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MARCELO GAMA E MELLO DE MAGALHÃES PINTO
FREVO PARA PIANO DE EGBERTO GISMONTI:
UMA ANÁLISE DE PROCEDIMENTOS POPULARES E
ERUDITOS NA COMPOSIÇÃO E PERFORMANCE
BELO HORIZONTE
UN IVER SIDA DE F EDE RAL DE M INAS GER AIS
2009
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Marcelo Gama e Mello de Magalhães Pinto
FREVO PARA PIANO DE EGBERTO GISMONTI:
UMA ANÁLISE DE PROCEDIMENTOS POPULARES E
ERUDITOS NA COMPOSIÇÃO E PERFORMANCE
D i s s e r t a ç ã o a p r e s e n t a d a a o
D e p a r t a m e n t o d e P ó s - G r a d u a ç ã o d a
E s c o l a d e M ú s i c a d a U n i v e r s i d a d e
F e d e r a l d e M i n a s G e r a i s c o m o
r e q u i s i t o p a r c i a l p a r a o b t e n ç ã o d o
t í t u l o d e M e s t r e .
Á r e a d e c o n c e n t r a ç ã o : P e r f o r m a n c e
m u s i c a l .
O r i e n t a d o r : P r o f e s s o r D o u t o r F a u s t o
B o r é m .
Belo Horizonte
Escola de Música da UFMG
2009
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Aos meus pais e minha irmã.
À Roberta.
AG RADE CIME NTOS
Ag rade ço a todos qu e co ntr ibuí ram par a a re a liz ação de ste
trabalho.
Agradeço à minha família,
à Roberta,
ao meu orientador, Professor Fausto Borém,
à Professora Lúcia Assumpção.
RESUMO
Es te tr abal ho é u m est udo s obre reco nhec imen to de elem ento s
er udit os e pop ula r es na p erfo rman ce de E gber to Gis mont i, em s ua
obra Frevo para p iano so lo. Rea liz a -se uma a n áli se desc rit i va,
fu ndam enta da em cara cter ísti cas music ais do gêne ro frevo e de
co mpar açõe s c o mpo sici onai s co m co m pos i tor es e rudi tos. For am
ut iliz adas co mo font es prim ári a s: a grava ção de Frevo, reali zad a
pe lo pr ópri o aut or e q ue es tá pr esen te no disc o Alma , a pa rtit ura
im pres sa no enca rte d o mes mo di sco e a par t itu ra de Frevo,
pr esen te n o l ivro Eg bert o Gismo nti, ed ita d o p ela Édi tion Su isse .
Co mo fo nte s ecun dári a, fo i uti liza da um a tra nscr içã o da
pe rfor manc e de Frevo d o dis co Al ma, feit a por est e pes quis ado r ,
ut iliz ando do s segui ntes sof twar es: Finale e Amazi ng Slow
Do wner . A aná lise de Frevo foi p rece did a de um a cont extu aliz açã o
so bre o gên ero frevo, traç ada desd e seu s pr imór dios até sua
co nsol idaç ão ( S ALD ANHA , 200 8; LI MA, 2 005) , e de uma desc riçã o
da tra j etó r ia music al er udit a e po pula r do compo sito r e mu lti-
in stru ment ist a Eg bert o Gismo nti, de l ine ada com bas e
prin cipa lmen te em arti gos pu b lic ados na in tern et e en trev ist a s
pu blic adas no Jo r nal Cai pir a . A an á lis e da ob ra most rou que o
gênero perna mbuc ano foi uti liza do na co nst ruçã o da obr a de
Gi smon ti, ta nto no s aspe ctos co mpo sici onai s quan to
im prov isat óri o s. Ao co n trá rio d a tr adiç ão de pr e dom ínio de
me lodi a a comp anha da da m úsi c a i nstr ume n tal po p ula r, E gbe r to
ut iliz a prin cipa lme n te de um s ofis tica do con trap onto a d uas vo zes,
co m base s em uma com p lem enta rida de mel ódic a para qu e o fl uxo
rí tmic o d o disc urs o m usic al, co m o é t ípic o d o frevo, n ão sej a
in terr ompi do. Ob serv ou-s e um hibr idis mo de ele men t os das
mú sica s po pul ar brasi leir a e est rang eira com ele men t os erud itos ,
notadamente a influência de Bach e Chopin.
Pa lavr as-c have : Eg bert o Gi smon ti. Frev o. P iano . Mú sica
brasileira. Performance musical.
AB STRA CT
Th is w ork is a stu dy a bou t th e re cogn itio n of cla ssi c al a nd p opu lar
el emen ts in Gism onti s pe rfor man c e of h is wo rk Frevo for solo
pi ano. It is a des c rip tive an alys is, bas ed on musi cal
ch arac teri sti c s o f t he ge nre frevo and on comp osic iona l
co mpar ison s wi th class ical com pose rs. I t ha s be en us ed a s
pr imar y s o urc es: a) t he r eco r din g of Frevo, p erfo rme d by the
au thor in th e album Al ma; b) the sc ore of Frevo, from the bo okle t
of the s a me album ; and c ) the scor e of Frevo fr om th e boo k
Eg bert o G ismo nti, pu blis hed by Édit ion Sui sse. As a seco ndar y
so urce , it ha s be en util ized a tran scri pti o n o f Frevos per f orm a nce
of t he alb um Al m a mad e by thi s rese arc h er wi th the f oll o win g
softwares: F inal e an d Am azin g Sl ow Do wne r . Th e an alys is of
Frevo i s pre cede d by a hi sto r ica l exp lan a tio n abo ut frevo, sinc e it s
be ginn ing un t il its co nsol ida t ion (S ALDA NHA, 20 08; LI M A, 200 5),
as we ll a s by a de scri pti o n o f the c lass ical an d popu l ar mus i cal
pa th of t he com pos e r and m ult i -ins trum enti st Egb ert o Gism onti ,
ba sed ma inly on w eb arti cle s a nd inte rwie ws pub lish ed in th e
newspaper Jo rna l Ca ipir a. T he anal ysis ha s sh owed th a t t he g enr e
frevo w as use d i n both th e comp o sit i ona l and imp rovi sati ona l
as pect s of the con stru ctio n of Frevo. In stea d of uti lizi ng a n
ac comp anie d me lody , Egb ert o mai nly m akes use of a s oph isti cate d
co unte rpoi nt i n tw o vo ices , ba s ed o n a melo dic c omp leme ntar ity in
or der to m a ke t he r hyt h mic ove r flo w of the mus ical spe ech, lik e in
fr evo, c ont i nuo us. A c omb inat ion of ele ment s from t he Bra zil i an
Po pula r M u sic and in t ern atio nal mus i c w ith cla s sic al e leme nts,
mainly an influence of Bach and Chopin, was observed.
Key-words: Egb erto Gi smon ti. Fr e vo. Pi ano. Br azi l ian mu sic.
Musical performance.
SU MÁRI O
1.1
1.2
1.3
1.4
1.5
2.1
2.2
3.1
3.2
3.3
Capítulo I ..............................................................
Introdução ..............................................................
Justificativa ............................................................
Objetivo geral .........................................................
Objetivos específicos ...............................................
Fontes ....................................................................
Capítulo II Contextualização histórica: O gênero
frevo e Egberto Gismonti ........................................
O gênero frevo ........................................................
Egberto Gismonti .....................................................
Capítulo III Aná lis e de Frevo ................................
Motivos temáticos de Frevo .......................................
Análise das seções formais de Frevo ........................
Microanálise de Frevo ..............................................
Capítulo IV Conclusão ..........................................
Referências ...........................................................
An exo Edição de performance de Frevo ................
7
7
9
9
10
10
13
13
27
37
37
40
47
73
75
79
7
Capítulo I
1.1 Introdução
O Br asil há muit o é con h eci do por sua div ersi dad e
mu sica l, ori gina da das mis tura s raci ais e fusõ es cul tura is. A
ex tens ão c ont i nen tal de se u terr i tór i o e su as dif eren tes
co loni zaçõ es (po rtug uesa , espa nhol a e h o lan desa ) c ontr ibu í ram
pa ra a pl ural idad e d as m anif est a çõe s cu ltur ais e a rtí s tic as,
pr inci palm ent e as de cu nho po pula r. Es tas, tiver am g r and e
in fluê ncia dos negr os tr azi dos p elos col o niz ador es de dif e ren tes
pontos da África como Angola/Congo e Yoruba (Cançado,1999).
O co ntex to re ligi oso no p e río d o c olon ial influ enci ou a
fo rma c omo a mús i ca s e des envo lveu nos p aís es. E m paí ses
co loni zado s prot esta ntes , as mani f est açõe s music ais e cul tura is
do s escra vos neg ros nã o er am per m iti das. Já no s novos pa íses
ca tóli cos, a mi stu r a das tra diç õ es rel igio sas e cul t ura i s afri cana s
co m o Ca t oli cism o p e rmi tiu que ho uves se um d esen vol v ime nto
ma ior de po liri tim i a e d a m úsi c a per cuss iva ( C anç ado, 19 99,
p.46).
Há ex e mpl os m usi c ais de inf luên cia da rítm ica afr ican a n a
Co leçã o d e M odi n has An ônim as do séc ulo XV I II bem co mo no
Lundu - gê nero mu sic al p o pul ar p r ese nte no con text o soci al d o
sé culo XV III. Is to most r a como os neg r os tive ram gra nde
influência no desenvolvimento da música popular no Brasil.
O gê nero de músi ca po p ula r frevo orig inou -se em
Pe rnam buco , es tad o de gra n de i mpo r tân cia econ ômic a pa ra o
Br asil pe l as expo rta ç ões de can a -de-aç úcar du r ant e o per í odo
co loni al (SALD ANH A , 20 08) . O fre v o fo i ge rad o , mu sic alme nte,
8
pe la h istó ria do est ado, se ndo um gên ero mus ical tí pico da s
manifestações populares do Brasil.
Neste tra balh o, o fre vo é sit uad o his tor i cam ente des de
su a orige m na colo n iza ç ão de Per namb uco no séc ulo XV I I,
pa ssan do p elo d esen volv ime n to e c ons olid ação , até sua s
vertentes mais recentes.
A apres enta ção d e ste h istó rico d o fre vo se f az nec essá ria
pa ra a con t ext uali zaçã o d a obr a Frevo, d o comp osi t or fl umi n ens e
Eg bert o Gi s mon ti, q ue se rá an ali s ada do po nto d e vi s ta
composicional e da performance pianística.
Eg bert o Gis mont i é um compo sito r e mul ti-instrumentista
re conh ecid o i nte r nac iona lmen te pelo es tilo de sua li n gua gem
co mpos icio nal e prát icas de pe rfor manc e úni cas, que t em
de senv olvi do ao l ong o d e m ais de trin ta anos de carr eira
profissional.
A rel evâ ncia d e Egb e rto G ismo nti n o cená rio mus ica l
de corr e, outr ossi m, do trata men t o erudi to que ele dá a ma ter iais
po pula res, contr ibui ndo, co nse quen teme nte, pa ra a inte graç ão da
mú sica popu lar co m a e rudi ta e, de um a f orma m a is am pla, do
meio popular com o acadêmico.
No s eu dis co A lma ( G ISM ONTI , 1987 ), Gis m ont i, atr avés
de uma ou d uas linha s m eló d ica s, mas com g rand e c ompl exi d ade
rí tmic a, con segu e<