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dos cantos e dos ritos, o jeito belo de o presidente da celebração se posicionar e fazer gestos
tocam, encantam, comovem, mexem com o participante penetrando em todos os seus sentidos.
Nessa beleza e harmonia da ação litúrgica, transparece uma outra beleza; o participante percebe a
beleza divina, o mistério de Deus além da beleza das realidades sensíveis. Daí, o participante
procura fixar a sua atenção no mistério para a adoração e a contemplação, acreditando na
presença divina invadindo o seu coração para fazer dele sua morada, para questioná-lo, amá-lo,
mudá-lo, fortalecê-lo e salvá-lo. O participante percebe algo diferente que o marca, acontecendo
naquele momento. Ao sair dalí, sente-se outro, sente a paz, sente-se amado, fortalecido,
perdoado, salvo e procura tomar uma resolução a partir da experiência vivida: uma resolução de
compromisso, de fidelidade ao projeto de Deus, de amor ao próximo. E como, naquele dia,
Zaqueu, ao ser visitado por Jesus, fez uma experiência inédita porque se sentiu amado; ele, que
era excluído da comunidade religiosa por causa dos seus pecados, sentiu o perdão. O gesto de
Jesus foi um ato belo que comoveu Zaqueu. Este, percebeu uma outra realidade que é a bondade,
o amor, o perdão e a beleza de Deus, e que o levou a mudar de vida(Lc19.2-10). É como a
experiência dos discípulos de Emaús que, no caminho, viram um homem caminhando com eles
sem saber quem ele era. Porém, pela beleza da catequese ouvida o qual os tocou, os discípulos
foram elevados a um outro nível: o de perceber que aquele homem era Cristo ressuscitado ( Mt
24, 13-35).
Dá para perceber que, na liturgia, a beleza da interação entre Deus, a assembléia, os sinais
sensíveis e os efeitos esperados gera a experiência da manifestação da presença real de Cristo
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Na liturgia, a beleza das realidades sensíveis (os ritos, os gestos, as palavras, os cantos....)
eleva o participante a um outro nível, o de contemplar e adorar a Beleza das belezas, que é Deus.
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BUYST, Ione. Pesquisa em liturgia: relato e análise de uma experiência. São Paulo: Paulus, 1994, p.20.