sindicatos e
entidades) aos quais os sujeitos pertencem
59
.
No Brasil, os partidos políticos são organizações de caráter nacional de acordo
com o que é determinado pela lei, vedando-se sua existência para funcionar estritamente
no âmbito estadual ou municipal, conquanto a mesma não obrigue que estes se
encontrem estruturados em todo o território nacional (Lei 9.096/95, especialmente
artigos e 13º). Destacar seu caráter nacional se justifica pelo tamanho do território
brasileiro, sua divisão político-administrativa, bem como a grandeza e diversidade
demográfica e de sua população, que tornam factíveis a predominância das
singularidades políticas locais em várias situações, levando a diferentes composições
partidárias. Tal realidade ganha intensidade em decorrência do grande número de
partidos criados desde a sanção da lei 6.767/79, extinguindo o bipartidarismo no Brasil,
bem como as fusões que ocorreram a partir de então. Como observado no capítulo II,
que trata das mudanças institucionais vividas pelo país, a criação e fusão de partidos se
constituem em variáveis relevantes para a compreensão da carreira dos políticos, e
assim também dos vereadores paulistanos.
Pode-se afirmar que a ligação das pessoas que se dedicam integralmente à
política com os partidos políticos brasileiros tem sido predominantemente instrumental,
ou seja, orientada para o seu auto-interesse no intuito de alcançar os cargos eletivos, ou
não eletivos, embora estes últimos dependam em certa medida de se conquistar os
primeiros. Reconhecer a força e ascendência do interesse individual não quer dizer que
59
- Entretanto, em algumas democracias é possível concorrer de forma independente aos partidos, mas
quase sempre nas eleições regionais ou municipais e adotando sistemas eleitorais distritais.
65
inexistam aspectos programáticos e doutrinários nas escolhas de seus integrantes, ao
menos para certas parcelas dos políticos, os quais no período da redemocratização do
Brasil estiveram majoritariamente em partidos de esquerda e centro-esquerda dentre os
que são considerados relevantes
60
. Não falta nem mesmo a disciplina, ou alguma dose
desta, no comportamento dos parlamentares quando observada as votações na Câmara
dos Deputados
61
. Ademais, a despeito das questões programáticas e disciplinares,
afinidades ideológicas estariam presentes na maior parte das opções que são feitas para
se filiar a um ou outro partido situado nos espectro político considerado mais à esquerda
ou mais à direita
62
.
É possível que tais relações tenham conseqüências na relação do eleitorado com
os partidos, seja quanto à visibilidade destas organizações perante o corpo eleitoral, bem
como da lealdade deste corpo quando da realização dos pleitos. É a conclusão a que se
chega em artigo publicado com base em pesquisa pré-eleitoral de 2002, que procura
fazer um balanço dos 20 anos de democracia no Brasil.
“Os eleitores apresentam dificuldade de identificar os partidos como atores
políticos distintos, isto é, como entidades que estruturam a escolha eleitoral e
criam identidades. Em outras palavras, em uma situação de intensa fragmentação
e falta de nitidez do sistema partidário em decorrência da prática de alianças
eleitorais(...) é difícil para o eleitor mediano fixar a imagem dos partidos,
distinguir seus líderes e propostas e, assim, estabelecer uma lealdade partidária”
(KINZO:2005).
60
- As classificações ideológicas dos partidos políticos são usadas com regularidade na ciência política, mas sofrem
objeções de autores brasileiros porque estas são empregadas, entre outras razões, a partir das mesmas feitas para os
países europeus (SARTORI:1982), e, assim, não levam em conta a fragilidade da dimensão programática para a vida
destas organizações. Ademais, a própria complexidade e dinâmica do sistema político brasileiro seria motivo de
cautela em seu emprego. Rica reflexão sobre a questão é encontrada em NICOLAU (1996) e RODRIGUES (2002),
entre outros autores. Eu acrescentaria a tal ressalva que certas realidades municipais e estaduais podem implicar em
classificações um pouco diferentes para certos partidos.
61
- É esta a conclusão a que chegam LIMONGI & FIGUEIREDO (1998), ao rebaterem a teoria de que os partidos
são indisciplinados. Não obstante, discorda-se aqui parcialmente dos mencionados autores porque a mesma se
circunscreve a determinada legislatura, sob determinado governo e vale quando muito para os partidos da situação. O
Senado Federal não foi levado em conta, como também não foram as Assembléias Legislativas e Câmaras de
Vereadores dos médios e grandes municípios.
62
- A literatura sobre os partidos políticos individualmente tratados e constituídos a partir de 1980, incluindo a que os
aborda regionalmente, vem crescendo lentamente no Brasil. Estudos sobre o PT nacional ver KECK (1991), sobre a
seção fluminense do PT ver SOUSA (1997), sobre o PMDB ver MELHEM (1995) e FERREIRA (2001), para o PFL
FERREIRA (2001), sobre o PSDB ver ROMA (2000), entre outros autores. O foco é diversificado, mas em geral não
trata da carreira política dos seus membros.
66
Com outra perspectiva sobre o comportamento do eleitorado brasileiro frente aos
partidos, encontra-se a tese de que a manifestação eleitoral apresenta certo
direcionamento ideológico e que a ideologia se constitui em uma variável de longo
prazo na estruturação do voto que não pode ser desconsiderada (SINGER:2002).
Retornando a relação entre políticos e partidos, a permissividade da legislação
eleitoral e partidária do atual período em relação às condições de filiação e de
candidatura facilitou a migração partidária individual entre os políticos investidos de
mandato popular no período inter-eleitoral. Não obstante, não seria esta condição em si
mesma que poderia explicar a troca, mas sim o agente procurar saber o que se ganha e o
que se perde na esfera institucional (DINIZ:2000), sem perder de vista as disputas
políticas no interior do Parlamento (MELO:2000). Porém, mais do que qualquer outra
razão alegada, facilitar a reeleição tem sido o argumento central para se deixar uma
legenda por outra, a despeito de fatores internos à vida do Parlamento serem também
apontados como relevantes, tais como o parlamentar ser capaz de influenciar o processo
decisório interno (FIGUEIREDO & LIMONGI: 1999; RAIMUNDO:2005). A
maximização do interesse individual em seu aspecto mais perverso (não ético), mas
levando em conta parcialmente a ressalva feita por DOWNS e abordada no capítulo I,
parece ser o fator que melhor se coaduna a maior parte dos atores que operam no
sistema partidário brasileiro (DOWNS:1999).
A Migração Partidária e suas conseqüências para a reeleição
O entendimento aqui esposado é o de ser pouco provável a existência de uma
razão única para a migração partidária, mas sim que a principal e quase sempre presente
nas decisões passa pela reeleição, isto é, leva em conta a avaliação do eventual
candidato se a mesma facilitará ou não seu êxito. O fato de se tratar na presente
pesquisa do Poder Legislativo Municipal não tem, em princípio, diferença significativa
para a explicação.
Portanto, como a migração partidária passou a ser prática generalizada na
política brasileira, faz-se necessário conhecer a importância quantitativa da mesma para
o desenvolvimento da carreira dos vereadores paulistanos até porque no município,
67
ainda que se trate nesta pesquisa do maior do Brasil, a identificação e fidelidade aos
partidos é menos forte do que no plano nacional e dos estados mais desenvolvidos.
Antes, porém, de se averiguar como a migração se processou na CMSP, é
importante fornecer o quadro da eleição de 1982, quando a legislatura (1983-1988)
foi formada. Á época, os partidos políticos existentes, e em situação legal de lançar
candidatos eram seis (6) (PDT, PDS, PMDB, PSB, PT, PTB). PDT e PSB não elegeram
representantes. Outros partidos políticos que viriam a ter expressão estadual e nacional
foram fundados no transcorrer da legislatura, provocando certas mudanças na
composição partidária do legislativo paulistano antes de seu término uma vez que a lei
permitia tal conduta, e, principalmente, a partir da 10ª legislatura (1989-1992) (para
examinar a composição partidária completa em cada uma das seis legislaturas, vide os
anexos). Estes partidos de maior participação na CMSP foram PFL, PL e PSDB, além
de pequenas siglas que elegeram em uma (1) ou duas (2) legislaturas representantes,
como PRONA e PSD
63
. PDT e PSB, que ficaram de fora na eleição de 1982, viriam a
ter pequena participação em algumas das seguintes. E, além destes, houve a legalização
dos partidos comunistas, PCB e PC do B. O primeiro, que a partir de janeiro de 1992 se
transformaria em Partido Popular Socialista (PPS), chegou a eleger um (1) vereador em
1988 e não teve mais representante, enquanto o segundo sempre contou com algum a
partir da 10ª legislatura (1989-1992). Portanto, quando se aborda a questão de quem está
incluído ou excluído da atividade política eleitoral, fator essencial para a viabilidade de
uma carreira política, que se ter em conta os partidos políticos existentes, os que são
criados e os que são eventualmente extintos.
Assim, na CMSP encontrou-se a seguinte realidade: dos 81 vereadores que se
elegeram para dois (2) ou mais mandatos (os quais representam 45,8 % do total de 177),
a expressiva maioria de 53 (65,4 %) concorreu por apenas um (1) partido, aí incluídos o
único vereador que permaneceu na câmara ao longo das seis (6) legislaturas (Jooji Hato
PMDB) e um dos dois (2) que teve cinco (5) mandatos (Arselino Tatto PT). Ter
concorrido por dois (2) partidos foi um acontecimento para 24 edis (29,6 %) e por três
(3) partidos apenas para quatro (4) (4,9 %), os quais, somados, representaram 34,5 %
(veja tabela 13 a seguir).
63
- Em 2003, o registro do PSD foi cancelado e o mesmo foi incorporado ao PTB, por meio da Resolução TSE
21.350/03.
68
Tabela 13
Número de Partidos Políticos pelos quais os Vereadores com 2 e mais mandatos concorreram
(1982-2004)
N=81
Número de
Número de
Mandatos
Partidos 2 3 4 5 6 SUBOTAL Em %
1 34 12 5 1 1 53 65,4
2 14 9 1 0 0 24 29,6
3 0 1 2 1 0 4 4,9
TOTAL
48 22 8 2 1 81 100
Fonte: TRE-SP.
Observação: PDS, PPB e PP foram considerados como um partido somente.
Portanto, fica evidente que a filiação a outra legenda não se revelou fator
decisivo para a reeleição da maioria dos titulares, dado este que não deixa de ser um
elemento relevante para a reflexão sobre a fidelidade partidária no sistema político
brasileiro, que é considerada frágil, embora tal realidade não seja uma singularidade do
País (NICOLAU:1996). Todavia, o resultado global encontrado foi influenciado por
certas organizações, principalmente pelo PT e, em menor medida pelo PSDB, cujas
opções partidárias de seus titulares se revelaram diferentes das dos demais partidos,
especialmente os do primeiro. Portanto, a fim de evitar conclusões precipitadas,
procurou-se controlar melhor a variável partidos políticos pelos quais estes vereadores
concorreram, identificando-se quais legendas tiveram mais fidelidade, bem como as que
mais receberam vereadores e as que mais perderam
64
.
Ao contrário da semelhança verificada no peso relativo dos vereadores com um
(1) mandato nas casas legislativas aqui examinadas, a configuração da relação entre
representantes com mais de um (1) mandato e o número de partidos políticos pelos
quais disputaram os pleitos é diferente das outras três (3) câmaras selecionadas. Na
CMSP, constata-se que obter a reeleição por apenas um (1) partido representou a larga
maioria dos vereadores paulistanos (65,4 %), mas a minoria para os das câmaras do Rio
de Janeiro (CMRJ), Caieiras (CMC) e Guarulhos (CMG) (vide tabela 14). Ou seja, a
CMSP demonstra uma singularidade que não é encontrada nas demais, fato este que
pode ser parcialmente explicado pelo quadro de elevada fragmentação partidária
64
- Embora seja um recurso importante, não se recorre aqui ao Índice de Mudança Parlamentar (IMPA)
elaborado por NICOLAU (1996) por entender que seu instrumento se aplica para a troca ocorrida em
anos consecutivos de uma dada legislatura.
69
naquelas casas concomitantemente a ocorrência de muitas coligações nas eleições
proporcionais.
Tabela 14
Vereadores com mais de um mandato das CMSP, CMRJ, CMC e CMG,
Segundo o número de partidos pelos quais concorreram (1982-2004).
Em percentuais.
PARTIDOS CMSP CMRJ CMC CMG
1 65,4 42,4 31,6 52,8
2 ou mais partidos 34,5 57,6 68,4 47,2
TOTAL 100 100 100 100
Fonte: TRE-SP.
A Permanência dos Vereadores nos Partidos
Voltando à relação entre fidelidade aos partidos e vereadores paulistanos e
concentrando o foco nos titulares que tiveram dois (2) mandatos ou mais, dá-se a
conhecer o número de partidos pelos quais estes 81 titulares foram eleitos
65
. Das 14
organizações que elegeram vereadores em alguma eleição no período em questão (1982
a 2004), apenas o PRONA não elegeu qualquer vereador que tivesse sido eleito para
mais de um (1) mandato. As outras 13 tiveram ao menos um (1) preenchendo esta
condição. Por intermédio das 13 legendas, os 81 vereadores amealharam 210 vagas das
306 acumuladas em todos estes anos, correspondendo a 68,6 %.
Dos 13 partidos, seis (6) foram capazes de eleger a totalidade dos vereadores que
estiveram em suas fileiras por sua sigla (ou a maioria deles), que se revelam os
seguintes: PT, PDS/PPB/PP, PMDB, PSDB, PL e PC do B. As duas (2) legendas que
atingiram fidelidade absoluta foram sempre aliadas, mas com bancadas de tamanhos
muito distintos, a saber, o Partido dos Trabalhadores (PT) e o Partido Comunista do
Brasil (PC do B), com 49 vereadores e três (3) respectivamente (veja tabela 15 a
seguir).
As outras quatro (4) legendas tiveram fidelidade parcial e variável. O PSDB
(Dalton Silvano do Amaral e Gilson de Almeida Barreto), o PMDB (Jooji Hato), o PL
(José Viviane Ferraz) e o PDS/PPB/PP (Wadih Jorge Mutran) se constituem nos
65
- Compreensivelmente os titulares de apenas um (1) mandato foram excluídos, pois não teriam como ser eleitos por
mais de um partido.
70
partidos que tiveram ao menos um (1) vereador eleito para três (3) mandatos e sempre
pela mesma sigla.
As outras sete (7) legendas (PFL, PDT, PPS, PV, PSD e PSB) tiveram sempre
fidelidade negativa (-1,00) (vide tabela 15 a seguir). Não por acaso foram agremiações
que elegeram representantes para no máximo quatro (4) legislaturas e com no máximo
quatro (4) edis simultaneamente (PFL).
De maneira geral as maiores siglas são também aquelas que obtém os maiores
índices de fidelidade. Seguramente que o conhecimento mais acurado sobre a
capacidade de retenção de cada partido exigiria conhecer todas as candidaturas de todos
os partidos que elegeram representantes nestes anos, mesmo os eleitos para um (1)
mandato apenas, mas desde que o eleito tivesse se candidatado outra vez, pois muitos
vereadores trocam de partidos e não se elegem. Essa possibilidade não foi captada pelos
dados coletados e aqui disponibilizados, embora tal limitação será parcialmente
contornada nas páginas seguintes deste capítulo.
Tabela 15
Partidos Políticos pelos quais Vereadores com 2 ou mais
Mandatos concorreram às eleições de 1982 a 2004
(ordem decrescente)
PARTIDO 1 2 3
SUBTOTA
L
FIDELIDAD
E
PT 49 0 0 49
1,00
PC do B 3 0 0 3
1,00
PMDB 26 11 2 39
0,67
PSDB 18 7 4 29
0,62
PDS/PPB/PP 25 14 4 43
0,58
PL 6 1 4 11
0,54
PTB 8 11 2 21
0,38
PFL 0 5 2 7
-1,00
PDT 0 2 0 2
-1,00
PPS 0 1 1 2
-1,00
PV 0 0 2 2
-1,00
PSD 0 1 0 1
-1,00
PSB 0 0 1 1
-1,00
PRONA 0 0 0 0
Não Procede
TOTAL 135 53 22 210
Em % 64,3 25,2 10,5 100
Fonte: TRE-SP. * considerados um partido apenas.
Observação: 210 vagas representam 68,6% das 306 acumuladas no período.
Fidelidade – Vai de 1,00, quando a Coluna 1 abarca todos integrantes até – 1,00 quando
As colunas 2 e 3 somadas representam todos integrantes.
71
Importa reconhecer de posse de tais dados, como já foi feito no capítulo anterior,
que a migração partidária se constitui em fator que afeta marginalmente a reeleição, tal
como foi observado em pesquisa referente à Câmara dos Deputados (SCHMITT:1999).
Ou seja, deputados que permanecem nos mesmos partidos têm elevado índice de
reeleição, enquanto a troca de legendas não tem sido fator que a assegure de forma
generalizada. Fato semelhante se verifica na CMSP
66
.
Em relação ao partido com maior número de representantes e também de maior
fidelidade, o PT, a sigla conseguiu eleger as prefeitas de São Paulo (Luíza Erundina em
1988 e Marta Suplicy em 2000) em duas (2) oportunidades ao longo destas seis (6)
legislaturas (embora de forma não consecutiva), fato esse que não pode ser
desconsiderado para explicar o(s) motivo(s) da permanência do vereador em uma
mesma legenda, porque o partido que se encontra no governo (ou que mostra grande
viabilidade de vir a conquistá-lo) tende a atrair ou a manter mais seus membros que se
encontram no parlamento
67
.
O PDS/PPB/PP, segundo maior entre os que elegeram vereadores com dois (2)
ou mais mandatos, também elegeu dois (2) prefeitos de São Paulo (Paulo Salim Maluf
em 1992 e Celso Roberto Pitta do Nascimento em 1996). Apesar disso, seu índice de
fidelidade fica atrás do PMDB e do PSDB. Ainda assim, não se pode perder de vista
que o controle do Poder Executivo se constitui para esta legenda em um freio na
infidelidade, que tende a ser acentuada na medida em que este partido fica de fora do
governo. Na condição de agremiação que reuniu parte significativa dos membros que
apoiaram o regime militar instaurado em 1964 (a antiga ordem política), é
compreensível que o PDS/PPB/PP fique atrás das organizações mencionadas.
Terceira maior bancada ao longo das legislaturas, PMDB não elegeu prefeito
algum, mas ficou com o segundo maior índice de fidelidade. Entretanto, os primeiros
chefes do Poder Executivo do período examinado pertenceram às suas fileiras (Altino
Lima, por pouco mais de dois meses, e Mário Covas, até dezembro de 1985), como
66
- Em levantamento para a 50ª legislatura da Câmara dos Deputados (1995-1999), observa-se que 233 parlamentares
(45,4 %) de um total de 513 jamais trocaram de partido entre 1980 e 1994, formando este grupo a maior minoria
(NICOLAU:1996).
67
- Como se afirma em pouco adiante, o partido que está no comando do Poder Executivo de outros níveis de
governo pode influenciar a permanência do parlamentar em seu partido, pois há uma forma de compensação.
72
também o governador do Estado de São Paulo, que indicou os prefeitos, e, se constituiu
no partido principal na transição do regime autoritário para o democrático, elegendo o
presidente da República, ainda que indiretamente e mesmo sendo o vice de um partido
aliado que viria mais tarde a migrar para a legenda
68
.
O PSDB que ficou em terceiro lugar em termos de fidelidade e quarto no
tamanho da bancada conseguiu eleger o prefeito de São Paulo (José Serra) somente em
2004, quando se formaria a 14ª legislatura, fato este que sugere em uma leitura
superficial que a conquista do Poder Executivo não terá sido fato determinante na
escolha e/ou permanência no partido
69
. Não obstante, compensando esta lacuna, o PSDB
governara o Estado de São Paulo em duas gestões sucessivas concluídas (1995-1998 e
1999-2002) e uma terceira em curso (2003-2006), fato este que seria, também,
importante fator de atração para a permanência na mesma sigla. A legenda teve,
também, a presidência da República em dois mandatos consecutivos (1995-1998 e
1999-2002). Diante desta evidência, torna-se admissível que o acesso aos cargos da
administração pública direta e indireta pode ter sido elemento para estimular a
permanência sob esta legenda (vide tabela 16 nas páginas seguintes).
PTB e PL tiveram situações trocadas. O primeiro elegeu maior bancada de edis
com 2 mandatos ou mais que o PL, mas foi o segundo que teve o melhor índice de
fidelidade entre ambos. Das duas (2) legendas, o PTB elegeu prefeito em 1985 (Jânio da
Silva Quadros), embora fosse ele personagem reconhecidamente sem vínculos
partidários. Não obstante, o PTB contava com bancada importante desde o início da
legislatura. A situação do PL é distinta, porque não conseguir eleger um prefeito nas
duas décadas, embora tenha apoiado a vários deles do PTB, do PDS/PPB/PP, e do
próprio PT
70
.
Finalmente, o PFL é o caso de maior fragilidade dentre as grandes bancadas e
das que elegeram vereadores para mais de um mandato. Sua fidelidade é negativa; o
68
- Como se havia mencionado anteriormente, a 9a legislatura foi atípica para o período por dispor de mandato de
seis anos, sendo que a sua primeira metade (1983-1985) conviveu com o prefeito nomeado, que era do PMDB e a
segunda (1986-1988) com o prefeito eleito, Jânio Quadros, do PTB.
69
- Importante considerar também, para explicar a expressão numérica da agremiação, que o PSDB foi fundado em
meados de 1988 quando a 9ª legislatura já se encontrava em seus últimos meses.
70
- Em 1992, o PFL teve sua legenda impedida de participar das eleições, por decisão do TRE-SP, em conseqüência
da tentativa de filiação do apresentador e concessionário de televisão, Sílvio Santos, que se colocava como pré-
candidato a prefeito do partido e teve sua chapa impugnada, bem como a de vereadores.
73
único caso dentre os grandes. Em termos oficiais, não elegeu prefeito, tal como o PL,
mas igualmente a sigla mencionada também apoiou mais de um prefeito.
Embora o controle do Poder Executivo tenha sido analisado como principal
dimensão a explicar a permanência ou migração partidária do vereador, o controle da
direção do próprio Poder Legislativo também pode aumentar a consistência da análise,
uma vez que seus recursos de poder foram bastante incrementados a partir da
promulgação da CF, procedimento este que será desenvolvido no capítulo VI.
Desempenho Eleitoral de Vereadores com Maior Número de Mandatos
A compreensão a respeito da permanência ou migração partidária e sua
conseqüência eleitoral fica mais clara quando se destaca a evolução de votos de oito (8)
vereadores paulistanos com maior número de mandatos, à razão de 10 mil eleitores.
Três (3) deles (Jooji Hato PMDB, Arselino Tatto e Devanir Ribeiro PT)
concorreram sempre pelo mesmo partido e sempre asseguraram a reeleição ainda que
em contextos de grande variação de votos para cada um.
Cinco (5) outros vereadores mudaram de partido, em contextos diferentes e
apresentando resultados diferentes. Nas duas (2) primeiras votações em que
concorreram (1982), Wadih Mutran e José Viviane Ferraz não foram eleitos (ambos
pelo PMDB). Ferraz migrou para o PL pelo qual se elegeu no pleito seguinte e no
mesmo permaneceu até a mais recente eleição, quando ficou na suplência (apesar de
aumentar sua votação nominal). Mutran migrou para o PFL em 1988, mas continuou
suplente e somente logrou êxito concorrendo pelo PDS/PPB/PP, seu terceiro partido a
partir de 1992, do qual não saiu. Por sua vez, o veterano Brasil Vita trocou uma (1) vez
de partido e obteve retorno positivo na eleição imediatamente posterior (do PTB para o
PDS/PPB/PP), mas ficou suplente na que se sucedeu (2000). Roberto Trípoli
concorreu por três (3) agremiações; PMDB, PV e PSDB, conquanto no seu segundo
partido, a disputa tenha se dado em coligação com o seu terceiro partido, para o qual
migrou no pleito seguinte. Por último, Antonio Paiva Monteiro (Toninho Paiva), que
também concorreu por três (3) partidos, embora dois (2) diferentes (tabela 16 a seguir).
74
Tabela 16
Desempenho Eleitoral de 8 Vereadores da CMSP com mais mandatos (1982-2004)
(Votos obtidos a cada 10.000 eleitores)
CANDIDATOS (e) 1982 (e) 1988 (e) 1992 (e) 1996 (e) 2000 (e) 2004
P
Jooji Hato 120 33 23 50 34 38
1
Wadih Mutran * 47 28 35 86 32 45
3
Brasil Vita * 471 44 25 50 27
2
Arselino Tatto 23 30 39 64 94
1
Devanir Ribeiro 31 27 33 57
1
Roberto Trípoli * 32 32 50 57 74
3
José Viviane Ferraz 14 30 42 28 35
1
Toninho Paiva * 22 92 36 59
3
Fonte: TRE-SP.
Brasil Vita não conseguiu ser reeleito em 2000; Devanir Ribeiro foi eleito deputado federal em 2002.
* Trocou de partido. P - Total de Partidos pelos quais concorreu
Titulares com mais de um mandato em cada legislatura da CMSP
Com o propósito de se adentrar ainda mais no grau de relação existente entre os
partidos políticos e os vereadores com mais de um (1) mandato, procurou-se conhecer
em cada legislatura eleita (de 1982, 9ª, a 2004, 14ª) o número de titulares com dois (2),
ou mais mandatos comparando-os aos partidos pelos quais disputaram. Ao se levar em
conta cada legislatura, insere-se na análise as características políticas de cada
conjuntura, que permitem enxergar se determinadas particularidades podem ou não
afetar o resultado final.
O PT, que na tabela 15, se revelara como a organização com maior nível de
fidelidade, aparece aqui como uma das que mais dispõe de edis com dois ou mais
mandatos a cada legislatura, à exceção da e da 14ª, eleições em que ficou em terceiro
lugar, e, em certa medida da 12ª, quando fica em segundo (vide tabela 17 a seguir). O
movimento do PT confirma que a organização se tornou uma das principais forças
políticas, bem como seus integrantes adquiriram maior experiência e, assim,
conseguiram assegurar a reeleição de seus principais titulares, embora com forte queda
na 14ª.
Portanto, fica claro a partir da leitura da tabela 17 seguinte que os grandes
partidos são também aqueles que dispõem de maior capacidade de retenção dos
vereadores reeleitos, capacidade esta, todavia, que se altera sob o desenho das
conjunturas específicas que se apresentam à época da eleição para cada legislatura.
Outra evidência é que as duas legislaturas das extremidades, a (eleição em 1982) e a
75
mais recente, 14ª (2004), são as de menor proporção no conjunto das vagas obtidas
pelos partidos em relação a esses vereadores. A legislatura se tratava de uma
legislatura inaugural de um novo período, a despeito de não existir qualquer proibição
para os titulares das anteriores disputarem mandatos. Entretanto, o quadro
multipardiário efetivamente começou a partir daí.
A 14ª legislatura, porém, pode revelar certa mudança na conjuntura política, na
qual o PSDB passa a ser o partido político que mais cresce, embora sem se tornar
majoritário sozinho, porém, com a particularidade de reter seus quadros no plano
municipal. o PT, embora deixe o comando do Poder Executivo municipal, havia se
tornado o partido que conquistou a Presidência da República, o que estimulou seus
representantes mais antigos a disputarem com êxito mandatos legislativos em níveis
estadual e nacional.
O PMDB, que também foi uma das principais organizações no município,
apresentou queda a partir da 10ª legislatura com pequena inflexão na 11ª, para depois
cair bruscamente na 12ª e assim se estabilizar nas duas seguintes.
Devido a extensão das informações arroladas nas tabelas 15 e 17 principalmente,
vale relembrar que ao se trabalhar com os representantes populares com dois ou mais
mandatos, não se está fazendo afirmação definitiva sobre crescimento ou encolhimento
das bancadas, mas sim procurando destacar suas forças, uma vez que vereadores de uma
mandato somente não disporiam, em um primeiro momento, da mesma capacidade de
influir no processo decisório que os demais.
E, por último, como se havia demonstrado na tabela 15, a eleição do prefeito
está diretamente associada à capacidade dos partidos elegerem as maiores bancadas e de
retenção de parlamentares não apenas em seus quadros, mas também na CMSP.
Contudo, a particularidade oferecida pela tabela 17 é a de que a derrota do partido na
eleição para prefeito coincidiu com a drástica diminuição da bancada experiente na
câmara
71
.
Tabela 17
71
- A diminuição não se deve somente à derrota, mas como foi dito atrás, à decisão anterior de vereadores do PT
disputarem com êxito vagas na ALESP e na CD.
76
Vereadores com 2 ou mais mandatos segundo os partidos
pelos quais se elegeram em cada legislatura (1982-2004).
(ordem decrescente)
PARTIDO 9a 10a 11a 12a 13a 14a TOTAL
EM %
PT 3 10 10 10 12 4 49
23,3
PDS/PPB/PP 4 6 11 16 5 1 43
20,5
PMDB 10 8 9 4 4 4 39
18,6
PSDB 0 5 4 4 8 8 29
13,8
PTB 4 5 4 0 3 5 21
10,0
PL 0 2 3 2 2 2 11
5,2
PFL 0 4 0 0 1 2 7
3,3
PC do B 0 0 1 1 1 0 3
1,4
PPS 0 0 0 0 0 2 2
1,0
PV 0 1 0 0 0 1 2
1,0
PDT 0 0 0 1 0 1 2
1,0
PSD 0 0 0 0 1 0 1
0,5
PSB 0 0 1 0 0 0 1
0,5
TOTAL
100
EM % 10,0 24,3 20,5 18,1 17,6 14,3 100
* Tratados como um partido apenas.
Maiores Partidos, Mais Mandatos
A seguir, efetua-se nova comparação dispondo da igual preocupação de
incrementar o controle sobre a relação entre partidos políticos e o número de mandatos
de seus integrantes. No presente caso, contudo, leva-se em conta a proporção de cada
legenda na distribuição das vagas obtidas tanto para os vereadores paulistanos com um
(1) e com dois (2) e mais mandatos, porém sem destacar cada legislatura
individualmente.
Observa-se com nitidez que os maiores partidos são, de maneira geral, tantos os
que dispõem de vereadores com mais de um (1) mandato quanto os que os têm em
apenas um (1). Aos grandes partidos da Câmara Municipal coube a maioria das vagas
dos representantes populares com dois (2) ou mais mandatos (ver tabela 18 a seguir).
Até mesmo a ordem de colocação nas duas colunas é basicamente a mesma (1
mandato e dois ou mais). É o caso do PT, PDS/PPB/PP, PMDB, PSDB, PTB, PL e PFL.
Isto quer dizer que das 306 vagas disputadas no total de seis (6) legislaturas, nada
menos que 272 destas (ou seja, 88,8 %) foram conquistadas por estes partidos. Embora
a ordem de colocação seja igual, o peso percentual das maiores bancadas é bem maior
na coluna dos edis com dois ou mais mandatos na que dos com apenas um (1) (94,7%
77
contra 75,9%). Nos menores partidos ocorre exatamente o inverso, ou seja, a quase
totalidade das vagas é para vereadores que tiveram apenas um (1) mandato
72
.
Tabela 18
Vereadores com 1 mandato e com 2 ou mais mandatos segundo os partidos políticos
Pelos quais concorreram em cada legislatura (da 9ª a 14ª)
PARTIDO 1 M EM % 2 M OU MAIS EM %
TOTAL
DE VAGAS
OBTIDAS
EM %
PT 22
22,9
49
23,3
71
23,2
PDS/PPB/PP* 14
14,6
43
20,5
57
18,6
PMDB 11
11,4
39
18,6
50
16,3
PSDB 10
10,4
29
13,8
39
12,7
PTB 8
8,3
21
10,0
29
9,5
PL 6
6,2
11
5,2
17
5,6
PFL 2
2,1
7
3,3
9
2,9
SUBTOTAL
PDT 6
6,2
2
1,0
8
2,6
PC do B 5
5,2
3
1,4
8
2,6
PSB 4
4,2
1
0,5
5
1,6
PPS 3
3,1
2
1,0
5
1,6
PV 2
2,1
2
1,0
4
1,3
PRONA 3
3,1
0
0
3
1,0
PSD 0
0
1
0,5
1
0,3
SUBTOTAL 23
24,1
11
5,3
34
11,2
TOTAL
100 100 100
EM % 31,4 68,6 100
Fonte: TRE-SP. * incluindo os sucedâneos PPB e PP.
Os mais experientes da CMSP com os das outras câmaras municipais
Comparando-se os dados dos vereadores com dois (2) ou mais mandatos da
CMSP com os que se encontraram nas mesmas condições nas outras três (3) câmaras
aqui observadas, constata-se o peso deles para os maiores partidos em São Paulo e
dos demais municípios (vide tabela 19). Oito (8) agremiações foram consideradas haja
vista que se constituíram nas maiores na quase totalidade dessas maras, embora com
variações importantes em cada uma. Em quase todas as edilidades e em todas
legislaturas, os partidos que elegeram os prefeitos também se constituíram nas maiores
bancadas, conquanto tais maiorias nunca tenham sido absolutas, e, em alguns casos se
aproximaram dos partidos de oposição, ou até mesmo foram igualadas. É o caso da
72
- Nesta contagem estão sendo incluídos os vereadores em primeiro mandato eleitos em 2004.
78
bancada do PSDB na 14ª legislatura da CMSP, que elegeu o prefeito, mas fez o mesmo
número de vereadores de principal adversário, o PT, o qual perdeu a reeleição (13
vereadores cada um).
Do que se observa, somente a pequena câmara de Caieiras tem percentual
próximo ao da câmara paulistana (62,2 % da primeira contra 65,5 da segunda),
enquanto a do Rio de Janeiro e Guarulhos ficam bem atrás (50,8 % e 51,1 %
respectivamente). O significado desta informação é o de que a importância eleitoral dos
principais vereadores ocorre dentro das principais agremiações para todos, mas com
representatividade muito mais ampla para São Paulo e Caieiras, uma vez que as maiores
legendas dispõem de maior participação nestes dois legislativos. Nas CMRJ e CMG não
houve tal conjunção, distribuindo-se de maneira razoavelmente equilibrada com os
menores partidos ou com os vereadores de um (1) só mandato nos grandes partidos.
Tabela 19
Vagas obtidas por vereadores com 2 ou mais mandatos
segundo os maiores partidos políticos das
CMSP, CMRJ, CMG e CMC (1982-2004).
Em percentuais sobre o total de vagas acumuladas
PARTIDOS CMC CMG CMRJ CMSP
PT 0 12,7 8,0 16,0
PDS/PPB/PP 16,7 3,4 4,0 14,0
PMDB 11,1 19,5 6,4 12,7
PSDB 5,6 2,7 4,4 9,5
PTB 4,2 5,4 5,6 6,7
PL 2,8 4,7 2,4 3,6
PFL 22,2 2,0 10,4 2,3
PDT 0 0,7 9,6 0,7
% MAIORES PARTIDOS 62,6 51,1 50,8 65,5
Fonte: TRE-SP, TRE-RJ e Fundação Seade.
Como a migração partidária é uma realidade de razoável expressão na política
brasileira em decorrência da conjugação de fatores institucionais (legislação partidária e
eleitoral) e culturais, bem como ao peso atribuído pela própria literatura especializada
ao fenômeno (SCHIMITT:1999), procura-se agora comparar todos os candidatos que
disputaram as eleições ao legislativo paulistano, conseguindo ou não ser eleitos. Ater-se
apenas aos titulares limita demasiadamente tal conhecimento uma vez que apaga
determinados espaços políticos, que podem ser de atuação dos atores.
79
Todas Candidaturas em 2000 e 2004
Não obstante, para que tal comparação seja segura, o levantamento foi limitado
aos pleitos de 2000 e 2004, que formaram as 13ª e 14ª legislaturas. Ampliar a
comparação para anos anteriores, apesar de ser o mais desejável, reduziria a sua
confiabilidade, porque aumentaria a discrepância entre as grafias de muitos nomes, os
quais expressavam-se apenas sob a forma de apelidos, tornando difícil seu manejo, ou
usavam sobrenomes de solteiro ou casados (o que alterava seu estado civil nas eleições
seguintes e, assim, subtraia-se ou agregava-se parte dos mesmos)
73
.
Assim, a observação de seis (6) combinações implica na seguinte realidade: a
grande maioria dos vereadores que disputou novamente em 2004 o fez pelo mesmo
partido (65,2 %), embora a maioria que assim procedeu, 16 (53,3 % de 30) não foi
reeleita. Este grupo representa 34,8 % do total dos que disputaram nestas duas eleições
(46) e que foram eleitos em pelo menos uma (1) destas. Ora, se a disputa pelo mesmo
partido resultou em fracasso para tal segmento, concorrer por outro o foi um mau
empreendimento (ver tabela 20).
E na outra extremidade, a realidade encontrada é a dos que disputaram por outro
partido e foram eleitos (2 candidatos, ou 4,3 %), ou seja, no pleito de 2000 eles ficaram
na suplência, trocaram de partido para o de 2004 e conseguiram se eleger. Somados a
outros sete (7) que trocaram de partido e foram reeleitos, sobe-se para nove (9) o
número dos que obtiveram êxito com tal procedimento, isto é, 19,6 %. Ligando este
grupo ao primeiro, o dos que não conseguiram se reeleger pela mesma agremiação,
chega-se a 54,3 % de candidatos para os quais a fidelidade partidária não parece o meio
mais eficaz para alcançar seu objetivo eleitoral.
Por outro lado, o tamanho do insucesso para os que trocaram de partido e não se
reelegeram ficou aquém da metade, sete (7), quando a comparação é feita com os que
permaneceram na mesma legenda (16) sem obter a reeleição, reforçando-se o que foi
dito acima. Portanto, em uma primeira interpretação dos dados, é possível afirmar que a
73
- Nas duas eleições, a soma de candidatos foi de 2.293. O número mais que dobraria a fim de se comparar com as
anteriores (de 1982, 1988, 1992 e 1996).
80
despeito da grande maioria ter sido fiel à legenda dentre os que se candidataram à
reeleição nas eleições de 2004, isto não propiciou alta taxa de êxito.
Tal achado não se contradiz com os dados anteriores os quais indicaram que a
permanência no mesmo partido permitiu à maioria dos vereadores se reeleger, uma vez
que se tratava somente dos titulares das seis legislaturas (1982-2004), enquanto na
tabela abaixo se trabalhou com dados referentes a todos os candidatos de somente duas
(2) eleições das mais recentes (2000 e 2004). As duas podem refletir questões
conjunturais. Além disso, a permanência na mesma agremiação não foi nada desprezível
para os reeleitos, embora se trate de uma minoria.
Tabela 20
Situação Eleitoral dos Candidatos na 14ª Legislatura em comparação a 13ª,
Segundo os partidos políticos pelos quais concorreram
Em 2000 e 2004
OPÇÃO PELO PARTIDO Versus
RESULTADO N Em %
Mesmo partido, não reeleito 16 34,8
Mesmo partido, reeleito 7 15,2
Mesmo partido, eleito* 7 15,2
MESMO PARTIDO 30 65,3
Outro partido, não reeleito 7 15,2
Outro partido, reeleito 7 15,2
Outro partido, eleito* 2 4,3
OUTRO PARTIDO 16 34,7
TOTAL 46 100
Fonte: TRE-SP.
* Eleitos são aqui definidos como os que foram suplentes na 13ª legislatura (2001-2004).
Observação: não estão incluídos suplentes nas duas legislaturas, que chegaram a exercer mandato, e mesmo se tornaram
titulares ao final, nem ex-vereadores em legislaturas anteriores, que não tenham sido suplentes ao menos na 13ª.
81
Este capítulo se propôs a explanar e problematizar os partidos políticos, únicas
organizações autorizadas por lei a oferecer acesso e continuidade na carreira política no
regime democrático brasileiro. Primeiro deu-se destaque ao quadro partidário vigente
em 1982 e o que se delineou a partir de então, pois as agremiações fundadas depois de
instaurada a legislatura (1983-1988) canalizaram para si certo número de
representantes populares tanto na CMSP como em outras câmaras brasileiras. Além
disso, os maiores partidos obtiveram, na câmara paulistana especialmente, os maiores
êxitos com os candidatos reeleitos, evento este que foi reforçado pelo fato das siglas na
capital paulista terem concentrado a maior parte dos representantes quando este é
cotejado aos demais legislativos municipais examinados. Todavia, a migração
partidária, uma das questões de grande preocupação para o fortalecimento da
democracia (embora tenha razoável grandeza na câmara paulistana), não se revelou tão
eficaz para a reeleição de seus titulares. Como os dados mostram, fidelidade às
agremiações de origem gera retorno eleitoral positivo, embora também se admitiu que
esta postura poderia estar associada à eleição de um prefeito do partido, ou, na ausência
deste, no fato de seu partido ser governo no Estado e na União. De qualquer forma, em
se considerando tão somente o poder executivo municipal, rios vereadores dos tipos
quase permanente e permanente permaneceram em seus partidos mesmo quando suas
legendas estavam na oposição aos prefeitos.
82
CAPITULO V
PROGRESSÃO INDIVIDUAL DOS VEREADORES DA 9ª LEGISLATURA
(1983-1988)
No presente capítulo será feita a análise da progressão individual dos 33
vereadores eleitos em 1982 para a Câmara Municipal de São Paulo (CMSP), que é a
legislatura equivalente ao início da redemocratização eleitoral do País, uma vez que
vários requisitos para o funcionamento do regime democrático estavam em vigor no
País, tal como foi discorrido no capítulo II (para o acesso a lista de vereadores da
Legislatura, vide tabela nos anexos). A escolha desta eleição deve-se em primeiro lugar
ao pressuposto aqui formulado de que a obtenção de uma vaga no início da
redemocratização do sistema político brasileiro favoreceria as opções políticas futuras
dos eleitos, seja em sua opção pela manutenção do mandato de vereador, quanto para
outros cargos eletivos, uma vez que o exercício de um mandato parlamentar confere
uma vantagem razoável em relação a quem não tem e quer tê-lo (veja tabela na página
seguinte). Nesta linha de argumentação, as condições políticas que presidiram a
formação da legislatura (1983-1988), isto é, de forte apelo popular dos partidos de
oposição ao regime militar, e, por conseqüência, ao prefeito indicado da época, iriam
influenciar o desenvolvimento da trajetória política dos vereadores.
Desse modo, examina-se no presente capítulo a idade dos vereadores que
compuseram a legislatura, uma vez que se trata de uma variável não política que pode
ajudar a compreensão das possibilidades e restrições da carreira em mais de duas
décadas (SCHLESINGER:1991), associadas às conjunturas políticas do município e
estaduais/nacionais. Coteja-se a legislatura com as anteriores, com o fito de
identificar a participação dos vereadores do período anterior na nova fase que se
inaugurava e as possibilidades de sobrevivência deles na carreira. Seguindo esta linha,
isolam-se os dois (2) vereadores das legislaturas anteriores que se reelegem para a 9ª.
Portanto, considerando o pressuposto acima formulado, decorrem as seguintes
hipóteses:
1) Reeleição e Progressão dos Vereadores de
Oposição ao Regime Militar e ao prefeito de
então
> Reeleição e Progressão dos Vereadores da
Situação
2) Idade dos Vereadores Reeleitos > Idade dos Vereadores Estreantes
83
3) Idade dos Vereadores de Apoio ao Regime
Militar
> Idade dos Vereadores de Oposição ao
Regime Militar
4) Idade dos Vereadores dos Partidos da Situação > Idade dos Vereadores dos Partidos da
Oposição
A Idade Predominante dos Vereadores da 9ª Legislatura
Para a melhor compreensão da observação anterior e das hipóteses formuladas,
deve-se considerar que no período compreendido pelo primeiro bimestre de 1983 ao
primeiro bimestre de 2005 quando assumiu a 14ª legislatura (2005-2008) -
transcorreram 22 anos, tempo suficiente para um jovem estar em plena maturidade, ou
alguém que tenha iniciado sua carreira na maturidade adentrar a terceira idade,
permitindo-se, assim, ampla compreensão sobre as possibilidades e vicissitudes de uma
carreira política. Mais do que isso, trabalhar com um período desta abrangência permite
entender a capacidade de recrutamento do poder legislativo municipal, e, saber com
maior profundidade em que medida os revezes eleitorais e as superações das
adversidades nas trajetórias de cada um se relacionam às conjunturas políticas
desenvolvidas, as quais, por sua vez, têm particularidades locais, mas interagem,
também, com as relativas às esferas estadual e federal.
Assim sendo, trata-se a questão etária dos componentes da CMSP como um fator
relevante para o entendimento do assunto. Ao se recorrer à idade dos titulares eleitos,
constata-se que a média de idade dos vereadores paulistanos era de 44 anos, embora a
faixa etária de maior freqüência fosse de vereadores entre 31 e 40 anos completos (10
de 33), ligeiramente abaixo do valor médio. Além de significar uma média
relativamente alta, nenhum deles tinha menos que 26 anos
74
quando tomou posse o que
significa que no início de 2005 o mais jovem já completara 47 anos (ver tabela 21 a
seguir), enquanto o mais velho um (1) vereador somente - que à época da posse tinha
62 anos estaria com 84 até fevereiro de 2005, quando começaria a funcionar a primeira
sessão legislativa da 14ª legislatura. Isto quer dizer que o ano de 2005 é mais do que
suficiente para que se possam desnudar os rumos tomados pelas carreiras de cada um.
74
- O vereador mais jovem daquela legislatura foi Gilberto Nascimento Silva (PMDB), atual deputado federal pelo
estado de São Paulo, que faria 27 anos em julho.
84
Diante dos dados apresentados, é possível afirmar que a composição etária
predominante da CMSP era de uma recém-entrada maturidade, fato este que rejeitaria a
hipótese enunciada. E no caso de se desejar classificar as faixas etárias em três (3)
grupos; de jovens (18 a 30), maduros (31 a 40) e mais velhos (41 em diante), o grupo
dos mais velhos seria o maior, com 19 vereadores.
Tabela 21
Idade Completa dos vereadores da 9ª Legislatura
Em Fevereiro de 1983
ANO N ACUMULADO
18-24 00 00
25-30 04 04
31-40 10 14
41-50 09 23
51-60 07 30
61-70 03 33
TOTAL
Fonte: arquivos pessoais do autor a partir da elaboração de questionários aos vereadores
A exposição acima não testou a hipótese formulada. Porém, os dados se tornam
nítidos quando os vereadores são divididos em dois outros grupos. Dividindo-se entre os
que se encontravam em seu primeiro mandato, e os que haviam sido reeleitos e/ou
tiveram outro mandato, a idade média dos estreantes (20 titulares) é bem inferior aos
dos antigos (13 titulares), assim como o mais jovem e o mais velho dentro de cada um
dos grupos (vide tabela 22). Ou seja, se os vereadores da Legislatura não eram
propriamente jovens, ao menos os que se encontravam debutando eram de idade inferior
aos antigos nas três (3) faixas verificadas.
Quando os vereadores são divididos entre os que apoiaram (9 titulares) e se
opuseram ao regime militar (24 titulares), os mesmos critérios indicam que as idades
inferiores se encontram entre os de oposição
75
. E, finalmente, no momento em que os
vereadores são separados nos quatro (4) partidos políticos que elegeram representantes
para a CMSP, fica evidente que o PT, como agremiação que era a novidade na vida
política brasileira, apresentava os vereadores mais jovens, seguido do PMDB, principal
partido de oposição ao regime, depois do PTB, que abrigava vereadores dos dois lados,
e, por último do PDS, com os vereadores mais velhos, os quais haviam estado ao lado
do regime.
75
- A divisão entre apoiadores e opositores foi feita dividindo-se entre os que foram filiados ao MDB e a ARENA.
85
Tabela 22
Idade Média dos Vereadores, Mais Jovens e Mais Velhos
Segundo o Mandato na 9ª Legislatura, a Posição em Relação ao Regime Militar
e o Partido Político
MANDATO MÉDIA MAIS JOVEM
MAIS
VELHO
Em 1o Mandato 40 26 59
Reeleito, ou titular legislatura anterior à 8ª 51 35 62
REGIME MILITAR
Apoio ao regime 41 35 62
Oposição ao regime 52 26 59
PARTIDO POLÍTICO
PT 38 30 48
PMDB 40 26 59
PTB 50 35 62
PDS 51 35 61
Fonte: Subsecretaria de documentação da CMSP.
Mulheres na CMSP
Como a legislatura seria aquela que viria a marcar nova fase da vida política
brasileira, dentro da qual os partidos de oposição assumiam compromissos políticos em
prol da valorização do sexo feminino, especialmente o PMDB e o PT, seria de esperar
uma participação importante delas dentre os titulares. Do resultado das urnas,
emergiram três (3) representantes do sexo feminino (quase 10 % da CMSP), todas
pertencentes às fileiras do PT, quando para a legislatura (1977-1982) somente uma
(1) havia sido eleita
76
. Em 1982, o PMDB conferiu razoável espaço para uma de suas
candidatas, Ida Maria Jancsó, mas esta ficou nas primeiras suplências. Entretanto, o
prefeito nomeado Mário Covas (PMDB) teria respeitado o compromisso do partido, que
se tornava então a bancada de sustentação parlamentar do governo e também a maior da
CMSP, com 15 integrantes. Desse modo, ele compôs o governo com alguns titulares de
forma a dar condições a ela de exercer a vereança por um largo período nos dois anos e
meio da legislatura em que esteve à frente da Prefeitura
77
.
A representação feminina na CMSP ficou pouco atrás da CMRJ, mas à frente de
Caieiras (CMC) e de Guarulhos (CMG), com uma edil (1) cada. A CMRJ elegeu quatro
76
- Todavia, é preciso considerar que na 8ª legislatura a magnitude da CMSP era de apenas 21.
77
- AVELAR (2002) chama a atenção para a permanência da desigualdade entre os gêneros na vida política da quase
todos Parlamentos de regimes democráticos a despeito dos avanços institucionais específicos observado nos últimos
anos. Para tal conclusão, ela valeu-se de dados da Interparliementary Union (IUP), mostrando que as mulheres
raramente ultrapassam 15 % na representação parlamentar.
86
(4) mulheres filiadas a quatro (4) diferentes partidos (PMDB, PT, PTB e PDS),
representando 12,1 % da Edilidade carioca.
Vereadores da Época do Regime Militar
A composição da legislatura (1983-1988) abrigou vereadores que haviam
estado na (1977-1982), a despeito da eleição de 1982 ser um marco eleitoral do
processo de redemocratização mediante a materialização de uma disputa desenvolvida
em ambiente de maior liberdade para os candidatos e os partidos políticos, e, assim,
ampliar a oportunidade dos que se candidatavam à câmara pela primeira vez
(especialmente dos integrantes dos partidos de oposição). Como foi dito no capítulo
precedente, nove (9) vereadores foram reeleitos, seis (6) dos quais haviam se abrigado
no partido que dava sustentação ao regime militar, a Arena, e três (3) deles no único de
oposição, o MDB.
A votação obtida por estes vereadores não deixa dúvidas de que a filiação
partidária teve grande impacto sobre o desempenho eleitoral, embora com sinal trocado
para os vereadores do PTB, agremiação esta que escapou da polarização entre PDS e
PMDB, que foi antecedida no período da legislação de exceção pela Arena e MDB. O
vereador Brasil Vita, com 60 anos completos, embora tivesse sido ardoroso integrante
da bancada da situação (Arena) durante o regime de exceção (e melhorasse o
desempenho em relação a si próprio quando comparado a 1976), foi o parlamentar mais
votado de 1982, como conseqüência de sua filiação PTB a qual desfez provavelmente a
identificação dele com o regime anterior que perdia popularidade. Foi o mais votado e
com larga superioridade sobre o segundo colocado, Almir Guimarães, que era da
oposição (MDB) e nesta permaneceu, mas filiado ao seu então principal partido, o
PMDB.
Tércio Chagas Tosta, colega de bancada de Vita, fez movimento inverso. Na
legislatura anterior foi eleito pela bancada de oposição (MDB) trocando-a pela do PTB
em 1982, mas com perda significativa de votos. Talvez, a diferença de votos a favor de
Vita possa ter como principal explicação a otimização do pouco espaço eleitoral que
sobrou para os candidatos associados ao regime militar, e o reconhecimento por parte
87
deste segmento do eleitorado de que era Vita o ator que encarnava a verdadeira situação
(ver tabela 23).
Para os vereadores que vieram da Arena e se filiaram ao PDS, seu sucedâneo, a
queda foi inapelável (de 38% para 18%), mas não impedindo a reeleição de alguns.
Caso emblemático é de Antonio Sampaio Teixeira, outro veterano da política, que
continuou a ser reeleito até morrer no exercício do mandato e pouco depois de ter sido
reconduzido ao cargo de presidente da CMSP.
Tabela 23
Desempenho eleitoral de 8 Vereadores Reeleitos para a 9ª Legislatura
(em ordem decrescente de votos de 1982)
VEREADOR PARTIDO-76 1976 PARTIDO-82 1982
VARIAÇÃO
82/76 EM %
João Brasil Vita Arena 90.325 PTB 215.827 138,9
Almir Guimarães de Oliveira MDB 45.854 PMDB 78.076 70,3
Eurípides Sales MDB 56.451 PMDB 56.926 0,9
Celso Toshito Matsuda Arena 60.968 PDS 49.229 -19,2
Antonio Sampaio Teixeira Arena 38.586 PDS 31.002 - 19,6
João Aparecido de Paula Arena 35.021 PDS 29.972 -14,4
Tércio Chagas Tosta MDB 38.201 PTB 28.942 -24,2
Aurelino Soares de Andrade Arena 37.265 PDS 25.863 -30,6
Fonte: TRE-SP.
Brasil Vita e Antonio Sampaio: dois casos raros de longa permanência
Desse modo, João Brasil Vita e Antonio Sampaio foram dois (2) representantes
populares que se mantiveram à frente da vida parlamentar paulistana, mais do que
quaisquer outros vereadores de legislaturas anteriores, ainda que estivessem no
contrafluxo do movimento político do início da legislatura e também das seguintes.
Entretanto, Brasil Vita o mais conseguiu a reeleição para a 13ª Legislatura (2001-
2004) e não voltou a concorrer para a eleição da 14ª. Quando faleceu, Sampaio se
encontrava no sétimo (7º) mandato consecutivo desde que fora eleito pela primeira vez
(1964-1969), embora tivesse sido suplente em outra legislatura (1956-1959). Por sua
vez, Vita completou 10 mandatos consecutivos desde sua primeira eleição em 1960 (4ª
legislatura), até ser relegado a distante oitava (8ª) suplência na 13ª legislatura (2001-
2004), quando concorreu pelo PDS/PPB/PP
78
.
78
- Ambos ficaram como suplentes na eleição de novembro de 1968, que elegeu a 6ª legislatura (1969-1973), já sob a
égide do bipartidarismo, mas assumiram inúmeras vezes desde o início e se tornaram titulares a partir de sua metade.
88
Em sua última experiência eleitoral, Vita estaria agora no fluxo certo, ou seja, do
que acompanhava a queda de popularidade da CMSP em virtude das rias e profundas
denúncias que se abateram sobre a instituição, culminando em cassações de colegas.
Provavelmente, Vita e Sampaio são os únicos representantes fidedignos do tipo
permanente enquanto carreira política, desde que as legislaturas anteriores (1ª a 8ª)
sejam contadas.
Em comum, os dois (2) vereadores tiveram importantes oscilações no
desempenho eleitoral em suas carreiras, oscilações estas que tiveram seu ponto
culminante com forte decréscimo em suas últimas eleições, tal como se depreende ao se
observar os votos absolutos e percentuais de ambos sobre o eleitorado inscrito (somente
de determinados anos com dados disponíveis). Para Vita esta volatilidade foi bem mais
acentuada em conseqüência de uma votação excepcional ocorrida em 1982, ano que
daria início à legislatura (1ª do período aqui em questão), na qual amealhou 215 mil
votos. Em termos absolutos, a melhor votação de Sampaio se passou em 1972, para
formar a legislatura, e foi bem mais discreta em sua distribuição geral. Na
oportunidade, ele obteve mais de 45 mil sufrágios, enquanto a melhor de Vita foi (vide
tabela 24).
Tabela 24
Desempenho eleitoral de Brasil Vita e Antonio Sampaio em diversas eleições
Para a CMSP, na condição de suplentes e titulares
VOTAÇÕES ANTONIO SAMPAIO
%
ELEITORADO BRASIL VITA
%
ELEITORADO
1955 3.263 -
1959 - 4.580
1963 5.347 5.196
1968 20.214 18.959
1972 45.881 76.925
1976 38.586 1,30 90.325 3,04
1982 31.002 0,68 215.827 4,71
1988 38.719 0,70 24.515 0,44
1992 16.317 0,26 15.263 0,25
1996 34.032 0,50
2000 19.066 0,27
MÉDIA 24.916 0,73 50.469 1,54
DP 15.008 61.603
Fonte: TRE-SP. DP – Desvio Padrão
Observações: informações não disponíveis para eleições anteriores.
Finalmente, Vita e Sampaio fizeram parte da minoria de vereadores que
influenciaram os rumos da CMSP durante várias legislaturas e, conseqüentemente,
89
tiveram forte influência nos destinos do Poder Executivo municipal, como será tratado à
frente em relação aos dirigentes da câmara nestes anos
79
.
Em relação à progressão individual dos membros da legislatura, cinco (5) dos
titulares eleitos em 82 (12 %) não disputaram a reeleição de 1988, sendo quatro (4)
eleitos pelo PMDB e uma pelo PT. Do grupo, dois (2) se elegeram para o cargo de
deputado estadual no ano de 1986 (Luíza Erundina de Souza, PT; e Getúlio Kiyotomo
Hanashiro, PMDB), um foi indicado conselheiro do TCM ao final da legislatura
(Eurípedes Sales), outro decidiu apoiar seu irmão (Ricardo Trípoli) para depois ser
candidato a deputado estadual e outro admitiu à imprensa anos mais tarde que a política
não era seu objetivo principal (José Maria Rodrigues Alves, ex-jogador profissional de
futebol pelo Corinthians e da seleção brasileira
80
).
Sobrevivência e Mortalidade Política dos Vereadores da 9ª Legislatura
Desse modo, dos cinco(5) titulares dois (2) se mantiveram na vida pública
eleitoral, embora não mais em atividade no plano municipal. Com a exclusão desse
grupo, a continuidade na Câmara Municipal de São Paulo (CMSP) seria possível para
um máximo de 28 representantes, que viriam disputar a reeleição em 1988 (veja a
tabela 25 na página seguinte).
79
- Não há estudos que investigaram os vereadores mais influentes da CMSP. Entretanto, minha longa experiência no
acompanhamento das atividades da câmara paulistana, de ter trabalhado, de ler e ouvir seus pares falarem sobre
ambos, bem como as entrevistas realizadas para a pesquisa de mestrado, autorizam tal afirmação (MALUF:1993).
80
- Entrevista concedida a jornalista Marta Teixeira, da GazetaEsportiva.Net, para a coluna Por Onde Anda, e
publicada em 20 de outubro de 2003. Todavia, a despeito dele ter declarado sua desistência antes da reeleição, seu
nome foi inscrito na chapa do PMDB, de acordo com o TRE-SP e recebeu votos.
90
Tabela 25
Vereadores eleitos titulares em 1982 e
reeleitos titulares para as legislaturas seguintes
(ordem alfabética)
N
ELEITOS NA 9ª LEGISLATURA 10a 11ª 12a 13ª 14ª MANDATOS
1.
Albertino Alves Nobre S 2
2.
Alfredo Martins 1
3.
Almir Guimarães de Oliveira S S 3
4.
Antonio Carlos Fernandes 1
5.
Antonio Sampaio Teixeira S S 3
6.
Arnaldo de Abreu Madeira S S 2
7.
Aurelino Soares de Andrade S 2
8.
Avanir Duran Galhardo S 1
9.
Celso Toshito Matsuda 1
10.
Cláudio Barroso Gomes 1
11.
Eurípides Sales ÑD 1
12.
Francisco Altino Lima S 2
13.
Francisco dos Santos B. Filho 1
14.
Gabriel Martins Ortega S 2
15.
Getúlio Hanashiro ÑD 1
16.
Gilberto Nascimento Silva S S 3
17.
Irede Cardoso S 2
18.
Jamil Achoa S 2
19.
João Aparecido de Paula S 2
20.
João Brasil Vita S S S 4
21.
João Carlos Alves S 2
22.
Jooji Hato S S S S S 6
23.
José Luis B. de Andrade Figueira S 2
24.
José Maria Rodrigues Alves ÑD 1
25.
José Ricardo N. A. Trípoli 1
26.
Luiz Tenório de Lima 1
27.
Luíza Erundina de Souza ÑD 1
28.
Marcos Ribeiro de Mendonça S S 3
29.
Mario Masanobu Noda S 2
30.
Nelson Guerra Jr. S 2
31.
Tércio Chagas Tosta 1
32.
Tereza Cristina de Souza Lajolo S 3
33.
Walter Meyer Feldman S 2
Fonte: TRE-SP.
S – Sim, foi reeleito para a CMSP. ÑD – Não Disputou a reeleição.
91
Em primeiro lugar, a cada nova eleição, a permanência na CMSP dos eleitos em
1982 é reduzida (ver tabela 26). Já na legislatura seguinte (10ª, de 1989 a 1992), 19
vereadores foram reeleitos (57,5 %), representando ainda a maioria dos titulares. Mas a
queda foi abrupta a partir daí e chegou na 13ª legislatura a somente um (1) vereador, ou
seja, 1,8 % dos 33 titulares de 1982, repetindo-se o mesmo vereador na 14ª. Assim, no
decorrer de pouco mais de duas décadas, apenas um (1) vereador se manteve na câmara
paulistana afastando-se, em princípio, a idéia de que o poder municipal dificulta a
renovação devido a práticas fisiológicas dos titulares e a outros fatores. Apesar das
respostas que foram dadas no capítulo anterior, ainda fica em aberto a questão se o alto
índice de renovação se em conseqüência da pouca atratividade da CMSP como um
lugar para se fazer a carreira política, ou pela intensa disputa eleitoral, a qual deixou
pelo caminho a maioria. Como ainda quase tudo a ser respondido sobre seu inverso,
ou seja, o motivo que leva alguns poucos a buscarem na CMSP sua carreira política.
Tabela 26
Permanência dos Vereadores Titulares da 9ª Legislatura Reeleitos para as Seguintes
Permanência 10ª 11ª 12ª 13ª 14ª
Número Absoluto 19 6 2 1 1
Em % com base nos 33 57,5 18,2 6,1 3,0 3,0
Em % com base do total de vagas 35,8 10,9 3,6 1,8 1,8
% de Redução em relação aos 33 42,4 81,8 93,9 97,0 97,0
Fonte: TRE-SP.
Antes de se conhecer a progressão dos vereadores de 1982 ao longo de 22 anos,
deve-se ter presente que outros quatro (4) vereadores da legislatura faleceram neste
percurso, mais precisamente em um espaço de onze (11) anos que vai de 1989 a 2000,
todos já tendo completado os 60 anos. Francisco Altino Lima, ex-prefeito interino em
1983 e ex-presidente da CMSP; no ano de 1989. João Aparecido de Paula, ex-secretário
municipal de Habitação na última gestão do ex-prefeito Jânio da Silva Quadros, morreu
em 1992; Antonio Sampaio, ex-presidente da CMSP por mais de um mandato, faleceu
no final de 1993 após ter sido reconduzido para mais um ano à frente da direção do
legislativo paulistano. Finalmente, Irede Aparecida Cardoso, que se reelegeu em 1988
(10ª legislatura), mas o mais a partir da 11ª legislatura (1993-1996), faleceu em
dezembro de 2002, quando já estava totalmente afastada da política.
92
Ou seja, apenas Irede Cardoso se encontrava fora da atividade política e de
qualquer cargo público quando perdeu a vida, enquanto os outros três exerciam a
vereança. Assim, com o falecimento desses quatro (4) vereadores eleitos em 1982, o
ano de 2004 se caracteriza como fator de análise para a trajetória de no máximo 29
vereadores
81
.
Muito Pouco Espaço e só para a Oposição
Após duas décadas, a situação eleitoral mais recente dos eleitos em 1982,
considerando-se os pleitos de 2002 (eleições gerais) e 2004 (municipais) revela de
forma incontrastável, como se observará nas páginas seguintes, que a efetiva
longevidade política (eleitoral ou por cargos de nomeação) foi possível para os
vereadores que se elegeram pelos partidos claramente de oposição ao regime militar
(PMDB e PT), os quais faziam sua estréia na CMSP, e mesmo assim não para todos.
A situação é a seguinte: oito (8) deles (24,2 %) contam com mandato eleitoral,
ou são suplentes. Cinco (5) deles (15,1 %) são deputados estaduais e federais titulares,
dois (2) são suplentes de deputado (6,1 %) e um (3 %) é vereador. Excluindo-se os
suplentes, a permanência em cargos eleitorais depois de duas décadas é de 18,1 %. Sem
exceção, todos eles iniciaram suas trajetórias eleitorais a partir da eleição de 1982 para a
CMSP (vide quadro 3 seguinte).
Dos oito (8) vereadores que estavam investidos de algum mandato popular até o
ano de 2004, apenas um parlamentar e exatamente uma mulher, a deputada estadual
Luiza Erundina de Souza, alcançou antes disso um cargo eleitoral executivo; o de
prefeito de São Paulo, vencendo a segunda disputa pelo voto popular desde que esse
direito foi restabelecido com a eleição de 1985
82
. Importante fazer esta menção, porque
o cargo de prefeito ao lado do deputado estadual - é o que vem logo depois do de
vereador nos municípios de pequeno e médio porte na perspectiva da progressão da
carreira, situação esta que se revela bem diferente nas metrópoles em geral e na de São
81
- Desde que nenhum outro tenha falecido, uma vez que até a redação do presente capítulo não foi possível detectar
o paradeiro de pelo menos quatro ex-vereadores, seja recorrendo a própria CMSP, jornais, ou outras fontes de
informação.
82
- Não é pequeno o significado político de apenas um (1) ex-vereador em um total de seis (6) ter disputado e
vencido eleição para o cargo de prefeito municipal, quando foram realizadas seis (6) eleições desde o
restabelecimento deste direito até o ano de 2004. Sobre isto já se tratou no capítulo I e sobre os candidatos veja tabela
nos anexos.
93
Paulo em especial, pois o grau de importância do cargo de prefeito não encontra rival
direto em todo o País devido às implicações para a política em suas esferas estadual e
nacional. Portanto, em decorrência da relevância deste cargo, o capital político de quem
será selecionado pelos principais partidos para disputar o cargo precisa ser muito
grande, o que parece pouco provável de ser obtido tão somente com a experiência de um
vereador ou ex-vereador.
Quadro 3
Situação Eleitoral mais Recente dos Titulares da 9ª Legislatura da CMSP (1983-1988)
(Eleições de 2002 e 2004)
ELEITOS NA 9ª LEGISLATURA (1)
SITUAÇÃO MAIS RECENTE
Arnaldo de Abreu Madeira
Deputado Federal pelo estado de São Paulo (licenciado do cargo).
Gilberto Nascimento Silva
Deputado Federal pelo estado de São Paulo em 2002
Jooji Hato
Vereador na CMSP em 2004 (14ª Legislatura).
José Luis Bellegarde de Andrade Figueira
Suplente de Deputado Estadual em São Paulo em 2002.
Walter Meyer Feldman
Deputado Federal pelo estado de São Paulo (licenciado do cargo) em 2002.
Getúlio Kyotomo Hanashiro
Suplente de Deputado Estadual em São Paulo em 2002.
José Ricardo Nazelli Alvarenga Trípoli
Deputado Estadual em São Paulo em 2002.
Luíza Erundina de Souza
Deputada Federal pelo estado de São Paulo em 2002.
Fonte: TRE-SP, CMSP, ALESP, Câmara dos Deputados. (1) Todos foram eleitos em 1982 pelos partidos de oposição ao
regime (PMDB, e um PT).
Jooji Hato
A trajetória de Jooji Hato exige uma atenção especial na medida em que ele foi o
único vereador a permanecer na CMSP nas seis (6) eleições disputadas, concorrendo
sempre pelo mesmo partido; o PMDB. Nunca esteve entre os vereadores mais bem
votados da CMSP e apenas em uma (1) oportunidade foi o de melhor posição entre os
colegas de partido (1996, 12ª legislatura). Em todos estes anos, ele não ocupou jamais
quaisquer cargos no Poder Executivo, seja no âmbito do município de São Paulo, do
estadual ou federal, apesar de ter apoiado alguns governos e indicado nomes de sua
confiança para ocupar cargos de confiança. Portanto, é preciso saber se o Poder
Legislativo paulistano foi sua única meta nestes anos, ou somente aquilo que pôde
alcançar.
A julgar por suas decisões eleitorais, Hato o se conformou ao mandato de
vereador. Nesse lapso de tempo, disputou outras três (3) eleições sendo duas (2) para
deputado estadual e uma (1) para senador da República. Pode-se afirmar que o mandato
de deputado estadual é um objetivo plenamente viável para os vereadores damara de
94
um grande município, especialmente a da maior do País. Mas o mesmo não acontece
com o de senador da República, uma vez que este mandato exige condições especiais
por se tratar de uma eleição majoritária, tal qual a de um governador, que tem todo o
estado como circunscrição eleitoral.
Assim, faz sentido supor que a decisão de Hato em concorrer a deputado
estadual (1990 e 2002) visasse efetivamente uma vaga no Poder Legislativo paulista,
mas a de senador (1998) indica possivelmente duplo objetivo e de outra natureza, qual
seja, atender interesse de seu partido - o PMDB que tinha dificuldade de encontrar
candidatos de maior projeção que se arriscassem a perder reeleição quase certa para a
Câmara Federal devido à legenda não ser a principal força política no estado. Ao
mesmo tempo, Hato ampliaria o conhecimento de seu nome com vistas à próxima
eleição municipal daí a dois (2) anos, com um espaço garantido no horário eleitoral que
nenhum candidato a vereador dispõe ao pleitear vaga na câmara municipal
83
.
Nas eleições proporcionais em que participou da disputa, a votação de Jooji Hato
sofreu significativas alterações. Porém, faça-se a ressalva que a disputa de 1982
apresentou situação bem diferente das demais afetando de forma generalizada aos
candidatos, seja porque poucos candidatos disputaram, como também poucos partidos, e
a magnitude da CMSP era de apenas 33. Assim, quase todos vereadores eleitos naquele
ano e reeleitos para os próximos tiveram queda de votação nos pleitos subseqüentes. As
oscilações para Hato se deram tanto nos votos absolutos, quanto nos percentuais sobre o
eleitorado inscrito.
No critério de voto percentual com base no eleitorado se permite evitar o risco
de engano que é tão comum quando se miram apenas os números absolutos, uma vez
que ao se levar em conta o crescimento do corpo eleitoral revela-se a força e a direção
da variação (veja tabela 27). Feito isso, verifica-se que a oscilação deste vereador se
mantém quando sua votação é cotejada com o eleitorado inscrito, porém apresentando
trajetória diversa nas eleições para deputado estadual.
83
- Concedendo-me entrevista para esta pesquisa, ele reconheceu que sua intenção era a de ser eleito para a
Assembléia Legislativa, e mesmo para o Senado Federal, enfatizando que neste último caso disputou prévias no
partido para obter a indicação por considerar que o PMDB não podia ficar sem candidato. Isto não contradiz minha
suposição. Hato afirmou ainda que em 2006 concorrerá novamente a deputado estadual.
95
Ou seja, medido pelo percentual de votos sobre eleitorado inscrito, a trajetória
dele continua a ser descendente nas eleições para deputado estadual (1990 e 2002), o
que é fato compreensível porque ele passa a disputar eleitorados muito maiores,
evitando a distorção de observar apenas os votos, os quais, ao contrário, aumentaram.
Tabela 27
Desempenho eleitoral do vereador Jooji Hato
Em todas eleições que disputou
ANO DA
ELEIÇÃO CANDIDATURAS VOTOS
%
SOBRE
ELEITORADO
1982
Vereador 55.142 1,20
1988
Vereador 18.427 0,33
1990
Deputado estadual 19.484 0,10
1992
Vereador 14.178 0,23
1996
Vereador 35.538 0,52
1998
Senador 299.178 1,28
2000
Vereador 24.108 0,34
2002
Deputado estadual 33.776 0,13
2004
Vereador 29.182 0,38
Fonte: TRE-SP.
As tentativas de Jooji Hato ser eleito deputado estadual revelam situações bem
distintas. Em sua primeira campanha ao legislativo paulista (1990), o PMDB elegeu 19
deputados estaduais dentre 84 e ele obteve a 28ª posição no partido, permanecendo na 9ª
suplência. Na segunda (2002), o partido elegeu apenas quatro (4) deputados e ele ficou
na suplência. Assim, seu desempenho melhorou em 2002 em relação a si próprio e
aos demais candidatos, embora o do PMDB piorou.
Em 1990, a legenda conseguiu eleger o governador do estado, Luiz Antonio
Fleury Filho, após ele chegar em lugar no primeiro turno. Todavia, em 2002, o
PMDB ficou na posição e seu candidato a governador obteve apenas 1,20 % sobre o
comparecimento às urnas (ver tabela 28).
96
Tabela 28
Desempenho de Jooji Hato junto aos parlamentares eleitos
E aos do PMDB nas eleições para Vereador e Deputado Estadual
(1982-2004)
ANO ELEIÇÃO
POSIÇÃO
ENTRE OS
ELEITOS
POSIÇÃO NO
PMDB
ELEITOS PELO
PMDB
1982
Vereador
5 4 15
1988
Vereador
18 2 9
1990
Deputado Estadual
- 28 19
1992
Vereador
30 6 12
1996
Vereador
13 1 4
2000
Vereador
37 6 6
2002
Deputado Estadual
- 8 4
2004
Vereador
41 4 4
Fonte: TRE-SP.
Na eleição para senador da República, em 1998 (a qual se deu no meio das duas
disputas para deputado estadual), Hato disputou contra 12 candidatos, dois (2) dos quais
se sabia favoritos para a única vaga que estava em disputa (o renomado jogador de
basquete profissional Oscar Schmitt PPB e Eduardo Matarazzo Suplicy PT,
reeleito). Ainda assim, ficou na 4ª colocação, muito atrás do 3º colocado, posição que se
mantém quando se destaca a votação apenas da capital, onde ele era vereador, embora a
distância para o tenha sido menor. Nesta oportunidade, o candidato a chefia do Poder
Executivo do Estado de São Paulo pelo partido foi o ex-governador Orestes Quércia (a
quem ele era politicamente ligado), que teve um fraco desempenho, alcançando apenas
a 5ª colocação. A disputa para o Senado não parece tê-lo beneficiado claramente em sua
reeleição para vereador em 2000, pois ele teve significativa perda de votos em relação a
1996 (32,2 %), ainda que se possa argumentar que Hato teria perdido mais votos para
vereador se não tivesse concorrido para senador.
A permanência de Jooji Hato na CMSP se traduz, provavelmente, menos em
escolha pessoal e definitiva, e mais como o que foi possível de ser alcançado em todos
estes anos. Como se observou, o desempenho pessoal obtido não esteve estreitamente
atrelado ao da legenda do PMDB, ao menos em seu movimento geral. Em se tratando
do vereador mais antigo e dispondo do histórico acima apresentado, fica mais forte a
hipótese de que a CMSP não é uma opção de carreira política permanente, mas
enquanto elemento de passagem.
97
A situação dos que ficaram sem voto
Além da progressão eleitoral dos vereadores eleitos na legislatura, faz-se
necessário acompanhar e analisar a progressão de outros de seus integrantes em cargos
públicos sem eleição popular. Eurípides Sales, que fora vereador na legislatura e
integrava o MDB e depois PMDB foi designado para o cargo de conselheiro do TCM
no final da legislatura, em 1988, quando estava com 45 anos e, assim, teria ainda mais
25 anos à frente do órgão até atingir a idade da aposentadoria compulsória. Permanecia
à frente do posto até o final de 2004, quando ultrapassara os 60 anos, e havia sido
seu presidente por mais de uma vez. Por seu turno, Celso Toshito Matsuda, com 35
anos, que se elegera pelo PDS, não voltou mais a ser candidato, mas continuou atuando
politicamente no setor de abastecimento agrícola no qual teve sua origem e atuando
como consultor do setor público e professor universitário. Nos anos do governo do
então presidente Fernando Henrique Cardoso, ele foi secretário-adjunto de um dos
ministros da Agricultura e chegou a assumir interinamente a pasta.
Dentre os vereadores do PT, os revezes eleitorais colocaram alguns de seus
membros trabalhando na organização partidária em forte integração com o trabalho de
assessorias parlamentares dos representantes eleitos pelos seus partidos, ou mesmo, em
outros momentos, em cargos de confiança no Poder Executivo ou nas autarquias quando
o partido conquistou a Prefeitura de São Paulo. Quanto aos parlamentares das demais
siglas, esta pesquisa não conseguiu identificar o paradeiro dos mesmos, o que, por si só,
é um dado importante sobre as perspectivas e vicissitudes das respectivas trajetórias.
Os dados examinados no presente capítulo indicaram que os vereadores da
Legislatura em sua quase totalidade não se encontram mais na CMSP e nem no primeiro
plano da vida pública, como destas informações se extraem igualmente que os que se
enquadram na condição de ambição progressiva são, em sua maioria, aqueles que
estavam nas fileiras dos partidos de oposição ao regime militar e aos prefeitos
nomeados desse período, dentre as quais se encontravam os vereadores mais jovens.
Único representante a permanecer na câmara paulistana por seis legislaturas, o vereador
Hato é alguém que começou sua carreira pelo PMDB, então partido de oposição e de
grande popularidade, o qual, a despeito destes índices terem sido reduzidos aos poucos e
98
na medida em que se tornou o principal na nova ordem política, conseguiu se manter
como legenda mais conhecida da população e ainda assegurar razoável quantidade de
votos para seus candidatos. Mesmo assim, poucos vereadores eleitos para outros cargos
conseguiram se manter por muito tempo, ou mesmo em cargos de primeiro escalão de
governo. Nem mesmo o vereador mais antigo, Brasil Vita, conseguiu permanecer longo
período à sua frente, ele que tivera êxito em superar a adversidade de se eleger para a
legislatura e, assim, superar a impopularidade dos que defendiam o regime, como se
verá no capítulo seguinte. A participação do sexo feminino na CMSP ficou restrita
basicamente à oposição, especialmente ao PT, embora fosse com origem dessa bancada
que sairia anos mais tarde a primeira prefeita de São Paulo e segunda a ser eleita pelo
voto direto após o regime militar. Finalmente, a perspectiva na carreira dos vereadores
eleitos em 1982 pareceu mais promissora para os vereadores que naquele momento
escolheram os partidos de oposição, independente das opções partidárias que viriam a
fazer nos anos seguintes.
99
CAPÍTULO VI
PROGRESSÃO DOS VEREADORES DAS SEIS LEGISLATURAS
EXAMINADAS (9ª À 14ª)
Examina-se neste capítulo como se processa a carreira dos vereadores titulares
das seis legislaturas eleitas ao longo de mais de 20 anos. Com base nos capítulos III, IV
e V, formula-se a hipótese de que a carreira política dos vereadores eleitos somente para
a CMSP se em número muito superior a que é orientada para outros cargos
legislativos. Tal supremacia, porém, não resulta necessariamente em opção pelo Poder
Legislativo paulistano, mas sim naquilo que as condições políticas permitem.
Ao se incluir na análise os titulares de todas as eleições posteriores a de 1982,
encurta-se o tempo até 2004, procedimento este que reduz, em tese, e continuamente, as
possibilidades de progressão dos vereadores, uma vez que muitos dos que se elegeram
para as legislaturas posteriores não haviam tido mandatos anteriormente. Contudo,
como observado em capítulos anteriores e a ser aprofundado no próximo, sempre
um contingente de vereadores que se elege apenas para um (1) mandato na CMSP, pois
na metade do primeiro exercício se elege para deputado estadual ou federal, além dos
casos de derrotas eleitorais para a própria reeleição de vereador.
Tendo isso em mente, o capítulo examinará a carreira daqueles que fizeram a
opção tanto pela progressão para os outros cargos em outros níveis (vereadores de
passagem na tipologia aqui adotada), como também dos que permaneceram na câmara
(vereadores permanentes na tipologia aqui empregada). Tanto no caso dos primeiros
quanto dos segundos, levaram-se em conta os cargos populares que disputaram e se
elegeram, os que fracassaram, bem como os não eletivos que implicaram em nomeação
e indicação. Neste percurso, procura-se mostrar a relevância dos cargos da estrutura
interna da CMSP para a reeleição e para a progressão.
A Idade dos Vereadores das Seis Legislaturas
Primeiramente, analisa-se a idade dos vereadores, a qual se trata de marca
importante para a compreensão da carreira política dos políticos em geral, uma vez que
a referida informação pode indicar, como foi escrito no capítulo anterior, qual é a
100
capacidade de representação da instituição em face das várias gerações existentes em
determinado município, bem como a forma de recrutamento dos partidos políticos junto
à população.
Os dados encontrados revelam nítido envelhecimento dos vereadores
paulistanos, apesar de ter havido no período alternância no poder e altas taxas de
rotatividade, quando as forças políticas de oposição ao regime tiveram a oportunidade
de eleger prefeitos e as maiores bancadas, reduzindo drasticamente o espaço para
aqueles que estiveram na CMSP em legislaturas passadas e, especialmente, os que se
encontraram na ARENA. A idade média cresceu paulatinamente ao longo dos primeiros
anos de cada legislatura até chegar aos 50 anos no final de fevereiro de 2005, seu valor
mais alto. E ao mirar nas faixas etárias (vide gráfico 1 a seguir e tabela nos anexos), tal
como aqui agrupadas, indica-se o desaparecimento das faixas dos mais jovens (18-24 e
25-30), encolhimento constante dos que incluem na faixa dos que se aproximam da
maturidade (31-40) e forte crescimento das que compreendem os vereadores de 41 a 50
anos e de 51 a 60 anos, que se encontram na maturidade a caminho da terceira idade. Na
mais recente legislatura houve ligeira inflexão na faixa de 41 a 50 (descendo de 47,3 %
para 41,8 %), mas que foi compensada pelo ponto mais alto de um crescimento
contínuo da faixa de 51 a 60 (34,4%, quando em 1983 era de 21,2%). Tal situação pode
ser um indicador da perda de capacidade na atração de jovens para a atividade política
municipal, ao menos sob a forma da disputa eleitoral
84
.
A relevância destes dados está em permitir constatar que o subsistema político
paulistano não se revela com capacidade de atração para os mais jovens, ou ao menos
não se mostra capaz de absorvê-los, e ainda indica contínuo envelhecimento de seus
membros. Mesmo que a idade dos representantes paulistanos se revele menor que para
os demais níveis do Poder Legislativo, ou de outras câmaras municipais, isto não
minimiza a frustração de constatar que o governo local da maior metrópole do País não
parece ser efetivamente o ponto inicial da carreira política.
84
- Com faixas etárias distintas, chega-se a constatação parecida frente as estatísticas divulgadas pelo TSE para as
eleições de 2004. No município de São Paulo os candidatos a vereador entre 45 e 59 anos representaram maioria
relativa de 45% das listas, enquanto no Rio de Janeiro de 47%, Caieiras, 48% e Guarulhos 39%. Este último
município dividiu quase equilibradamente com a faixa etária de 35 a 44 anos (37%).
101
Participação Feminina nas Seis Legislaturas
Ao longo de seis (6) eleições para a CMSP a participação feminina foi de 18 em
177, ou seja, de 10,1 %. Número pequeno, especialmente quando se leva em conta que a
CMRJ, com Magnitude quase sempre menor que a de São Paulo elegeu 24 em 152 edis,
isto é, 15,8 %. Além disso, a brevidade na câmara é maior para as mulheres do que para
os homens. Das 18 representantes femininas paulistanas, 12 elegeram-se somente uma
(1) vez, ou seja, 66,7 %, enquanto dos 159 homens, 84 se elegeram uma (1) vez apenas,
isto é, 52,8 %. Duas (2) delas foram eleitas para dois (2) mandatos, quatro (4) para três
(3), sendo que uma (1) desistiu de disputar o quarto mandato (Aldaíza Sposati) e outra
foi derrotada ao concorrer (Teresa Lajolo), mesmo tentando mais de uma vez. Portanto,
a carreira estática na CMSP, tipo permanente ou quase permanente, não se revela muito
promissora para as representantes do sexo feminino. E somente quatro (4) mulheres
deixaram a CMSP em direção a outros cargos de representação popular, eleitas por
quatro (4) diferentes partidos (PC do B, PRONA, PT e PSDB). Das que progrediram na
carreira, somente uma (1) elegeu-se para três (3) mandatos na CMSP, enquanto as
Gráfico 1 - Idade dos Vereadores da CMSP nas Seis Legislaturas, em %
12,1
11,3
1,8
5,4
0 0
30,3
24,5
21,8
18,2
16,4
12,7
48,4
50,1
56,4
67,3
80,0
76,4
9,1
13,2
20,0
9,1
3,6
10,9
0
10
20
30
40
50
60
70
80
90
9a 10a 11a 12a 13a 14a
18-30 31-40 41-60 61paracima
102
outras três elegeram-se para apenas um (1), e deixaram a câmara antes de completá-lo.
E como se havia comentado no capítulo anterior, apesar de se constituir em grupo
minoritário na CMSP em todas legislaturas, saiu das fileiras do sexo feminino a única
integrante do legislativo paulistano (Luíza Erundina) que foi eleita pelo voto popular no
período investigado para chefiar o Poder Executivo paulistano
85
.
Ainda é cedo para avaliar se o pequeno acréscimo na bancada feminina na
câmara paulistana deveu-se ao incentivo legal reservando a suas integrantes uma cota
nos partidos políticos, ou a outros fatores. que se considerar, porém, que a chapa
completa das mulheres que disputaram uma vaga para a CMSP ficou em 19,4 % da
soma de todas as listas partidárias e coligações, pouco abaixo do que a lei assegura,
dado este que já pode ser parte da explicação.
Ao se fazer a comparação das médias dos períodos pré e pós a sanção do
diploma percebe-se o incremento de 1,7 ponto percentual. Mas desagregando-se para
cada eleição, o movimento ascendente ainda não segurança para afirmar que se trata
de uma tendência consolidada. Nas três eleições que antecederam a referida lei, a
bancada feminina oscilou entre 9,1 % (1982 e 1992) e 7,5 % (1988), com média de 8,6.
E nas três posteriores, a bancada subiu ligeiramente, mas ainda oscilando entre 10,9 %
(1996 e 2004) e 9,1 % (2000), com média de 10,3.
Na CMSP, a relação entre o preenchimento de vagas e o resultado nas urnas
ainda é frágil como se observa na eleição de 2004, em que seis (6) mulheres foram
eleitas. O PV e o PFL foram as legendas que mais lançaram candidatas em São Paulo
em números absolutos (26 e 25 respectivamente), e o PTB em termos proporcionais
(37,7 %). Das duas primeiras agremiações, apenas o PV elegeu uma (1) vereadora em
uma bancada de três (3) e o PFL nenhuma entre os dois (2) representantes eleitos. O
PTB também conseguiu eleger uma (1) representante em uma bancada de sete (7),
enquanto as outras quatro (4) mulheres saíram do PT, duas (2) em 13, PPS uma (1) em
bancada de dois (2) e PSB apenas uma (1).
85
- Embora o ex-presidente da República Jânio Quadros, eleito prefeito em 1985, também tenha iniciado sua carreira
como vereador na capital, isto se passou na 1ª legislatura (1948-1951) do período anterior a 1964.
103
Todavia, o efeito da lei nas câmaras de Guarulhos (CMG) e do Rio de Janeiro
(CMRJ) parece ter sido positivo. Na CMG a média das três primeiras eleições ficou em
4,9 e nas três posteriores à lei em 13,1, gerando uma variação de 8,2 pontos. Na CMRJ,
a média das três primeiras eleições anteriores à lei ficou em 11,9, mas subiu para 19,0
nas posteriores, produzindo uma variação de 7,1 pontos. E a relação entre o
preenchimento das vagas e o resultado obtido nas urnas também transparece com
clareza. Além disso, a lista completa de candidatas na eleição de 2004 alcançou 22,8 %
de todos candidatos, e as 13 mulheres eleitas para o legislativo carioca expressam 26,0
% de sua composição.
Diante das evidências apontadas, é possível afirmar que a carreira política para
as mulheres paulistanas tem sido bem menos promissora do que para os homens, e a
mudança observada ainda é muito diminuta para se esperar um significativo aumento no
curto prazo. A despeito desta constatação particular, parece que a participação feminina
cresceu generalizadamente na vida pública municipal, tal como demonstrado por estudo
específico sobre as mulheres na elite política brasileira. O aumento mais significativo da
participação das mulheres na política municipal se deve a necessidade de conciliar a
vida pública com a domiciliar (AVELAR:2001).
Certamente, aumentar o número de candidatas, como se observou no caso da
câmara carioca é uma variável segura para aumentar a oportunidade de eleição ainda
que a conversão em cadeiras não se na mesma proporção do aumento das
candidaturas, e não seja o único fator importante. Se a participação numérica é uma
conquista não desprezível em si mesma, o significado do envolvimento do sexo
feminino com a política não produz automaticamente em avanços mais profundos
(AVELAR:2001), até porque se assim fosse o avanço na região Nordeste seria
inquestionável, pois é onde as prefeitas e vereadoras são eleitas em maior número
há algum tempo (AVELAR:1989;AVELAR:2001).
As Relações Familiares e a Carreira Política
As famílias têm forte presença na vida política brasileira contemporânea e na de
muitos países de maior ou menor longevidade democrática apesar das manifestações de
indignação pública de amplos segmentos da sociedade e do espaço crítico dado pela
104
mídia
86
. Ainda que este tema não se constitua o objeto central desta pesquisa, não parece
recomendável ignorá-lo de plano, uma vez que é de domínio público que as relações de
parentesco têm alguma influência no sucesso de uma carreira política, por vezes sendo
mais decisivas que os partidos políticos, ainda que esta importância possa variar em
conseqüência do político atuar em área rural, urbana, ou metropolitana, e a depender do
grau de desenvolvimento econômico e social do lugar. O alcance de sua importância na
política brasileira foi objeto de estudos das ciências sociais brasileiras (DUARTE:1939),
como continua a sê-lo contemporaneamente.
Enquanto na vida econômica privada observa-se com naturalidade e a mesmo
orgulho quando os pais encontram nos filhos os agentes interessados em dar
continuidade ao que construíram, na atividade política isto é entendido freqüentemente
como uma privatização indevida do que é público.
Nesta linha de argumentação é recomendável distinguir que uma coisa é o
reconhecimento da importância de uma relação de interesse e solidariedade que se dá na
esfera privada, e outra que se passa na esfera pública. No caso especificamente
brasileiro, é compreensível a crítica desenvolvida seja no plano do senso comum quanto
de larga parte da literatura das ciências sociais, haja vista quantas famílias estiveram
equiparadas aos agentes da dominação política e social, por meio do controle da
administração pública que foi utilizada como extensão de sua vida privada e meio de
construir ou ampliar seus próprios domínios.
O resultado desta postura crítica após a redemocratização do sistema político
brasileiro foi e tem sido a tentativa de reduzir esta influência nos diferentes poderes. A
CF de 1988 tornou obrigatório o concurso público como mecanismo de seleção de
quadros para o ingresso na administração, mas a amplitude dos cargos de confiança
quase não sofreu regulamentação e sua amplitude permitiu que a intenção fosse
contornada. que se reconhecer, porém, que o assunto é complexo e deve se separar,
no mínimo, três dimensões, a saber: 1) as relações familiares que servem de recurso de
86
- Apenas para efeito de evocar os políticos que chegaram ao posto máximo da vida política de seus países, o
senador José Sarney (PMDB-AP), ex-presidente da República do Brasil (1985-1990), e seus filhos Roseana Sarney
(PFL-MA) e José Sarney Filho (PMDB-MA), senadora e deputado federal respectivamente. Na Argentina, o
presidente da República, Nestor Kirchner, e sua esposa, senadora pela província de Buenos Aires, Maria Cristina
Fernandez. E nos EUA, o presidente George Bush e seu pai, ex-presidente da República, bem como a família
Kennedy (Joseph, pai; John, Robert e Edward, filhos).
105
mobilização, organização e financiamento para eleger um parente; 2) a prática de um
líder político que usa dos cargos públicos para nomear seus parentes diretos ou indiretos
que desejam se submeter ao processo eleitoral; 3) o parente que é representante popular
e se vale de seu prestígio para eleger outro parente.
Ao longo de sua história, as assessorias dos vereadores da CMSP foram usadas
inúmeras vezes, como a imprensa pôde demonstrar largamente, enquanto sinecuras para
familiares e amigos, os quais, compareciam ao seu edifício apenas para receber o
pagamento.
Porém, apesar das mudanças em curso em tempos recentes que levaram a
direção da CMSP a efetuar mudanças pontuais e depois reformas administrativas para
restringir estas práticas por parte dos gabinetes, pouco se investigou sobre a relação
familiar entre seus representantes populares.
Ao se examinar o plantel de 177 vereadores eleitos no decorrer de seis (6)
eleições, verifica-se que pelo menos 18 vereadores (10,2 %) contaram com relações de
parentesco muito próximas de ex-vereadores, ex-deputados e atuais, ou foram os
responsáveis pelo ingresso de seus parentes na vida político-eleitoral
87
. O grau de
parentesco entre os mesmos divide-se em dez (10) parlamentares que são irmãos de
outros políticos, seis (6) que são filhos e dois (2) que são pais. Algumas particularidades
dos aparentados são as que se seguem: onze (11) vereadores elegeram-se para mais de
um (1) mandato como vereador, enquanto, em sentido contrário, a maioria absoluta dos
vereadores da CMSP (54,2 %) tem apenas um (1) mandato, como se revelou no capítulo
III, maioria esta que sobe para 56 % ao se tratar como conjunto próprio os vereadores
que não apresentam relações de parentesco. Outro dado próprio deste grupo é que os
eleitos pelo PMDB perfazem a maioria relativa seis (6) enquanto no outro grupo a
larga maioria é do PT. Entretanto, o PDS/PPB/PP está em segundo lugar nos dois
87
- A investigação valeu-se das fichas bibliográficas constantes do perfil dos vereadores na Supervisão de
Biblioteca da CMSP fornecidas pelos próprios vereadores, como de material de imprensa e do próprio
acervo deste pesquisador, que foi construído ao longo dos anos a partir de entrevistas com os vereadores.
Dúvidas de parentesco que não puderam ser equacionadas implicaram na exclusão da lista, como foi o
caso dos ex-vereadores Mário Noda (1983-1988) Jihei Noda (1969-1972). Também foram excluídos
parentes de vereadores queo tenham tido mandatos eletivos. Neste sentido ficou de fora, por exemplo,
o ex-vereador e ex-deputado estadual Pedro B. Dallari, filho do jurista Dalmo de Abreu Dallari e sobrinho
do também jurista Adilson Dallari. Seu pai e seu tio tiveram cargos na administração pública paulistana,
na condição de secretários, mas jamais tiveram carreira eleitoral.
106
grupos. Finalmente, o grupo dos aparentados tem presença na mesa diretora de forma
bem mais ostensiva (dez – 10 de 18) do que os que não apresentam tais relações.
Cinco (5) vereadores do período aqui estudado foram os responsáveis pelo
ingresso de seus parentes na política (Alberto Calvo, Antonio Carlos Caruso, Arselino
Roque Tatto, Eurípedes Sales e José Mentor), sendo, portanto precursores. Quatro (3)
deles moveram-se para outros cargos após exercerem de um (1) a três (3) mandatos,
sendo classificados como vereadores de passagem ou quase permanentes, enquanto o
único que permaneceu (Tatto) está entre os mais antigos na CMSP, tendo sido seu
presidente e primeiro secretário
88
. Um (1) dos que se moveram para outros cargos
(Alberto Calvo) perdeu a reeleição (deputado estadual) e seu próprio filho não foi
reeleito vereador (Rubens Wagner Calvo) em 2004 após ter migrado de partido (do PSB
para o PT) e apesar de ter apresentado aumento nominal de votação.
Os outros 14 chegaram a CMSP a partir de seus parentes. Jooji Hato, o mais
antigo do período, se elegeu pela primeira vez com o apoio de seu irmão Mário, que o
antecedeu na câmara. Roberto Trípoli, um dos mais antigos, se elegeu em 1988 com o
apoio de seu irmão, Ricardo Trípoli, vereador na legislatura que terminava (1983-1988)
e deputado estadual a partir de 1990. Mesmo o falecido Antonio Sampaio, com três (3)
mandatos no período, e sete (7) desde que eleito pela primeira vez, se viabilizou
eleitoralmente a partir do apoio de seu irmão Cantídio Sampaio, que iniciou a carreira
como vereador e depois se elegeu para deputado estadual.
Se estas evidências por si não permitem concluir que os parentes tenham sido
decisivos no ingresso, na manutenção e na progressão da carreira destes vereadores,
pode-se afirmar, ao menos, que eles incrementam os elementos para corroborar tal
possibilidade (vide quadro nos anexos).
Em Direção a outros Cargos Populares
88
- Tatto lançou dois (2) irmãos na arena eleitoral, primeiramente Jilmar, e depois Ênio, os quais se
elegeram deputado estadual. Jilmar não concorreu à reeleição porque era secretário municipal no governo
da prefeita Marta Suplicy.
107
Quanto à descrição e análise de todos titulares que se elegeram para outros
mandatos populares, constata-se que esta espécie de progressão (ambiciosa) tornou-se
realidade para uma significativa minoria de 37 (20,9 %) dos 177 vereadores eleitos nas
seis (6) eleições da CMSP que se realizaram dos anos de 1982 a 2004
89
. Este fato se deu
em diferentes momentos, a saber: antes deles terem sido eleitos para a câmara pela
primeira vez no período investigado (6, ou 3,3 %), antes e depois (2, isto é, 1,1 %)
90
,
durante o exercício da vereança, e, também, depois de terem deixado de exercê-la (29,
ou 16,4 %) (vide tabela 29).
Tal minoria sobe para 24,5 % se a base do cálculo for de 151 vereadores, isto é,
descontando-se 26 vereadores que se encontram em primeiro mandato na 14ª legislatura
(eleita em 2004) e que ainda não tiveram tempo de postular a outro cargo eletivo por
não ter havido outra eleição até a encerramento desta pesquisa, a não ser no passado
91
.
Tabela 29
Vereadores Paulistanos (1982-2004)
Eleitos apenas para a CMSP e para outros mandatos depois de serem vereadores pela 1ª vez
SITUAÇÃO N Em %
Antes e Depois 2 1,1
Antes 6 3,4
Depois de serem eleitos para vereador em SP 29 16,4
Eleito vereador da CMSP somente 140 79,1
TOTAL GERAL 100
Fonte: TRE-SP.
A Procura por outros cargos de eleição popular
Considerando que a permanência na Câmara Municipal é próxima da metade das
vagas existentes a cada legislatura, fica evidente que a vida pública legislativa
paulistana não tem sido fator suficientemente forte para os representantes do povo nesta
se manterem, conquanto, por si só, tal dado não permita afirmar que não desperte
interesse. Poderia haver outros motivos e fatores para que a permanência seja baixa,
89
- Ainda assim, tal minoria é bem maior do que a da câmara carioca, na qual 21 vereadores (13,8 %) foram eleitos
para outros cargos populares no mesmo período.
90
- Os dois vereadores que foram parlamentares antes e depois da passagem pela CMSP são o atual senador da
República, Eduardo Matarazzo Suplicy (PT) e o recentemente falecido deputado federal Paulo Seiti Kobayashi
(PSDB).
91
- A próxima é a eleição geral do ano de 2006 na qual se disputam cargos em todos níveis, à exceção dos
municipais.
108
como, por exemplo, disputa eleitoral muita acirrada entre os candidatos. Vale lembrar,
ainda, que no capítulo anterior procurou-se comparar as eleições com as tentativas
fracassadas a fim de se ter segurança sobre a linha de argumentação.
Esse grupo de vereadores eleito para outro mandato (37) obteve 49 cargos via
eleição popular, o que significa que alguns se elegeram para mais de um (1). O
mandato de deputado estadual é o que aparece com maior freqüência dentre os seus
êxitos eleitorais (53,1 % das 49 ocorrências), constituindo-se também na primeira etapa
posterior a CMSP em 19 destas. Em seguida vem o mandato de deputado federal, o qual
responde por 20 eventos (40,8 % deste grupo), 16 desses durante e depois de eleitos
para a câmara paulistana, e finalmente os de senador, vice-prefeito e prefeito, uma (1)
vez cada.
É bastante nítido que a CMSP se caracteriza como fator decisivo para o grupo de
seus edis que alcançam outro mandato popular uma vez que 77,6 % dos outros cargos
eletivos são obtidos durante ou depois de terem sido eleitos vereador, enquanto apenas
22,4 % dos mandatos foram obtidos anteriormente.
E para o diminuto grupo que teve outro cargo de representação popular antes de
chegar à câmara paulistana, esta instituição se presta, provavelmente, a servir de
anteparo importante para que o indivíduo se mantenha na vida política ativa com boa
oportunidade de visibilidade perante a sociedade, e, quiçá, chance de voltar a disputar
com sucesso os cargos eletivos que já obtivera no passado.
Os políticos que fizeram este movimento tático são aqueles enquadrados como
de ambição regressiva, porque a busca de mandato de vereador seria uma descida na
carreira política (ver tabela 30).
Tabela 30
Outros mandatos populares obtidos antes, durante
e depois de eleitos para a CMSP pela primeira vez, segundo a freqüência
(1982-2004)
109
(N=37)
CARGO ANTES
DURANTE
E/OU
DEPOIS SUBTOTAL EM %
Deputado Estadual 7 19 26
53,1
Deputado Federal 4 16 20
40,8
Senador 0 1 1
2,0
Vice-prefeito 0 1 1
2,0
Prefeito 0 1 1
2,0
TOTAL 11
100
EM % 22,4 77,6 100
Fonte: TRE-SP.
Observação: o total aqui é de 48 e não 37, pois se trata da freqüência dos mandatos e não da população de vereadores que
tiveram mandatos.
A maioria das eleições de vereadores para outros cargos populares se deu para
aqueles atores que tiveram apenas um (1) mandato na CMSP (48,6 %) (vide tabela 31
seguinte), tipo de passagem, embora a soma das minorias seja muito expressiva, isto é,
dos que foram eleitos tendo dois (2) ou mais mandatos
92
. A liderança dos vereadores de
um (1) mandato se deve pela reunião dos que foram eleitos antes de serem vereadores
(6), durante e também depois (12), sugerindo que a progressão na carreira para esses
parlamentares precisou da câmara como elemento preparatório ainda que muito breve.
Tabela 31
Vereadores eleitos para outro cargo eletivo (antes, durante e depois)
Segundo o número de mandatos que tiveram na CMSP
(1982-2004)
MANDATOS NA CMSP ANTES
DURANTE
DEPOIS SUBTOTAL
EM %
1 6 12 18
¨48,6
2 2 6 8
21,6
3 0 8 8
21,6
4 0 3 3
8,1
TOTAL 8
100
Fonte: TRE-SP.
*Inclui os que se elegeram no meio do mandato de vereador.
92
- O mesmo se passou na CMRJ, porém com ordem de grandeza muito maior. Nada menos que 76,2 % dos
vereadores cariocas foram eleitos para outros cargos ainda no primeiro mandato.
110
A Importância dos outros Cargos Eletivos
Todavia, escorar a análise apenas em quem foi eleito para outro cargo trata-se de
procedimento que restringe em demasia a compreensão da importância da câmara
enquanto lugar de passagem ou de longa permanência, pois o sucesso eleitoral não
abrange a todos interessados em postular outros cargos como se havia demonstrado e
comentado em capítulos anteriores.
Para que se tenha clareza do universo dos vereadores perseguindo outros cargos
eleitorais, é preciso trabalhar com as listas completas dos candidatos (eleitos e não
eleitos). Quando se lida com as mesmas, constata-se que os candidatos para outros
cargos sobem a 76, dois (2) a mais que o dobro dos 37 que foram eleitos, ou seja, 42,9
% de todos vereadores titulares das seis (6) legislaturas. Faça-se a ressalva de que este
número seria menor, excluindo-se desta população oito (8) edis que postularam sem
êxito outros mandatos somente depois de terem deixado a CMSP, seja porque não
conseguiram a reeleição para vereador, ou porque haviam sido sufragados para
deputado, mas não conseguiram a reeleição. Mas tal observação não compromete a
noção de progressividade da carreira; apenas põe em evidência a variedade de trajetórias
de que se revestem a mesma.
Neste grupo de 76 vereadores verificam-se seis (6) diferentes situações quando
se tem como critério o momento em que tentaram eleger-se, com o propósito de
responder com desvelo em quais tipos eles se enquadram (vide a tabela 32).
Chama a atenção do observador ao se debruçar sobre a tabela 32 o fato de que
do subgrupo de vereadores que teve ao menos um (1) fracasso eleitoral ao pleitear outro
cargo, parcela majoritária passou por tal situação antes de chegar a CMSP (22,4 por
cento), e a mesma seria maior caso a esta se acresçam dois (2) outros subgrupos; 1) a
dos que disputaram antes e também durante o mandato de vereador (10,5 %), e, 2) antes
e depois (5,3 %). Ou seja, totalizariam 38,2 %. Esta distribuição é um indicador
consistente na interpretação de que o mandato de vereador não era necessariamente sua
primeira escolha e, assim, a passagem pelo parlamento da cidade tem um sentido
diferente das demais, provavelmente, quanto a sua forma de atuação.
111
Tabela 32
Candidatos a outros cargos, incluindo os que tiveram ao menos um fracasso
(antes, durante e/ou depois da eleição para a CMSP ,1982-2004).
N=76
CANDIDATURAS N
Em %
Sobre
subtotal
Em %
Sobre
Total
Antes de eleito vereador 17 22,4
9,6
Já tendo deixado a CMSP 16 21,0
9,0
Eleito para outro cargo sem derrota 14 18,4
7,9
Durante o mandato de vereador somente 14 18,4
7,3
Antes e durante o mandato de vereador 8 10,5
4,5
Antes e depois de já ter deixado a CMSP 4 5,3
2,2
Durante o mandato e depois de ter deixado a CMSP 3 3,9
1,7
SUBTOTAL 100
Não concorreram a outros cargos 101
57,1
TOTAL DE VEREADORES 177
100
Fonte: TRE-SP, Fundação Seade.
Observação: inclui mesmo os que se candidataram em pleitos anteriores a 1982.
Candidaturas bem sucedidas e fracassadas para outros cargos eletivos:
Dois grupos distintos, ou partes de um mesmo conjunto?
A descrição acima leva à seguinte indagação: até que ponto os vereadores que
foram eleitos para outros cargos e os que tentaram e não conseguiram tratam-se de dois
(2) conjuntos distintos e sem intersecção, com intersecção, ou um é subconjunto de
outro? As perguntas se justificam pelas implicações que têm para as respostas. No caso
dos eleitos virem a se constituir em subconjunto, parece consistente a hipótese de que há
nitidamente um tipo de vereadores de passagem, para os quais a câmara é uma
plataforma de lançamento, sendo que os fracassos não implicam que eles não se
reelegerão em certo momento à frente. Se forem grupos sem qualquer intersecção, é
possível especular que os não eleitos foram candidatos com o objetivo de contribuir
com votos para suas legendas, mas sem quaisquer intenções ou mesmo condições de
serem eleitos. Para tanto, os dados precisariam ser novamente trabalhados; o que foi
feito, como se indica na tabela 33, a qual permite obter a resposta almejada com clareza.
Do conjunto de 76 vereadores que se candidatou a algum outro cargo eleitoral
em algum momento, forma-se dois subconjuntos de igual tamanho, a saber: um (1), de
37 (48,7 % desse conjunto), integrado por representantes populares que se elegeram em
algum momento para outro cargo, e outro de 39 (51,3 %) que é formado de vereadores
que tiveram fracassos eleitorais. Todavia, deve-se reconhecer, primeiramente, que é
112
expressivo o número de vereadores que concorreram a outro cargo eletivo em algum
momento de sua vida política, a despeito deste montante se tratar de menos da metade
dos edis que integraram seis (6) legislaturas, dado este que adensa a hipótese enunciada
anteriormente, segundo a qual a CMSP é encarada enquanto um espaço de passagem.
Tratando, agora, do primeiro subconjunto de 37, em seu interior vereadores
que foram eleitos sem quaisquer fracassos (14) e outro dos que tiveram ao menos um
(1) revés (23). Desse modo, dois (2) grupos de vereadores, ou subconjuntos, sem
quaisquer intersecções; o dos que colheram êxitos eleitorais nos outros cargos que
disputaram (14) e os que só colheram derrotas (39).
Tabela 33
Eleitos, Não Eleitos e Vereadores que não concorreram
a outro cargo eleitoral
N = 177
CONJUNTOS
SITUAÇÃO N
EM %
SUBTOTAL
EM %
TOTAL
A-1
Eleitos com ao menos um (1) fracasso 23 30,3 13,0
A-2
Eleito para outro cargo sem derrota 14 18,4 7,9
A
VEREADORES QUE FORAM ELEITOS 37 48,7
B
Só fracassos eleitorais 39 51,3 22,0
A+B
CONCORRERAM A OUTRO CARGO ELEITORAL 76 100 42,9
C
Não concorreram a qualquer outro cargo 101 57,1
TOTAL DE VEREADORES 177 100
Fonte: TRE-P.
A existência de um contingente tão grande de vereadores que postulou algum
outro mandato eleitoral tanto antes quanto depois de eleito para a Câmara Municipal,
ainda que seja minoritário (e menor ainda o dos que conseguiram ser eleitos), exige um
tratamento analítico próprio (que escapa ao objetivo dessa pesquisa), pois a depender de
suas características é possível que o mesmo interfira na qualidade da atuação
parlamentar e funcionamento do Poder Legislativo, uma vez que seu envolvimento,
como já foi dito, tende a ser diferente; talvez menos ligado aos problemas da cidade.
É recomendável, ainda, matizar um pouco mais a relação até agora encontrada,
em busca de outra que possa ajudar na segurança da análise. O número de mandatos
obtidos deste grupo de vereadores para a CMSP talvez traga mais luz, especialmente
113
cotejando-o ao conjunto dos vereadores que jamais concorreram a outro cargo que não
tenha sido o de vereador.
A posição ocupada pelos representantes que concorreram e os que não
concorreram é a mesma nos dois conjuntos, apresentando correlação positiva de 0,913,
além do fato que os vereadores que tem um (1) e dois (2) mandatos se constituem na
ordem decrescente nos que mais participam na distribuição dos dois (2) grupos (vide
tabela 34 a seguir). Porém o peso de cada um é bem diferente, pois enquanto no grupo
dos que nunca concorreram a outro cargo eletivo popular, a participação dos
parlamentares que têm um (1) mandato na câmara é de 63,4 %, no grupo dos que
concorreram é de 42,1, perfazendo uma larga diferença de 21,3 pontos.
A diferença continua grande em relação aos que tiveram dois (2) mandatos (10,1
pontos) e um pouco menos pronunciada entre os que se elegeram em três (3)
oportunidades (6,9 pontos), reduzindo-se daí para frente. Assim, a heterogeneidade
entre os números de mandatos é ligeiramente menor no grupo dos que concorreram
em face aos que não passaram por tal experiência.
Tabela 34
Vereadores que concorreram a outro cargo popular
e os que nunca o fizeram, segundo o número de mandatos na CMSP
Em percentuais
A B C
D
Mandatos Concorreram
Não
Concorreram
Diferença em
P.P. (B-C)
1 42,1 63,4
21,3
2 ou > 57,9 36,6
21,3
2 32,9 22,8
10,1
3 15,8 8,9
6,9
4 6,6 4,0
2,6
5 1,3 1,0
0,3
6 1,3 0
1,3
TOTAL 100
N 76 101
Fonte: TRE-SP. P. P – Pontos Percentuais.
A experiência observada acima é importante para a análise, maso é decisiva.
De qualquer maneira, fica evidente que a maioria dos vereadores que se candidatou para
outros cargos estava na câmara havia pelo menos dois (2) mandatos (57,9 %). Tal
situação é compreensível, pois o titular do mandato passa a ter, por suposto, maiores
possibilidades de almejar outro cargo eletivo do que aquele que ainda não foi eleito
114
nenhuma vez. O titular conta com mais tempo para construir uma rede de relações, de
lealdades e troca de interesses, pois dispõe potencialmente de tempo integral para fazer
política
93
, bem como levantar recursos materiais e humanos para seu futuro, admitindo-
se que o financiamento das campanhas é caro.
Desse modo, é quase imediato perguntar sobre a possibilidade de outra variável
acentuar a diferença entre os grupos. Será que os vereadores que nunca concorreram
(101) estão presentes em determinadas legislaturas da câmara mais do que em outras, e
com distribuição proporcional dos que desfrutaram de um (1) ou mais mandatos? Ao
cruzar o número de mandatos obtidos pelas legislaturas em que estiveram presentes,
depreende-se que o subgrupo majoritário dos que tiveram apenas um (1) mandato
somente (64) está concentrado da 12ª legislatura (eleita em 1996) à 14ª (eleita em 2004)
(47)
94
. E a situação se inverte para o subgrupo minoritário que tem dois (2) ou mais
mandatos, o qual se distribui na quase totalidade entre a 9ª legislatura (eleita em 1982) e
11ª (eleita em 1992). Os dados sugerem que a competição eleitoral se tornou mais
acirrada (vide tabela 35 abaixo).
Tabela 35
Vereadores que nunca concorreram a outro cargo por eleição popular
Segundo o número de mandatos e legislaturas na CMSP
(1982-2004)
N=101
NÚMERO
DE MANDATOS
LEGISLATURA
1 2
3 4 5 6 SUBTOTA
L
7 7
2 0 0 0 16
10ª
7 5
0 1 1 0 14
11ª
3 2
2 2 0 0 9
12ª
13 1
5 1 0 0 20
13ª
12 8
0 0 0 0 20
14ª
22 0
0 0 0 0 22
TOTAL
23
9 4 1 0
Fonte: TRE-SP.
* Total de vereadores nas seis legislaturas é 177. ** Antes de ser vereador.
Outros Cargos Eletivos Antes da Vereança
93
- Mesmo que não faça pessoalmente por ter outra ocupação, mas conta com assessoria que pode fazer por ele.
94
- Necessário relembrar que é na 12ª legislatura que ocorrem os escândalos que levam à formação da Comissão
Parlamentar de Inquérito (CPI) da Máfia das Propinas, prisão e cassação de vereadores, sob a gestão de um presidente
da CMSP que teve somente um (1) mandato e que viria a ser envolvido nas denúncias.
115
Faz pouco sentido emitir qualquer opinião sobre a importância das decisões
eleitorais dos vereadores sem que se leve em conta todas candidaturas que ocorreram
para outros cargos eletivos, mesmo que estas não tenham tido êxito. Recorrendo a esse
procedimento será possível conhecer a relevância do mandato de vereador em suas
vidas políticas.
Tome-se para análise, em primeiro lugar, oito (8) vereadores que haviam
exercido outros cargos populares pelo estado de São Paulo antes de serem vereadores na
CMSP
95
. Eles representam 10,5 % dos 76 que tentaram sê-lo ao menos uma (1) vez e
21,6 % dos 37 que conseguiram sê-lo ao menos uma (1) vez, formando em termos
hipotéticos um subgrupo com perfil próprio, isto é, daquele que busca o mandato
municipal em decorrência da adversidade eleitoral vivida no outro cargo.
Da literatura existente sobre carreiras políticas
(LEONI&PEREIRA&RENNÓ:2003), infere-se que o mandato parlamentar municipal é
considerado um retrocesso na carreira para alguém que já esteve em outro cargo público
eletivo de maior abrangência, pois os cargos locais, como se tratou em capítulo
anterior, são tidos como a sua primeira etapa. Ainda que se desconheçam estudos
específicos que tratem de retorno, está implícito neste raciocínio que se trata de uma
perda de status.
Destarte, é possível afirmar que tanto a postulação para outro cargo eleitoral,
quanto o êxito em alcançá-lo, não são fatos incomuns na vida parlamentar paulistana.
Todavia, esta minoria se caracteriza por perseguir mais de uma (1) postulação por
vereador (1,73 para os que já haviam sido deputados antes, e 1,89 para os que vieram a
ser após a primeira eleição de vereador). Ela pode se configurar em um grupo
diferenciado dos demais vereadores paulistanos, identificados pelos tipos do vereador
de passagem, o qual procura granjear capital político suficiente a partir do exercício do
mandato para atingir meta mais ambiciosa.
95
- Este grupo seria de nove (9) caso fosse incorporado Agnaldo Timótheo Pereira, que se elegeu vereador para a 14ª
Legislatura, e quese elegera vereador na Câmara Municipal do Rio de Janeiro (CMRJ) para a legislatura (1997-
2000).
116
Como se afirmou anteriormente, dos oito (8) vereadores que haviam sido
eleitos para outros cargos no passado, apenas dois (2) voltaram a se candidatar e a se
reeleger para os mesmos no futuro. Para eles, a câmara caracteriza-se como um espaço
de re-aglutinação de forças a fim de que tenham condições de buscar nova ascensão da
carreira, ou mesmo para encerrá-la com algum retorno político. Ressalte-se, porém, que
três (3) deles foram eleitos pela primeira vez em 2004, e ainda não houve tempo hábil
para saber se seguirão o mesmo caminho dos outros dois (2) (veja quadro 4 a seguir).
Quadro 4
Futuro dos Oito Vereadores eleitos nas 6 legislaturas
que tiveram outros mandatos eleitorais anteriormente
e o ano da primeira eleição para a CMSP entre 1982 e 2004
ANTES
PRIMEIRA
ELEIÇÃO PARA A
CMSP DEPOIS
Antonio Erasmo Dias
2000
Suplente na de 2004
Carlos Alberto Eugênio Apolinário
2000
Vereador na de 2004
Eduardo Matarazzo Suplicy
1988
Senador da República a partir de 1990
Jorge Tadeu Mudalen
2004
Não houve tempo ainda
José Aníbal Peres de Pontes
2004
Não houve tempo ainda
Luiz Paulo Teixeira Ferreira
2004
Não houve tempo ainda
Manoel de Oliveira Sala
1992
Suplente de deputado estadual em 1998 e 2002
Paulo Seiti Kobayashi *
1988 Deputado Estadual (1994), Federal(1998) e Suplente de
Federal(2002)
Fonte: banco de dados do próprio autor, a partir do TRE. * Falecido em 2005.
A Progressão dos Eleitos para Outros Cargos
Apresenta-se agora a progressão individual de 28 vereadores de todas as
legislaturas aqui analisadas, excluindo-se deste rol apenas oito (8) que haviam sido
eleitos para outros cargos no passado. Destaca-se mais uma vez o fato de que a grande
maioria dos titulares da CMSP, ao contrário desse grupo, é formada de parlamentares de
um (1) mandato apenas, como também de que foi eleita para este cargo (ver tabela
36).
Entretanto, dos 29 analisados que foram eleitos para outros cargos, 12 (41 %)
tinham apenas um (1) mandato, o que significa que a maioria foi eleita ainda no
exercício do primeiro e, portanto, não o concluiu. De qualquer maneira, é importante
mencionar que mais da metade havia sido eleita para um segundo mandato de
vereador (17, 59 %) e, do referido grupo, nada menos que 11 vereadores se
encontravam entre a terceira e quarta eleição para a CMSP. Portanto, a progressão em
117
direção a outros cargos esteve moderadamente equilibrada entre os possuidores de
diversos mandatos.
Tabela 36
Vereadores Paulistanos das Seis Legislaturas (1982-2004),
Eleitos para outros cargos durante e depois, segundo o número de mandatos na CMSP
(N=29)
VEREADOR
PARTIDO*
MAN-
DATOS
DEPUTADO
ESTADUAL
**
DEPUTADO
FEDERAL
**
PRE-
FEIT
O
VICE
PRE-
FEIT
O
Adriano Diogo PT 4 01
Alberto Calvo PSB 1 02
Alberto Hiar PSDB 1 02
Ana Mara M. Soares PC do B 3 01
Arnaldo de Abreu Madeira PSDB 3 02
Devanir Ribeiro PT 4 01
Getúlio K. Hanashiro PMDB 1 02
Gilberto Kassab PL 1 01 02 01
Gilberto Nascimento e Silva PMDB 3 02 01
Hana Gharib PDS 2 01
Havanir Tavares A Nimitz PRONA 1 01
Henrique Sampaio Pacheco PT 3 01
Ítalo Cardoso de Araújo PT 4 01
José Aldo Rebelo Figueiredo PC do B 1 04
José Eduardo M. Cardozo PT 2 01
José Ferreira do Nascimento PDS 3 01
José Guilherme Gianetti PMDB 2 01
José Mentor G. Mello Neto PT 3 01
José Ricardo de A. Trípoli PMDB 1 04
Luíza Erundina de Souza PT 1 01 02 01
Marcos Cintra C. Albuquerque PL 1 01
Marcos Ribeiro de Mendonça PMDB 3 02
Nello Rodolfo Giongo Filho PMDB 2 01
Pedro B. Dallari PT 1 02
Robson Tuma PL 1 04
Ushitaro Kamia PTB 2 01
Vicente Cândido da Silva PT 2 01
Walter Meyer Feldman PMDB 2 02 01
Zulaiê Cobra Ribeiro PSDB 1 02
Fonte: TRE-SP e TSE.
* Partido pelo qual foi eleito vereador pela primeira vez na condição de titular.
** Eleito titular pela primeira vez (não inclui as que ficou como suplente). Pref – Prefeito; Vice-Pref – Vice-Prefeito.
Da lista apresentada na tabela acima, depreende-se facilmente que a progressão
representou de forma excludente a obtenção de um ou outro cargo eletivo para a quase
totalidade dos vereadores (25, ou 86,2 %), sendo que apenas dois (2, 6,9 %) obtiveram
dois (2) (deputado estadual e federal) e outros dois (2, 6,9 %) alcançaram três (3) (Luíza
Erundina e Gilberto Kassab), isto é, deputado estadual, prefeito e deputado federal e
deputado estadual, deputado federal e vice-prefeito. PT e PMDB são as duas (2) siglas
pelas quais os vereadores que deixaram a CMSP rumo a outros mandatos mais se
elegeram, com nove (9) e seis (6) representantes respectivamente.
118
A Mesa Diretora da CMSP e a Carreira Política
A mesa diretora da CMSP, como a de todo Poder Legislativo no Brasil, se
caracteriza como órgão máximo de direção do funcionamento da instituição. É
composta por cinco (5) cargos, a saber: presidente, primeiro vice-presidente, segundo
vice-presidente, primeiro secretário e segundo secretário
96
(artigo da Resolução
02/91). Em sua composição, os cargos de presidente e secretário são os mais
importantes
97
por deterem a maior parcela de poder na estrutura do órgão dirigente,
além de conferirem vantagens materiais aos seus integrantes, tais como amplos
gabinetes dotados de boa infra-estrutura, assessoria e pessoal administrativo
98
, veículos
à disposição de sua equipe além do carro oficial de uso pessoal
99
.
O presidente tem amplas competências nas esferas legislativa e administrativa,
tais como a responsabilidade de dirigir as sessões ordinárias e extraordinárias, convocá-
las, conceder a palavra ou negá-la aos vereadores, organizar a ordem do dia, declarar a
extinção de mandato do vereador, autorizar despesas e pagamentos, assinar os
balancetes contábeis da câmara, de representá-la judicialmente, entre muitas outras
atribuições. Contudo, entre os enunciados mais importantes de suas responsabilidades,
encontra-se o que afirma ser de sua alçada interpretar e fazer cumprir o regimento
(artigo 17), estabelecendo precedentes regimentais sempre que o regimento for omisso,
competência esta que carrega sempre certa dose de subjetividade e abre espaço para
que o livre arbítrio de um hábil ocupante do cargo tenha raio de ação considerável. Por
tudo isto, o(a) prefeito(a) tem necessidade de que o cargo de presidente seja ocupado
por algum membro de seu partido ou aliado
100
.
96
- Depois da eleição dos integrantes da Mesa, os vereadores elegem dois suplentes da Mesa, que não têm qualquer
ingerência em suas atividades. No biênio 1989-1990 (10ª Legislatura) existiram de forma efêmera os cargos de
Vice-Presidente e Secretário, os quais foram extintos com a promulgação da LOM e do novo regimento
(Resolução 02/91).
97
- Na 10ª legislatura, criou-se o cargo de presidente para a elaboração da Lei Orgânica do Município deo Paulo,
que foi ocupado pelo então vereador Gilberto Nascimento Silva (PMDB), o qual teve a duração de pouco menos de
um ano, sendo extinto logo após a promulgação da carta municipal.
98
- O primeiro secretário é o responsável direto pelas licitações e contratos de compra e serviços da CMSP.
99
- Em quase todas escolhas para os cargos da mesa diretora houve disputa, mesmo para os de vice-presidente,
vice-presidente e 2º secretário.
100
- Quatro presidentes foram de oposição, incluindo um que era filiado a legenda do prefeito. Este foi o caso de
Altino Lima (PMDB), que durante quase um ano fez oposição ao prefeito de seu partido Mário Covas. Foi substituído
por Marcos Mendonça (PMDB) que esteve na oposição a Jânio Quadros (PTB) por um (1) ano. Mendonça era
presidente quando Jânio foi eleito. Na legislatura seguinte, os vereadores do PSDB, Arnaldo Madeira e Paulo
Kobayashi presidiram a CMSP em oposição à prefeita Luíza Erundina (PT). O vereador Gilberto Nascimento
(PMDB) presidiu a Estatuinte, mesa diretora para a direção da elaboração da LOM, em oposição ao partido da
prefeita Erundina. Altino Lima e Mendonça presidiram a CMSP antes da instituição contar com as mesmas
prerrogativas que passou a ter depois da promulgação da LOM, o que significa menos poder que seus sucessores.
119
O primeiro secretário, por sua vez, dispõe de grande controle sobre o fluxo dos
acontecimentos da câmara, das iniciativas dos vereadores, e da administração da
instituição. Ele é o responsável pela chamada dos vereadores na abertura de sessões e de
votações, de determinar o recebimento e zelar pela guarda de papéis e proposições,
secretariar as reuniões da Mesa, redigir as atas de suas reuniões e das eventuais reuniões
secretas (previstas no capítulo V, compreendendo dos artigos 195 a 201).
Mas se o presidente e o primeiro secretário são os cargos mais importantes,
integrar-se aos demais da mesa é uma meta cobiçada na carreira, pois seus integrantes
influenciam no processo decisório legislativo e administrativo, prerrogativas estas que
se encontram previstas no regimento interno (artigos 13 a 15 da Resolução n.02/91).
Primeiramente, a mesa diretora deve ter ao menos uma (1) reunião quinzenal para tratar
de todos os assuntos da CMSP que necessitem decisão, deliberando por maioria
absoluta dos votos de seus membros quando não houver consenso (artigo 14), bem
como assinando os contratos da câmara com terceiros (artigo 15). Todavia, o exercício
dos demais cargos não se constitui função de expectativa para a presidência caso de
vacância do cargo, uma vez que o regimento determina a realização de nova eleição na
“fase do Expediente da primeira sessão subseqüente à vaga ocorrida, ou em sessão
extraordinária para esse fim convocada” (artigo 7). Apesar da ressalva aos demais
membros da mesa e de que influenciam pouco individualmente, eles contam com
capacidade de limitar a atuação do presidente e do secretário na medida em que são
imprescindíveis para a aprovação de diversas matérias de interesse da casa.
Nos 23 anos cobrindo o período aqui examinado, o tempo de mandato dos
integrantes da mesa diretora foi encurtado de dois (2) anos para um (1) com direito a
uma (1) reeleição, mudança que ocorreu para o ano de 1991 em meio à 10ª legislatura
(1989-1992), em conseqüência da promulgação da LOM em abril de 1990 e do novo
Regimento Interno (Resolução 02/91). O propósito da mudança foi aumentar a
rotatividade no comando da instituição, reduzindo, assim, o conflito pela disputa de seu
controle
101
. Com mandato de vereador sendo de quatro (4) anos e o da mesa diretora
bienal, a regra permitia apenas dois (2) diferentes presidentes por legislatura, mas com a
101
- A redução do mandato foi questionada judicialmente no decorrer da 12ª legislatura, a pretexto de que o mandato
da Mesa Diretora teria de coincidir com os da Câmara dos Deputados e da Assembléia Legislativa de São Paulo. Esta
iniciativa sustou provisoriamente uma das eleições para formação da nova chapa, prorrogando automaticamente o
mandato de uma das mesas diretoras.
120
alteração tornou-se possível até quatro (4), conquanto manteve-se a permissão de uma
reeleição para o mesmo cargo.
Assim, no transcorrer de 23 anos (1983-2005), a CMSP realizou 19 eleições para
a formação da mesa diretora. Isto significa que o número de cargos totais acumulados
que foram disputados para mandatos bienais ou anuais chega a 97, ou seja, até 97
diferentes vereadores poderiam tê-los exercido caso ninguém fosse eleito mais de uma
(1) vez ou mesmo reeleito. Assim, a composição da mesa diretora teria absorvido até
31,7 % dos representantes populares, considerando-se as 306 vagas de todas legislaturas
do período, o que não é pouca coisa embora se configure como minoria.
Contudo, como se mostrou anteriormente, em todos os anos de competição
aqui estudados o eleitorado de São Paulo elegeu 177 vereadores, sendo que estes
elegeram 61 de seus pares para dirigir a instituição paulistana, isto é, 34,5 %
102
. Trata-se
também de um número expressivo e situado 2,8 pontos acima do piso teórico (31,7 %).
Limitando-se somente aos cargos de presidente (19) e secretário (19), o número ficaria
em 38 vereadores no máximo se nenhum se repetisse, embora não mais do que 15
atingiram o mais alto cargo da casa e 17 o segundo mais importante (vide tabela 38 nas
páginas seguintes). Ainda assim, trata-se de rotatividade expressiva
103
.
Em sentido contrário, um mesmo vereador que tenha sido eleito para a CMSP
nas seis legislaturas e não tenha ficado de fora da mesa diretora uma vez sequer, teria
permanecido na direção da instituição em até 19 vezes. Vale recordar que apenas um (1)
vereador, Jooji Hato (PMDB), elegeu-se nas seis (6) disputas para a CMSP, mas com
somente três (3) passagens pela mesa diretora, ocupando os cargos de primeiro e
segundo vice-presidente. Seria, portanto, um quadro de baixa produtividade. Mas outros
seis (6) vereadores com menos mandatos do que Hato também tiveram a mesma
freqüência de passagens (embora nenhum estreante). Além deles, um companheiro
de bancada, Milton Leite da Silva, com três (3) mandatos na CMSP ainda não exercidos
102
- Deste total, dois (2) integrantes da mesa não eram titulares da CMSP no início da legislatura. Zenas Pires nunca
foi eleito, mas assumiu o mandato em conseqüência da renúncia de titular para assumir outro cargo de natureza
popular, enquanto Mário Noda havia tido dois (2) mandatos, exercera cargos na mesa, mas da última vez que o
ocupou se enquadrou na mesma situação de Pires.
103
- No legislativo carioca realizaram-se 13 eleições para mandatos bienais de presidente e 12 para os demais cargos,
como o de primeiro secretário. Assim, no máximo 25 edis poderiam alcançar tal posição, mas no total foram 18, (oito
8 presidentes e 10 secretários). Portanto, em termos proporcionais, a rotatividade na câmara paulistana foi bem
maior no cargo de presidente que a carioca, enquanto na de secretário praticamente se equivaleram (vide tabelas nos
anexos).
121
integralmente quando esta pesquisa estava em curso, mas que teve quatro (4) passagens
pela mesa diretora. No caso de Leite da Silva, pode-se enxergar um quadro de alta
produtividade.
Merece atenção o número de vereadores com apenas um (1) mandato na CMSP
que assumiram algum dos cargos que compõem a mesa diretora, pois se trata de
expressiva minoria de 16 (26,2 %) dos que a integraram em todos estes anos, havendo
ainda três (3) que tiveram até duas (2) passagens na mesma legislatura. O maior
contingente de membros da mesa situa-se entre os edis que detiveram a dois (2)
mandatos, os quais representam 41 %
104
. Deste grupo, nove (9) vereadores chegaram a
exercer até dois (2) mandatos na mesa diretora, enquanto um (1) teve três (3) passagens.
Portanto, os vereadores de passagem formam a larga maioria dos que dirigem a CMSP
(67,3 %), deixando pouco espaço para aqueles que são quase permanentes ou
permanentes, os quais somados chegam a 20 (32,7 %) (vide tabela 37).
Tabela 37
Integrantes das Mesas Diretoras da CMSP entre 1983 e 2005
Segundo o número de mandatos obtidos entre 1982 e 2004.
MANDATOS ELEIÇÕES PARA A MESA DIRETORA
CMSP 1 2 3 4 VEREADORES Em %
1 13 3 0 0 16 26,2
2 15 9 1 0 25 41,0
3 6 2 2 1 11 18,0
4 3 1 2 0 6 9,8
5 0 1 1 0 2 3,3
6 0 0 1 0 1 1,6
TOTAL 37 16 7 1 61 100
Em % 60,6 26,2 11,5 1,6 100
Fonte: CMSP. Supervisão de Biblioteca.
Processos Políticos
Membros da mesa diretora do final da legislatura (1987-1988) foram
processados no início da seguinte, quando a correlação de forças se alterou com a
chegada de uma maioria parlamentar, ainda que relativa, do PT e a eleição de uma
prefeita do mesmo partido. Os integrantes processados da direção anterior, que foram
absolvidos em decisão do plenário ainda na fase da admissibilidade da acusação, porém
104
- na câmara carioca a predominância dos vereadores de apenas um (1) mandato na composição da Mesa
Diretora é maior que na paulistana e representa a faixa majoritária. Foram 15 edis (37,5 %) dos 40 que para esta
foram eleitos. Todavia, quando somados aos 11 que tiveram até dois (2) mandatos no legislativo, o percentual é
pouco menor que o da câmara paulistana (65 %) (para maiores detalhes vide tabela nos anexos).
122
com ampla repercussão da opinião pública, eram quase todos titulares de dois (2) ou
mais mandatos no início da 9ª, com a única exceção de um (1) que embora na primeira
era irmão de um ex-vereador e já deputado federal (MALUF:1991)
105
.
Presidente e Primeiro Secretário
Mas será que os principais cargos da mesa, de presidente e primeiro secretário,
expressam, também, a mesma divisão em termos proporcionais, ou seja, encontram nos
novatos a maioria dos que os controlam?
Sim, na realidade, a faixa dos vereadores que se elegeram para dois (2) mandatos
na câmara é a que mais abrigou vereadores na presidência e na primeira secretaria, mas
igualmente na segunda vice-presidência e na segunda secretaria, à exceção da primeira
vice-presidência. Aliás, a primeira vice-presidência é a que menor rotatividade teve em
todos estes anos (ver tabela 38 a seguir)
106
. A 3ª vice-presidência e a 3ª secretária, como
salientado atrás, existiu por apenas um (1) mandato da mesa e, portanto, não poderia
apresentar outra situação.
Tabela 38
Membros da Mesa Diretora da CMSP entre 1983 e 2005
Segundo os cargos que tiveram e o número de mandatos de vereador
(1982-2004)
MANDATOS NA
CARGOS NA MESA
CMSP Pres 1oVP 2oVP
3oVP
1oSec 2oSec
3oSec
1 2 3 5
0
2 4
0
2 6 1 9
0
8 7
1
3 4 4 2
0
4 2
0
4 1 3 1
0
2 2
0
5 2 0 0
1
1 0
0
6 0 1 1
0
0 0
0
TOTAL 15 12 18
1
17 15
1
Fonte: CMSP. Supervisão de Biblioteca. VP – Vice-presidente; Sec – Secretário.
Para se ter mais certeza quanto ao grau de dificuldade que um vereador iniciante
enfrentou para ocupar os dois (2) principais cargos da mesa diretora, procurou-se
105
- Dois (2) deles tiveram suas trajetórias aqui analisadas (Antonio Sampaio Teixeira e João Brasil Vita), e outros
dois (2) eram do PMDB (Almir Guimarães de Oliveira e Jamil Achoa). À exceção de Achoa, os outros se reelegeram
para a 11ª legislatura.
106
- na CMRJ, como seria de se esperar do cargo de presidente foi este o que menor rotatividade experimentou;
apenas oito (8) vereadores dos 40 que tiveram acesso à Mesa Diretora lá chegaram.
123
conhecer em que mandato os mesmos se encontravam ao serem escolhidos para os
referidos cargos, sem levar em conta quantos exerceram na vida parlamentar paulistana.
O resultado foi que os presidentes e primeiros secretários (8 e 11
respectivamente) ainda se encontravam em sua maioria relativa no primeiro mandato. O
cargo de presidente era ocupado em seguida pelos vereadores com dois (2) mandatos
(6), enquanto o de secretário por vereadores com três (3) (ver a tabela 39).
Diante deste quadro, é seguro afirmar que a dificuldade de ser eleito membro da
mesa diretora, e mesmo para seus dois (2) principais cargos, não se apresenta de forma
contundente na experiência dos parlamentares, ao menos enquanto esta experiência é
medida em relação a antigüidade de vereador na capital paulista no tempo aqui
examinado
107
.
Tabela 39
Mandato Parlamentar que o Vereador se encontrava ao ser
eleito Presidente ou Primeiro Secretário
(1983-2005)
MANDATO PRESIDENTE SECRETÁRIO SUBTOTAL
1o 8 11 19
2o 6 2 8
3o 2 3 5
4o 3 0 3
5a 1 1 1
TOTAL 17 37
Fonte: CMSP, Supervisão de Biblioteca.
Os Partidos Políticos na Mesa Diretora
Mas se a longevidade do mandato parlamentar não se revela como fator
determinante para conquistar espaço na mesa diretora é possível que o partido político
ao qual se encontram filiados seja ao menos relevante. É o que se passa a examinar a
seguir.
107
- Se a idade do político for levada em conta como fator de experiência de vida, assunto tratado em
diferentes partes desta pesquisa, ou mesmo representatividade de um espectro da sociedade que possa
explicar a carreira, nota-se que a idade mais freqüente entre os dirigentes da mesa diretora no momento
em que assumiram os cargos de direção é de 43 anos contra 47 do conjunto dos vereadores no momento
em que começaram a exercer o mandato de vereador. Mas as outras medidas centrais, média ponderada e
mediana ficam muito próximas; 49 e 48 para o conjunto dos vereadores, e 48 e 47 para seus dirigentes.
Portanto, os dirigentes são ligeiramente mais jovens do que o total de vereadores.
124
Apesar do multipartidarismo que caracteriza as eleições para o Poder Legislativo
no Brasil em seus diversos níveis, do qual não escapa a CMSP, não são muitas as
legendas que controlaram a escolha para a mesa diretora nestas duas (2) décadas. Das
12 agremiações que conseguiram indicar ao menos um (1) representante para o órgão de
direção (sendo que 14 agremiações elegeram vereadores em todos estes anos), seis (6)
tiveram efetiva maioria do processo abarcando 94 % das vagas da mesa
108
(PMDB,
PDS/PPB/PP, PTB, PL, PT, e PSDB).
O PMDB é a maior legenda a conquistar os cargos da mesa, com 27,4 %,
seguido pelo PDS/PPB/PP com 22,1 %. Bem atrás se situam PL e PTB com 11,6 %
cada um, e, por último PT e o PSDB com 10,5 % cada. Embora haja alinhamento entre
a composição partidária de todas legislaturas aqui estudadas e a da mesa diretora quanto
à presença dos maiores partidos que desta fizeram parte, constata-se a
desproporcionalidade nas mesmas em comparação ao que se relatou no capítulo IV.
Ou seja, os menores dos maiores partidos na CMSP obtiveram sobrerepresentação na
direção (PL e PTB), à exceção do PMDB, enquanto os maiores partidos (PT,
PDS/PPB/PP, e PSDB) ficaram subrepresentados.
O PMDB é a terceira maior bancada da CMSP, com 16,3 % de participação, mas
abraçou 27,4 % dos postos da direção, em saldo positivo de 11 pontos percentuais. Por
outro lado, o PT, que é a maior bancada da Edilidade com 23,2 %, fez somente 10,5 %
dos cargos diretivos. O PDS/PPB/PP foi a segunda maior bancada e se manteve como
tal, porém com 18,6 % da participação geral no Legislativo paulistano e 22,1 % na mesa
diretora, diferença a maior de 3,5 pontos. Por sua vez o PTB conquistou 9,5 % das
cadeiras e 11,6 % dos cargos da direção, com saldo positivo de 2,1 pontos. Por último, o
PL, que conseguiu eleger somente 5,6 % da CMSP teve participação de 11,6, ou seja 5
pontos a maior na mesa diretora.
A desproporcionalidade partidária é atenuada quando se separa o cargo de
presidente dos demais. Neste caso é o PDS/PPB/PP que tem maior participação no
maior cargo de direção, seguido pelo PT, e depois o PMDB surge dividindo de igual
108
- O regimento interno não determina que a composição da mesa diretora guarde qualquer
proporcionalidade com a representação numérica dos partidos, como faz em relação a composição das
comissões. Diferente do que prevê o regimento da Câmara dos Deputados, o qual recomenda para a
eleição da Mesa, em seu artigo que “será assegurada, tanto quanto possível, a representação
proporcional dos Partidos ou Blocos Parlamentares que participem da Câmara (..) ” (Resolução 17/89).
125
para igual com o PSDB. Mas até mesmo na primeira secretaria o PMDB leva vantagem
sobre os demais. Com o que se apresentou aqui, é possível reconhecer que os partidos
ajudam a explicar, ao menos parcialmente, a quase inexistência de hegemonia de
vereadores mais antigos no comando da instituição. Como a rotatividade na composição
da CMSP foi provocada, em parte, por algumas ondas de alternância no poder da cidade
(PMDB em 1982, PTB em 1985, ainda que não tenha havido eleição para vereador, PT
em 1988, PDS/PPB/PP em 1992 e 1996, PT novamente em 2000 e PSDB em 2004), tal
processo condicionou a perspectiva dos que pleitearam uma vaga para os cargos da
mesa.
Acumulando a Presidência e a Primeira Secretaria
Porém, deixando de lado os partidos, ainda resta saber se os dois (2) principais
cargos foram sempre exercidos por diferentes vereadores. Dos 17 parlamentares que
foram escolhidos para a primeira secretaria e dos 15 que também o foram para a
presidência, somente cinco (5) o foram para um e outro (Antonio Sampaio Teixeira,
Arselino Roque Tatto, Gilberto Nascimento Silva, na realidade presidente da
Constituinte Municipal; Nello Rodolpho e Oswaldo Giannotti)
109
. Nenhum deles foi
vereador do tipo amador ou de passagem, isto é, de um (1) mandato apenas. Ou seja, o
acúmulo de cargos é pequeno nos principais espaços da mesa diretora, o que sugere que
a competição e a necessidade de repartição do poder entre as forças políticas do Poder
Legislativo paulistano impedem que haja grande concentração nas mãos de uns poucos.
Portanto, trata-se de 27 edis que conquistaram a presidência e primeira
secretaria, 14 dos quais chegaram à Presidência da CMSP, embora apenas cinco (5)
tenha sido eleitos para dois (2) mandatos consecutivos (Antonio Sampaio PDS/PPB,
Armando Mellão, PPB; Arselino Roque Tatto, PT; José Eduardo Martins Cardozo, PT;
e Nello Rodolpho Giongo Filho, PPB). E não mais que quatro (4) presidentes
conseguiram, também, ser eleitos para a primeira secretaria (Antonio Sampaio, Arselino
Tatto, Nello Rodolpho e Oswaldo Giannotti), de um total de 17 parlamentares que
foram escolhidos para o referido cargo.
109
- Gianotti talvez seja um caso peculiar, pois chegou à Presidência devido a morte de Antonio Sampaio que ocorreu
pouco depois de ter sido eleito para um novo mandato. De acordo com a leitura das atas, Gianotti foi escolhido,
possivelmente, por ser o mais idoso parlamentar da época, critério este que foi o único a gerar consenso e tinha
respaldo no regimento interno (RICMSP).
126
Pelos recursos de poder oferecidos, os cargos de presidente ou primeiro
secretário poderiam ser entendidos como sendo fatores relevantes para a reeleição
(ambição estática) e/ou carreira progressiva. Ou seja, contribuiriam para que seus
ocupantes voltassem com mais garantias para a CMSP e/ou pleiteassem com sucesso
outro cargo popular mais tarde. Levando em conta tal pressuposto, observa-se que dez
(10) vereadores dentre o grupo dos 27 elegeram-se depois para deputado estadual,
federal ou senador da República, além de um (1) que foi indicado para o cargo de
conselheiro do TCM (Antonio Carlos Caruso). É número considerável quando se
constata que 76 vereadores disputaram nesses anos algum cargo popular, mas somente
37 o alcançaram efetivamente em algum momento. Portanto, quase um terço dos que
obtiveram êxito na busca de outro cargo eletivo ocupou em algum momento anterior o
de presidente ou secretário da mesa diretora da CMSP.
As Comissões Permanentes
A presidência das comissões permanentes também se constitui em incentivo na
carreira política dos vereadores paulistanos, embora com valoração diferenciada para os
parlamentares devido às competências destes órgãos serem distintas (com maior ou
menor importância para o processo decisório)
110
, às afinidades dos vereadores com a
jurisdição de cada uma, e, ainda, devido ao importante fato de que os seus presidentes
são votados pelos membros das comissões (entre sete 7 e nove 9), enquanto os
membros da Mesa Diretora são escolhidos pelo plenário (55 vereadores). As comissões
permanentes têm “caráter técnico-legislativo” e “por finalidade apreciar os assuntos ou
proposições submetidas ao seu exame, assim como exercer as demais atribuições
previstas” (artigo 38, inciso I, e artigo 46 do inciso I ao XVI do regimento interno -
RICMSP) na Lei Orgânica do Município (LOM) e no próprio RICMSP. Isto quer dizer,
de forma resumida, que os projetos legislativos necessitam de seu parecer a fim de que
possam seguir para a votação final em plenário. Em caso de ser emitido parecer
contrário ao projeto, o plenário poderá acatá-lo ou não, porém a não observância da
decisão da comissão traz consigo o risco de conflitos que os vereadores tentam evitar.
110
- Os relatores também são importantes, uma vez que são os responsáveis pela elaboração do parecer que será
votado pela comissão. Mas, além da função não ser fixa de um membro da comissão, sua designação é resultado de
um rodízio (artigo 50, inciso VI do RICMSP) e, também, do conteúdo específico da matéria (artigo 63, parágrafo
do RICMSP). Neste sentido, o presidente da comissão tem grande ascendência sobre o relator.
127
O número de comissões permanentes, composição e a fixação de sua área de
atuação e competências foi quase sempre objeto de alterações por parte dos vereadores
de maneira a satisfazer as demandas políticas dos representantes populares, embora a
LOM e o novo RICMSP criaram mais restrições para a criação de outras além das
previstas. Desse modo, o número de permanentes foi estipulado em sete (7)
111
.
Apesar de os autores da LOM e do RICMSP procurarem dificultar a criação de
comissões permanentes, a Mesa Diretora da CMSP assinou resoluções, a partir de 1997
(12ª Legislatura) até 2002 (13ª Legislatura), criando a figura de outras sete (7)
comissões, porém com o eufemismo de chamá-las de “extraordinárias permanentes”,
que diferem das estritamente permanentes por não terem atribuição de emitir pareceres
“técnico-legislativo”. Ou seja, as “extraordinárias permanentes” são comissões que
podem menos que as permanentes, mas asseguram certa visibilidade para seus
presidentes, alguma influência e, conseqüentemente, algum status.
Quase todos projetos de lei são examinados por três (3) a quatro (4) comissões
permanentes. Entretanto, a distribuição dos projetos pelas comissões é atribuição do
presidente da CMSP (artigo 17, inciso II, alínea b), que pode, assim, facilitar ou
dificultar a tramitação de matérias, embora não possa alterar o rito de determinadas
proposições, como a proposta orçamentária anual, que tem prazos fixados na LOM e
passa exclusivamente pela comissão de Finanças e Orçamento (CFO). O presidente não
pode ainda impedir que as matérias sigam para a comissão de Constituição e Justiça
(CCJ), que examina a legalidade, constitucionalidade e redação das matérias.
Dos 177 vereadores titulares das seis legislaturas examinadas entre 1983 e 2005,
maioria de 90 edis (50,8 %) teve a oportunidade de presidir pelo menos uma (1) vez
alguma das comissões permanentes da CMSP (incluídas as extraordinárias
permanentes), contra 87 que nunca foram eleitos para o comando (49,1 %). Assim, a
participação dos vereadores na presidência das comissões é bem superior à observada na
mesa diretora uma vez que a oferta das comissões (nunca menor do que sete 7 e
111
- As comissões são as seguintes: Finanças e Orçamento (CFO), Constituição e Justiça (CCJ), Política Urbana
Metropolitana e Meio Ambiente (CPUMMA), Administração Pública (CAP), Trânsito, Transporte e Atividade
Econômica (CTTAE), Educação, Cultura e Esportes (CECE), e Saúde, Promoção Social e Trabalho (CSPST). As
duas primeiras têm nove (9) membros e as demais sete (7).
128
quase sempre entre 11 e 14) é maior do que as duas mesas. Outro fator a possibilitar o
acesso de maior número de vereadores a partir do exame das atas das próprias
comissões e das sessões plenárias, é que as comissões são tidas como menos
importantes do que os cargos de presidente e secretário da mesa diretora, e, assim,
reduzem a disputa interna
112
. A exceção fica para as de Constituição e Justiça (CCJ) e
Finanças e Orçamento (CFO), pelas informações acima expostas.
Para aferir com precisão o significado da variável presidente das comissões
permanentes realizou-se o seu cruzamento com os vereadores que não foram
presidentes, vereadores eleitos para outros cargos populares, e número de mandatos
obtidos pelos edis na CMSP, dividindo estes últimos em um (1) e dois (2) ou mais, além
dos que integraram e os que ficaram de fora da mesa diretora.
O primeiro procedimento adotado mostrou que o maior grupo da mara dentre
oito (8) possíveis (ver tabela nos anexos) é composto pelos vereadores com um (1)
mandato, que não presidiram comissões permanentes, e atuaram na CMSP (28,2 %).
O segundo maior grupo é dos que chegaram à presidência de uma (1) das comissões
permanentes, tiveram dois (2) ou mais mandatos, mas também exerceram o cargo
popular de vereador (25,4 %). Com estes dados, evidencia-se que a condição de só ter
sido vereador se associa à eleição para a presidência de comissão.
O segundo passo foi dividir presidentes de comissão e não presidentes em duas
(2) variáveis a fim de que cada uma se constitua em um universo próprio, e cruzar cada
uma com as variáveis acima, isto é, vereadores com um (1) mandato, com mais de um
(1) e os que foram e os que não foram eleitos para mandatos populares. Com este
recurso, observam-se as proporções obtidas no interior de cada variável. No caso dos
vereadores que não presidiram comissões, larga maioria (57,5 %) é dos que tiveram um
(1) mandato na CMSP e não obtiveram quaisquer outros cargos populares. Entretanto,
para os que chegaram à presidência das comissões, metade é integrada pelos que
tiveram dois (2) mandatos para mais, embora também não tenham sido eleitos para
outros cargos populares. Desse modo, reforça-se a sentença expressa no parágrafo
112
- O que corrobora a afirmação de Figueiredo e Limongi (1998) ao examinarem a Câmara dos Deputados. Eles
constataram a existência de grande centralização de poder nas os do presidente da instituição, ao contrário do que
se passa nos EUA, país no qual esses órgãos (committees) contam com elevada importância.
129
anterior; que permanecer na CMSP é fator relevante para a possibilidade de se exercer a
presidência destes órgãos.
Presidente das Comissões e membros da Mesa Diretora: um único grupo?
Será que os presidentes das comissões permanentes formam um mesmo grupo ao
lado dos que se tornaram integrantes das mesas diretoras ao longo dos anos? A razão da
pergunta se deve à dúvida quanto ao grau de concentração de poder nas mãos de certos
vereadores. Para responder à dúvida, o primeiro passo foi simplesmente identificar
aqueles que estiveram nas duas posições. O grupo em comum é de 38 vereadores dos 60
titulares que estiveram na mesa e dos 90 que presidiram alguma comissão. O passo
seguinte, em prol de maior detalhamento, foi comparar os presidentes e não presidentes
de comissões, estratificando-os segundo o número de mandatos frente aos que foram ou
não integrantes das mesas diretoras, dividindo-os da mesma forma que os primeiros.
Os dados que surgem do cruzamento não deixam margem à dúvida. Em grande
maioria, os vereadores que não se tornaram presidente das comissões e tiveram um (1)
mandato também não se tornaram membros das mesas diretoras (58,8 %). Por sua vez, a
maioria relativa dos que exerceram a presidência das comissões, e tendo sido vereadores
por dois (2) ou mais mandatos, se tornaram igualmente integrantes do órgão de direção
da instituição (37,8 %).
A seguir, concentrando a atenção apenas sobre as CCJ e CFO, que podem ser
consideradas as comissões permanentes mais importantes ao longo dos anos, tem-se que
21 vereadores (23,3 % dos 90) às presidiram em um total de 38 vezes, sendo que 12 a
CCJ e nove (9) a CFO.
Portanto, se constata com os dados apresentados nos parágrafos acima a
existência de dois (2) grupos; sem acesso a quaisquer dos cargos de poder e com acesso
aos mesmos, os quais, por sua vez estão relacionados a vereadores de um (1) mandato e
com dois (2) e mais investiduras populares, apesar de que a média e longa permanência
na CMSP não são fatores muito freqüentes e de que as direções da instituição e das suas
comissões foram ocupadas por vereadores amadores e de passagem.
130
Cargos Públicos sem Votação Popular
Mas os políticos não vivem apenas de mandatos populares, quaisquer que sejam
estes. Pleiteiam, também, cargos de confiança nos primeiros escalões governamentais
nos diversos veis de governo das administrações direta e indireta, bem como os
poucos que requisitam confiança na indicação, porém desta prescindindo para sua
manutenção (conselheiro do TCM). Desse modo, examinam-se agora os vereadores que
preencheram tais cargos públicos, os quais, como já foi relatado atrás, se não dependem
estrito senso de que seus ocupantes sejam vitoriosos nas urnas recentemente, ou que o
tenham sido, requerem com freqüência que seus ocupantes tenham sido consagrados
popularmente, ou pelo menos tenham obtido bons resultados, pois resultam de
negociações políticas. Tais negociações precisam, quase invariavelmente, perseguir a
formação de maioria parlamentar na CMSP. São cargos de secretário municipal,
conselheiro do TCM, prefeito nomeado (agora superado), em menor medida o de
secretário estadual, e depois de ter deixado a câmara o de ministro de Estado, os quais
foram preenchidos em todos esses anos por um total de 34 edis (19,2 por cento dos
177) (veja tabela 40 na página seguinte).
Dos vereadores titulares das seis (6) legislaturas, 26 (14,7 % dos 177) ocuparam
cargos de secretários municipais ao menos em uma (1) oportunidade de suas carreiras.
Sete (7) dos 26 chegaram a titulares de secretarias antes de se tornarem vereadores,
situação esta a sugerir que o comando da pasta pode ter sido decisivo para a construção
de capital político indispensável para se disputar com sucesso a eleição de vereador no
futuro. A maioria de 17 chegou durante o mandato, dois (2) dos quais também haviam
sido anteriormente, e cinco (5) foram titulares depois de já terem deixado a CMSP.
Os números são ainda menores para aqueles vereadores que chegaram à
condição de secretário estadual do Governo de São Paulo, totalizando apenas sete (7),
fato este que pode ser parcialmente explicado por se tratar de outro nível de governo, o
qual, no caso particular do Estado de São Paulo, responde na atualidade a 645
municípios, os quais são bases eleitorais da maioria dos deputados estaduais e federais.
Além disso, não são todos cargos do primeiro escalão que têm sido preenchidos na
história recente por representantes populares, reduzindo o espectro de indicações.
131
Dos sete (7) vereadores que se tornaram secretários estaduais, um (1) deles foi
titular da Secretária de Segurança Pública (Antonio Erasmo Dias) durante o regime
autoritário, e se elegeria mais tarde deputado federal (1982) e deputado estadual (1986),
até ser eleito vereador em 2000. Os outros seis (6) foram indicados para o cargo de
secretário depois de já terem deixado a câmara paulistana.
Dois (2) foram alçados à condição de ministro de Estado depois de não serem
mais vereadores (Luíza Erundina e Aldo Rebelo). Ambos procederam de organizações
políticas de esquerda; PT e PC do B, que têm sido aliadas na vida política paulistana,
conquanto Erundina tenha deixado o PT e se filiado ao PSB. Finalmente, um (1) deles
foi prefeito nomeado de São Paulo no início dos anos 70 (Miguel Colasuonno) no auge
do regime autoritário e só obteve mandato popular como vereador em 1992.
Tabela 40
Cargos Públicos Relevantes ocupados por designação por vereadores paulistanos
(antes, durante o mandato ou depois de o ter deixado entre 1982-2004)
(N=34)
OUTROS CARGOS Vereadores Antes Durante Depois Situações
Secretários Municipais em SP 26 07 17 05 29
Secretários Estaduais em SP 07 01 00 06 07
Ministros de Estado 02 00 00 02 02
Conselheiros do Tribunal de Contas do Município 03 00 03 00 03
Prefeitos de SP 02 01 00 00 01
Fonte: Diário Oficial do Município de São Paulo.
Observação: prevalece o momento em que o exerceu pela primeira vez. Há vereadores que estiveram em mais de um cargo
municipal.
Como resumo e conclusão do presente capítulo, confirma-se parcialmente a
hipótese de que a vida política dos vereadores eleitos somente para a CMSP prevalece
sobre a que é orientada para outros cargos que integram a definição da ambição
progressiva. Tal realidade se mantém mesmo quando se procura conhecer os vereadores
que pleitearam outros cargos eletivos e não obtiveram sucesso. O número aumentou ao
levá-los em conta, mas ainda assim o coloca em xeque a formulação inicialmente
desenvolvida. Mas continuou a aumentar quando se levou em conta os que haviam
tentado outros cargos antes de serem vereadores pela primeira vez, e, mesmo os que
haviam sido eleitos para outros cargos antes de chegarem a CMSP. É por esta razão,
como se havia afirmado, que a supremacia numérica da ambição estática na CMSP não
quer dizer preferência pela instância legislativa paulistana, mas, provavelmente, falta de
132
condições políticas que viabilizem outra opção. Ademais, esta supremacia não permite
nem mesmo falar em carreira política municipal, à exceção de um pequeno grupo, uma
vez que dentre a grande maioria de parlamentares que nunca disputou outros cargos,
parcela majoritária não superou um mandato no parlamento paulistano.
Demonstrou-se ainda que a participação nos cargos da mesa diretora, instância
máxima de decisão da CMSP, tem boa dose de rotatividade e refletiu quase fielmente a
característica da composição da instituição, com vereadores de dois mandatos se
constituindo na maioria dos que a dirigem. Esta característica quer dizer que mais
tempo na câmara implica em maior acesso aos cargos de poder. Mas a razoável
fidelidade na constituição da mesa foi enfraquecida em conseqüência da sua
composição partidária, que gerou subrepresentação para as maiores agremiações e
sobrerepresentação para as menores dentre as maiores. Todavia, como seria de se
esperar, os dois principais cargos da mesa, de presidente e secretário, estiveram
enfeixados nas mãos de poucos vereadores.
Em relação aos presidentes das comissões permanentes, o acesso dos vereadores
foi muito mais amplo devido à menor importância conferida pelos vereadores a estes
órgãos, bem como a maior oferta.
Constatou-se a parcela diminuta representada pelos vereadores que obtiveram
cargos públicos baseados na confiança e negociações políticas, mas não diretamente do
voto popular (conquanto deste dependam). Não raras vezes, esses órgãos públicos têm
poder muito maior no desenvolvimento de políticas públicas do que o exercido pelo
voto popular no Poder Legislativo.
É interessante notar que apesar da elevada presença de vereadores dos tipos
amador e de passagem isto é, de um e dois mandatos um ligeiro envelhecimento
na composição da câmara, o que sugere uma perda de capacidade de recrutamento de
vereadores nos segmentos mais jovens da população, o que é uma forma de reconhecer
que o maior município do país não é necessariamente um espaço político percebido
como aberto àqueles que desejam abraçar a carreira política.
133
Viu-se que dentre os vereadores que foram eleitos para outros cargos, a maioria
é composta pelos que se encontravam em primeiro e segundo mandatos, o que na
prática os fazem vereadores de meio mandato e um mandato e meio, pois eles assumem
o novo cargo pouco depois de terem completado dois anos à frente do legislativo
paulistano, ou seis anos. De qualquer forma, quase todos aqueles que se enquadraram na
ambição progressiva conseguiram operar em espaços políticos estratégicos nas esferas
federal e/ou estadual.
Ressalte-se, porém, que alguns dos fatos aqui relatados para CMSP não se
revelaram como sendo exclusividades suas; são encontradas até mesmo na ALESP e na
bancada paulista da CD. Ou seja, predominam parlamentares de um mandato e a
longa permanência na mesma casa legislativa é minoritária.
Na mesma linha caminha a participação feminina, a qual, como se revelou, é
bem modesta na câmara paulistana mesmo com a introdução da lei de incentivo a
participação, situação que a coloca atrás da CMRJ e da CMG. As mulheres que se
tornaram vereadoras na capital tiveram dificuldade de se manter na CMSP, ou seguiram
para outros cargos, fazendo com que a presença de vereadoras de um mandato seja
proporcionalmente muito mais alta que a dos homens.
134
CAPÍTULO VII
A DISTRIBUIÇÃO TERRITORIAL DOS VOTOS:
VEREADORES PERMANENTES E VEREADORES DE PASSAGEM
Eleições que são decididas pelo mecanismo do voto proporcional de lista aberta
e não ordenada. Território da circunscrição da Capital quase coincidente à extensa área
do município (de 1.509 km2
113
). Elevado número de candidatos em relação ao número
de vagas, fato este que se verifica em meio à acirrada disputa multipartidária. Os quatro
(4) fatores registrados alimentam a idéia de que a distribuição territorial dos votos dos
candidatos a vereador tende a se concentrar nas áreas do município nas quais o
postulante dispõe de maior atuação devido às dificuldades de se fazerem competitivos
em todas estas, ainda que a atuação política de muitos postulantes a vereador não seja
construída em bases territoriais (relações de vizinhança), mas sim em segmentos sociais
e ocupacionais específicos que podem se distribuir com razoável equilíbrio em mais de
uma área do município. A expressiva concentração de votos nas eleições legislativas
tem gerado ao longo dos anos teses em favor do sistema distrital, pois tornaria mais
nítida a relação entre representante e representado
114
.
Admitindo que a idéia acima seja verdadeira, quão grande será esta concentração
de votos e como medi-la? Será constante ao longo do tempo, e, assim, se constituirá em
fator decisivo para o desempenho global dos candidatos? Haverá candidatos que seriam
eleitos, ou estariam próximo de sê-lo, apenas com os votos das principais zonas
eleitorais? E a distribuição poderá explicar a eleição para outros cargos populares?
Antes de tentar responder as perguntas acima, parece oportuno destacar que
mesmo com atuação política regular fora do calendário eleitoral, e se valendo de amplos
recursos materiais dentro dos quais o uso dos meios de comunicação de massa durante a
campanha, não é fácil para um candidato a vereador se fazer conhecido dos eleitores de
toda a cidade e conseguir que sua imagem e mensagem fiquem gravadas na memória de
113
- De acordo com informação extraída da Emplasa (tabela I.5).
114
- Observando a ocorrência desse fenômeno na eleição de certos deputados estaduais do Rio de Janeiro, Dias
(1991) chama esses parlamentares dedistritáveis” em alusão ao sistema distrital, querendo mostrar, com isso, que o
sistema proporcional gera efeitos contrários a sua razão de ser. Tal interpretação levou o autor a defender a adoção do
voto distrital, como outros autores haviam feito antes (FLEISCHER:1976), mas essa tese foi contestada com
diferentes argumentos, um dos quais gera outras desigualdades e injustiças “que surgirão das diferenças entre os
próprios distritos em cada Estado” (RODRIGUES:1999).
135
grande número de eleitores. Porém, é possível haver exceções, que ficam por conta das
personalidades que convertem para a política o capital construído em outras atividades e
também daqueles políticos que seriam formadores de opinião e, assim, conseguiram
estar presentes continuamente em determinados meios de comunicação
115
. Entretanto, é
possível afirmar sem a necessidade de demonstração empírica que esta não é a realidade
da maioria dos candidatos e dos vereadores eleitos rias legislaturas. Portanto, tem
procedência a idéia de que prepondera a concentração de votos na eleição parlamentar
paulistana. Uma das abordagens sobre a concentração de votos aplicada a CMSP e
valendo-se de sua própria experiência entende que o apoio político de vereadores ao
Poder Executivo em mais de uma gestão paulistana seria a causa da concentração de
votos em áreas nas quais tais políticos foram beneficiados com a possibilidade de
indicação de pessoas de sua confiança para o cargo de administradores regionais
(subprefeitos depois de 2002) (TEIXEIRA:2004). Tais administrações se encontrariam
exatamente nas áreas que estes parlamentares já teriam suas bases e se encarregariam de
mantê-las e otimizá-las.
Apesar da eventual preponderância na concentração de votos, e exatamente
pelos argumentos atrás expostos e aprofundados adiante, há de se admitir a
possibilidade de que os candidatos mais votados para a câmara tendem a distribuir bem
sua votação pelo espaço do município (não por ficarem à frente dos correligionários
e adversários, mas por terem obtido muitos votos). O inverso, contudo, não produz
necessariamente efeito contrário. Ou seja, os candidatos menos votados não serão os
que apresentam maior concentração de votos, pois seus resultados serão em boa medida
a conseqüência de algumas das suas características relacionadas à atuação prévia à
campanha.
As características da distribuição de votos dos vereadores paulistanos podem
contribuir para explicar a existência de diferentes tipos de vereadores na CMSP, que
115
- Entretanto, no período investigado para a CMSP, é difícil identificar vereadores que atendessem esta condição
entre os 177 titulares. Os seis (6) parlamentares que nesta se enquadravam estiveram em uma mesma legislatura na
sua maioria e quase todos no PMDB. Foram os casos de Murilo Antunes Alves, apresentador da TV Record, e seus
colegas Nello Rodolpho Giongo, Dalmo Pessoa e Dárcio Arruda (Nello e Dalmo ligados diretamente ao jornalismo
esportivo) (TEIXEIRA:2004). Na mais recente legislatura, a 14ª, encontram-se Agnaldo Timótheo Pereira, cantor de
músicas românticas e populares quase quatro décadas, participando regularmente de programas de auditório e, tal
como foi informado, ex-vereador na CMRJ e ex-deputado federal pelo estado do Rio de Janeiro e, ainda, da
jornalista esportiva, Sonia Francine, conhecida por Soninha, e filiada ao PT.
136
foram abordados em capítulos anteriores. São os casos do tipo permanente, como
também dos de passagem
116
.
Trata-se agora de tentar responder se esta realidade é resultado de uma simples
escolha dos agentes individuais e das legendas às quais estão filiados, ou o efeito de
outras condições, políticas ou não propriamente, que também se entrelaçam às
características extra-institucionais. Examinar a distribuição territorial dos votos é uma
forma de encontrar a resposta almejada, embora não seja a única
117
, pois as
características geográficas da votação recebida podem embutir parte importante da
explicação sobre as possibilidades da carreira dos vereadores.
Em decorrência das observações e preocupações externadas nos parágrafos
acima, as hipóteses aqui formuladas são as seguintes:
1) Os tipos permanente e quase permanente apresentam alta e muito alta
concentração de votos, embora tal característica tenda a diminuir ao longo
das eleições;
2) Vereadores de passagem apresentam média e significativa dispersão de
votos; e,
3) Tanto os tipos permanente, quase permanente quanto de passagem
apresentam ao menos duas de suas melhores votações sempre nas mesmas
zonas eleitorais.
O âmbito no qual se o registro desta distribuição aqui utilizado é o das zonas
eleitorais, que no município de São Paulo somavam 42 até as eleições de 2004
118
. A
escolha aqui feita recaiu sobre método próprio desenvolvido, o qual agrega quatro (4)
primeiras zonas eleitorais dos vereadores. Limitou-se a estudar os votos de 19
representantes por motivo de economia, como também de acessibilidade e
confiabilidade a dados passados, distribuindo-os pelo três (3) tipos; o permanente, assim
definidos os que se elegeram para pelo menos três (3) mandatos consecutivamente e
para nenhum outro cargo. O segundo pelo tipo quase permanente (uma variação sutil
dos primeiros), que também foram eleitos para pelo menos três (3) legislaturas, mas não
necessariamente consecutivas, embora, neste caso, tenham sido eleitos para outro cargo;
116
- Excluiu-se deliberadamente desta análise os vereadores de tipo amador, que são aqueles dispondo de apenas um
(1) mandato, como os de passagem, mas não obtém qualquer outro cargo eleitoral.
117
- Dado básico e levado em conta em capítulo anterior é fazer a verificação do número de candidaturas
eleitoralmente frustradas para outros cargos.
118
- Ao longo dos 22 anos cobertos pela pesquisa aqui realizada, o TRE-SP criou sete (7) novas zonas eleitorais, as
quais, em ordem alfabética são as seguintes: Brasilândia (1996), Capão Redondo (1996), Grajaú (1996), Parelheiros
(2004), Piraporinha (1996), Rio Pequeno (1996) e São Mateus (1996). Para que as novas zonas não produzam
distorção na interpretação dos dados da concentração de votos e inserção territorial, basta inseri-las em sete (7)
regiões da cidade (Centro, Leste, Norte, Oeste, Sudeste, Sudoeste, e Sul), que foram definidas pelo autor de modo a
captar a diversidade e complexidade municipal.
137
e, em terceiro lugar, o de passagem, os quais conquistaram um (1) ou dois (2) mandatos
e se elegeram para outros cargos
119
.
Recorrer a quatro (4) zonas ao invés de apenas uma (1) se deve a segurança e
simplicidade de se verificar tanto a concentração-dispersão dos votos quanto sua
contigüidade ou interrupção, bem como alterações na distribuição em mais de uma
eleição. Certas vezes, estas alterações distorcem a interpretação, uma vez que a melhor
zona de determinado vereador pode ter se tornado sua quarta na eleição seguinte, sem
que as segundas e terceiras zonas tenham deixado suas posições, e sem que essas quatro
(4) tenham deixado de fazer divisa umas com as outras e/ou mesmo alterado a região
geográfica.
Caso se lidasse com apenas a primeira melhor zona ou somente com a que o
candidato aponta como sendo sua mais importante, a conclusão da análise poderia
enviesar devido a pequenas alterações na quantidade de votos, o que poderia acarretar a
pressuposição de que o vereador estaria se enfraquecendo na região quando na realidade
ele poderia estar se fortalecendo, uma vez que em termos geográficos a região não
coincide necessariamente com a delimitação jurídico-eleitoral. Em toda eleição verifica-
se certa volatilidade nos votos, em conseqüência de vários fatores, tais como
comparecimento às urnas, votos brancos e nulos, números de partidos concorrendo etc.
A contigüidade territorial da votação é outro fator que assegura maior confiabilidade,
pois um significado diferente para o vereador que obtém 50 % dos votos nas suas
quatro (4) melhores zonas, sendo estas territorialmente contínuas, e aquele vereador que
obtém o mesmo percentual, porém em zonas territorialmente descontínuas, isto é, sem
ligação entre si, e, por vezes até muito distantes.
Portanto, desenvolveram-se duas (2) classificações para saber se existe um
padrão de distribuição dos votos dos vereadores, que permita identificar diferenças
119
- Outros estudos com outros métodos e outros propósitos também foram desenvolvidos na capital paulista, os
quais priorizam a distribuição de votos dos partidos políticos para o Poder Executivo e também para a CMSP,
destacando aspectos sócio-econômicos da população no território de São Paulo e ainda levam em conta imagens de
satélite sobre a cidade, além de agruparem os votos em outras unidades. São procedimentos seguros, mas não
atendem ao que aqui se propõe (FIGUEIREDO & LIMONGI & FERREIRA & SILVA:2002). Não obstante, estudos
mais recentes procuram identificar padrões de distribuição territorial especificamente para as eleições da CMSP
(KINZO, Maria Dalva, MARTINS JR., José Paulo & BORIN, Ivan 2003). também estudos um pouco mais
antigos que procuram interpretar o comportamento eleitoral a partir de aspectos sócio-econômicos presentes nas
votações para a Prefeitura da Capital, ou mesmo para o Governo do Estado, alguns dos quais levando em conta
surveys (PIERUCCI&LIMA:1991). Todavia, como mencionado, o propósito aqui foge ligeiramente do oferecido
por tais autores.
138
importantes entre os do tipo permanente e os que se elegeram para outros cargos, e,
assim, facilitar a análise. Uma das classificações se orienta para a concentração de votos
(CV) nas quatro (4) melhores zonas eleitorais e outra para a inserção (continuidade)
territorial (ID) (ver os quadros 5 e 6 seguintes). No tocante a concentração, definiu-se
quatro (4) subclassificações, apresentadas no quadro a seguir:
Quadro 5
Classificação da Concentração de Votos
nas Quatro Principais Zonas do Vereador
0,1 até 25 % Baixa Concentração de Votos (BCV)
26 até 50 % Média Concentração de Votos (MCV)
51 até 75 % Alta Concentração de Votos (ACV)
76 até 100 % Muito Alta Concentração de Votos (MACV)
Em relação à inserção territorial, que está voltada para verificar a contigüidade
territorial da votação, se estabeleceram outras quatro (4) classificações, que estão
apresentadas no quadro seguinte:
Quadro 6
Classificação da Inserção Territorial dos Vereadores com base nas suas
Quatro melhores votações por zonas eleitorais
Dispersa (ID) Nenhuma das quatro principais zonas faz ligação física entre si.
Frágil (ITF) Duas das quatro melhores fazem ligação entre si (ou em dois pares separados.
Relativa (RIT) Três maiores votações estão em zonas territorialmente contínuas.
Forte (FIT) As quatro primeiras votações estão em zonas contíguas, não importando a
ordem em que se apresentam.
Além disso, trabalhando com quatro (4) zonas controla-se com razoável
segurança cerca de 10 % do seu total (apesar da quantidade de eleitores ser
heterogênea), além de se revelar um processo mais breve para se trabalhar com grande
número de candidatos. Além disso, continua possível operar com apenas este número de
zonas eleitorais para efeito de comparação histórica, mesmo com o crescimento do
número total, o qual é definido pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE). Para isto, basta
informar de quais antigas as novas foram destacadas, pois o objetivo principal deste
método é menos de caráter estatístico, e mais o de facilitar a compreensão da
distribuição dos votos em face da sua evolução temporal.
Será possível constatar na tabela 41 e no quadro a seguir apresentados, tendo por
base as explicações anteriores do presente capítulo, que as situações eleitorais dos
139
vereadores são diversas; os representantes que se elegeram para vereador, pois se
candidataram somente para este cargo nas seis eleições observadas; os que se
candidataram a vereador, mas nem sempre foram eleitos; os que só se elegeram a
vereador, mas também disputaram e não se elegeram para outros cargos, entre muitas
outras situações.
Acompanhe os resultados do grupo de vereadores selecionado. Seis (6) dos oito
(8) vereadores classificados como permanentes apresentam concentração de votos alta
(ACV) ou muito alta (MACV) em suas quatro (4) melhores zonas eleitorais. Apenas
dois (2) deles apresentam média que os identifiquem como MCV. Mesmo com a
classificação ACV sendo majoritária dentre os permanentes, é atitude prudente não
extrair conclusões, ao menos não antes de se avaliar os dois (2) outros tipos; dos quase
permanentes e dos de passagem.
A classificação dos seis (6) vereadores quase permanentes é dividida com
relativo equilíbrio, importando registrar que na eleição de 2004 nenhum se encontrava
mais na CMSP, pois havia sido eleita para outros cargos. Três (3) deles apresentam
média concentração (MCV), um deles muito alta (MACV), e os outros dois (2) alta
(ACV). Diferentemente do grupo dos permanentes, a variação entre os números médios
dos integrantes dos quase permanentes é menor, mas é bastante significativa a variação
temporal de cada vereador (veja tabela nas páginas seguintes).
Três (3) dos cinco (5) vereadores de passagem, pela própria natureza da
classificação, não apresentam números médios uma vez que a maioria disputou uma
(1) eleição para o cargo de vereador. As médias seriam possíveis levando-se em conta
para a análise sua votação para os outros cargos. Todavia, tal procedimento permite
identificar sem ambigüidade que a característica identificada é distinta das demais, ou
seja, a porcentagem acumulada de suas quatro (4) melhores zonas eleitorais oscila entre
a Baixa Concentração de Votos (BCV) e a base mínima da MCV, muito próxima da
BCV. Se fosse tirada a média de cada grupo, ficariam clara as diferenças entre os três
(3); os permanentes apresentando ACV mais alta, em patamar intermediário desta
classificação; os quase permanentes também com Alta Concentração de Votos (ACV),
mas no piso mais baixo, próximo ao limite superior da Média Concentração de Votos
140
(MCV), e, finalmente, os de passagem com MCV muito próximo da Baixa
Concentração de Votos (BCV).
A inserção territorial (IT) de quase todos vereadores no decorrer das eleições
apresenta diferenças entre eles, como também para cada um deles individualmente, a
despeito de quais sejam seus tipos (permanentes, quase permanentes, ou de passagem).
Isto significa que dificuldade para alguns, ou mesmo impossibilidade para outros, de
estabilizar as bases eleitorais das zonas contíguas devido ao próprio caráter da disputa
eleitoral. Candidatos estreantes em determinadas zonas que ainda não foram
consolidadas subtraem votos importantes de alguns dos que buscam a reeleição (veja
Quadro 7 na página seguinte).
141
Tabela 41
Concentração dos Votos nas Quatro (4) Melhores
Zonas Eleitorais na Votação Total de 16 vereadores da CMSP, em Porcentagem
PERMANENTES M PARTIDO** (82) (88) (92) (96) (00) (04) MD CV
Jooji Hato 6 PMDB 18 34 40 36 39 30 33 MCV
Roberto Trípoli 5 PMDB 36 43 36 33 30 36 MCV
Arselino Roque Tatto 5 PT 90 84 64 58 60 71 ACV
Antonio Paiva M.F. 4 PL 68 80 71 70 72 ACV
Milton Leite 3 PMDB 74 72 72 73 ACV
Antonio Goulart 3 PMDB 54 68 69 64 ACV
José Viviane Ferraz 4 PL 77 84 79 83 78 87 81 MACV
Edivaldo Estima 4 PTB 82 73 75 64 74 ACV
QUASE
PERMANENTES
Adriano Diogo 4 PT 54 53 36 30 43 MCV
Arnaldo de A. Madeira 3 PMDB 24 31 44 33 MCV
Devanir Ribeiro 4 PT 80 74 77 73 76 MACV
Henrique S. Pacheco 3 PT 71 70 55 65 ACV
Ítalo Cardoso de Araújo 4 PT 71 56 61 49 59 ACV
Marcos R. de Mendonça 3 PMDB 22 36 46 35 MCV
DE PASSAGEM
José E. M. Cardozo* 2 PT 34 19 26 MCV
Eduardo M. Suplicy 1 PT 19 19 BCV
Nello Rodolpho Giongo 2 PMDB 25 39 32 MCV
Robson Tuma 1 PL 39 39 MCV
Zulaiê Cobra Ribeiro 1 PSDB 26 26 MCV
Fonte: TRE-SP.
Observação – M – Número de Mandatos dos Vereadores. MD – É a média das CV nas quatro melhores zonas de cada
candidato. CV é a classificação de Concentração de Votos a partir da média das eleições disputadas para vereador.
* em 92 foi suplente. ** Partido pelo qual disputou a primeira eleição em que se elegeu titular
Quadro 7
Inserção Territorial (IT) nas Quatro (4) Melhores
Zonas Eleitorais na Votação Total de 16 vereadores da CMSP, em Porcentagem
PERMANENTES PARTIDO** M (82) (88) (92) (96) (00) (04)
Jooji Hato PMDB 6 ITF ITF ITF RIT RIT RIT
Roberto Trípoli PMDB 5 RIT RIT FIT RIT RIT
Arselino Roque Tatto PT 5 FIT FIT RIT RIT FIT
Antonio Paiva Monteiro Filho PL 4 FIT FIT FIT FIT
Milton Leite PMDB 3 RIT ITF ITF
Antonio Goulart PMDB 3 FIT ITF ITF
José Viviane Ferraz PL 4 FIT FIT FIT FIT FIT FIT
Edivaldo Estima PTB 4 FIT FIT FIT RIT
QUASE PERMANENTES
Adriano Diogo PT 4 FIT FIT FIT FIT
Arnaldo de Abreu Madeira PMDB 3 ITF RIT FIT
Devanir Ribeiro PT 4 FIT FIT FIT FIT
Henrique Sampaio Pacheco PT 3 RIT ITF
Ítalo Cardoso de Araújo PT 4 FIT RIT ITF ITF
Marcos Ribeiro de Mendonça PMDB 3 RIT FIT
DE PASSAGEM
José Eduardo Martins Cardozo* PT 2 ITF
Eduardo Matarazzo Suplicy PT 1 RIT
Nello Rodolpho Giongo Filho PMDB 2 ITF FIT
Robson Tuma PL 1 FIT
Zulaiê Cobra Ribeiro PSDB 1 RIT
Fonte: TRE-SP. M – Número de Mandatos.
Dos previamente selecionados, excluíram-se os que não apresentavam todos dados.
* em 92 foi suplente. ** Partido pelo qual disputou a primeira eleição em que se elegeu titular
142
A seguir examina-se detidamente o desempenho eleitoral, concentração zonal e
inserção territorial de votos de cinco (5) vereadores do tipo permanente dentre os 19
selecionados, os quais estiveram, quase sempre, em diferentes partidos
120
. Finalmente,
faz-se um breve apanhado dos tipos quase permanente e de passagem.
A experiência de Jooji Hato
Jooji Hato, o vereador mais antigo do período aqui investigado, é um exemplo
de relativo êxito na consolidação de suas principais zonas eleitorais e, ao mesmo tempo,
de certa independência destas, apresentando boa distribuição no conjunto do território.
Quanto à concentração de votos (CV), seu desempenho é de Média Concentração de
Votos (MCV), o que contraria a primeira hipótese deste capítulo, para a qual se
esperaria Alta Concentração de Votos (MCV) ou Muito Alta Concentração de Votos
(MACV). No tocante a inserção territorial (IT), ele teve frágil (ITF) nas suas três (3)
primeiras eleições (1982, 1988 e 1992), e relativa (RIT) nas demais (1996, 2000 e
2004).
Vale considerar, portanto, que a votação de Hato foi se solidificando em uma
mesma base territorial a qual lhe assegurou suas quatro (4) melhores votações, embora
não tenha sido classificada forte (FIT) em nenhuma delas. Ainda assim, a fixação das
bases territoriais, bem como a contigüidade territorial da maioria de suas zonas
eleitorais é fato importante.
A fim de tornar mais fácil acompanhar o relato sobre Hato, retoma-se na tabela
42 seguinte a evolução de sua votação total (exclusivamente de vereador), que foi
apresentada anteriormente, acrescida da evolução percentual, da somatória das quatro
(4) primeiras, de seu peso percentual e da evolução percentual das quatro primeiras
zonas somadas.
Em uma primeira leitura, é possível afirmar que suas votações principais oscilam
tanto quanto suas votações globais, seguindo na mesma direção (queda, queda, subida,
queda, subida novamente), porém com grandezas distintas. Quando Hato teve perda na
120
- Para visualizar a concentração de votos dos cinco (5) vereadores, vide mapas nos anexos. Os vereadores são
Jooji Tato, Arselino Tatto, Roberto Trípoli, Antonio Paiva Monteiro e Edivaldo Estima.
143
votação geral, seu decréscimo foi menos acentuado nas primeiras, e quando a votação
total voltou a subir, seu crescimento nas primeiras foi menor. Talvez seja possível
afirmar, que suas principais zonas eleitorais são importantes anteparos nos momentos
difíceis. De qualquer maneira, ele jamais teria sido eleito somente com seus quatro
melhores desempenhos eleitorais
121
.
Tabela 42
Desempenho do Vereador Jooji Hato em todas eleições para vereador,
segundo a evolução dos votos, considerando as quatro primeiras zonas.
(1982-2004)
ANO
DA ELEIÇÃO
VOTAÇÃO
EVOLUÇÃO
EM %
SOMA DAS 4
PRIMEIRAS
ZONAS
PESO DAS
4
PRIMEIRAS
EVOLUÇÃO
DAS 4 EM %
1982
55.142 10.085
18,0
1988
18.427
-65,6
6.248
33,9 -38,0
1992
14.178
-23,0
5.666
40,0 -9,3
1996
35.538
+150,6
13.170
37,0 +132,4
2000
24.108
- 32,2
9.327
38,7 -29,2
2004
29.182
+21,0
11.110
38,1 +19,1
Fonte: TRE-SP.
Fazer qualquer afirmação mais consistente a respeito de Jooji Hato depende de
se examinar propriamente a inserção territorial (IT) de forma mais detalhada. Em seis
(6) eleições disputadas, ele teria, em tese, duas (2) possibilidades de ocorrências
situadas nas extremidades opostas considerando-se suas quatro (4) mais importantes, a
saber: 24 zonas eleitorais se nenhuma se repetisse, ou apenas quatro (4) no caso de
serem sempre as mesmas.
Observa-se com nitidez na tabela 43 a seguir que ele contou com dez (10)
diferentes zonas entre suas primeiras quatro colocadas, sendo que duas (2) dessas;
Saúde e Jabaquara ambas contíguas ofereceram cada uma as maiores freqüências,
com seis (6) e cinco (5) participações respectivamente.
121
- O critério aqui adotado para concluir se o vereador conseguiria ser eleito com suas quatro melhores votações é o
de verificar se com estas ele(a) obtém um (1) voto a mais do que o último colocado de seu partido ou coligação,
considerando que os votos dele subtraídos não seriam alocados para os demais candidatos.
144
A zona eleitoral do Tatuapé também compareceu cinco (5) vezes, mas não
apresenta ligação territorial com as outras duas; localizando-se na região Leste. A da
Saúde esteve nas cinco oportunidades em primeiro lugar, enquanto a do Jabaquara
alternou-se entre a terceira (1988) e segunda colocações (1992, 1996, 2000 e 2004). A
do Tatuapé, por sua vez, teve importância descendente, alternando-se entre a segunda
(1988); terceira (1992) e quarta (1996, 2000 e 2004) posição. Por outro lado, seis (6)
zonas eleitorais compareceram uma (1) vez entre as quatro (4) mais importantes do
vereador.
Tabela 43
Freqüência das Quatro Primeiras Zonas Eleitorais de Jooji Hato
Em Seis Eleições (1982-2004).
ZONA
ELEITORAL REGIÃO FREQÜÊNCIA POSIÇÕES
Bela Vista Centro 01 2º (1982)
Butantã Oeste 01 4ª (1988)
Campo Limpo Sul 01 1ª (1982)
Capela de Socorro Sul 01 4ª (1992)
Casa Verde Norte 01 3ª (1982)
Cidade Ademar Sul 01 3ª (1996)
Ipiranga Sudeste 02 3ª (2000 e 2004)
Jabaquara Sudeste 05 2ª (2004, 2000, 1996, 1992); 3ª (1988)
Saúde Sudeste 05 1ª (1982, 1988, 1992, 1996, 2000 e 2004)
Tatuapé Leste 05 2ª (1988); 3ª (1992); 4ª (1996, 2000 e 2004)
Fonte: TER-SP.
Portanto, se por um lado Jooji Hato é classificado como Média Concentração de
Votos (MCV) e seu desempenho não o faz regularmente forte territorialmente (FIT),
ainda assim dispõe de duas (2) zonas que lhes são muito caras. Não obstante, o exemplo
individual de Hato não permite que se aceite, de imediato, como sendo verdadeira a
hipótese de que o tipo permanente tem Alta Concentração de Votos (ACV) apesar de
dispor de força constante em duas zonas.
Como Hato concorreu e não se elegeu duas (2) vezes para deputado estadual e
uma (1) vez para senador da República, faz-se necessário entender se tais disputas
tiveram por objetivo a efetiva progressão na carreira, ou foi uma forma de contribuição
para o partido, e/ou, ainda, evitar o risco de não ser reeleito para vereador nas eleições
seguintes. Nesse último caso, disputar eleições no meio do mandato é um recurso para
manter sua imagem na memória do eleitor, bem como renovar alianças, ou mesmo
145
ampliá-las a fim de assegurar sua penetração em determinadas áreas, que podem ser
perdidas para estreantes que tenham atividade política regular e pretendam se candidatar
à primeira eleição.
O exame de sua votação para os cargos mencionados sugere que suas
candidaturas não foram efetivas; seja porque sua quantidade de votos total à Assembléia
Legislativa (em todo o Estado) foi pouco superior à de sua última votação para vereador
e à sua seguinte, mas inferior no município de São Paulo, como também ele perdeu
votos em suas principais zonas eleitorais (Saúde e Jabaquara). Certamente sua votação
total cresceu bastante ao concorrer para senador por se tratar de eleição majoritária
(vide gráfico 2 a seguir), mas não impediu que houvesse queda na eleição seguinte para
a CMSP (2000), mesmo quando comparada à anterior municipal (1996). A comparação
de sua evolução de votos é feita em relação a dos eleitores que se abstiveram quanto a
dos que votaram nulo.
O desempenho do vereador Arselino Tatto
Voltando-se agora para Arselino Tatto. Ele chegou a CMSP em 1988 com a
vitória de seu partido, PT, para o comando da PMSP, como um dos menos votados, mas
Gráfico 2 - Evolução dos Votos do Vereador Jooji Hato a cada eleição - Em %
-200
-100
0
100
200
300
400
500
600
700
800
88/82 90/88 92/88 96/92 98/96 00/96 00/98 02/00 04/00
VotTotal 259-Saúde 320-Jabaquara
146
reelegeu-se desde então com desempenhos sempre significativamente crescentes,
mesmo nos anos em que a legenda esteve fora do controle do Poder Executivo. A
trajetória sempre crescente revela que Tatto pôde contar continuamente com suas quatro
melhores zonas eleitorais, as quais têm grande peso em sua votação total, conquanto
decrescente ao longo do tempo. A menor dependência de suas melhores zonas eleitorais
não se deveu em momento algum a perda de votos nestas bases, os quais se
apresentaram em trajetória ininterruptamente ascendente, porém freqüentemente menos
vigorosa que sua votação geral. na eleição de 2004 Tatto apresentou crescimento na
somatória de suas quatro zonas (68,4 %) que foi superior a geral (61,0 %) (veja tabela
44).
A distribuição zonal dos votos de Tatto variou de Muito Alta Concentração de
Votos (MACV) para Alta Concentração de Votos (ACV) nas cinco eleições disputadas,
caracterizando-se de forma distinta à de Jooji Hato. Tatto, examinado isoladamente,
confirmaria a hipótese segundo a qual vereadores do tipo permanente apresentam ACV.
E, além disso, de seus cinco mandatos ele teria sido eleito seguramente em quatro
desses valendo-se de suas quatro primeiras zonas eleitorais, à exceção de 1988 e por
muito pouco.
Tabela 44
Desempenho do Vereador Arselino Tatto em todas eleições para vereador,
segundo a evolução dos votos, considerando as quatro primeiras zonas.
(1988-2004)
ANO
DA ELEIÇÃO
VOTAÇÃO
EVOLUÇÃO
EM %
SOMA DAS 4
PRIMEIRAS
ZONAS
PESO DAS
4
PRIMEIRAS
EVOLUÇÃO
DAS 4 EM %
1988
12.726 11.487
90,3
1992
18.343
+ 44,1
15.506
84,5 + 35,0
1996
26.667
+43,3
16.934
63,5 +9,2
2000
45.541
+ 70,8
26.266
57,7 +55,1
2004
73.308
+61,0
44.230
60,3 +68,4
Fonte: TRE-SP.
Como disputou cinco (5) eleições, Tatto poderia apresentar até 20 zonas
eleitorais diferentes caso obtivesse seus melhores votos sem nunca repeti-los nas
mesmas. Entretanto, seus melhores desempenhos concentraram-se em apenas sete (7)
zonas eleitorais, localizadas na região Sul sem exceção (vide tabela 45). Capela do
Socorro e Cidade Ademar são as zonas que freqüentaram maior número de vezes uma
das quatro melhores votações de Tatto (cinco 5 cada), embora suas posições tenham
147
variado. Sua distribuição não foi mais concentrada, uma vez que Grajaú, Parelheiros
e Piraporinha foram criadas a partir da zona da Capela de Socorro. Arselino Tatto é um
caso típico de Forte Inserção Territorial (FIT) em uma mesma região do município.
Tabela 45
Freqüência das Quatro Primeiras Zonas Eleitorais de Arselino Tatto
Em Cinco Eleições (1988-2004).
ZONA
ELEITORAL REGIÃO FREQÜÊNCIA POSIÇÕES
Campo Limpo Sul 03 2º (1992); 3ª (1988); 4ª (2000)
Capela de Socorro Sul 05 1ª (1988, 1992); 2ª (1996, 2000), 4ª (2004)
Cidade Ademar Sul 05 2ª (1988), 3ª (1992, 1996, 2000, 2004)
Grajaú Sul 03 2ª (2004), 1ª (1996, 2000)
Parelheiros Sul 01 1ª (2004)
Piraporinha Sul 01 4ª (1996)
Santo Amaro Sul 02 4ª (1988, 1992)
Fonte: TER-SP.
A Distribuição do Vereador Roberto Trípoli
Roberto Trípoli foi eleito para seu primeiro mandato na CMSP em 1988, na
legislatura seguinte a de seu irmão Ricardo Trípoli, que deixaria de concorrer
novamente à câmara para disputar em 1990 uma vaga na Assembléia Legislativa de São
Paulo (ALESP). As votações de Roberto foram sempre crescentes, a despeito dele tê-las
disputado por três (3) diferentes partidos (PMDB, PV e PSDB), tendo seu ápice na de
1996, quando esta votação variou positivamente 70,5 %, para se manter depois em um
patamar de 30 % a partir de 2000 (ver tabela 46).
Suas quatro (4) melhores zonas eleitorais também cresceram constantemente,
embora menos que suas votações gerais. Isto se compreende observando o peso
percentual de suas melhores zonas eleitorais que esteve quase sempre na faixa dos 30%,
com apenas um caso em 1992 situando-se em 42,7 %. Sua classificação, portanto, é de
Média Concentração de Votos (MCV), o que rejeitaria a hipótese inicial do capítulo, a
qual manifestava a expectativa de que tal distribuição de votos fosse a de um
parlamentar de passagem. Ele não seria eleito em qualquer das disputas se dependesse
apenas de suas quatro primeiras zonas eleitorais, mas estaria bem posicionado.
148
Tabela 46
Desempenho do Vereador Roberto Trípoli em todas eleições para vereador,
segundo a evolução dos votos, considerando as quatro primeiras zonas.
(1988-2004)
ANO
DA ELEIÇÃO
VOTAÇÃO
EVOLUÇÃO
EM %
SOMA DAS 4
PRIMEIRAS
ZONAS
PESO DAS
4
PRIMEIRAS
EVOLUÇÃO
DAS 4 EM %
1988
17.642 6.932
36,2
1992
19.705
+ 11,7
8.416
42,7 + 21,4
1996
33.590
+ 70,5
12.022
35,8 + 42,8
2000
40.629
+ 30,0
13.558
33,4 + 12,8
2004
57.405
+ 33,9
17.378
30,3 + 28,2
Fonte: TRE-SP.
Roberto Trípoli, tal como Arselino Tatto, poderia ter obtido suas quatro
melhores votações em até 20 diferentes zonas, em uma hipotética situação de dispersão
total entre as mesmas. Mas estas se concentraram igualmente em sete (7) zonas
eleitorais, situadas em três (3) regiões contíguas do município (vide tabela 47). Das sete
(7) zonas, duas dessas, Perdizes e Pinheiros, estiveram sempre presentes entre as
melhores, com a diferença que Perdizes foi sempre a primeira e a de Pinheiros se
alternou entre a terceira e quarta posições. Indianópolis e Lapa também foram zonas
importantes para seus desempenhos, comparecendo três (3) vezes em suas melhores
performances, com posições de segunda e terceira para Indianópolis e sempre segunda
para a última.
Tabela 47
Freqüência das Quatro Primeiras Zonas Eleitorais de Roberto Trípoli
Em Cinco Eleições (1988-2004).
ZONA
ELEITORAL REGIÃO FREQÜÊNCIA POSIÇÕES
Bela Vista Centro 01 4ª (1996)
Indianópolis Sudoeste 03 2ª (1988, 1992), 3ª (2004)
Jardim Paulista Sudoeste 02 3º (1988), 4º (1992)
Lapa Oeste 03 (1996, 2000, 2004)
Perdizes Oeste 05 1º (1988, 1992, 1996, 2000, 2004)
Pinheiros Oeste 05 3º (1992, 1996, 2000), 4ª (1988, 2004)
Rio Pequeno Oeste 01 4ª (2000)
Fonte: TER-SP.
Performance de Toninho Paiva
Antonio Paiva Monteiro, Toninho Paiva, elegeu-se para a CMSP pela primeira
vez em 1992 pelo Partido Liberal (PL), reelegendo-se nas três eleições subseqüentes,
embora na de 2000 tenha sido pelo Partido da Frente Liberal (PFL) para retornar ao PL
em 2004 (vide tabela 48). Porém, ao contrário de Trípoli e Tatto, ele apresentou queda
149
de votação muito acentuada na eleição de 2000, após ter tido uma votação altíssima em
1996, quando comparada à sua primeira em 92. Esta oscilação está associada à eleição
para prefeito, uma vez que seus candidatos foram eleitos em 1992 e 1996 (Maluf e Pitta
respectivamente), mas derrotado em 2000 (Marta Suplicy). Entretanto, como em 2004,
seu partido voltou a ser o PL e este apoiou a reeleição da candidata do PT, ele obteve
crescimento da votação, apesar dela não ter sido reeleita,
Em 2004, Paiva voltou a subir, indicando, entretanto, a existência de um padrão
de alta variação, variação esta que também pôde ser observada em suas quatro melhores
zonas eleitorais. Apesar de variações tão intensas em suas zonas eleitorais, sua
concentração de votos foi sempre Alta (ACV), o que o torna próximo de Arselino
Tatto, mas distante de Trípoli e Jooji Hato. Apesar da proximidade com Tatto, somente
na eleição de 1996 as quatro melhores zonas seriam suficientes para elegê-lo.
Tabela 48
Desempenho do Vereador Antonio Paiva Monteiro em todas eleições para vereador,
segundo a evolução dos votos, considerando as quatro primeiras zonas.
(1992-2004)
ANO
DA ELEIÇÃO
VOTAÇÃO
EVOLUÇÃO
EM %
SOMA DAS 4
PRIMEIRAS
ZONAS
PESO DAS
4
PRIMEIRAS
EVOLUÇÃO
DAS 4 EM %
1992
13.685 9.303
68,0
1996
62.407
+ 334,1
49.943
80,0 + 436,8
2000
25.729
- 59,3
18.351
71,3 - 62,2
2004
45.512
+ 76,9
31.491
69,2 + 71,6
Fonte: TRE-SP.
Por ter disputado quatro (4) eleições, Paiva poderia distribuir suas quatro (4)
melhores votações em até 16 zonas eleitorais. Contudo, suas melhores votações
recaíram sobre cinco (5) zonas eleitorais, na região Leste. Três zonas (Penha, Tatuapé e
Vila Matilde) estiveram entre as quatro (4) primeiras nas suas quatro (4) disputas, mas
nenhuma destas guardou a mesma posição (ver tabela 49). Entretanto, Ermelino
Matarazzo, que compareceu em três (3) dos quatro (4) pleitos, manteve-se sempre em
primeiro lugar. Com distribuições ACV e Forte Inserção Territorial (FIT), os
desempenhos de Paiva não falsificariam a hipótese do capítulo.
150
Tabela 49
Freqüência das Quatro Primeiras Zonas Eleitorais de Antonio Paiva Monteiro
Em Quatro Eleições (1992-2004).
ZONA
ELEITORAL REGIÃO FREQÜÊNCIA POSIÇÕES
Ermelino Matarazzo Leste 03 1ª (1996, 2000 e 2004)
Penha Leste 04 2ª (1996), 3ª (2000, 2004), 4ª (1992)
Tatuapé Leste 04 1ª (1992), 2ª (2000, 2004), 3ª (1996)
Vila Formosa Leste 01 3ª (1992)
Vila Matilde Leste 04 2ª (1992), 4ª (1996, 2000 e 2004)
Fonte: TRE-SP.
Edivaldo Estima
Estima, como Paiva Monteiro, também foi eleito pela primeira vez em 1992,
concorrendo, entretanto pelo Partido Trabalhista Brasileiro (PTB). Reelegeu-se nas três
seguintes, apesar de ter disputado por dois outros partidos; PPB, o sucedâneo do PDS
(1996 e 2000), e pelo Partido Popular Socialista (PPS) na de 2004. Ou seja, suas
disputas o fizeram deslocar-se no espectro ideológico do centro para a direita e da
direita para a esquerda. Seus desempenhos totais e das melhores zonas passaram por
variações importantes, com grandezas relativamente diferentes (ver tabela 50). Na
eleição de 1996, teve sua maior votação, para sofrer queda abrupta na seguinte, em
2000, e se recuperar em 2004. Sua distribuição de votos situou-se entre ACV (1996,
2000 e 2004) e MACV (1992). Em duas postulações (1996 e 2000), ele necessitaria
somente das quatro primeiras zonas para ser eleito.
Tabela 50
Desempenho de Edivaldo Estima em todas eleições para vereador,
segundo a evolução dos votos, considerando as quatro primeiras zonas.
(1992-2004)
ANO
DA ELEIÇÃO
VOTAÇÃO
EVOLUÇÃO
EM %
SOMA DAS 4
PRIMEIRAS
ZONAS
PESO DAS
4
PRIMEIRAS
EVOLUÇÃO
DAS 4 EM %
1992
14.464 11.919
82,4
1996
53.668
+ 271,0
39.112
72,9 + 228,0
2000
29.132
-45,7
21.733
74,6 - 44,4
2004
34.885
+ 19,7
22.423
64,3 + 3,2
Fonte: TRE-SP.
Em 16 possíveis zonas eleitorais, as quais, em tese, poderiam estar entre as
primeiras quatro (4) eleições de Edivaldo Estima, ele obteve seu melhores desempenhos
em sete (7), diferenciando-se de Antonio Paiva Monteiro, conquanto todas suas zonas se
localizem na região Sul do município. Não obstante, isto ocorreu, tal como para
151
Arselino Tatto, devido à criação de novas zonas eleitorais que foram formadas na região
Sul, a partir de Capela de Socorro.
Aliás, apenas a zona de Capela de Socorro compareceu em todas suas votações,
oscilando entre as segundas e as primeiras posições. Por sua vez, Cidade Ademar,
Grajaú e Santo Amaro, com três (3) participações cada, também estiveram entre suas
zonas de maior freqüência dentre as mais importantes. No decorrer de suas jornadas
eleitorais, Estima se caracterizou como padrão Forte Inserção Territorial (FIT), com
inflexão para Relativa Inserção Territorial (RIT) na de 2004 (veja tabela 51).
O exemplo de Estima também poderia ser interpretado como não apresentando
maiores obstáculos para se aceitar a hipótese de que distribuição própria de votos
para os vereadores permanentes.
Tabela 51
Freqüência das Quatro Primeiras Zonas Eleitorais de Edivaldo Alves Estima
Em Quatro Eleições (1992-2004).
ZONA
ELEITORAL REGIÃO FREQÜÊNCIA POSIÇÕES
Campo Limpo Sul 01 2º (1992)
Capão Redondo Sul 01 4ª (2004)
Capela de Socorro Sul 04 1ª (1992, 1996), 2ª (2000, 2004)
Cidade Ademar Sul 03 3ª (1992, 1996, 2000)
Grajaú Sul 03 1ª (1996), 3ª (2000), 2ª (2004)
Parelheiros Sul 01 1ª (2004)
Santo Amaro Sul 03 (1992, 1996, 2000)
Fonte: TRE-SP.
Quanto aos vereadores de passagem, dispondo de uma (1) eleição para a CMSP
ou no máximo duas (2), verifica-se a predominância de Média Concentração de Votos
(MCV) para Baixa Concentração de Votos (BCV) nas quatro principais votações,
embora a inserção territorial oscile entre frágil, relativa e forte. Elegendo-se pelo PT,
Eduardo Suplicy se caracteriza como BCV e Relativa Inserção Territorial (RIT), José
Eduardo Martins Cardozo se deslocando de BCV para MCV e de Forte Inserção
Territorial (FIT) para Inserção Territorial Frágil (ITF). Nello Rodolpho Giongo Filho,
que concorreu duas vezes, uma pelo PMDB e a segunda pelo PPB, caracterizou-se com
MCV em ambas e se deslocou de ITF para FIT. Zulaiê Cobra Ribeiro, que concorreu
uma vez pelo PSDB, teve concentração MCV próxima a BCV, e inserção territorial
152
RIT. Finalmente Robson Tuma concorreu em uma eleição apenas (1988) pelo PL e
apresentando MCV e FIT.
Embora a variável trabalhada nesse capítulo não tenha se referido ao universo de
vereadores eleito entre 1982 e 2004, parece seguro aceitar que os dados aqui
sistematizados indicam a existência de padrões diferentes de vereadores, especialmente
quando se acoplam as duas classificações; Concentração de Votos (CV) e Inserção
Territorial (IT). Assim, o tipo de passagem apresenta votação mais dispersa pelas zonas
eleitorais do município, tornando difícil identificar um reduto espacial claramente
definido. Tal dispersão significa que seus principais desempenhos eleitorais apresentam
baixo impacto no conjunto de sua votação e suas zonas podem se alterar com certa
facilidade entre uma e outra eleição. De outro lado, o tipo permanente conta com
votação mais bem definida territorialmente, embora haja variação entre seus integrantes
quanto ao peso relativo exercido pelas suas principais zonas eleitorais. Muitos deles
seriam eleitos somente com seus sufrágios obtidos nas quatro principais zonas
eleitorais. Ou seja, casos em todas classificações, porém apresentando com maior
freqüência de média para alta inserção territorial (IT).
A associação encontrada está longe de permitir afirmar que o padrão de
distribuição espacial do voto determina a diferença entre os tipos de vereador, mas
robustez à hipótese inicialmente formulada de que a compreensão da carreira do
vereador examinada pelo ângulo eleitoral está relativamente ancorada nos segmentos
eleitorais espacialmente identificados ou difusos. Quanto à inserção territorial dos
vereadores, a hipótese segundo a qual ao menos duas das quatro principais zonas
eleitorais se repetem em outras eleições para os tipos de passagem e permanente, é um
fato observado que reforça por um lado o pressuposto de que o sistema de voto
proporcional tende à dispersão dos votos mesmo daqueles políticos que apresentam
eleição muito concentrada territorialmente, mas, por outro lado, que não como
escapar integralmente a certa ligação com áreas geográficas específicas.
153
CAPÍTULO VIII
CONSIDERAÇÕES FINAIS
A principal constatação dessa pesquisa é de que a carreira política na Câmara
Municipal de São Paulo (CMSP) ocorre apenas em caráter excepcional. Esta evidência
foi obtida pela observação de que os vereadores se movimentam em duas direções; em
uma delas mediante alta participação em disputas eleitorais para outros cargos eletivos
antes, durante e depois de terem sido eleitos para a câmara paulistana. Em outra, pela
predominância dos vereadores do tipo amador e sem qualquer outra vitória eleitoral,
que deixam a câmara ao final de seu primeiro mandato. O que se depreende daí é que a
carreira no legislativo municipal, mesmo se admitindo que a maioria da representação
popular é composta de profissionais da política, ainda é pouco institucionalizada na
Edilidade paulistana.
Todavia, é confortável verificar, ainda que isto pareça contraditório, que os
dados obtidos indicam que o estudo da carreira política não da câmara, mas do
Brasil, é suficientemente complexo para não permitir asserções fechadas, mesmo
levando-se em conta que a presente investigação tenha se proposto a analisar a CMSP e
não o sistema político brasileiro em geral.
A despeito do sistema político brasileiro não ter sido objeto desse estudo,
acredito ser difícil de responder no momento, com base na produção acadêmica
existente, se o padrão predominante da carreira política é feito pelas passagens por
cargos diversos - os quais são obtidos em decorrência das próprias variações nas
ambições dos agentes políticos, bem como da alteração das circunstâncias - ou se
apresenta especialização por cargo/mandato e nível de governo. Suspeito, entretanto,
como tratei nessa pesquisa, que uma base para a carreira política, a qual irá se
diferenciar para os atores individuais devido às condições objetivas com que se
deparam. Estas se adaptam tanto às condições institucionais de fundo (divisão político-
territorial do País, magnitude, sistema eleitoral), como as que se apresentam a cada
pleito (novos partidos, perda de popularidade dos mais antigos) e, em menor medida às
suas ambições.
154
Em relação ao subsistema paulistano, este demonstrou que é praticamente
inexistente a relação dos mandatos do Poder Executivo (prefeito, vice-prefeito) com os
de vereador, embora tais cargos se encontrem no mesmo nível de governo. Como se
observou na pesquisa, pouquíssimos são os parlamentares que se candidataram à chefia
do executivo da cidade e vice-versa; os que se candidatam primeiramente à Prefeitura
raramente o fizeram para a CMSP. A relação se faz um pouco mais estreita devido à
participação de certos vereadores nos cargos de primeiro escalão.
De forma a refletir sobre estas e outras questões, apresenta-se aqui resumo dos
fatos encontrados dentre os que me parecem os mais importantes do cenário observado.
Na legislatura, que início ao período aqui estudado, expressiva continuidade
dos vereadores do período anterior (embora minoritária), mesmo daqueles que
pertenceram a ARENA, partido ligado ao regime militar, conquanto a continuidade da
vida política a partir daí foi preponderante para os que se encontraram filiados as
legendas cujos fundadores se opuseram à ditadura de forma mais contundente (PT,
PMDB, depois PSDB). A despeito da continuidade para alguns, mais da metade dos
parlamentares municipais teve apenas um mandato no conjunto das legislaturas
observadas. Para a larga maioria desses atores tal situação decorreu do insucesso na
tentativa de reeleição, gerando sempre alta rotatividade entre as legislaturas, e para uma
expressiva minoria devido à passagem para outros cargos eletivos.
Ocorrendo simultaneamente com o quadro acima descrito verifica-se um
processo de recrutamento junto aos segmentos com idade moderadamente alta e
nitidamente crescente no decorrer das legislaturas, mesmo tendo-se em conta que isso
seja apenas parcialmente o efeito da reeleição de vereadores (naturalmente mais velhos
a cada eleição). Vale recordar, que basta a maioridade legal (18 anos) para alguém
concorrer a mandato na câmara municipal contra exigência pouco ou bem maior para
outros cargos. Ora, se for correto que o município e a câmara municipal são os
primeiros degraus de uma carreira progressiva, seria de esperar o predomínio dos
jovens, ou pelo menos alta participação deles, expectativa que é reforçada pela grandeza
da faixa de eleitores até 34 anos na capital.
Em relação à presença das mulheres na composição da câmara paulistana, esta
participação se revelou fraca a despeito de seu peso demográfico, bem como das
155
profundas mudanças transcorridas na sociedade e também da legislação específica sobre
o assunto, ficando aquém da verificada no legislativo do Rio de Janeiro. A carreira das
mulheres paulistanas é mais breve que a dos homens, progredindo para outros cargos ou
simplesmente abandonando a disputa eleitoral. Nenhuma mulher foi presidente do
legislativo de São Paulo, embora uma delas tenha sido primeira secretária por uma
gestão. Se isto não fosse um desestímulo, três mulheres foram denunciadas por práticas
ilícitas em duas diferentes legislaturas quando ainda exerciam seu primeiro mandato,
com três diferentes processos e desfechos e todos desgastantes perante a cobertura da
imprensa.
Pelos diferentes papéis assumidos pela mulher na sociedade a lhe exigir a
conciliação dos compromissos familiares e do trabalho e sobre os quais se discutiu no
capítulo VI, seria razoável esperar que a vida política da metrópole lhe atraísse mais
pela possibilidade de estar perto de casa (AVELAR:2001), ao mesmo tempo em que
esta instituição legislativa lhe confere um grau de visibilidade sem equivalentes nos
pequenos e médios municípios, e mesmo de legislativos estaduais.
O parentesco observado na câmara paulistana abrange parcela diminuta dos
parlamentares, mas não pode ser desprezada como explicação para o êxito de suas
carreiras, pois dos quatro tipos aqui apresentados, apenas o amador não tem
representantes identificados.
Por seu turno, sucesso e insucesso na carreira política na CMSP tiveram pouca
associação com a permanência ou mudança de partidos políticos. De certa maneira, a
migração partidária não se revelou opção segura em prol da continuidade e nem da
progressão. Além disso, as maiores legendas na câmara são aquelas que deram
condições às poucas carreiras estáticas mais longas, embora alguns de seus membros
tenham vindo de outras legendas. Destarte, os partidos políticos aparecem como
explicação importante para a compreensão da carreira.
Na medida em que os partidos brasileiros são legalmente desobrigados de
elaborar uma ordem de preferência e lançam muitas candidaturas para o Poder
Legislativo, o eleitorado, que por sua vez pode votar no nome que lhe aprouver, carece
de elementos para fazer avaliação consistente sobre a viabilidade eleitoral das
156
candidaturas, suas plataformas, e os interesses que representam, como os que dispõem
para o Poder Executivo (pesquisas eleitorais, por exemplo). Se a eleição pela regra
majoritária suscitou a elaboração de teorias sobre o comportamento do eleitor médio
baseadas em atalhos informacionais na construção de sua decisão a fim de driblar os
fatores tempo e motivação durante o processo eleitoral, tais atalhos se fazem muito mais
presentes na eleição para a composição do Poder Legislativo pelo sistema proporcional
vigente no Brasil
122
. Em conseqüência desta postura e dos fatores institucionais
apontados, produz-se elevada dispersão de votos entre os candidatos como se mostrou
no início desta pesquisa mediante a ocorrência das baixas taxas de representatividade (a
despeito da ligeira melhora verificada após a introdução do voto eletrônico).
A dispersão de votos entre os postulantes do mesmo partido e coligação poderia
ser parcialmente explicada pela própria distribuição dos votos pelas zonas eleitorais,
conquanto a associação das duas variáveis não tenha sido objeto de observação direta no
estudo. Ou seja, a quantidade de candidatos de um partido ou coligação com maior ou
menor viabilidade eleitoral geraria efeitos na distribuição dos sufrágios, pois candidatos
mais fortes eleitoralmente espalham sua votação com razoável harmonia entre suas
principais zonas eleitorais e dessas para as menos importantes. Quando quedas
acentuadas de votos em zonas que ficam no meio de outras zonas próximas, isto se deve
possivelmente à votação recebida por outros candidatos, por vezes do mesmo partido e
coligação. Assim, a relação de votação mais ou menos concentrada e a força da inserção
territorial, a despeito das limitações dos dados aqui levantados, tende a se associar aos
tipos dos vereadores, ou seja, se mostra mais espalhada para o de passagem e mais
concentrada para os quase permanente e permanente, sendo que alguns destes últimos
seriam eleitos somente com o que obtiveram em suas quatro primeiras zonas eleitorais.
Como outra constatação da presente pesquisa, ficou nítido que as grandes
legendas carregam consigo número significativo de vereadores de um mandato,
mesmo que eles não se constituam em maioria, enquanto pequenas agremiações
formam, por excelência, um espaço privilegiado da elevada expressão do tipo amador.
122
- O atalho encontrado pelo eleitor se deve a várias razões institucionais e sociológicas, muito mais
complexas do que as aqui expostas. A literatura que discute a racionalidade do eleitor é bastante vasta ao
longo do tempo, levando a mais de uma interpretação bem desenvolvida. Entretanto, de maneira mais
geral estão voltadas para o eleitor frente a eleição para o Poder Executivo ou pelo sistema distrital
majoritário. Um dos pontos de partida é o citado DOWNS (1999), e mais recentemente obras de
referência importante como a de POPKIN (1991).
157
Ainda que uma larga minoria tenha dois ou mais mandatos na câmara paulistana,
os números escasseiam bruscamente a partir do terceiro mandato quando se tem a
legislatura (1983-1988) como ponto de partida, havendo somente um vereador que se
manteve no legislativo paulistano em todo período observado, enquanto a maioria
dentre os poucos que permaneceram na atividade político-eleitoral progrediram para os
níveis estadual e federal, e outros pelejam para se manter à tona em virtude dos revezes
recentes que sofreram.
Esta comprovação é um indicador por si da dificuldade de se formarem
representantes especializados nos problemas da cidade. Os dados coletados pela
pesquisa levantam a suspeita de que as elites da cidade de São Paulo não estejam
diretamente preocupadas com o exercício do poder político na capital por mais
desafiador que este seja, mas sim na disputa pelo controle da Prefeitura e na sua
influência sobre o processo político nacional. Outros analistas trataram a questão da
representação política de São Paulo, não se referindo apenas ao legislativo da capital, e
certamente em termos bem mais severos do que os até aqui apresentados.
“Esse buraco na representação é, provavelmente, um dos fatores que
dificultam o aparecimento de políticos que tenham a cara da cidade, que tenham
aprendido a fazer política ligando-se aos problemas da cidade e à busca de
soluções específicas (...) nos quais reconheçamos paixão pelo seus modos de ser,
preocupação com a defesa de seus interesses, sonhos e projetos (...) se a maioria
(não todos, é claro) dos candidatos a vereador são o rebotalho que são, a maioria
dos candidatos a prefeitos são e tem sido figuras inventadas, cujo currículo político
nada tem a ver com a cidade” (BRANDÃO:2000).
Ademais, pesquisas acadêmicas sobre o sistema político municipal do atual
período democrático, tais como os próprios vereadores, parecem atrair pesquisadores
nacionais de passagem pelo tema, os quais iniciam por suas carreiras, mas depois se
deslocam para temas nacionais e internacionais, entre outros.
E na medida em que não se formam representantes voltados para as questões
citadinas, ao menos como poderia sem para as metrópoles, e nem se mantém estudiosos
158
da política que por iniciam suas pesquisas, a própria idéia das virtudes do sistema
democrático no âmbito da cidade pode estar comprometida. Refletindo sobre os
governos das cidades norte-americanas e de outros países, esta era a preocupação de
parte da ciência política nos EUA em meado da década de 60 (DAHL:1967), a despeito
de que a crítica então formulada partisse do reconhecimento de que o governo local
continuava a ser a instância mais capacitada para integrar a forma representativa com
certa dose de participação direta e sem prejuízo de que os quadros políticos e técnicos
pudessem ser formados com maior comprometimento às suas questões
123
.
De qualquer maneira, a CMSP não se revelou caso único no quesito
institucionalização, sendo até de menor expressão quando comparada aos resultados
obtidos para outros legislativos municipais, como também frente à assembléia paulista
(ALESP) e a bancada paulista da CD
124
.
Na medida em que as ocorrências são generalizadas para o Poder Legislativo,
pode-se considerar que o arranjo institucional é parte expressiva do fenômeno
observado, influenciando-o a partir da combinação das regras da eleição proporcional
com a da lista aberta nos partidos e a facilidade com que as novas legendas – a maioria
dessas chamadas de partidos de aluguel concorrem às eleições, objeto de preocupação
de vários autores citados ao longo desse trabalho.
Portanto, a presença dos vereadores de poucos mandatos é de tal ordem (aqui
divididos entre os tipos amador e de passagem) que teve impacto na composição da
mesa diretora, órgão máximo de direção da casa e nos seus dois principais cargos, de
presidente e primeiro secretário. Partiu-se do pressuposto que chegar ao comando de
uma instituição seria uma progressão estática na carreira que exige certa antigüidade e
experiência. Mas o que se encontrou foi elevado número de dirigentes que chegaram
ainda em seu primeiro exercício, muitos dos quais não permaneceram na câmara mais
do que um único mandato devido às razões apontadas (o que significa apenas meio
123
- Dahl faz ressalvas as megalópolis enquanto meio de assegurar o desenvolvimento político local, questionando a
própria definição de local para os governos dessas jurisdições. Porém, admite que as dificuldades seriam contornadas
com a descentralização do governo. Em tese, o que ele defendia não é diferente do que começou a ser discutido em
São Paulo desde a elaboração da LOM, promulgada em 1990, sendo regulamentado pela Lei 13.399/02, a qual tem
sido implementada com vários contratempos.
124
- Evidente que a bancada paulista não pode ser generalizada para a Câmara dos Deputados. Não se trata de um
órgão interno do Poder Legislativo federal. Ainda assim, seu exemplo ajuda a reflexão.
159
mandato para alguns). Ironicamente, o vereador mais antigo não ocupou a presidência,
embora já a tenha disputado.
Com o comando das comissões permanentes, a situação foi ainda mais nítida,
confirmando parcialmente as análises segundo as quais estes órgãos não são percebidos
como relevantes no legislativo brasileiro. Reforçando esta linha, encontraram-se
suplentes que foram efetivados do meio para o final da legislatura em conseqüência da
renúncia dos titulares eleitos para outros cargos no decorrer do mandato, mas que
continuaram suplentes nas eleições seguintes e, apesar da efêmera titularidade,
integraram cargos na mesa diretora ou obtiveram cargos de confiança.
De qualquer maneira, o acesso à direção da instituição e das comissões
permanentes parece ter facilitado a reeleição dos parlamentares mais antigos bem como
a eleição dos que partiram para outros cargos de natureza popular, uma vez que a
presença deles nos referidos órgãos se fez muito expressiva. Ora, na medida em que o
tempo de experiência legislativa não foi critério definitivo na seleção dos cargos da
mesa diretora e nem das comissões, isto se atribui a precária institucionalização deste
Poder Legislativo (POLSBY:1968). Esta, por sua vez, faz assuntos complexos serem
tratados de forma quase indiferenciada, e tal procedimento tende a produzir
desdobramentos na qualidade dos trabalhos legislativos. Afinal de contas, para citar um
exemplo, a experiência é pouco levada em conta e talvez por isso as comissões não
façam devidamente o trabalho de conversão da complexidade das matérias que
examinam a fim de aliviar o trabalho do plenário, a quem cabe a decisão final na quase
totalidade dos projetos legislativos. Este se obrigado a decidir freqüentemente sobre
questões que deveriam ter sido decididas por aqueles órgãos. Mais do que isso,
muitas matérias não recebem pareceres, pois os prazos não são atendidos e, nestes
casos, tanto o presidente da câmara como qualquer vereador que formalize o
requerimento podem remetê-las ao plenário (artigo 67 do RICMSP).
Por conseguinte, muitos projetos legislativos redundantes, outros tantos de baixa
relevância e outros ainda eivados de problemas técnicos prosperam na tramitação
legislativa da CMSP, chegando mesmo a serem votados, aprovados, e, após serem
vetados quase certamente pelo chefe do Poder Executivo retornam para nova apreciação
do parlamento. Os vetos passam pela comissão e depois seguem para o plenário se
160
manifestar. Ocorre que estas matérias bloqueiam a pauta para análise de novos projetos,
pois são colocadas como primeiro item da ordem do dia (artigo 171 do RICMSP),
exatamente com o propósito de que os edis não se desviem de sua obrigação principal.
Todavia, vários projetos novos e urgentes são encaminhados pelo Poder Executivo e
levariam tempo demasiado entrando na fila para serem votados. Assim, a solução
encontrada pelo legislativo paulistano tem sido convocar sessões extraordinárias, as
quais, no encerramento das últimas legislaturas (12ª e 13ª
125
) superaram as ordinárias
dentre as sessões deliberativas da câmara
126
. Em conseqüência, os projetos de maior
relevância, os quais acarretam as maiores conseqüências para a vida do município, são
pouco discutidos e, com freqüência, recebem parecer conjunto das comissões em
plenário, relegando ao segundo plano a apreciação técnica e política de maior
profundidade.
Assim, seria de supor que os mencionados fatores organizacionais e político-
legislativos da CMSP pudessem ser encarados como um contra incentivo para o
vereador permanecer na atividade parlamentar, pois imergem a instituição em situação
de baixa racionalidade decisória, e, conspiram contra o próprio interesse individual do
parlamentar. Todavia, a escassa permanência na Edilidade paulistana talvez não esteja
ligada às deficiências do processo decisório parlamentar, mas em menor medida às
características de sua ambição (progressiva, por exemplo) e em maior às dos sistemas
eleitoral e partidário, fatores estes que propiciam expressiva presença do tipo amador
(encontrado de forma ainda mais generalizada em outras casas legislativas).
Outro possível contra incentivo para se fazer carreira na Câmara Municipal de
São Paulo (CMSP) é a baixa popularidade desfrutada pela instituição. A CMSP, como
provavelmente os demais legislativos municipais, é duramente atingida pelo juízo dos
cidadãos em relação à atividade política e suas instituições políticas generalizadamente.
Pesquisas de opinião pública captaram a baixíssima avaliação que dela se faz, indicando
que entre os anos de 1999 e 2004, abrangendo três diferentes legislaturas, seus melhores
índices (ótimo e bom) chegaram no máximo a 17%, igual ao do Congresso Nacional no
125
- Por exemplo, a 13ª legislatura foi concluída em 2002 com a convocação de 496 sessões extraordinárias contra
360 ordinárias em quatro anos, ou seja, superioridade de 136, ou 37,8 por cento para as primeiras.
126
- Esclareça-se que os vereadores não são remunerados pelas sessões extraordinárias.
161
mesmo período (dezembro de 2004), e seus piores (ruim e péssimo) nunca estiveram
abaixo de 19% (abril de 2000)
127
.
A baixa avaliação da CMSP se associa ao pouco ou nenhum interesse
demonstrado no processo eleitoral, o qual se torna mais perceptível quando comparado
ao de prefeito. No auge da campanha de 2004 (final de agosto), quando os melhores
índices aumentaram e os piores foram reduzidos, 32% dos entrevistados afirmavam não
ter interesse na eleição para a CMSP contra 20% que diziam a mesma coisa para
prefeito
128
. Se isto não fosse suficiente, 72% dos eleitores de São Paulo não sabiam em
qual candidato a vereador haviam votado em 1996, ao serem ouvidos em 1999. Por
maior que seja a responsabilidade do sistema de voto proporcional e as características
da política no Brasil para a formação de tal juízo, situação semelhante se passa com o
Congresso dos EUA, cujo sistema repousa sobre o voto distrital majoritário, e a não
obrigatoriedade do comparecimento às urnas
129
. Cerca de três quartos dos eleitores
afirmaram não se lembrar do candidato escolhido (MAYER&CANON:1999) e quase a
metade (49%) marcaram incorretamente o nome do partido majoritário no legislativo
logo após as eleições.
Como outros autores salientaram ao se debruçar sobre a carreira dos deputados
federais, a ambição progressiva no Brasil teria uma particularidade extra-legislativa
quando comparada a norte-americana (SAMUELS:2003). Políticos procurariam
preferencialmente cargos no Poder Executivo, via eleição ou nomeação, aproveitando o
mandato parlamentar para construir sua viabilidade política. Contudo, a limitação básica
deste raciocínio se for tomado como padrão principal da ambição política se deve a
tomar apenas a Câmara dos Deputados como unidade de análise, e de um curto período,
além do que foi destacado no início desta pesquisa, segundo a qual os cargos eletivos
e não eletivos na administração pública são numericamente insuficientes para dar vazão
ao elevado número de candidatos. Em conseqüência dessa ressalva é que se reforça a
hipótese de que a hierarquia da ambição política no Brasil é flexível e adaptável às
circunstâncias que se apresentam para os atores, circunstâncias estas que em boa medida
127
- Pesquisas realizadas pelo Instituto DataFolha (1999-2004).
128
- Ibidem.
129
- De acordo com dados eleitorais da American National Election Studies (ANES), o índice desaprovação do
desempenho do Congresso Nacional nunca foi menor do que 34% (entre 1980 e 2004) (Table 5C-4).
162
contribuem para manter um quadro de incerteza sobre regras relevantes do processo
democrático, as quais podem incluir ou excluir políticos da carreira.
Certamente muitos espaços para a ciência política se debruçar e conhecer em
profundidade a carreira política no Brasil contemporâneo, em conseqüência do ainda
moderado tempo de experiência democrática ininterrupta, e mesmo assim enfrentando
algumas importantes mudanças institucionais no seu transcurso. A expectativa aqui
manifestada é de que a presente tese possa contribuir para um outro olhar sobre a
atividade política no Brasil e, sobretudo, faça pensar os que desejam que a vida pública
eleitoral dos grandes municípios seja entendida como lugar privilegiado de ação
política, e não de passagem, e, assim, seja capaz de estimular a dedicação de seus
melhores recursos humanos.
***
163
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CEM – Centro de Estudos da Metrópole.
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CMSP – Câmara Municipal de São Paulo. Supervisão Geral de Biblioteca.
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DATAFOLHA
DOM – Diário Oficial do Município de São Paulo.
EMPLASA - Empresa Paulista de Planejamento Metropolitano S A.
Folha de São Paulo. 04/03/99.
Folha de São Paulo. 29/09/00.
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IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.
LOM – Lei Orgânica do Município de São Paulo.
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Paulo.
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TRE-SP – Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo. Seção de Dados Eleitorais.
TSE – Tribunal Superior Eleitoral. Estatísticas do Eleitorado e Resultado das Eleições.
168
ANEXOS
Tabela
Municípios de São Paulo, Rio de Janeiro, Guarulhos e Caieiras
Percentual da Receita Tributária Própria (RTP) sobre Total da Receita Arrecadada, e Número
de Funcionários da Ativa*
RTP Funcionários
MUNICPÍPIO 1998 1999 2000 2001 2002 2004
São Paulo 39,3 45,0 42,2 126.003 125.533 156.474
**Rio de Janeiro 41,5 37,6 40,2 85.671 81.438 92.937
Guarulhos 28,0 21,5 22,7 17.036 18.063 19.863
Caieiras 25,4 22,8 23,0 837 911 952
Fonte: IBGE – Perfil dos Municípios Brasileiros.
Observação: com base em valores nominais.
* Estatutários, CLT e outros, quando houver. ** Não disponíveis para Administração Indireta.
Tabela
Funcionários por 10.000 habitantes em 2004
MUNICPÍPIO FUNCIONÁRIOS POPULAÇÃO
ESTIMADA
FUN/HAB
SP 156.474 11.218.862 139,5
**RJ 92.937 6.051.399 153,6
***GUA 19.863 1.072.717 185,2
CAI 952 87.717 108,5
*** Informação do Censo de 2000 (Universo), devido a erro na tabela de estimativa.
Tabela
Cargos Públicos Exercidos pelos Candidatos a Prefeito de São Paulo,
Dentre os que concorreram de 1985 a 2004
(N = 57)
CARGOS PÚBLICOS SIM NÃO TOTAL
Vereador 6 51 57
Prefeito 4 53 57
Vice-Prefeito 0 57 57
Deputado Estadual 8 49 57
Deputado Federal 17 41 57
Vice-Governador 3 54 57
Senador 4 53 57
Presidente da República 3 54 57
Secretário Municipal 7 50 57
Secretário Estadual 8 49 57
Ministro de Estado 4 53 57
FREQÜÊNCIA TOTAL DO SIM
Fonte: TRE-SP, Fundação Seade e Biblioteca da CMSP.
169
54,2
39,0
6,8
61,2
32,8
5,9
60,2
33,0
7,9
57,8
35,6
6,6
62,5
31,6
5,9
55,2
39,5
5,4
0
10
20
30
40
50
60
70
CMSP CMRJ CMG CMC ALESP CD-SP
Número de Mandatos nas CMSP, CMRJ, CMG, CMC, ALESP e CD-SP (1982-2004)
1 2 e 3 4 ou >
170
Tabela
Vereadores da 9ª Legislatura (1982-1988) e os partidos pelos quais se elegeram e
reelegeram nas legislaturas seguintes
ELEITOS NA 9ª LEGISLATURA
10ª 11ª 12ª 13ª 14ª MUDANÇAS
Albertino Alves Nobre
PTB PTB 0
Antonio Sampaio Teixeira
PDS PDS PDS 0
Arnaldo de Abreu Madeira
PMDB PSDB PSDB 1
Aurelino Soares de Andrade
PDS PFL 1
Avanir Duran Galhardo
PMDB PMDB 0
Francisco Altino Lima
PMDB PTB 1
Francisco dos Santos Batista Filho
PTB 0
Gabriel Martins Ortega
PTB PSDB 1
Gilberto Nascimento Silva
PMDB PMDB 0
Irede Cardoso
PT PT 0
Jamil Achoa
PMDB PMDB 0
João Aparecido de Paula
PDS PFL 1
João Brasil Vita
PTB PTB PTB PTB 0
João Carlos Alves
PT PT 0
Jooji Hato
PMDB PMDB PMDB PMDB PMDB PMDB 0
José Luis B. de Andrade Figueira
PMDB PFL 1
Marcos Ribeiro de Mendonça
PMDB PSDB 1
Mario Masanobu Noda
PTB PTB 0
Nelson Guerra Jr.
PDS PFL 1
Tereza Cristina de Souza Lajolo
PT PT PT 0
Walter Meyer Feldman
PMDB PSDB 1
Fonte: TRE-SP, CMSP, Diário Oficial do Município.
171
Tabela
Composição Partidária da CMSP
Na Eleição para as Seis Legislaturas (1982-2004).
PARTIDO 9a 10a 11a 12a 13a 14a
PMDB 45,5 17,0 21,8 7,3 10,9 7,3
PDS/PPB/PP* 18,2 15,1 25,5 34,5 10,9 7,3
PTB 21,2 9,4 7,3 5,5 5,5 12,7
PT 15,2 30,2 20,0 18,2 29,1 23,6
PSDB
ñ.e.
9,4 9,1 14,5 14,5 23,6
PFL
ñ.e.
7,5 0 3,6 1,8 3,6
PL
ñ.e
5,7 7,3 7,3 5,5 5,5
PC do B Il. 1,9 3,6 1,8 5,5 1,8
PDT 0 1,9 0 5,5 3,6 3,6
PCB/PPS* Il. 1,9 0 0 3,6 3,6
PSB 0 3,6 0 3,6 1,8
PV
ñ.e.
0 1,8 0 0 5,5
PRONA
ñ.e. ñ.e.
1,8 3,6 0
PSD
ñ.e. ñ.e.
1,8 0
SOMA 100 100 100 100 100 100
Vagas 33 53 55 55 55 55
N= 4 10 9 10 13 12
Fonte: TRE-SP.
Ñ.E. – Não existia. Il. – Estava na ilegalidade.
* Tratados como um só partido.
Tabela
Número de Partidos Efetivos (NPE) por Legislatura e Índice de Fragmentação Partidária (FP)
Na CMSP (1982-2004)
INDICADOR 1982 1988 1992 1996 2000 2004
NPE 3,2 5,8 5,7 11,9 6,9 6,8
FP 0,692 0,829 0,826 0,916 0,856 0,852
Fonte: TRE-SP.
FP = 1 – (Σ p2), onde p2 é a proporção quadrada das cadeiras de cada partido político.
NPE = 1/1-FP, onde FP é o índice de Fragmentação Partidária.
172
Tabela
Faixa Etária dos Vereadores da CMSP
No início de cada legislatura (1983-2005), em %
FAIXA 9a(1983) 10a(1989) 11a(1993) 12a(1997) 13a(2001) 14a(2005)
18-24 0 1,9 0 1,8 0 0
25-30 12,1 9,4 1,8 3,6 0 0
31-40 30,3 24,5 21,8 18,2 16,4 12,7
41-50 27,3 34,0 36,4 34,5 47,3 41,8
51-60 21,2 17,0 20,0 32,7 32,7 34,5
61 para cima 9,1 13,2 20,0 9,1 3,6 10,9
SOMA 100 100 100 100 100 100
N= 33 53 55 55 55 55
M 44 45 49 48 48 50
Fonte: CMSP, Supervisão de Biblioteca. Dados coletados e sistematizados pelo autor. M – Média de Idade
Tabela
Vereadores Titulares de 1982 a 2004 que foram eleitos para outros mandatos
Eleitorais depois de terem sido vereadores na CMSP
(N=27)
Vereador Partido Leg. Mandatos TOM
Adriano Diogo PT 10a 4 1
Alberto Calvo PSB 11a 1 2
Alberto Hiar PSDB 12a 1 2
Arnaldo de Abreu Madeira PMDB 9a 3 2
Devanir Ribeiro PT 10a 4 1
Eduardo Matarazzo Suplicy * PT 10a 1 1
Getúlio Hanashiro PMDB 9a 1 2
Gilberto Kassab PL 11a 1 4
Gilberto Nascimento Silva PMDB 9a 3 3
Havanir Tavares de Almeida Nimitz PRONA 13a 1 1
Henrique Sampaio Pacheco PT 10a 3 1
Ítalo Cardoso de Araújo PT 10a 4 1
José Aldo Rebelo Figueiredo PC do B 10a 1 4
José Eduardo Martins Cardozo PT 12a 2 1
José Ferreira do Nascimento (Zé Índio) PDS 10a 3 1
José Guilherme Gianetti PMDB 10a 2 1
José Mentor Guilherme de Mello Neto PT 13a 1 1
José Ricardo de Alvarenga Trípoli PMDB 9a 1 4
Luíza Erundina de Souza PT 9a 1 4
Marcos Ribeiro de Mendonça PSDB 9a 3 2
Nello Rodolpho Giongo Filho PMDB 11a 2 1
Paulo Seiti Kobayashi * PSDB 10a 2 2
Pedro B. Dallari PT 10a 1 2
Robson Tuma PL 10a 1 4
Ushitaro Kamia PTB 10a 2 1
Vicente Cândido da Silva PT 12a 2 1
Walter Meyer Feldman PSDB 9a 2 3
Zulaiê Cobra Ribeiro PSDB 11a 1 2
Fontes: CMSP, ALESP, CD, TRE-SP, TSE, Fundação Seade.
* Teve mandato parlamentar anterior como deputado estadual e/ou deputado federal.
173
Tabela
Presidentes de Comissões Permanentes e Não Presidentes,
Segundo o número de mandatos na CMSP e a
Eleição para outros cargos populares em %
SITUAÇÃO NÚMERO DE OUTRO CARGO VEREADORES
Presidente (N=90) MANDATOS NA
CMSP
POPULAR EM %
1 Só na CMSP 15,8
Eleito para outro 3,4
2 ou mais Só na CMSP 25,4
Eleito para outro 6,2
SUBTOTAL
Não Foi Presidente
(N=87) 1 Só na CMSP 28,2
Eleito para outro 6,8
2 ou mais Só na CMSP 9,6
Eleito para outro 4,5
SUBTOTAL 49,2
TOTAL 100
Fonte: TRE-SP e DOM.
Tabela
Vereadores da CMSP (1983-2005) que foram Presidentes de Comissões Permanentes,
Segundo o número de mandatos na CMSP e de eleições
para outros cargos populares em %
1 Mandato 2 ou mais M
SITUAÇÃO N EM % Sem
Cargo
Eleito Sem
Cargo
Eleito
Presidentes 90 100 31,1 6,7 50,0 12,2
Não Presidentes 87 100 57,5 13,8 19,5 9,2
TOTAL 177 100 44,1 10,2 35,0 10,7
Fonte: TRE-SP e DOM.
Tabela
Vereadores da CMSP (1983-2005) que foram Presidentes de Comissões Permanentes,
Segundo o número de mandatos na CMSP e de Participações na Mesa Diretora em %
1 M 2 ou > M
PRESIDENTE MESA DIRETORA MESA DIRETORA
COMISSÃO N EM % NÃO SIM NÃO SIM
SIM 90 100 33,3 4,4 24,4 37,8
NÃO 87 100 58,6 12,6 12,6 16,1
Fonte: TRE-SP e DOM.
174
Tabela
Integrantes das Mesas Diretoras da CMRJ entre 1983 e 2005
Segundo o número de mandatos obtidos entre 1982 e 2004
MANDATOS Presidente
1º Vice
Presidente
2º Vice
Presidente
Secretário
Secretário
1 4 4 3 5 0
2 1 2 5 1 4
3 1 4 2 2 3
4 1 1 1 2 2
5 1 0 1 0 1
TOTAL 8 11 12 10 10
Fonte: Biblioteca da Câmara Municipal do Rio de Janeiro (CMRJ).
Tabela
Número de Passagens pela Mesa Diretora da CMRJ,
Segundo o Número de Mandatos dos Vereadores (1983-2005)
MANDATOS 1 2 3 4 5 6 VEREADORES
1 13 1 1 0 0 0 15 37,5
2 8 2 1 0 0 0 11 27,5
3 4 2 1 1 0 0 8 20,0
4 1 3 0 0 0 0 4 10,0
5 1 0 0 0 0 1 2 5,0
TOTAL 27 8 3 1 0 1 40 100
67,5 20,0 7,5 2,5 0 2,5 100
Fonte: Biblioteca da CMRJ.
175
Quadro
Regiões Eleitorais do Município de São Paulo segundo a divisão feita pelo TRE-SP
Excluindo-se as novas zonas eleitorais incluídas em 2005
REGIÃO NRO. DA
ZONA
ZONAS ELEITORAIS ELEITORADO 2005
CENTRO 001 Bela Vista 264.647
003 Santa Efigênia
SUL 006 Vila Mariana 2.384.615
258 Indianópolis
259 Saúde
260 Ipiranga
372 Piraporinha
371 Grajaú
280 Capela de Socorro
246 Santo Amaro
320 Jabaquara
328 Campo Limpo
351 Cidade Ademar
373 Capão Redondo
381 Parelheiros
CENTRO SUL 005 Jardim Paulista 132.058
OESTE 002 Perdizes 1.361.213
250 Lapa
251 Pinheiros
325 Pirituba
327 Nossa Senhora do Ó
346 Butantã
374 Rio Pequeno
376 Brasilândia
NORTE 249 Santana 983.340
254 Vila Maria
255 Casa Verde
256 Tucuruvi
349 Jaçanã
LESTE 004 Mooca 2.738.467
247 São Miguel Paulista
248 Itaquera
252 Penha de França
253 Tatuapé
257 Vila Prudente
326 Ermelino Matarazzo
347 Vila Matilde
348 Vila Formosa
350 Sapopemba
352 Itaim Paulista
353 Guaianazes
375 São Mateus
TOTAL* 7.864.340
Fonte: TRE-SP e Seade.
As zonas eleitorais aqui excluídas são as seguintes: Região Oeste - Perus (389), Jaraguá (403), Região Leste - Jardim Helena (397),
Vila Jacuí (398), Região Sul – Jardim São Luis (408).
* Incluindo as zonas que ficaram de fora.
176
Quadro
Regras referentes aos Municípios
REGRAS ELEITORAIS O QUE DIZEM
Candidatura nata Assegura a legenda para o candidato disputar a
reeleição sem que precise disputar a
convenção. A regra favorece quem tem
mandato em detrimento de que não possui,
pois, entre outras vantagens, tende a reduzir o
custo da campanha do que está investido do
mandato.
Candidaturas por partidos políticos O número máximo de candidatos a ser lançado
por cada partido também afeta o cálculo dos
políticos.
Coligação para eleição proporcional O direito de coligação faz diferença,
especialmente para o pequeno partido que se
coliga a um maior e dispõe de um ou dois
candidatos fortes.
Coligação para eleição executiva
Data das eleições Em 1982 todos cargos elegíveis pela população
foram renovados simultaneamente, mas a partir
daí as eleições municipais foram dissociadas
das gerais, sendo que no ano de 1985 ocorreu
também a primeira eleição direta para prefeito
das capitais e áreas de segurança nacional
desde 1966, quando os militares já governavam
o País.
Idade mínima para Disputar Mandato Havia, como no Brasil e em qualquer
sistema político nacional, idade mínima limite
para concorrer a mandato popular, a qual tende
a variar dependendo do cargo a que se
concorre. A idade mínima para vereador era e
continua a ser 18 anos, como a de deputado
estadual, federal, prefeito e vice de 21 anos
(artigo 14 da CF), 30 governador e vice-
governador, e 35 anos presidente, vice-
presidente e senador da república.
Idade mínima para Votar Também idades mínimas limites para votar.
Como o voto é obrigatório no Brasil, a idade
mínima é de 18 anos, a despeito de maiores de
16 anos passarem a dispor do direito de voto se
assim desejarem, regra esta que passou a
vigorar ao longo da redemocratização. A
obrigatoriedade do voto se estende até os 70
anos.
Ideologia Política Até o início de 1985, os partidos comunistas
eram vedados no Brasil, o que levava os
políticos identificados com estas organizações
a atuarem no interior de outras organizações
como o MDB e depois PMDB, e também no
PT e no PDT.
Lista partidária aberta Faz com que o partido não imponha legalmente
uma ordem de preferência entre os candidatos,
o que significa que todos buscam maximizar
seus votos nominais.
Oferta de cargos eleitorais Os cargos para vereador são em maior número
dentre os que são submetidos ao voto popular,
tornando-o, em tese, de mais fácil acesso para
os que procuram ingressar na vida política.
Quociente eleitoral Número para determinar quais são os partidos
177
que elegerão parlamentares. Tal número, em
termos exatos, é conhecido após a apuração
dos votos. Por mais que uma campanha seja
bem planejada, é muito difícil de prever o
tamanho de uma bancada e os parlamentares
eleitos, pois esta depende de outros fatores, tais
como o comparecimento eleitoral e o total de
votos válidos.
Reeleição para cargos parlamentares Não limite para a reeleição de cargos
parlamentares.
Reeleição para chefia do Poder Executivo Até 1997, os chefes do Poder Executivo não
podiam disputar a reeleição. Para disputarem
novamente o cargo deviam tentar após o
intervalo de uma eleição novamente.
Vencimentos Os cargos executivos e parlamentares são
remunerados mensalmente. A garantia da
remuneração é considerada fator decisivo para
o grau de
Voto Proporcional Esta regra jamais foi alterada para as eleições
de vereador, deputado estadual e federal desde
que foi implantada.
Voto Eletrônico Introduzido a partir de 1996 nos municípios
com mais de 200 mil eleitores. O voto
eletrônico reduziu imediatamente a taxa de
votos nulos e votos em branco, em especial nas
eleições para o Poder Legislativo. Assim,
migrou-se da cédula em papel e urna
tradicional para voto e urna eletrônicos.
Votos Válidos Nas eleições proporcionais incluía-se entre
estes os votos em branco, mas deixaram de ser
a partir da sanção da lei 9.504/94, com a
redação dada pelo artigo 5º .
178
ENTREVISTA COM O VEREADOR JOOJI HATO REALIZADA APÓS SUA REELEIÇÃO
EM 2004 PARA O 6º MANDATO CONSECUTIVO
QUESTÕES E RESPOSTAS
1) Atualmente o senhor é o vereador mais antigo da CMSP dentre os que foram eleitos a
partir de 1982 (9ª Legislatura), exercendo o sexto mandato consecutivo. Desde o início de seu
primeiro mandato em 1983, já transcorreram 23 anos. O senhor imaginava fazer uma carreira
política tão longa?
R -Minha primeira eleição foi em 1982. De lá para cá, tenho sido eleito, ininterruptamente,
Vereador desta Cidade. Acredito que a população tem reconhecido meu trabalho e esforço em
algumas áreas de atuação, como, por exemplo, a área da saúde e da segurança preventiva. De
qualquer forma, costumo dizer que o quadro eleitoral, não só em São Paulo, é como uma
nuvem: cada vez que olhamos está de uma forma diferente, portanto, é difícil imaginar quantas
eleições serão ganhas ou por quanto tempo permaneceremos na política. Não somos vereadores,
"estamos" vereadores. Não costumo fazer planos de longa carreira política, ou mesmo planos
para um futuro distante, apenas, trabalho e procuro atender as demandas da cidade e dos
munícipes.
2) Desde que tomou a decisão de iniciar sua vida política eleitoral sua meta foi a de ser
vereador, ou chegou a pensar em outro mandato?
R - Sim. Candidatei-me a vagas à Deputado Estadual, Federal e Senado - sempre pelo PMDB.
2.1) O senhor é irmão de um ex-vereador, Mário Hato. Ele teve influência na sua decisão
de ingressar na política eleitoral? Qual é a importância da contribuição dos parentes para o
sucesso na política eleitoral?
R - Sim. A contribuição dos parentes na política eleitoral vem principalmente do apoio e ajuda
na candidatura, na eleição e a experiência de quem já tem vivencia a vida política.
3) Até hoje o senhor não se elegeu presidente da CMSP, mesmo sendo o mais antigo do
período assinalado. O senhor se propõe a ser eleito para o referido cargo em algum momento,
ou isto é indiferente para sua carreira?
R - Já concorri à presidência desta Casa. Ocorre que tais escolhas não são realizadas levando-se
em consideração o número de anos em que um Vereador permanece na Casa. A influência vem
do número de cadeiras que cada partido tem, da votação auferida e o mais importante, do
quadro político que vivemos a cada eleição da presidência desta Casa. Saliento ainda que já
ocupei a presidência desta Casa interinamente nas gestões dos ex-vereadores Miguel
Colassuono e Eduardo Suplicy.
4) Durante estes anos o senhor concorreu duas vezes a uma vaga na Assembléia Legislativa
e uma vez para Senador. O senhor tinha realmente o objetivo de ser eleito (especialmente para
senador), ou sua candidatura tinha outra finalidade? Se a finalidade era outra, o senhor poderia
explicar?
R - Além da finalidade eletiva, em particular na campanha ao Senado, havia a convicção de que
um partido como o PMDB deveria ter candidatura própria. Não poderíamos ficar a reboque de
outras candidaturas. Assim, enfrentei as prévias e fui candidato ao Senado pelo maior partido do
país e pelo estado mais forte da Federação.
179
5) O senhor ainda pretende se candidatar a outros cargos eletivos?
R - Sim. Na próxima campanha devo concorrer a uma vaga na Assembléia Legislativa.
6) Em sua opinião, qual é o retorno pessoal do exercício da vereança? Peço que comente,
mas dou algumas sugestões. Prestígio social. Ter a certeza de que se pode melhorar a vida das
pessoas. Influenciar nos rumos da vida da cidade.
R - Na política, acredite que a questão do "prestígio social" é extremamente controvertida o que
não costuma ocorrer em outros setores da sociedade. Por exemplo: quando um médico faz algo
errado, não se culpa toda a classe médica. Quando um engenheiro pratica um mau ato, não se
aponta o dedo a toda a classe, Mas quando políticos se envolvem em escândalos, a população
tende a "nivelar por baixo", ou seja, começa a acusar e desconfiar publicamente de todos os
políticos. Assim, a família sofre, os filhos sofrem... a desmoralização de um, influencia a vida
dos demais.
Melhorar a vida das pessoas e influenciar de forma correta nos rumos da cidade com a
aprovação de leis não constitui para um político somente uma realização pessoal, mas é antes, a
realização de um ideal.
Acredito que a grande realização pessoal da política é ter a certeza de que ajudamos a escrever a
historia da cidade, do estado e do país.
***
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